Bonifácio Machado de Miranda e Idalina Amada de Jesus
PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (3º avós ou trisavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na sexta linha de cima para baixo.
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Bonifácio Machado de Miranda e Idalina Amada de Jesus
Bonifácio Machado de Miranda, meu 3º avô ou trisavô, pai do vovô Tõe, nasceu em 1847, provavelmente em Abadia dos Dourados, Minas Gerais, uma vez que, possivelmente por volta de 1845, seus avós e pais já se encontravam naquelas paragens abadienses. Conforme relatos, ainda que de boca em boca, vieram depois da Revolução dos Liberais de 1842. Bonifácio faleceu em Abadia dos Dourados, Minas Gerais, em 24 de agosto de 1921, uma quarta-feira, conforme Registro de Inventário. Portanto tinha 74 anos. Era filho de José Machado de Miranda e Rita Carolina de Jesus, já citados em 4º avós.
Conforme relatos, era chamado de vô gordo. Pelo visto bem gordo, pois também, segundo relatos, a mão não conseguia alcançar o pé.
Idalina Amada de Jesus, esposa de Bonifácio e minha 3ª avó ou trisavó, nasceu por volta de 1853 e faleceu em Abadia dos Dourados, Minas Gerais, no dia 22 de agosto de 1922, uma terça-feira, um ano depois que o esposo Bonifácio, meu 3º avô. Interessante observar que ambos faleceram em agosto. Idalina era filha do Capitão Severiano Francisco Vargas e Maria Rita do Nascimento já citados em 4º avós.
Supõe-se que meus 3º avós Bonifácio e Idalina teriam se casado por volta 1872, pois a filha mais velha já falecida teria nascido em 1873 já que era costume o primeiro filho nascer no primeiro ano de casamento ou seguinte, dependendo da data do casamento. Mas essa é apenas uma suposição para se situar, baseando-se na idade dos filhos em 1921. Eles tiveram 9 filhos a saber:
- Maria José Machado de Miranda, falecida em 1921, bem como o esposo João Elias Barbosa. Só frisando que seu segundo filhos Higino Elias Barbosa, foi presidente da Câmara de Vereadores de Coromandel, Minas Gerais e sua área de comando era o Distrito de Alegre por volta de 1930.
- Jose Bonifácio Machado, com 46 anos em 1921, casado em 1ª núpcias com Maria Joaquina de Assunção sua prima, 2ª núpcias com Odília Inácia Machado;
- Vitalina Maria de Jesus, com 44 anos, casada com Joaquim Machado de Miranda Sobrinho. Conforme relatos, era dona do Porto da Vita no rio Paranaíba;
- Deolina Machado de Miranda, com 42 anos, casada com Inácio da Silva Ramos;
- Rosalina Machado de Miranda, com 40 anos, casada com José Machado de Miranda (pais de Joaquim Machado de Miranda da máquina de beneficiar arroz e esposo da tia Maria Machado Rocha, irmã do vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu);
- Joaquim Bonifácio Machado com 38 anos, residente em Santo Antônio do Rio Verde, Goiás em 1923, casado com Maria Furtado de Assunção;
- Antônio Bonifácio Machado (meu bisavô Tõe), com 36 anos, casado com Lídia Fernandes Rocha, cuja história veremos mais à frente;
- Jovita Machado de Miranda, com 34 anos, casada com Antônio Pereira de Souza;
- Josina Machado de Miranda, com 31 anos, casada com Francisco Machado de Miranda, seu primo.
Desses filhos, destaco Antônio Bonifácio Machado, meu bisavô Tõe, pai de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (Natim) e meu avô materno Aristeu Machado Rocha.
Alguns filhos de Bonifácio e idalina:
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| Antônio Bonifácio Machado, meu bisavô Tõe |
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| Josina Machado de Miranda, filha mais nova |
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| Francisco Machado de Miranda (genro), esposo de Josina Machado de Miranda |
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| Rosalina Machado de Miranda |
Conforme relatos de parentes, um dos filhos de meus 3º avós Bonifácio e Idalina, o Joaquim Bonifácio Machado, possuía terras também no Chapadão do Pau-Terra, Coromandel, Minas Gerais. Conforme esses relatos ele doou 4 hectares para o arraial, onde fica a Capelinha, depois se mudou para Goiás com a família, contrariado porque foi pego no flagra transportando boiada sem guia. Consta ainda que a multa foi pesada e meu bisavô Tõe teve que ajudar a pagar. Sistemático como todo Machado, Joaquim Bonifácio, meu tio-bisavô, não quis ficar mais nas redondezas e se mudou para Goiás levando oito carros de bois encarguerados com suas tralhas. O ano que isso ocorreu não foi possível saber, porém, em 1921, no inventário de seu pai Bonifácio, consta que vivia em Catalão, Goiás.
Bem, meu 3º avô ou trisavô Bonifácio, era o filho mais velho de meu 4º avô José Machado de Miranda e Rita Carolina de Jesus. Eram 12 irmãos o todo. Ele tinha 36 anos em 1883, ano do falecimento de seu pai, e já era casado com Idalina Amada de Jesus.
Em 1883, quando o pai de Bonifácio faleceu, ele tomou a incumbência de procurador da terceira esposa de seu pai e os cinco filhos que teve com ela, pois eram menores de idade. Além disso, se tem notícia de meu 3º avô Bonifácio testemunhando o casamento de sua irmã mais nova, Maria das Dores Miranda, com o filho de Maria Rosa de Miranda, irmã de seu pai, em 1876, época em que estava com 29 anos. Tal casamento foi Capela de Sant’Ana, no então povoado Sant’Ana do Pouso Alegre de Coromandel, hoje apenas Coromandel, Minas Gerais. Fato estranho sobre essa sua tia Maria Rosa, é que ela faleceu muito jovem no primeiro dia de janeiro de 1860, pleno ano novo, e cinco dias depois, no dia 06 do mesmo mês e ano, faleceu também seu esposo deixando o filho José Machado de Assunção de 3 anos de idade sob a tutela de um tio. O que teria acontecido com o jovem casal para faleceram com a diferença de apenas 5 dias? Algo trágico? Enfim...
Há notícias também de meu 3º avô Bonifácio por volta de 1909 na Irmandade de Nossa Senhora de Abadia em Abadia dos Dourados, Minas Gerais. Conforme relatos no livro de Celmo Celeno Porto de Abadia dos Dourados, Minas Gerais, um Bonifácio Machado de Miranda, fazia parte da primeira diretoria dessa Irmandade, como 2º Vice-presidente. Teria sido um dos fundadores da Irmandade e teria 62 anos de idade nessa época. Conforme é relatado no livro de Celmo, as festas realizadas em Abadia dos Dourados, Minas Gerais, em agosto, eram promovidas pelos integrantes dessa Irmandade entre 1910 a 1917. Mas antes disso a festa já existia sendo que a primeira foi realizada em 1887.
Agora, assim meio que sorrateira e até trêmula, começo a escarafunchar o inventário de meu 3º avô Bonifácio, o vô gordo, que só pelo apelido, já sinto a maior afeição por ele. E foi como se de repente sua vida ficasse clara como uma manhã de sol porque até então não sabia nada dele. Dizia-se que ele era muito rico e dono de muitas terras. Um coronelão. Não sei se o termo cabe a ele. Provavelmente sim. O que sei é que naquelas páginas encardidas pelo tempo, mais de cem anos, tinha a sua história impregnada, isso tinha.
E para começar a recriar a história desse meu 3º, começo com seus bens móveis: um alambique de cobre pequeno. O Alambique é um equipamento usado na destilação de bebidas alcoólicas, incluindo a aguardente ou cachaça, a partir de um processo de destilação. Ele se assemelha a uma panela, ou talvez, uma chaleira gigante submetida ao calor. Para o processo de destilação, acendia-se o fogo sob essa panela, o conteúdo fervia e o vapor ia se acumulando no topo da panela saindo por uma espécie de afunilamento que parece um bico de pato. O vapor era resfriado em água fria e voltava à forma líquida de novo, ou seja, em forma da famosa cachaça ou “pinguinha”.
Pelo visto meu 3º avô ou trisavô Bonifácio Machado de Miranda era amante da cachaça. Possivelmente ele fabricava cachaça apenas para consumo da família, já que o alambique era pequeno. Vale ressaltar que Abadia dos Dourados é famosa pela cachaça Zurica. Meu pai comprava até um galão de 5 litros dessa danada, quando ia para aqueles lados visitar algum parente ou assistir a festa de 15 de agosto.
Bem, ainda relacionados aos bens móveis de meu 3º avô ou trisavô, não podia deixar de ter, um carro de boi ferrado, ou seja, as rodas eram reforçadas com ferro. Na verdade, ele tinha dois carros ferrados.
Entre os bens semoventes, que não eram muitos, consta apenas 20 vacas paridas com seus bezerros, 10 vacas solteiras, 10 bezerros entre 1 e 2 anos, 10 bezerras também entre 1 e 2 anos, 12 bois de carro, 1 touro reprodutor mestiço, um cavalo pedrês velho, que é uma espécie com uma pelagem manchada, na verdade é um tordilho. Mas meu 3º avô tinha outro considerado tordilho mesmo, salpicado de duas cores. Esse último foi citado como arreado, ou seja, com todos os apetrechos de montaria. No inventário não há alusão a porcos, galinhas. Mas possivelmente tinha, pois é impossível pensar em uma fazenda sem esses animais.
Com relação aos bens de raiz, consta uma casa de morada no subúrbio de Abadia dos Dourados, Minas Gerais, ou seja, estava localizada na orla ou beira do povoado. Possuía muitas benfeitorias características daquele tempo, tipo, uma casinha de despejo, o paiol, quintal, um rego d’água, monjolo, moinho (seria moinho movido a água para moer cana ou aqueles de pedra para fazer fubá?). De qualquer forma o processo é o mesmo. Essa casa fazia parte da Fazenda Monte Alvão, e ficava próxima do Córrego da Jacuba afluente do rio Dourado, possivelmente ali às suas margens. A fazenda Monte Alvão era a primeira do lado esquerdo de quem chega a partir de Coromandel, Minas Gerais. Com certeza era nessa casa que meu trisavô Bonifácio viveu a maior parte de sua vida. A fazenda era dividida em vários pastos que considerei interessante discriminar:
1. um pasto fechado de arame, com 16 alqueires ou 77 hectares de campos e 5 alqueires ou 24 hectares de cultura;
2. um pasto fechado de arame, chamado de Pasto dos Bois, medindo 4 alqueires ou 19 hectares de cultura. Tal nome leva a concluir que seus 12 bois de carro viviam nesse pasto separado das vacas. Seria uma forma de evitar possíveis atrações ou ciúme pela parte do tal touro mestiço? Talvez sim, mesmo considerando que bois de carro são castrados para inibir a testosterona e a agressão, tornando-os dóceis e mais seguros para trabalhar. Mas o Touro com certeza não sabia dessas coisas;
3. um pasto fechado de arame nessa mesma fazenda, denominado Pasto das Macaúbas com 10 alqueires ou 48 hectares de cultura e 50 alqueires ou 242 hectares de campos. Tal nome com certeza deve-se à presença de muitas Macaúbas, uma palmeira que pode atingir entre 10 a 15 metros de altura e que dá um fruto redondo, o qual chamamos de coco, e do qual também se aproveita as castanhas que fica em seu interior;
4. um fechado de arame, porém, no lugar denominado Forca, dividindo com o córrego Forca, com 5 alqueires ou 24 hectares de cultura e 5 alqueires ou 24 hectares de campos;
5. um pasto cercado de arame nesta mesma fazenda, de nome Garimpo, dividindo com o Rio Dourados, com 4 alqueires ou 19 hectares de cultura. Ao que tudo indica, meu trisavô também tinha suas ilusões. Mas afinal quem nunca sonhou com pelo menos um xibiu?
6. um pasto cercado de arame, junto ao sítio (sede da fazenda) denominado Pasto dos Cavalos com 1 alqueire ou quase 5 hectares de cultura. Era com certeza onde ficava os cavalos que não eram muitos, apenas dois. Até já posso imaginar, por exemplo, o cavalo tordilho e o cavalo pedrês já velho, ambos pastando calmamente do nascer ao pôr do sol, abanando as moscas com o rabo. Dizem que o movimento da cauda reflete suas emoções. Enfim...
Ao todo eram quase 500 hectares de campos e cultura na Fazenda Monte Alvão, avaliadas em 12:730$000 (doze contos e setecentos e trinta mil réis). Só de cultura eram 139 hectares e, considerando que terras de cultura são mais caras, é possível que dariam hoje em torno de quase uns 5 milhões de reais se considerar a terra nua. Mas parece-me que naquele tempo, terras não eram tão valorizadas como hoje.
Com relação a esta Fazenda Monte Alvão, ela ainda existe e não pertence mais aos descendentes de meu trisavô Bonifácio. Conforme pesquisas, pelo menos em uma parte dela cria-se cavalos Quarto de Milha.
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| Fazenda Monte Alvão nos dias atuais. Imagem: provavelmente o pasto das Macaúbas |
👉Fazenda Monte Alvão nos dias atuais, Abadia dos Dourados, Minas Gerais. Vídeo Youtube
Além da Fazenda Monte Alvão, meu 3º avô Bonifácio possuía também, conforme inventário, também uma pequena parte de terras de mais ou menos 1 alqueire ou 5 hectares de campos na Fazenda Pilões e mais outra pequena parte de terras de mais ou menos 4 alqueires ou 19 hectares de culturas na Fazenda Félix Simão. Ambas partes de terra estão na localidade de Guarda-Mor, município de Paracatu, Minas Gerais. Conforme pesquisas essas fazendas ainda existem. Com relação a Fazenda Pilões existem três. não se sabe qual delas foi a de meu 3º avô Bonifácio.
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| Imagem satélite Fazenda Félix Simão nos dias atuais |
Ainda falando de terras, consta no inventário, que meu 3º avô Bonifácio, tinha uma parte de terras com 200 alqueires ou 968 hectares de campos e 14 alqueires ou 68 hectares de culturas na Fazenda Martyrios, na localidade de Santo Antônio do Rio Verde, Catalão, Goiás. Conforme documento de escritura, essa fazenda começava em uma porteira na estrada que sai de Santo Antônio do Rio Verde, passava pelo Ribeirão dos Martírios, confrontava com a Fazenda Cabaças, passava pela cabeceira de uma vertente, pelo Córrego do Bebedouro, passava pela cabeceira de uma Vereda onde tem um pau de Buriti no meio do Brejo do Aldo, passava por uma pedra fincada na margem esquerda do brejo, e vai seguindo abeirando um capão, que é2 um agrupamento de vegetação cercada por campinas. Daí o marco dessa fazenda passava por mais marcos de pedra, um pau alto no cume de um espigão, passava pela cabeceira de uma restinga que é uma formação vegetal em zonas arenosas de planícies, descia abaixo pela barra dessa restinga, passava confrontando com a Fazenda Tomazes do Aldo, passava por uma grota, atravessava um espigão, passava por um marco fincado à margem da Estrada Real, chegando novamente até a porteira do começo.
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| Fazenda Martyrius em Santo Antônio do Rio Verde. Consta mais algumas, o que significa que a antiga foi dividida. |
Só descrevi os limites dessa fazenda por achar bem interessante a forma de citarem os marcos aproveitando a própria natureza. É impossível não ir criando as imagens durante esse relato. Vale ressaltar que essa fazenda Martyrios ainda existe. Na verdade, consta duas Fazendas Martyrios em Santo Antônio do Rio Verde, Goiás. Provavelmente a fazenda de mais de mil hectares de meu 3º avô se transformou em duas com outros donos, que talvez, possam ser descendentes dele.
Consta também no inventário de meu 3º avô ou trisavô Bonifácio que ele possuía uma casa dentro do arraial de Abadia dos Dourados, Minas gerais, com quintal cercado de aroeira, cujos vizinhos de um lado seria uma tal de D. Amélia e do outro, Antônio Gonçalves de Oliveira na esquina do Beco. Sobre essa casa, estive pensando que, talvez, quando meu 3º avô faleceu, devia residir ali, afinal já estava velho e possivelmente mais gordo para a lida da fazenda e devia ficar mais sossegado. Um sossego em termos, considerando que sua casa devia ser um entra e sai de gente pedindo dinheiro emprestado. E porque afirmo isso? Porque em seu inventário constava que ele possuía 18 credores no total. Ele era quase uma agência bancária. Alguns deviam poucas quantias, outros valores mais altos. Ao que tudo indica, era mesmo um senhor de posses a quem todos recorriam em momentos de aperto. Imagino- o gordo, como relatavam que era, bonachão, recebendo seus amigos e parentes em uma grande sala de assoalho, andando lentamente, já que era obeso, o queixo quadrado como os Machado de Miranda, ou será que era redondo em razão da obesidade? Mas certamente de olhos azuis como seu filho, meu bisavô Tõe. Será que eram parecidos?
É como se visse meu 3º avô Bonifácio combinando juros, assinando documentos, pequenos pedaços de papel escritos a punho, depois servindo doses de cachaça para selar ou garantir o negócio. A cachaça era certamente produzida por ele mesmo no tal alambique de cobre e o “cliente” ou “devedor” saía satisfeito, considerando que seus problemas financeiros estariam resolvidos pelo menos temporariamente. Tenho a nítida impressão que alguns até se esqueciam que deviam para meu 3º avô Bonifácio, pois, pelo que percebi, essas dívidas iam se arrastando ano após ano, e mesmo os juros eram pagos até meses depois. Como a dívida de um tal de Franklim Esteves dos Santos, que pelo nome, era de família responsável pela iniciação do povoado de Abadia dos Dourados. Pelo que se relata, eram abastados. No entanto, pediu dinheiro emprestado a meu trisavô Bonifácio.
Bem, da dívida desse tal de Franklin, datada de 1919, de 1:000$000(um conto de réis) ou 123 mil reais em dias de hoje, ele só havia pago juros de 8 meses. E assim em 1921, quando meu trisavô Bonifácio faleceu, o valor principal da tal dívida estava praticamente intacto, mas acrescido dos juros capitalizados mensalmente, o que tornava a dívida ainda maior.
E assim acontecia com todos os outros devedores de meu trisavô Bonifácio, pelo que percebi. Imagino meu trisavô compreensivo e complacente e até generoso, até porque, em seus créditos a receber, tinha gente que lhe devia desde 1917, ou seja, há quatro anos, considerando que ele falecera em 1921. Contudo, era certo que sabia também negociar a seu favor, pois pelo que pude comprovar também, meu trisavô emprestava dinheiro a 1,5 % ao mês, capitalizados mensalmente. Mas houve casos de empréstimos a apenas 1% e outros casos a 2%. Dependia da cara do freguês? Possivelmente. Até porque havia “alguns”, cujos juros não eram capitalizados. Bem, de qualquer forma a taxa não era pequena, considerando o CDI nos dias atuais e os rendimentos de LCA ou LCI que dão pouquíssimo mais 1% ao mês. É possível que nos últimos tempos de vida, meu trisavô já vivesse apenas dos juros desses créditos.
O menor crédito a receber era de 150 réis ou 18 mil reais de um tal de João Jacinto. Outros deviam somas vultuosas, como um tal de Aristides Garcia que lhe devia 3:000$000 (três contos de réis) ou 369 mil reais, dos quais, após um ano só havia pago os juros. Tinha também uma dívida conjunta de um tal de José Esteves Rodovalho e Camilo Joaquim Rodovalho, que deviam juntos 4:000$000 (quatro contos de réis) ou quase quinhentos mil reais desde 1918, tendo sido pago em 1919, apenas 1:200$000 (um conto e duzentos mil réis). De 1919 até 1921, um período de 3 anos, nenhum deles pareceu mover uma palha para pagar um réis que seja. E pelo visto, meu 3º avô Bonifácio, também deixava correr frouxo. Percebi até um puxa-saquismo nessa transação: os juros eram “bondosamente” cobrados a apenas 1% e sem capitalizar. Desconfio que tinha aí uma relação mais estreita com a família. E agora analisando bem, tinha sim, esse Camilo Joaquim Rodovalho (a quem chamavam de Mirote) era pai de um tal Juca Mirote do chapadão do Pau-terra que papai falava muito. O Camilo era pai de uma tal de Jacira que se casou com outro Bonifácio Machado de Miranda que era sobrinho de meu 3º avô Bonifácio. Esse Bonifácio foi, inclusive vereador em Abadia dos Dourados e era pai do deputado Camilo Machado. Eram todos ali meio que juntos e misturados e esse Camilo Joaquim Rodovalho (Mirote) foi, inclusive, testemunha do casamento civil de Maria, filha mais velha de Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe, filho de meu 3º avô Bonifácio. Isso foi em 1925 depois de Bonifácio meu 3º avô ter falecido.
Uma outra observação sobre os devedores de meu trisavô Bonifácio, tem a ver com as datas dos empréstimos: 1917, 1918, 1919, e a maioria 1920 e 1921, o ano em que faleceu. Ao todo, por ocasião de seu inventário, o valor desses créditos eram de 25:552$554 (vinte e cinco contos, quinhentos e cinquenta e dois mil e quinhentos e cinquenta e quatro réis). Era muito dinheiro naquele tempo. Uma fortuna, por assim dizer. Esse valor era o dobro do que fora avaliada a sua Fazenda Monte Alvão, só para se ter uma ideia. Contudo, em dias de hoje, fazendo as transformações de reis para reais, daria em torno de pouco mais de três milhões de reais.
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| Créditos de meu trisavô Bonifácio Machado de Miranda a receber- parte 1 |
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| Créditos de meu trisavô Bonifácio Machado de Miranda a receber- parte |
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| Créditos de meu trisavô Bonifácio Machado de Miranda a receber- parte 3 |
Ao final, o inventário fechou com um Montemor no valor de 52: 652$554 ( cinquenta e dois contos, seiscentos e cinquenta e dois mil e quinhentos e cinquenta e quatro réis, cujo bolo, dividido ao meio, tocou uma fatia de 2: 925$142(Dois contos, novecentos e vinte e cinco mil, cento e quarenta e dois réis) para cada herdeiro.
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| Resumo do inventário de meu trisavô Bonifácio Machado de Miranda |
Bem, na divisão desse bolo, a fatia que tocou para seu filho Antônio Bonifácio Machado, o meu bisavô Tõe, veio recheada com o alambique de cobre que achei bem a cara dele, já que ele adorava uma pinguinha conforme relatos. Só não sei se vendeu a tal geringonça parecida com um cisne e que destilava aguardente, ou se aproveitou os seus benefícios ou malefícios. Enfim, o pedaço do bolo de meu bisavô Tõe veio também coberto de créditos, ou seja, coube a ele parte do que seu pai tinha a receber de seus devedores, o que era de se esperar, tanto meu bisavô Tõe, quanto seus irmãos. Resta saber se essa cobertura ficou a escorrer por anos a fio, considerando que o ingrediente mais açucarado da fatia de meu bisavô Tõe, era justamente uma parte da dívida do tal Camilo Joaquim Rodovalho, que seria o padrinho de casamento de sua filha mais velha em 1925. Pelo visto isso não era um problema que afetava os laços. Enfim...
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| Parte da herança que coube ao meu bisavô Antônio Bonifácio Machado, o bisavô Tõe |
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| Assinatura de meu trisavô Bonifácio |
Sobre minha 3ª avó ou trisavô Idalina Amada de Jesus, nem imagino como seria, mas provavelmente uma senhora sistemática, filha que era de Capitão, trazida ali no cortado. Mas tenho quase certeza que era uma senhora pulso firme, uma fortaleza como deveria ser uma mulher naquele tempo, embora submissa. Imagino-a usando vestidos compridos, de gola alta e mangas compridas, o cabelo preso ao alto, um coque... Como já dito, ela faleceu no dia 21 de agosto de 1922, exatamente 1 ano depois do esposo Bonifácio Machado de Miranda, meu 3º avô.
Sobre os bens do inventário de Ildalina, minha 3ª avó, não mudou muita coisa, sendo as mesmas coisas que lhe coube de meação(metade) do inventário de Bonifácio, ou seja, utensílios e ferramentas, móveis, carros de bois, vacas, bois, bezerros, cavalos, garrotes, novilhas, parte de terras. Ainda alguns créditos a receber em torno de 6 contos, o que só confirma que os créditos a receber de meu trisavô Bonifácio ainda permaneceram por mais um ano sem que os devedores se animassem a pagar.
O que consta a mais no inventário é apenas um debulhador de milho, mil telhas e um silhão, ou seja, uma sela tradicionalmente usada por mulheres ao montarem um cavalo. Essa sela tem apenas um estribo (um pé de apoio) e um arção (uma estrutura curva para apoiar a perna) de um só lado. Essa característica permitia que as mulheres cavalgassem de lado, utilizando saias ou vestidos sem atrapalhar a montaria.
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| Resumo do inventário de minha trisavó Idalina Amada de Jesus |
A parte de que coube de herança a meu bisavô Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe, consta de vacas paridas, bezerros, garrotes, parte de terras, inclusive o pasto das Macaúbas e novamente alguns créditos a receber.
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| Parte da herança que coube a Antônio Bonifácio Machado, o bisavô Tõe- parte 1 |
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| Parte da herança que coube a Antônio Bonifácio Machado, o bisavô Tõe- parte 2 |
Interessante frisar que menos de 2 anos depois do falecimento de Idalina, minha 3ª avó, todos os herdeiros, entre eles, Antônio Bonifácio Machado, meu bisavô Tõe, começaram a vender suas partes na Fazenda Monte Alvão, onde fora o reduto de meus 3º avós Bonifácio e Idalina.
O comprador das partes foi o genro Francisco Machado de Miranda esposo da filha Josina Machado de Miranda, filha mais nova de meus trisavós, conforme documentos anexos ao inventário de minha trisavó Idalina. Interessante ressaltar que até dezembro 2024, ainda se encontrava vivo, o filho mais velho dessa Josina, minha 3ª tia-avó. Era Abel Machado de Miranda que faleceu em Belo Horizonte com 97 anos.
Bem, conforme esse documento de transação de vendas das terras Monte Alvão pelos herdeiros de meus 3º avós Bonifácio e Idalina, em meados de 1924, meu bisavô Tõe já se encontrava viúvo de sua primeira esposa, Lídia Fernandes Rocha. Provavelmente ela faleceu entre os anos de 1921- 1923. Vovô Tõe estava com 39 anos em 1924.
Para ter acesso ao inventário de meu 3º avô ou trisavô Bonifácio Machado de Miranda, clique no link abaixo:
Para ter acesso ao inventário de minha 3ª avó ou trisavó Idalina Amada de Jesus, clique no link abaixo:
Embora meus 3º avós ou trisavós tenham tido fazendas em Santo Antônio do Rio Verde, Goiás e Guarda-Mor, Minas Gerais, eles viveram mesmo e faleceram em Abadia dos Dourados, Minas Gerais.
Para saber sobre Abadia dos Dourados acesse os links abaixo:
👉Abadia dos Dourados, Minas Gerais
👉Abadia dos Dourados, Minas Gerais. Vídeo Youtube
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| Abadia dos Dourados, Minas Gerais |
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