Meu primo D. João VI e suas excentricidades





 

 

 

 




      







D. João VI

 

Retrato oficial de D. João VI feito em vida pelo pintor francês Henri-François Riesener, D. João VI aparece com suas medalhas e a Banda das Três Ordens no peito. O detalhe mais fascinante é o globo terrestre à esquerda: a face iluminada mostra exatamente o contorno do mapa do Brasil, simbolizando a transferência da sede do reino para a nossa terra.

 
Para começar: o rei que eu não conhecia
Antes de iniciar esse post preciso dizer que D. João VI é meu primo em 18º, com 3 graus de afastamento, tomando como base nosso ancestral comum, D. Sancho I, de quem ele é e 19ºneto e eu 22º neta. Mas isso só descobri muito tempo depois dos tempos de escola. 
Para começar, vou falar um pouquinho de D. João VI. O que aprendemos nas linhas frias dos livros didáticos difere, e muito, de algumas verdades nuas e cruas que li, por exemplo, no livro 1808, de Laurentino Gomes, onde ele retrata um rei que eu jamais imaginei.
O que guardei dos estudos foi apenas que ele fugiu de Napoleão Bonaparte que iria invadir Portugal e se escondeu no Brasil junto com alguns nobres. E claro, guardei também a imagem de um rei gordo.
Confesso que me intrigou o fato da fuga. Um rei não deveria enfrentar o inimigo? Não tive a audácia de perguntar tal era minha timidez e assim fui carregando ao longo da vida os meus questionamentos. Tudo que descobri depois sobre ele foi depois de adulta e por livre pesquisa e foi quando fui achando muitas respostas. Hoje percebo que o destino também acontece por linhas tortas. E ainda me pergunto como seria o Brasil se acaso D. João não tivesse se refugiado aqui?
Um príncipe acuado e uma mãe que ouvia vozes
Bem, D. João VI era filho de D. Maria I, a Louca — que ganhou o apelido por motivos óbvios de sanidade mental cambaleante e por ouvir vozes do além. O então príncipe regente D. João VI assumiu o comando de Portugal porque sua mãe já não tinha condições de governar.
Anos depois, pressionado pelo imperador francês Napoleão Bonaparte e incapaz de decidir entre a espada de ferro francesa e os navios de guerra britânicos, o monarca engoliu o orgulho — e o medo dos mares — e fugiu com a corte para o Brasil em novembro de 1807, aportando em Salvador em janeiro de 1808.
O visual "careca e com banha" que virou moda
Não foi uma viagem fácil. Os 54 dias de viagem até a colônia foram um verdadeiro teste de sobrevivência: a frota enfrentou uma infestação massiva de piolhos, forçando a princesa Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, e todas as nobres a rasparem a cabeça e passarem banha de porco no couro cabeludo.
Ao aportarem no Rio de Janeiro em 1808, a princesa Carlota Joaquina e sua corte desembarcaram usando turbantes brancos para esconder as cabeças raspadas. A elite carioca, acreditando ser a nova moda europeia, imitou o estilo e raspou o próprio cabelo, gerando um mal-entendido cômico relatado por Laurentino Gomes.
O medo do veneno e as coxas de frango no bolso
Aliás, Carlota Joaquina odiava D. João e o Brasil com todas as suas forças, preferindo viver em palácios separados e tramando golpes políticos contra o próprio marido. D. João vivia em um medo constante de morrer envenenado pela esposa e tinha até um provador oficial de comida. O rei só colocava o garfo na boca após garantir que o funcionário não caísse duro no chão. As galinhas que ele consumia eram criadas sob rígida vigilância e preparadas por criados de extrema confiança.
Conhecido pela fama de indeciso e por sua paixão por coxas de frango, que carregava nos bolsos por onde ia, o monarca transformou o que seria uma retirada humilhante em um golpe de mestre político. Ele transferiu a sede de todo o Império Português para uma colônia tropical simplesmente porque não tinha coragem de encarar as tropas francesas que já batiam à sua porta em Lisboa.
Apesar do caos higiênico e conjugal, o monarca comilão deixou um legado real no Rio de Janeiro, abrindo os portos e fundando o Jardim Botânico (onde plantou a primeira palmeira imperial), a Biblioteca Nacional e o Banco do Brasil — provando que, entre uma coxa de frango e um ataque de pânico de Napoleão, ele sabia como governar um império tropical.

O pavor de banho e as roupas podres

D. João VI tinha uma fobia crônica de água. Em uma época em que o banho já não era prioridade na Europa, o monarca elevou o desleixo a um nível extremo em pleno calor tropical do Rio de Janeiro. Ele tinha pânico de trocar de roupa e costumava usar o mesmo casaco até o tecido literalmente apodrecer e rasgar no corpo. Os criados precisavam esperar a roupa cair aos pedaços para conseguir costurar uma nova diretamente sobre ele. Junte a isso o suor carioca e as coxas de frango guardadas nos bolsos, e você pode imaginar o odor real que exalava de Sua Majestade.

Carlota Joaquina e o festival de fofocas

Enquanto D. João fugia da água, Carlota Joaquina fugia do tédio nos braços de vários amantes. A corte carioca vivia em polvorosa com os boatos sobre a vida amorosa da princesa. Laurentino Gomes relata que ela mantinha uma lista rotativa de parceiros, que incluía desde oficiais militares e nobres ricos até empregados do palácio. O comentário geral na época era de que quase nenhum dos filhos mais novos do casal real pertencia de fato a D. João VI — o que gerava piadas e deboche nos bastidores da colônia, minando a pouca autoridade que o rei tentava manter.

O ataque das formigas carnívoras

D. João VI também tinha pânico de carrapatos e insetos, o que tornou sua vida no Rio uma tortura. O episódio mais tragicômico aconteceu na Quinta da Boa Vista: o monarca, que sofria de terríveis dores nas pernas devido à erisipela, estava descansando quando o local foi invadido por uma colônia faminta de formigas-correição (conhecidas por devorarem tudo o que encontram pela frente). O rei, gordo e pesado, teve que ser carregado às pressas, gritando de pavor, enquanto os criados tentavam bater nas formigas que subiam pelas suas pernas reais.

O golpe final: limpando os cofres do Banco do Brasil (1821)

Em 1821, a pressão política em Portugal obrigou D. João VI a retornar à Europa. Ele não queria ir e, como uma última vingança econômica contra a colônia que o acolheu, decidiu que não sairia de mãos abanando. Antes de embarcar, o rei ordenou o resgate de todas as suas economias e das riquezas da corte. O resultado foi catastrófico: ele raspou literalmente todo o ouro, prata e diamantes dos cofres do Banco do Brasil (instituição que ele mesmo havia criado). D. João levou tudo para Portugal em caixas e baús, deixando o banco com as contas zeradas e o Brasil oficialmente falido, às vésperas da independência.

Para quem ia falar "um pouquinho", a fofoca cresceu! A minha mágoa com D. João VI é apenas com o fato de ter falido o Banco do Brasil. No mais, gosto dele, desse meu primo afastado, gordinho e bonachão que preferia a paz a entrar em conflito. 

Para saber mais sobre ele, acesse os links abaixo:

👉 Sobre D. João VI

Para ler o livro 1808 online acesse o link abaixo:

👉Livro 1808 de Laurentino Gomes que descreve sobre a vinda de D. João VI para o Brasil D. João

 

 

A Estátua Equestre de D. João VI. Toda trabalhada em bronze está localizada na Praça XV de Novembro, no centro do Rio de Janeiro. O monumento fica na região do Paço Imperial, exatamente onde ele morou e governou durante os 13 anos em que permaneceu no Brasil. Curiosamente, a estátua foi um presente de Portugal ao Rio em 1965, e o cavalo está apontado em direção ao mar

 

O imponente Paço Imperial (que era o Palácio dos Vice-Reis no Centro do Rio de Janeiro) foi a primeira parada e morada imediata de D. João VI. Porém, ele detestou morar ali, pois o prédio era abafado, barulhento, infestado de mosquitos e ficava bem no meio do tumulto do porto. Foi assim aceitou a "doação" de um casarão afastado e bem mais fresco, que hoje conhecemos como a Quinta da Boa Vista, deixando este palácio do Centro apenas para despachos, festas e para manter distância da esposa, Carlota Joaquina.

 

Imagem do Palácio de São Cristóvão antes do incêndio, localizado na icônica Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O local foi a residência oficial de D. João VI e, mais tarde, dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II. Hoje o prédio abriga o Museu Nacional e segue em processo de restauração após o incêndio de 2018.

 

Panteão dos Bragança, em Lisboa, onde o corpo de D. João VI está sepultado. Nota: Seu coração repousa separado do corpo. Seguindo uma tradição real antiga, apenas o corpo foi para o túmulo de mármore nesse Panteão. O coração e as vísceras de D. João VI foram retirados e sepultados separadamente no chão da Capela dos Meninos da Palhavã, dentro do mesmo mosteiro

 

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha