|
|
|
|
|
|
|  | | | | | | |
|
|
|
|
|
|
| D. João VI |
|
|
%20-%20Jo%C3%A3o%20VI%20de%20Portugal%20%E2%80%93%20Wikip%C3%A9dia%20a%20enciclop%C3%A9dia%20livre.png) |
|
Retrato oficial de D. João VI feito em vida pelo pintor
francês Henri-François Riesener, D. João VI aparece com suas medalhas e a Banda
das Três Ordens no peito. O detalhe mais fascinante é o globo terrestre à
esquerda: a face iluminada mostra exatamente o contorno do mapa do Brasil,
simbolizando a transferência da sede do reino para a nossa terra.
|
Para começar: o rei que eu não conhecia
Antes de iniciar esse post preciso dizer que D. João VI é meu primo em 18º, com 3 graus de afastamento, tomando como base nosso ancestral comum, D.
Sancho I, de quem ele é e 19ºneto e eu 22º neta. Mas isso só descobri
muito tempo depois dos tempos de escola.
Para
começar, vou falar um pouquinho de D. João VI. O que aprendemos nas
linhas frias dos livros didáticos difere, e muito, de algumas verdades
nuas e cruas que li, por exemplo, no livro 1808, de Laurentino Gomes,
onde ele retrata um rei que eu jamais imaginei.
O
que guardei dos estudos foi apenas que ele fugiu de Napoleão Bonaparte
que iria invadir Portugal e se escondeu no Brasil junto com alguns
nobres. E claro, guardei também a imagem de um rei gordo.
Confesso
que me intrigou o fato da fuga. Um rei não deveria enfrentar o inimigo?
Não tive a audácia de perguntar tal era minha timidez e assim fui
carregando ao longo da vida os meus questionamentos. Tudo que descobri
depois sobre ele foi depois de adulta e por livre pesquisa e foi quando
fui achando muitas respostas. Hoje percebo que o destino também acontece
por linhas tortas. E ainda me pergunto como seria o Brasil se acaso D.
João não tivesse se refugiado aqui?
Um príncipe acuado e uma mãe que ouvia vozes
Bem,
D. João VI era filho de D. Maria I, a Louca — que ganhou o apelido por
motivos óbvios de sanidade mental cambaleante e por ouvir vozes do além.
O então príncipe regente D. João VI assumiu o comando de Portugal
porque sua mãe já não tinha condições de governar.
Anos
depois, pressionado pelo imperador francês Napoleão Bonaparte e incapaz
de decidir entre a espada de ferro francesa e os navios de guerra
britânicos, o monarca engoliu o orgulho — e o medo dos mares — e fugiu
com a corte para o Brasil em novembro de 1807, aportando em Salvador em
janeiro de 1808.
O visual "careca e com banha" que virou moda
Não
foi uma viagem fácil. Os 54 dias de viagem até a colônia foram um
verdadeiro teste de sobrevivência: a frota enfrentou uma infestação
massiva de piolhos, forçando a princesa Carlota Joaquina, esposa de D.
João VI, e todas as nobres a rasparem a cabeça e passarem banha de porco
no couro cabeludo.
Ao
aportarem no Rio de Janeiro em 1808, a princesa Carlota Joaquina e sua
corte desembarcaram usando turbantes brancos para esconder as cabeças
raspadas. A elite carioca, acreditando ser a nova moda europeia, imitou o
estilo e raspou o próprio cabelo, gerando um mal-entendido cômico
relatado por Laurentino Gomes.
O medo do veneno e as coxas de frango no bolso
Aliás,
Carlota Joaquina odiava D. João e o Brasil com todas as suas forças,
preferindo viver em palácios separados e tramando golpes políticos
contra o próprio marido. D. João vivia em um medo constante de morrer
envenenado pela esposa e tinha até um provador oficial de comida. O rei
só colocava o garfo na boca após garantir que o funcionário não caísse
duro no chão. As galinhas que ele consumia eram criadas sob rígida
vigilância e preparadas por criados de extrema confiança.
Conhecido
pela fama de indeciso e por sua paixão por coxas de frango, que
carregava nos bolsos por onde ia, o monarca transformou o que seria uma
retirada humilhante em um golpe de mestre político. Ele transferiu a
sede de todo o Império Português para uma colônia tropical simplesmente
porque não tinha coragem de encarar as tropas francesas que já batiam à
sua porta em Lisboa.
Apesar
do caos higiênico e conjugal, o monarca comilão deixou um legado real
no Rio de Janeiro, abrindo os portos e fundando o Jardim Botânico (onde
plantou a primeira palmeira imperial), a Biblioteca Nacional e o Banco
do Brasil — provando que, entre uma coxa de frango e um ataque de pânico
de Napoleão, ele sabia como governar um império tropical.
O pavor de banho e as roupas podres
D. João VI tinha uma fobia crônica de água. Em uma época
em que o banho já não era prioridade na Europa, o monarca elevou o desleixo a
um nível extremo em pleno calor tropical do Rio de Janeiro. Ele tinha pânico de
trocar de roupa e costumava usar o mesmo casaco até o tecido literalmente
apodrecer e rasgar no corpo. Os criados precisavam esperar a roupa cair aos
pedaços para conseguir costurar uma nova diretamente sobre ele. Junte a isso o
suor carioca e as coxas de frango guardadas nos bolsos, e você pode imaginar o
odor real que exalava de Sua Majestade.
Carlota Joaquina e o festival de fofocas
Enquanto D. João fugia da água, Carlota Joaquina fugia do
tédio nos braços de vários amantes. A corte carioca vivia em polvorosa com os
boatos sobre a vida amorosa da princesa. Laurentino Gomes relata que ela
mantinha uma lista rotativa de parceiros, que incluía desde oficiais militares
e nobres ricos até empregados do palácio. O comentário geral na época era de
que quase nenhum dos filhos mais novos do casal real pertencia de fato a D.
João VI — o que gerava piadas e deboche nos bastidores da colônia, minando a
pouca autoridade que o rei tentava manter.
O ataque das formigas carnívoras
D. João VI também tinha pânico de carrapatos e insetos, o
que tornou sua vida no Rio uma tortura. O episódio mais tragicômico aconteceu
na Quinta da Boa Vista: o monarca, que sofria de terríveis dores nas pernas
devido à erisipela, estava descansando quando o local foi invadido por uma
colônia faminta de formigas-correição (conhecidas por devorarem tudo o que
encontram pela frente). O rei, gordo e pesado, teve que ser carregado às
pressas, gritando de pavor, enquanto os criados tentavam bater nas formigas que
subiam pelas suas pernas reais.
O golpe final: limpando os cofres do Banco do Brasil
(1821)
Em 1821, a pressão política em Portugal obrigou D. João
VI a retornar à Europa. Ele não queria ir e, como uma última vingança econômica
contra a colônia que o acolheu, decidiu que não sairia de mãos abanando. Antes
de embarcar, o rei ordenou o resgate de todas as suas economias e das riquezas
da corte. O resultado foi catastrófico: ele raspou literalmente todo o ouro,
prata e diamantes dos cofres do Banco do Brasil (instituição que ele mesmo
havia criado). D. João levou tudo para Portugal em caixas e baús, deixando o
banco com as contas zeradas e o Brasil oficialmente falido, às vésperas da
independência.
Para quem ia falar "um pouquinho", a fofoca
cresceu! A minha mágoa com D. João VI é apenas com o fato de ter falido o Banco
do Brasil. No mais, gosto dele, desse meu primo afastado, gordinho e bonachão
que preferia a paz a entrar em conflito.
Para saber mais sobre ele, acesse os
links abaixo:
👉 Sobre D. João VI
Para ler o livro 1808 online acesse o link abaixo:
👉Livro 1808 de Laurentino Gomes que descreve sobre a vinda de D. João VI para o Brasil D. João
 |
|
A Estátua Equestre de D. João VI. Toda trabalhada em
bronze está localizada na Praça XV de Novembro, no centro do Rio de Janeiro. O
monumento fica na região do Paço Imperial, exatamente onde ele morou e governou
durante os 13 anos em que permaneceu no Brasil. Curiosamente, a estátua foi um
presente de Portugal ao Rio em 1965, e o cavalo está apontado em direção ao mar |
 | | O imponente Paço Imperial (que era o Palácio dos Vice-Reis no Centro do Rio de Janeiro) foi
a primeira parada e morada imediata de D. João VI. Porém, ele detestou morar
ali, pois o prédio era abafado, barulhento, infestado de mosquitos e ficava bem
no meio do tumulto do porto. Foi assim aceitou a "doação" de um
casarão afastado e bem mais fresco, que hoje conhecemos como a Quinta da Boa
Vista, deixando este palácio do Centro apenas para despachos, festas e para
manter distância da esposa, Carlota Joaquina. |
 | | Imagem
do Palácio de São Cristóvão antes do incêndio, localizado na icônica Quinta da
Boa Vista, no Rio de Janeiro. O local foi a residência oficial de D. João VI e,
mais tarde, dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II. Hoje o prédio abriga o
Museu Nacional e segue em processo de restauração após o incêndio de 2018. |
 | | Panteão dos Bragança, em Lisboa, onde o corpo de D. João VI está sepultado. Nota: Seu coração repousa separado do corpo. Seguindo uma tradição real antiga, apenas o corpo foi para o túmulo de mármore nesse Panteão. O coração e as vísceras de D. João VI foram retirados e sepultados separadamente no chão da Capela dos Meninos da Palhavã, dentro do mesmo mosteiro |
| |
Comentários
Postar um comentário