D. Pedro II: O imperador intelectual

 





 

 

 

 




      







D. Pedro II





 

Fotografia de D. Pedro II em 1876

 

O Imperador Intelectual

Antes de começar esse post, preciso compartilhar uma descoberta incrível: D. Pedro II, o intelectual e longevo segundo imperador do Brasil, é meu primo em 20º grau. Tomando como base nosso ancestral comum, o rei D. Sancho I de Portugal, ele é o 21º neto e eu a 22ª neta. E temos ainda algo em comum: a poesia. Pois recentemente descobri que ele era poeta assim como eu.

Falar de D. Pedro II de forma pessoal não é fácil, até porque não guardo muitas memórias dele dos bancos da escola, época em que eu construía minha fileira de heróis.

Mas confesso que me lembro bem de uma imagem específica no livro didático. Ela mostrava o pequeno príncipe dormindo profundamente e D. Pedro I, seu pai, curvado sobre ele, despedindo-se com um beijo na testa, por ocasião de sua abdicação.

A Despedida Brutal na Calada da Noite

Após abdicar do trono brasileiro, D. Pedro I teve que retornar para a Europa com urgência. Como seu filho e herdeiro, D. Pedro II, tinha apenas 5 anos de idade, o menino foi deixado no Brasil sob a tutela de José Bonifácio para se tornar o futuro imperador.

Hoje, pensando bem, vejo que ele foi um pequeno herói criado longe do pai e órfão de mãe. A cena da despedida, na imagem do livro, revelava uma realidade brutal: antes de embarcar no navio inglês que o levaria embora para sempre, D. Pedro I foi até o quarto do filho.  Era uma madrugada do dia 7 de abril de 1831. A criança dormia profundamente no berço, alheia à gigantesca mudança política que acontecia no país. O pai, tomado pela emoção, deu um beijo de despedida na testa do menino, sem acordá-lo. Eles nunca mais se viram, pois D. Pedro I faleceu três anos depois, em 1834, em Portugal.

O único contato que mantiveram foi por meio de correspondências. O pai escrevia de Portugal dando conselhos e demonstrando saudades. Quando D. Pedro I morreu, a notícia demorou meses para chegar de navio. O pequeno D. Pedro II recebeu a notícia através de seu tutor e chorou amargamente a perda do pai que mal conseguiu conhecer.

 

Carta de Despedida de D. Pedro I para seu filho D. Pedro II

“Meu querido filho, e meu imperador. Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler porque as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração. Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a benção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver.”

D. Pedro de Alcântara

Bordo da Nau Warspite, 12 de abril de 1831

 


 

 Uma Infância Solitária nos Bastidores do Poder

Quando fiz o supletivo do 1º grau, eu e o imperador nos esbarramos de forma quase invisível. Eu já tinha 18 anos, não tinha mais idade para criar heróis e só queria um diploma rápido para cursar o ensino médio. Assim, D. Pedro II não me marcou. Isso só aconteceu agora, que me meti a escarafunchar o passado e descobri nosso parentesco. Antes dessa descoberta, há uns 3 anos, andei lendo um pouco de seu diário e observando algumas fotos, achando fascinante a forma como ele detalhava o seu dia a dia.

A verdade é que o imperador teve uma infância solitária e infeliz. A perda súbita dos pais o assombraria por toda a vida. Ele teve poucos amigos de sua idade e o contato com suas irmãs era limitado. O ambiente em que foi criado o tornou tímido e carente, fazendo-o enxergar nos livros um refúgio e uma fuga do mundo real.

Pedro II passava os dias estudando, com apenas duas horas livres para recreação. Acordava às 06h30 da manhã e começava seus estudos às sete, continuando até as dez da noite, quando ia para a cama. Houve um cuidado extremo em sua educação para formar valores diferentes da impulsividade demonstrada por seu pai.

Sua paixão pela leitura lhe permitia assimilar qualquer informação. Pedro II não era um gênio, mas era muito inteligente e tinha uma capacidade extraordinária para acumular conhecimento. Tudo isso o transformou em um homem extremamente sério, focado nos estudos e no dever com o Brasil.

O Amadurecimento e o Peso da Coroa

Enquanto esperava a idade para governar, o Brasil era administrado por Regentes, o que gerava muitos atritos políticos. Para tentar estabilizar o país, decidiram antecipar a sua maioridade. D. Pedro II foi enfim coroado aos 15 anos de idade, em 18 de julho de 1841.

Por volta de 1846, Pedro II já havia amadurecido física e mentalmente. Com 1,93 m de altura, olhos azuis e cabelos loiros, era descrito como um homem belo e seguro. Suas grandes qualidades de caráter vieram à tona. Segundo o historiador Roderick J. Barman:

"Ele mantinha suas emoções sob disciplina férrea. Ele nunca era rude e nunca perdia a cabeça. Ele era excepcionalmente discreto com as palavras e cauteloso na forma de agir".

Esta é a legítima Coroa Imperial do Brasil, uma das obras-primas da joalheria das Américas, criada no Rio de Janeiro pelo ourives Carlos Martin para a cerimônia de coroação de Dom Pedro II em 18 de julho de 1841. A peça pesa aproximadamente 1,9 kg,  em sua composição ouro 18 Quilates; 639 Diamantes reaproveitados a antiga coroa de seu pai, Dom Pedro I; 77 Pérolas naturais de 8 milímetros que pertenceram  a um colar da mãe do monarca, a Imperatriz Leopoldina. No alto a Cruz da Ordem de Cristo e o interior o clássico forro de veludo verde-escuro, simbolizando a cor oficial da dinastia Bragança e da bandeira do Império. Atualmente, esta joia de valor inestimável pertence ao Estado brasileiro e encontra-se preservada sob segurança máxima no Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro.


 

Assinatura de D. Pedro II


 


 

O Eixo de Vida de Dom Pedro II: Duas Casas e um Local de Trabalho
A rotina residencial e administrativa de Dom Pedro II dividia-se claramente entre três edifícios históricos fluminenses, mantendo uma separação rígida entre vida pública e privada. O monarca possuía apenas duas moradias de fato: o Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, que funcionava como sua residência oficial e principal na maior parte do ano, e o Palácio Imperial de Petrópolis, sua casa de veraneio usada para escapar do calor e das epidemias da capital entre os meses de dezembro e abril. Já o Paço Imperial, localizado no Centro do Rio de Janeiro, não era utilizado como moradia pelo imperador; a edificação servia estritamente como o seu local de trabalho diário, onde ele despachava com ministros, assinava decretos e realizava audiências públicas antes de retornar para o seio familiar no fim do dia.

 

Palácio São Cristovão de arquitetura neoclássica. Localizado na Quinta da Boa Vista, era a residência principal e oficial de D. Pedro II. Foi onde o imperador nasceu, cresceu e passou a maior parte do ano despachando os assuntos do governo. O edifício abrigou mais tarde o Museu Nacional.  Imagem antes do incêndio de 2018.

  

Palácio Imperial de Petrópolis: Era a residência de veraneio de D. Pedro II. Entre os meses de dezembro e abril, Dom Pedro II e a família real subiam a serra para fugir do calor intenso e das epidemias (como a febre amarela) que assolavam o Rio de Janeiro. Na década de 1880, já no fim do Império, o imperador passou a se isolar e a morar quase que permanentemente em Petrópolis. Atualmente, este palácio abriga o famoso Museu Imperial.


 

Paço Imperial, situado no centro da cidade, funcionava principalmente como local de trabalho e despachos eventuais, e não como moradia fixa de D. Pedro II.

 


O Golpe e o Último Desejo no Exílio

Ele governou com essa serenidade até o golpe republicano de 1889. Após a Proclamação da República, D. Pedro II e a família imperial foram banidos do Brasil na madrugada de 17 de novembro de 1889, partindo às pressas para a Europa para evitar revoltas populares a favor do trono.

O imperador deposto passou seus dois últimos anos de vida no exílio, dividindo seu tempo entre hotéis em Portugal e na França, com a saúde cada vez mais debilitada e vivendo de forma modesta. Ele recusou a ajuda financeira oferecida pelo novo governo republicano e faleceu em um quarto de hotel em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891, vítima de pneumonia.

Conta-se que D. Pedro II guardava consigo um pacote com terra de cada província brasileira, mantendo o embrulho por perto para o caso de falecer longe de sua pátria. Esse era o seu "plano B". No caixão, ele foi sepultado com essa terra sob a cabeça. Antes de dar o seu último suspiro no Hotel Bedford, suas palavras finais foram um reflexo de sua devoção:

"Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil".

Por ocasião do centenário da Independência do Brasil, em 1922, os corpos de D. Pedro II e de sua esposa, D. Teresa Cristina, finalmente retornaram para casa. O decreto de banimento havia sido revogado em 1920 pelo presidente Epitácio Pessoa. Hoje, os dois repousam no Mausoléu Imperial, na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis (RJ).

Carta de despedida de D. Pedro II após o fim da monarquia

Transcrição da carta

“A vista da representação escrita, que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação, durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade.

Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889.
D. Pedro de Alcântara.”

 

Pedro II em seu leito de morte, 6 de dezembro de 1891: o livro embaixo do travesseiro sob sua cabeça simboliza que, mesmo após a morte, sua mente descansa sobre o conhecimento


 

Mausoléu com D. Pedro II , D. Tereza Cristina, Princesa Isabel e Conde D´eu. O Mausoléu Imperial está situado à direita do adro da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, Rio de Janeiro. Detalhe: o túmulo de D. Pedro II e a esposa é o do meio.

 

  


Sobre D. Pedro II ser poeta

Embora tenha governado o Brasil por quase meio século, D. Pedro II encontrava na poesia um refúgio para expressar suas emoções mais íntimas e reflexões pessoais. Seus versos, marcados por um tom melancólico e confessional, desviavam-se das questões políticas cotidianas para focar em temas universais como a brevidade da vida, a solidão do poder e as dores familiares, a exemplo do luto pela perda precoce de seus filhos.

Descobrir esse lado lírico do imperador foi uma surpresa fascinante para mim, especialmente por sermos primos afastados e por eu também ser poeta. Essa revelação mudou completamente a minha percepção sobre ele. Diferente de seu pai, D. Pedro I, com uma postura de herói impetuoso, a imagem de D. Pedro II sempre me pareceu profundamente melancólica. Ao olhar agora para a sua história — um menino que cresceu praticamente sozinho, privado do convívio do pai desde muito pequeno e cercado pelo peso de uma coroa —, percebo que não tinha como ele não ser poeta. A poesia era a sua voz mais sincera.

Essa profunda sensibilidade fica evidente no soneto abaixo, escrito por ele em 7 de julho de 1887, a bordo do navio Gironde, durante uma de suas viagens à Europa para tratamento de saúde. O poema antecipa a dolorosa saudade que ele consolidaria anos mais tarde no exílio definitivo, revelando um homem que, mesmo distante fisicamente e debilitado pela doença, mantinha o pensamento e o propósito de sua existência inteiramente atados ao solo brasileiro.

Saber que ele mantinha diários detalhados e escrevia poesias mostra que, antes de ser um governante, ele era alguém que precisava processar o mundo através das palavras — exatamente como eu faço. Esse "outro olhar" de mim para ele agora não é apenas histórico, é uma conexão de empatia entre dois poetas da mesma família.

Um de seus sonetos

 SEMPRE O BRAZIL.

Nunca noite dormi tão socegado,
Que nem mesmo sonhei com o meu Brazil,
Porém, vendo infinito o mar d’anil,
Lembra-me a aurora d’elle nacarada.

Cada dia que passa não é nada,
E os que faltam parecem mais de mil.
Se o tempo que lá vivo é um ceitil,
Aqui é para mim grande massada.

Se a doença porém me consentir,
Sempre pensando n’elle, cuidarei
De tornar-me mais digno de o servir,

E, quando possa, logo voltarei;
Pois na terra só quero eu existir
Quando é para bem d’elle que eu o sei.

Bordo do Gironde, 7 de Julho de 1887.

Para conhecer outros poemas de D. Pedro II, acesse o link abaixo:

👉 Poesias de D. Pedro II 

 

Alguns volumes dos Diários de D. Pedro II diretamente do Museu Imperial:

👉 Volume 01 (PDF) – Relatos do início de sua juventude e do começo de seu governo.

👉 Volume 09 (PDF) – Caderno em que ele decide, em 31 de dezembro de 1861, voltar a registrar sua rotina. É nesta introdução que ele escreve um de seus desabafos mais profundos.

👉 Volume 23 (PDF) – Focado em seus minuciosos relatos de viagem marítima e observações geográficas pelo Brasil.

 

 Veja um trecho do volume 9:

"Tenho espírito justiceiro, e entendo que o amor deve seguir estes graus de preferência: Deus, humanidade, pátria, família e indivíduo. Sou dotado de algum talento; mas o que sei devo-o sobretudo à minha aplicação, sendo o estudo, a leitura e a educação de minhas filhas, que amo extremosamente, meus principais divertimentos (...) Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da República ou ministro à de imperador."

 


Curiosidades Surpreendentes sobre Dom Pedro II

 

1. Um nome (um pouquinho) menor que o do pai

Embora o nome de Dom Pedro I fosse uma verdadeira lista de chamada, o de seu filho não ficou muito atrás. O nome completo de batismo de Dom Pedro II era: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon.

2. O governo dos regentes

Quando Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho (que ainda era uma criança), o Brasil não pôde ser governado imediatamente pelo herdeiro. O país passou pelo Período Regencial, sendo governado temporariamente pela Regência Trina Permanente, composta por João Bráulio Muniz, José da Costa Carvalho e Francisco de Lima e Silva (este último, pai do futuro Duque de Caxias).

3. Decepção à primeira vista no casamento real

Como o jovem imperador precisava se casar com alguém da realeza europeia, a escolhida foi uma princesa disponível em Nápoles. Dom Pedro II ficou radiante ao ver o retrato da jovem Teresa Cristina, mas teve de esperar mais de um ano até a sua chegada, em 3 de setembro de 1843.

Aos 17 anos, ele estava ansioso para conhecer a esposa com quem já havia se casado por procuração. O navio aportou na Baía de Guanabara às 18h e, embora o protocolo ditasse que ela só desembarcaria no dia seguinte, o jovem Pedro resolveu subir a bordo na mesma noite. Teresa Cristina foi avisada às pressas. Ao chegar ao convés, o imperador sofreu uma enorme decepção: a princesa era baixa, gorda e mancava fisicamente. Ele apenas fez um cumprimento protocolar de boas-vindas, disse um frio “até amanhã” e retornou imediatamente ao palácio.

4. Um poliglota fascinado pelos livros

Dom Pedro II tinha um imenso amor pela leitura e pelo conhecimento. Ele lia diariamente e era fluente em vários idiomas, conseguindo ler e traduzir obras complexas diretamente do grego, do latim e até do hebraico.

5. Hábitos extremamente simples

Apesar de ser a figura mais poderosa do país, o imperador mantinha uma rotina quase monástica na intimidade. Ele dormia em uma cama simples, sem luxos, e costumava usar roupas muito comuns e gastas no seu dia a dia, rejeitando a ostentação ostensiva da corte.

6. O pioneiro da fotografia no Brasil

Dom Pedro II foi o primeiro fotógrafo oficial do Brasil. Fascinado pela tecnologia do daguerreótipo, ele adorava tirar fotos e colecionar imagens de paisagens e pessoas. Ao longo da vida, reuniu um acervo gigantesco e doou cerca de 25 mil fotografias para a Biblioteca Nacional. Frisando que o daguerreótipo foi o primeiro processo fotográfico comercializado com sucesso, criado em 1837 pelo francês Louis Daguerre. Ele consistia em uma imagem única fixada diretamente sobre uma placa de cobre banhada a prata, sem o uso de negativos, produzindo um retrato espelhado de alta nitidez.

7. Amigo de Graham Bell e entusiasta do telefone

O imperador era um homem sintonizado com a modernidade. Ele conversava frequentemente por cartas com Alexander Graham Bell e fez questão de testar pessoalmente a invenção do telefone durante uma viagem aos Estados Unidos. Graças ao seu entusiasmo e incentivo imediato, o Brasil se tornou o 2º país do mundo a instalar uma linha telefônica.

8. Um adeus sem sangue e com terra na mala

Ao sofrer o golpe da Proclamação da República em 1889, Dom Pedro II aceitou o fim do Império sem oferecer resistência armada, fazendo isso especificamente para evitar uma guerra civil e a morte de brasileiros. Ele partiu para o exílio na Europa sem exigir pensões exorbitantes. Em suas bagagens, levou um saquinho contendo terra brasileira para guardar como recordação de sua pátria.

9. As amantes e o contraste com o pai

Contrariando a imagem de "santo" e a sobriedade que a história oficial tentou construir, Dom Pedro II teve várias amantes ao longo de sua vida. A grande diferença em relação ao seu pai, Dom Pedro I, estava na sua extrema discrição pública.

Seu grande amor foi a baiana Luísa Margarida de Barros Portugal, a Condessa de Barral, contratada em 1856 como preceptora de suas filhas. O relacionamento amoroso e intelectual durou décadas, registrado em uma intensa troca de cartas românticas. O imperador também se envolveu romanticamente com outras mulheres da corte, como a Condessa de Villeneuve, a Madame de la Tour e Eponina Otaviano (esta última, envolvida com o monarca quando tinha apenas 17 anos).

10. A "doença da mala"

Em 1876, o imperador fez uma longa viagem de um ano e meio que incluiu passagens marcantes pelo Oriente Médio. Diante de seu desejo incontrolável de viajar e explorar o mundo, os jornalistas e críticos da época ironizavam dizendo que o monarca sofria da “doença da mala”.

Saiba mais:

  


Para saber mais sobre a vida de D. Pedro II, acesse os links abaixo:

👉  A Infância, a Juventude e a Vida Social de Dom Pedro II (Brasil Escola)

 👉 Biografia de Pedro II do Brasil (Wikipédia)

👉 Linha do Tempo e Vida do Imperador (EBiografia)



Pedro II por volta dos 22 anos de idade, c. 1848. É a mais antiga fotografia sobrevivente do imperador


Pedro II, por volta dos 25 anos de idade, c. 1851


Pedro II aos 39 anos de idade, 1865

 


Vestido com o uniforme de almirante aos 44 anos de idade—os anos de guerra envelheceram prematuramente o imperador


D. Pedro II na companhia dos livros que amava


Pedro II em 1887, com 61 anos: um imperador cansado de sua coroa e resignado quanto ao fim da monarquia


Dom Pedro II em 1891(Poucos meses antes de falecer no exílio). A foto foi tirada na França pelo fotógrafo Félix Nadar, o mais famoso retratista da Europa na época. Esta é considerada a última fotografia oficial de Dom Pedro II com vida. A imagem captura o imperador profundamente envelhecido, debilitado e com um semblante melancólico pela distância de sua pátria. O próprio fotógrafo Nadar foi chamado no para registrar sua icônica foto post-mortem no leito de morte.



A última fotografia da Família Imperial no Brasil, na varanda da Casa da Princesa Isabel, em Petrópolis, 1889. Fotografia de Otto Hees. Da esquerda para a direita: a imperatriz Dona Teresa Cristina, D. Antônio, a princesa Isabel, o imperador, D. Pedro Augusto (filho da irmã da princesa Isabel, d. Leopoldina, duquesa de Saxe), D. Luís, o conde d'Eu e D. Pedro de Alcântara (príncipe do Grão-Pará).



As filhas de D.Pedro II, as princesas Leopoldina e Isabel (sentada) , em 1855. Os filhos homens faleceram bem pequenos: Afonso Pedro,o primeiro filho e herdeiro do trono faleceu com apenas dois anos de idade devido a sucessivas convulsões e Pedro Afonso,o caçula da família imperial morreu com pouco mais de um ano de idade, vítima de uma febre forte.


Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina no Palácio Imperial de Petrópolis, c. 1888


A Condessa de Barral no Tempo: Juventude vs. Maturidade ( a amante de D. Pedro II). À esquerda (Juventude)é uma pintura em miniatura realizada na Europa (década de 1830/1840). Retrata Luísa Margarida por volta dos seus 20 a 25 anos. À direita (Maturidade) é um retrato estimado da década de 1880, quando a Condessa já passava dos 60 anos. Ela aparece vestida de luto rigoroso — com trajes pretos e véu —, estilo que adotou após a morte de seu marido em 1868. O segredo por trás da imagem: Embora a maioria dos livros e sites use o retrato da esquerda para ilustrar o romance imperial, a Condessa já tinha 40 anos (e Dom Pedro II, 30) quando se conheceram em 1856. O envolvimento entre os dois durou décadas, e o Imperador a reencontrou na Europa com a fisionomia madura da imagem à direita. Isso prova que a paixão que os uniu não era baseada apenas na juventude, mas sim em uma profunda conexão intelectual e afetiva que resistiu ao tempo.



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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha