Meu primo D. Pedro I: O homem por trás do grito





 

 

 

 




      







D. Pedro I






Este é o principal retrato oficial de D. Pedro I, pintado em 1826 por Simplício Rodrigues de Sá. O imperador posou pessoalmente e ao vivo para o artista, que era professor de pintura da família real. Como a fotografia não existia, as sessões exigiam que o monarca ficasse horas imóvel. O resultado final trazia um truque de mestre: o pintor capturava as feições do rei ao vivo, mas dava aquele "retoque" caprichado para suavizar as marcas de varíola da pele e deixá-lo com um ar imponente e perfeito para estampar moedas e documentos oficiais do Império.

 


D. Pedro I: O homem por trás do grito (e o meu primo impetuoso)
Antes de iniciar esse post preciso dizer que D. Pedro I, o herói dos meus tempos de escola é meu primo em 19º grau, com 2 graus de afastamento, tomando como base nosso ancestral comum, D. Sancho I, de quem ele é e 20ºneto e eu 22º neta. Mas isso só descobri muito tempo depois dos tempos de escola.
 Do grotão da escola rural aos novos heróis da cidade
Quando me deparei com D. Pedro I pela primeira vez, eu estava vivendo um período de grandes mudanças em minha trajetória escolar. Saí de uma escola rural com sala multisseriada e com bancos em que os alunos se sentavam de dois em dois. Era uma escola que ficava perto de um grotão que a meninada explorava nos pequenos intervalos do recreio. Não sei como dava tempo de a gente merendar, escalar paredões e ainda fazer barragens nos córregos, só para desmanchar depois e ver a água correr impetuosa.
Vim parar na cidade para fazer o 4º ano por volta de 1974. Era uma grande escola com muitas salas — uma para cada série —, carteiras individuais e uma professora cuja doçura nem sei explicar. Foi nessa sala que criei mais uma remessa de heróis: o D. João VI, que citei antes, e agora D. Pedro I, seu filho, além de outros dessa linha imperial de quem falarei mais à frente.
O herói impecável do livro didático
Encarei D. Pedro I já direto no Ipiranga. Naquele tempo não havia muito "trelelê". Era o “Independência ou Morte” que importava. Mostraram-nos um D. Pedro montado num belo cavalo baio, de espada em punho, no alto de uma colina verdejante. Foi a imagem que guardei, junto com a “verdade” de que ele havia separado o Brasil de Portugal. Guardei também a imagem dele sentado, ereto ao piano, tocando o Hino da Independência. Para mim isso bastava, afinal eu era uma criança de 10 anos e acreditava em tudo.
 

 O tombo dos mitos: mulas e dores de barriga
Foi muito tempo depois que os mitos em torno dele foram caindo, justamente por causa do meu fascínio por história e pelo meu declínio romântico. Não nego que foi com certa decepção que descobri que o belo e fogoso cavalo baio não passava de uma mula baia gateada, e que os imponentes Dragões da Guarda Real eram, na verdade, civis e tropeiros.
O coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Melo, que acompanhava D. Pedro, relatou tudo isso 40 anos depois. Segundo ele, as pessoas que escoltavam o príncipe eram experientes sertanejos acostumados a atravessar, com suas mulas, os caminhos pedregosos, cheios de altos e baixos, da Paulistânia. Como faltavam recursos públicos, a corte convidava os moradores da região a oferecer companhia, animais e pouso para formar a Guarda de Honra do ilustre viajante.
O Padre Belchior Pinheiro de Oliveira também registrou os acontecimentos. Na versão dele, enquanto D. Pedro tentava ler as mensagens urgentes trazidas de Portugal e de D. Leopoldina, foi preciso ir ao mato de novo por causa de uma forte disenteria. Querendo logo saber do que se tratava, o príncipe entregou os papéis ao padre para que os lesse em voz alta enquanto ele, agachado, ouvia. Foi ainda se abotoando e compondo a fardeta que D. Pedro cortou de vez as relações com Portugal. Percebe-se que a realidade não é o que fantasiamos obrigados por um sistema educacional. Simples assim.
Fico pensando: se naquele tempo tivessem me mostrado D. Pedro montado numa mula separando o Brasil de Portugal, eu teria feito dele um herói? Tenho certeza de que omitir isso era o objetivo do sistema, pois ele jamais iria dizer a um bando de crianças que D. Pedro, naquele dia, estava com uma terrível dor de barriga e que vinha parando pelos matos até chegar à colina do Ipiranga. E jamais iriam admitir que foi D. Leopoldina, sua esposa — uma mulher! —, quem assinou a independência dias antes. Ou seja, ela entregou o pomo maduro; bastou a ele o gesto do grito.Bem, essas e outras verdades descobri lendo o livro 1822, também de Laurentino Gomes. 
E se escrevi tudo isso, foi só para mostrar que reis também têm carne, osso e necessidades como qualquer um de nós. Ele continua sendo um de meus heróis — por outros feitos que realizou pelo Brasil, claro.
À esquerda, está a famosa e idealizada pintura "Independência ou Morte" de Pedro Américo. À direita, uma representação realista de Jean-Baptiste Debret, mostrando Dom Pedro viajando em trajes comuns e montado em uma mula de carga, devido ao relevo da Serra do Mar.

 

Bilhetes românticos e mágoas reais
O tempo passou e, mergulhada na história, acabei descobrindo o lado mais devasso de D. Pedro I. Claro que eu já sabia de seu caso com a Marquesa de Santos, mas fingia ignorar esse fato até o dia em que li Titília e o Demonão: A História Não Contada, de Paulo Rezzutti.
Confesso que meu sangue nunca ferveu tanto quanto ao ler o trecho triste de uma carta de D. Leopoldina à sua irmã. Nessa correspondência, a imperatriz dizia:
"Ultimamente, acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças. Muito e muito tinha a dizer-te, mas faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte."
Nada foi formalmente provado sobre que tipo de atentado seria esse — se uma violência física ou um cruel atentado moral e psicológico. O que se sabe ao certo é que D. Pedro I havia obrigado D. Leopoldina a nomear a amante como sua primeira-dama de companhia, logo após terem tido uma violenta discussão.
A imperatriz era obrigada a conviver diariamente com a rival dentro do palácio e a tolerar humilhações públicas constantes, enquanto sua própria mesada era cortada. Para uma arquiduquesa da dinastia Habsburgo, vinda de uma das famílias reais mais tradicionais da Europa, ser submetida a esse nível de degradação deliberada diante da corte era considerado um verdadeiro atentado à sua dignidade como soberana. Para as más línguas da época, esse estresse severo levou a imperatriz a sofrer um aborto que teve um desfecho fatal, exatamente como ela previu em seu desabafo.
Meu sangue ferveu ainda mais quando li alguns dos bilhetinhos amorosos e vulgares de D. Pedro para a amante, enquanto D. Leopoldina sofria e se calava para manter a pose de imperatriz.
Sabemos que os romances reais e concubinatos sempre existiram ao longo dos séculos. Eu mesma sou descendente direta de uma concubina do rei D. Sancho I de Portugal, lá atrás — monarca que, por sinal, também é um dos ascendentes do próprio D. Pedro I. Mas é fato que, por trás do encantamento mágico e proibido dessas paixões secretas, esconde-se um sofrimento feminino avassalador que muitos preferem ignorar. É por isso que, para mim, a figura de herói de D. Pedro I foi definitivamente ofuscada por algum tempo. Agora eu consegui perdoá-lo.
Para ter acesso a exemplares dessas cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos, acesse o link abaixo e vá a partir da página 36:
 
Transcrição de duas cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos



Esta imagem é o único registro fotográfico real conhecido da Marquesa de Santos com vida, capturado por volta de 1863 em seu casarão em São Paulo, onde ela aparece já na velhice ao lado de seus netos Domitila e João Tobias. Bem distante dos escândalos da juventude no Primeiro Reinado ao lado de Dom Pedro I, a foto mostra a antiga favorita imperial convertida em uma respeitável matrona e benfeitora da sociedade paulista. O valor histórico desse registro é imenso, pois seus detalhes exatos — como o manto escuro, a touca rendada e as fitas claras na cabeça — serviram de base absoluta para que o pintor Miguel Navarro Cañizares criasse, anos mais tarde (em 1887), o famoso quadro a óleo colorido que muitos confundem com uma imagem de época.


Este óleo sobre tela, pintado por Francisco Pedro do Amaral por volta de 1825, é o retrato mais icônico de Domitila de Castro jovem e captura o auge absoluto de seu romance com Dom Pedro I, quando ela tinha cerca de 27 anos. A obra — que hoje pertence ao acervo do Museu Histórico Nacional — funciona como uma clara demonstração de luxo e prestígio político: a futura Marquesa de Santos aparece vestindo um imponente traje de gala e ostenta no peito a faixa rosa da Ordem Real de Santa Isabel, uma honraria máxima da corte. Um detalhe fascinante é o adorno brilhante em formato de borboleta em seu penteado alto, acessório que se tornou a marca registrada de Domitila e que acabou ditando a moda copiada por todas as mulheres da alta sociedade da época.





Dom Pedro I: O Imperador Músico e Compositor que Eu Não Conhecia

Para a maioria dos brasileiros, a única associação espontânea entre Dom Pedro I e a música é a melodia do Hino da Independência (“Já podeis da pátria, Ver contente a mãe gentil...”). O que poucos sabem é que o primeiro imperador do Brasil era um verdadeiro multi-instrumentista e um compositor respeitado internacionalmente.

Ele tocava cerca de oito instrumentos — incluindo piano, flauta, violão (guitarra acústica) e violoncelo —, além de ser cantor e dominar profundamente as complexas regras de harmonia da época para colocar suas próprias ideias musicais no papel.


 A Criação do Hino e as Modinhas Românticas

Dom Pedro I teve uma formação musical extremamente rígida e esmerada desde a infância. Sua obra mais célebre é, sem dúvida, a melodia do Hino da Independência do Brasil, cuja letra foi escrita pelo jornalista e poeta Evaristo da Veiga. Mas o talento do monarca ia além dos hinos patrióticos: ele também adorava cantar e compor modinhas românticas, sendo que várias delas foram dedicadas à sua famosa amante, a Marquesa de Santos.

 

 Hino da Independência interpretado por Rosana Lanzelotte, Jacques Ogg (pianoforte) Ricardo Kanji (flauta), Felipe Prazeres (violino), Alberto Kanji (cello) Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles – 4 de junho de 2016 VII Circuito BNDES Musica Brasilis - Cartas Leopoldinas
 


 O Domínio da Música Sacra


Dom Pedro I destacou-se na composição de música sacra e secular. Sua obra mais impressionante nesse gênero é a Sinfonia e Te Deum (1821), marcada por ousadias técnicas e fortes influências das modinhas populares. A peça chamou tanta atenção que a Imperatriz Dona Leopoldina fez questão de enviar a partitura para seu pai, Francisco I, Imperador da Áustria, acompanhada de um comentário sincero e curioso em sua carta:

“Falando a verdade é um tanto teatral, que é defeito de meu Marido. Mas posso garantir que é escrito por ele mesmo, sem auxílio de ninguém”.

A obra trazia inovações surpreendentes para a época, como trechos em que o compositor suspendia toda a orquestra para deixar o coro cantar puramente a capela, além de um fugato no trecho “In te Domine” baseado em um tema brejeiro que fazia lembrar uma modinha.

Atualmente, as partituras de música sacra conservadas de Dom Pedro I são:

  • Responsório para São Pedro de Alcântara (Mortuus est)
  • Antífona de Nossa Senhora, em Dó maior (Sub tuum praesidium)
  • Credo do Imperador (Credo, Sanctus e Agnus Dei da Missa de Nossa Senhora do Carmo, em Dó maior)
  • Hino de Ação de Graças, em Dó maior (Te Deum)

Todos esses manuscritos históricos originais encontram-se depositados no acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro.


 Projeção Europeia e Aplausos em Paris

As composições seculares do monarca ganharam palcos europeus e algumas chegaram a ser regidas por ninguém menos que o célebre compositor italiano Gioachino Rossini, que se tornou amigo pessoal do imperador.

A trajetória de suas criações públicas começou cedo:

  • Em 1814: A banda da Brigada Real da Marinha recebeu a ordem de tocar uma “nova composição” de Dom Pedro na semana anterior ao seu 16º aniversário.
  • Em 1817: Ele compôs o Hino a D. João, uma exaltação patriótica ao seu pai (elevado ao trono no ano anterior) que também serviu como celebração da vitória da monarquia sobre a Revolução Pernambucana, de caráter republicano e separatista.

Anos mais tarde, em outubro de 1831, já tendo abdicado da Coroa brasileira e vivendo em Paris, Dom Pedro I viveu um momento de consagração. Ele teve uma grande abertura de sua autoria executada no prestigiado Teatro Italiano. O jornal da época The Harmonicon relatou o evento:

"O ex-Imperador não esteve apenas presente, como dirigiu em pessoa a execução desta peça, tomando especial cuidado em marcar as passagens importantes, em ter os fortes e pianos adequadamente observados e o andamento estritamente observado. Esta obra foi muito aplaudida."

A peça em mi bemol foi repetida no dia seguinte e elogiada pela revista Revue Musicale por seu "amplo conhecimento dos recursos da orquestra". Embora tenha colhido muitos elogios, a obra também enfrentou os críticos da época, como o escritor alemão Ludwig Boerne, que fez menções negativas à apresentação em seu livro Cartas de Paris.

 

Partitura do Hino a d. João

 

 

Letra do Hino a D. João composto por D. Pedro em 1817, no Rio de Janeiro. No ano anterior, D. Maria I havia falecido, o que finalmente deixou espaço para o início do reinado de D. João, que até então desempenhava o papel de regente em nome da rainha, considerada irremediavelmente louca desde 1792. Portanto, é muito provável que este hino seja um presente do príncipe real a seu pai, em celebração ao início de seu reinado.


O monumental Credo in unum Deum (1822) de D. Pedro I, considerado sua magna obra. Interpretam esta performance histórica à beira do Mar da Galiléia: a soprano Monica Schwartz e o tenor Itamar Hildesheim; o Ensemble PHOENIX apresentando a obra aqui em primeira audição com instrumentos de época; e The Madrigal Singers, sob a regencia e direção musical da brasileira Myrna Herzog.


Se você quiser se aprofundar na faceta musical do primeiro imperador do Brasil, explore os links abaixo:

  • Conheça a análise detalhada sobre os Hinos e a Marcha Imperial de Dom Pedro I no portal 👉 Música Brasilis
  • Descubra os bastidores políticos da música na corte lendo o artigo 👉 A Partitura da Corte na revista Insight Inteligência.
  • Acesse as partituras originais: No site da 👉 Musica Brasilis, você pode rolar a tela, selecionar a obra desejada e clicar na palavra "Partitura" para visualizar e baixar o documento de cada composição.

 


 
O triste adeus ao trono e ao pequeno Pedrinho
Foi assim que com o tempo aquele imperador impetuoso acabou sufocado pelas crises políticas e pela própria impopularidade. Em 7 de abril de 1831, D. Pedro I tomou uma decisão drástica: abdicou do trono do Brasil. Em um ato doloroso, ele deixou para trás o seu filho, o pequeno Pedrinho (futuro D. Pedro II), com apenas 5 anos de idade, e partiu de volta para a Europa.
Ele cruzou o Atlântico para lutar contra o próprio irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono de Portugal que pertencia à filha de Pedro, a rainha Maria da Glória. Pedro venceu a guerra civil, garantiu a coroa da filha, mas pagou um preço altíssimo com a própria saúde.
 
Carta de abdicação de D. Pedro I

 

Transcrição  fiel da Carta de Abdicação de D. Pedro I

Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado, e prezado filho o Sr. D. Pedro de Alcantara.

Boa Vista sette de Abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independancia, e do Imperio.

 
Carta de D. Pedro I em despedida aos brasileiros

 
Transcrição fiel da carta de despedida de D. Pedro I aos brasileiros
 
CARTA
DE DESPEDIDA
do Ex Imperador do Brasil.
Não sendo possível dirigir-me a cada hum dos meus verdadeiros amigos em particular para me despedir, e lhes agradecer ao mesmo tempo os obsequios, que me fizerão, e outro sim para lhes pedir perdão de alguma offensa que de mim possão ter, ficando certos que se em alguma coisa os agravei, foi sem a menor intenção de offendel-os; faço esta carta para que, impressa, eu possa d'este modo alcançar o fim aque me proponho. Eu me retiro para a Europa, saudozo da Patria dos filhos e de todos os meus verdadeiros amigos. Deixar objectos tão charos he summamente sensivel, ainda ao coração mais duro; mas deixal-os para sustentar a honra não pode haver maior gloria. ADeus Patria, aDeus amigos, e ADeus para sempre.
Bordo da Nau Ingleza Warspites 12 de Abril de 1831.
D. Pedro de Alcantara de Bragança e Bourbon —
 

Carta de Despedida de D. Pedro I para seu filho D. Pedro II

“Meu querido filho, e meu imperador. Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler porque as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração. Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a benção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver.”

D. Pedro de Alcântara

Bordo da Nau Warspite, 12 de abril de 1831

 

 

O descanso final (e um coração dividido)
No dia 24 de setembro de 1834, com apenas 35 anos, o herói do Ipiranga faleceu vítima de tuberculose. O destino quis que ele morresse exatamente no mesmo quarto e na mesma cama onde havia nascido, no Palácio Real de Queluz, em Portugal. Inicialmente, ele foi enterrado em solo português. Contudo, em 1972, nas celebrações dos 150 anos da Independência, seus restos mortais finalmente cruzaram o oceano de volta.
Hoje, o corpo do meu primo imperial descansa na Cripta Imperial, localizada sob o Monumento à Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo — exatamente no mesmo lugar onde, em 1822, ele soltou o grito que mudou os rumos da nossa história. Seu corpo repousa ao lado de suas duas esposas, D. Leopoldina e D. Amélia, enquanto apenas o seu coração, por um pedido testamentário dele, permanece guardado em uma igreja na cidade do Porto, em Portugal. 
 Para conhecer O Palácio de Queluz onde D. Pedro nasceu e faleceu, acesse o link abaixo: 
 
Quarto D. Quixote onde D. Pedro I faleceu. Foi também nesse mesmo quarto que nasceu. Objetos originais preservados.


 
Vista aérea do imponente Monumento à Independência do Brasil, localizado no Parque da Independência, no histórico bairro do Ipiranga, em São Paulo. Esculpido em granito e bronze pelo artista italiano Ettore Ximenes, o monumento celebra o centenário da emancipação política do país. Sob a enorme estrutura de escadarias, altos-relevos e esculturas de bronze, fica escondida a Cripta Imperial. É nessa capela subterrânea que repousam, desde 1972, os restos mortais do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, ao lado de suas duas esposas, as imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia. Ao fundo da imagem, o contraste marcante com a silhueta de prédios revela a expansão da metrópole paulistana, que cresceu ao redor deste solo histórico.

 
Monumental mausoléu de granito localizado na capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, na cidade do Porto, em Portugal.É exatamente no interior desta imponente estrutura neoclássica que está guardado o coração de Dom Pedro I (conhecido em Portugal como Dom Pedro IV). A placa de mármore escuro traz inscrições em homenagem ao monarca, encimada pela expressão em francês "En Cœur" ( Em Coração). Para garantir a segurança e a conservação da relíquia, o órgão fica escondido atrás de uma pesada placa de bronze e de uma grade de ferro trancada a sete chaves.

 
Estojo de madeira que protege a urna de prata dourada, o receptáculo oficial do coração de Dom Pedro I. Com linhas inspiradas no estilo neoclássico e ornamentada com o brasão imperial e uma coroa no topo, esta peça de ourivesaria fina serve como a última barreira de proteção para a relíquia histórica. É no interior desta taça dourada que fica escondido o frasco de vidro hermeticamente fechado contendo o órgão submerso em formol.
 

 
A ciência revela a face da realidade
O mais fascinante é ver que, mesmo após a morte, D. Pedro I continuou nos revelando seus segredos de carne e osso. Em 2018, cientistas e pesquisadores realizaram uma reconstrução facial em 3D baseada inteiramente nos estudos do crânio do imperador. O resultado chocou quem estava acostumado com os quadros imponentes das salas de aula: a ciência forense revelou um homem de rosto largo, traços robustos e com uma assimetria marcante — ele tinha o nariz visivelmente quebrado e calcificado de forma torta, cicatriz de suas famosas quedas de cavalo em alta velocidade pelas ruas do Rio. Longe dos retoques dos pintores oficiais da corte, o crânio provou o que eu já desconfiava desde a vida adulta: meu primo real era, acima de tudo, um homem real.
 
Imagem da reconstituição facial em 3D de D. Pedro I, realizada pelo designer Cícero Moraes a partir de fotografias científicas do crânio de Dom Pedro I, que revelou uma característica física nunca antes descrita em livros de história ou retratada em pinturas oficiais: uma nítida assimetria e deformidade no osso nasal. A análise forense liderada por especialistas indicou que o monarca sofreu uma fratura no nariz decorrente de uma forte batida em vida (possivelmente uma de suas muitas quedas de cavalo), que se curou sem tratamento adequado. De acordo com a ciência essa é a verdadeira face de D. Pedro I.
 

Para saber mais sobre D. Pedro I e suas esposas, acesse o link abaixo:

👉 Sobre o estudo do crânio de D. Pedro I 

👉 Sobre D. Pedro I 

👉 Livro 1822 para ler online - autor Laurentino Gomes

👉 Sobre a imperatriz D. Leopoldina


Retrato real e oficial de Maria Leopoldina de Habsburgo em 1815, pintado pelo artista austríaco Josef Kreutzinger quando ela tinha apenas 18 anos de idade.  Ela foi a primeira esposa de D. Pedro I. Na obra neoclássica, a jovem arquiduquesa austríaca é representada com penteado de cachos elaborados, joias de pérolas e um xale floral delicado. Feita dois anos antes de sua partida definitiva para o Brasil para se casar com Dom Pedro I, a pintura captura o padrão estético idealizado pelas cortes europeias do século XIX e hoje pertence ao acervo do Palácio de Schönbrunn, em Viena.


Retrato real e oficial de Dona Amélia de Leuchtenberg, a segunda imperatriz consorte do Brasil, pintado no século XIX. Na renomada obra pertencente ao acervo do Museu Imperial, a soberana é representada com um sofisticado penteado de cachos, joias de pérolas e trajes de gala adornados com pele de arminho. A impressionante beleza de Amélia transformou a vida de Dom Pedro I, que, para celebrar o casamento e sua devoção à nova esposa, instituiu a célebre Imperial Ordem da Rosa em 1829.


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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha