Manuel Mendes do Prado: um dos fundadores de Prados, Minas Gerais

 

 

 

 Manuel Mendes do Prado: um dos fundadores de Prados, Minas Gerais


Sobre os fundadores da cidade de Prados, Minas Gerais

Quando comecei o processo de pesquisa sobre meus antepassados, sempre contextualizei os lugares por onde eles passaram. Era uma forma de compreender suas histórias. Um desses lugares foi Prados,  Minas Gerais, e agora faço questão de repetir a contextualização, pois entra na história um fato marcante para mim: meu parentesco com seus fundadores.

Antes, Prados para mim era apenas um lugar onde alguns de meus antepassados pisaram, se casaram, viveram e faleceram nos séculos XVIII e XIX. E, claro, isso fazia daquelas paragens um lugar especial. Porém, o local ganhou uma importância a mais para mim quando estava pesquisando mais a fundo o ramo de meus ascendentes pelo lado dos Naves e deparei-me com os Prados. Ambos de São Paulo, das paragens dos berços dos bandeirantes. Como sou curiosa, vasculhei a genealogia dos Prados e vi que eles entraram em minha família pelo lado de Isabel do Prado, minha 11ª avó, por parte de minha trisavó Idalina Amada de Jesus, a mãe de meu famoso bisavô Tõe.

O Patriarca João do Prado e o papel dos sertanistas

Isabel era filha de João do Prado (O Patriarca): o pioneiro e progenitor da família Prado no Brasil, um fidalgo português natural de Olivença, Portugal, que chegou à Capitania de São Vicente, não se sabe o ano exato. Veio solteiro e casou-se na Vila de São Vicente com a brasileira Filipa Vicente, filha dos primeiros povoadores e grandes lavradores de cana-de-açúcar da região, povoadores esses, vindos talvez, com Martim Afonso de Sousa por volta de 1530.

João do Prado foi sertanista. Naquela época, as pessoas que desbravavam o interior não se autodenominavam "bandeirantes"; elas eram chamadas de sertanistas ou paulistas. O termo "bandeirante" só se popularizou muito mais tarde, no século XX, como uma construção cultural e política para transformar esses desbravadores em figuras heroicas. Assim, nos séculos XIX e XX, "sertanista" passou a designar qualquer profissional ou indivíduo especialista em sobreviver e conhecer profundamente as matas e o sertão brasileiro.

João do Prado fez entradas no sertão, onde conquistou muitos índios bravios para seu serviço nos canaviais, e com eles se estabeleceu em São Paulo, onde serviu em cargos do governo, inclusive o de juiz ordinário em 1588 e 1592. Depois de fazer seu testamento, em 1594, resolveu fazer nova entrada ao sertão para aumentar o número de índios a seu serviço, vindo a falecer em 1597 no sertão de Parnaíba, no arraial do capitão-mor João Pereira de Sousa Botafogo.

Mitos e contradições historiográficas

Aliás, a história de João do Prado me fez rir e também quase chorar ao perceber os erros cometidos por historiadores antigos que visam apenas criar heróis para seus ascendentes. Com relação a esse meu 12º avô, criaram a história grotesca de que ele veio para o Brasil em 1530 na comitiva de Martim Afonso de Sousa, considerado pela historiografia tradicional o comandante da primeira expedição colonizadora enviada ao Brasil. Mas onde está o erro que ninguém “deu por fé”? Se ele veio em 1530, devia ser talvez um jovem de 20 anos, logo nascido por volta de 1510. Só que no seu inventário consta que faleceu em 1597 em uma de suas entradas no sertão aprisionando índios. Será mesmo que, por volta dos 87 anos, ele estaria disposto a essas façanhas? E tem mais: seu primeiro filho nasceu por volta de 1570. Sendo assim, será que teve o primeiro filho com 60 anos? Que dirá então de sua esposa, já provavelmente idosa para a maternidade na época.

O pior de tudo é que as pessoas vão passando esses erros para a frente sem questionar, sem fazer contas, só porque quem falou foi um historiador de renome. Mas para mim, que sei de todos esses erros, importa apenas que ele foi meu 12º avô a quem eu devo o existir, pois um de seus descendentes chegou até mim. Por outro lado, não há orgulho algum, pelo fato de ele ter sido um sertanista que vivia de aprisionar índios para escravizar em suas lavouras de cana-de-açúcar.

 

Transcrição parcial pelo Projeto Compartilhar do inventário de João do Prado- parte I


 
Transcrição parcial pelo Projeto Compartilhar do inventário de João do Prado- parte II


  Filipa Vicente e o Milagre do Padre José de Anchieta

Já que estou falando de João do Prado, é preciso frisar também um acontecimento envolvendo Filipa Vicente, sua esposa. Tais fatos ajudam não só a conhecer, mas também a entender a história de nossos antepassados.

Na dissertação de mestrado de Marcelo Meira Amaral Bogaciovas (2006), cujo título é Tribulações do povo de Israel na São Paulo colonial, descobri, quase por coincidência, o nome de Filipa Vicente, minha 12ª avó e trisavó de Manuel, o suposto fundador de Prados.

O autor escreve em sua dissertação (p. 233), baseando-se em Pedro Taques, que Filipa Vicente serviu de testemunha no processo de beatificação do Padre José de Anchieta, tendo sido ouvida em 7 de abril de 1622 na vila de São Paulo (fato registrado também na Revista da ASBRAP nº 3, p. 25).

O Padre José de Anchieta, a gente bem sabe quem é: o padre jesuíta espanhol que teve papel central na catequização dos indígenas por volta de 1553. Eu mesma me lembro dele dos bancos da escola, quando tinha uns 11 anos e estudava sobre o Descobrimento do Brasil, e jamais esqueci que ele escreveu em latim, nas areias da praia de Ubatuba, um Poema à Virgem Maria com 75.786 versos contínuos em estilo épico( também chamado de epopeia) que é uma longa narrativa em versos. Mas isso só descobri tempos depois quando já me aventurava a escrever meus próprios poemas. E descobri também que foi ele quem introduziu a literatura e o teatro no Brasil.

Para ouvir a declamação do Poema à Virgem Maria escrito por José de Anchieta, acesse o link abaixo:

👉 https://www.youtube.com/watch?v=5E5bjfPazRM 

Mas como é essa história de minha 12ª avó testemunhar em sua beatificação? Através do Padre Anchieta, que era seu diretor espiritual, ela ficou curada de uma doença que a devastava havia três anos. Abaixo, o trecho escrito por Pedro Taques e reproduzido na dissertação de Marcelo Meira que justifica o seu testemunho:

"Felipa Vicência, natural de São Vicente, com mais de 80 anos de idade, filha de Pedro Vicente e de Maria de Faria. Tratou muitas vezes com o Padre Anchieta em São Vicente, o qual era seu diretor espiritual. Estando ela em São Vicente, enferma havia três anos, presa ao leito e com o corpo coberto de chagas, tão consumida que lhe apareciam os ossos através da pele e já abandonada por três médicos, não mais se alimentava, nem mais havia esperança de vida.

Visitou-a então o Padre Anchieta e fez com que o cirurgião Antônio (Rodrigues?) com uma lanceta lhe abrisse uma das chagas, o que o médico não queria fazer, só o fazendo quando o Padre José assumiu a responsabilidade. Aberta a chaga e com a abundância do humor maligno que daí escorreu, como ficou a testemunha quase morta, benzeu-lhe o Padre José a chaga com pequeno crucifixo que trazia consigo, dizendo-lhe estas palavras: 'Tu és pó e estavas morta, mas viverás ainda muitos anos, e a ninguém digas o que se passou'.

Levantando-se ela do leito, por quase um ano ainda lhe purgou aquela chaga. Falando um dia sobre isso, na confissão, ao Padre José, este lhe disse que fizesse uma peregrinação a Nossa Senhora da Conceição (de Itanhaém) e que ele ali celebraria missa em sua intenção e que, com a graça de Deus, ficaria boa. Foi, em companhia de Madalena Fernandes Afonso e muitas outras pessoas já falecidas. Ali chegando, e celebrada a missa, imediatamente secou a chaga, com espanto de todos os presentes que diziam ser o Padre José um santo.

Assinou por ela o filho Pedro do Prado, por ela não saber escrever."

Além desse fato acima, existe outro relacionado a um processo de banhos (dispensa matrimonial) de um trineto de João e Filipa, preservado no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo (Processo nº 4-1-1, ano de 1681, Vila de São Paulo), os noivos alegaram que descendiam do "gentio da terra", ou seja, dos povos indígenas. Na ocasião, duas testemunhas asseguraram sob juramento que os noivos carregavam sangue indígena por parte de Filipa Vicente.

Essa descoberta revela uma marcante contradição da época: ao mesmo tempo em que João do Prado atuava no aprisionamento e exploração de indígenas para o trabalho nas lavouras, a própria linhagem familiar integrava o sangue e a ancestralidade dos povos originários por meio de sua esposa, Filipa Vicente. Uma síntese das complexidades, sombras e encontros que marcaram a formação das famílias no Brasil colonial.


Para ler sobre tudo isso, acesse o link abaixo e vá à pág. 232 e 233:

 👉  Dissertação de Mestrado - Marcelo Meira Amaral Bogaciovas (USP)

 

Para acessar o inventário de Filipa, a esposa de João do Prado, acesse o link abaixo:

👉 Inventário de Filipa Vicente esposa de João do Prado 


 

Ramificações da família e falsas genealogias

João do Prado e Filipa, meus 12º avós, tiveram onze filhos, conforme consta em seu inventário. Entre eles estão Isabel do Prado, minha 11ª avó, que se casou com Pascoal Leite, e Pedro do Prado, de quem descende pelo menos um dos fundadores de Prados, Minas Gerais: Manuel Mendes do Prado (neto de Pedro e bisneto de João do Prado, o patriarca).

E aqui dou uma pausa para falar de outro erro que não me fez rir, mas ficar com cara de “besta”. Trata-se de Pascoal Leite, casado com Isabel do Prado, minha 11ª avó. Por um lapso de tempo, vivi a ideia feliz de que ele me levava até Pedro Álvares Cabral e ao Frei Gonçalo Velho Cabral. Isso de fato seria algo extraordinário. Imagina eu ter ligação de parentesco com o suposto descobridor do Brasil, o meu herói dos bancos da escola? E com o colonizador das Ilhas Santa Maria e São Miguel em Açores? Contudo, descobri que não só a escola me escondia verdades, mas também os historiadores — um tal de Pedro Taques, exaltado como eu quando se trata de histórias de família, porém metido a enfiar linhagens nobres goela abaixo da sociedade paulistana e de quem se metesse a desenterrar ossos assim também como eu.

Não quero acreditar que tenha sido má-fé. Mas, felizmente, Pedro Taques foi desmascarado por José Guimarães. Porém, eu só descobri isso depois de passar vários dias desenrolando um novelo que, de repente, foi partido ao meio depois de atravessar o Atlântico. Isso depois de eu já ter lançado aos quatro ventos minha suposta linhagem vinda de Belmonte, em Portugal. Imagina a minha cara! E ainda tive que baixar a crista, pois a vaidade não é um bom sentimento. Mas confesso que ela me subiu à cabeça. No fundo, foi bom para eu exercitar a humildade, embora eu ainda continue a pesquisar pessoas notáveis.

 Do "Caçador de Esmeraldas" ao aluno de Anchieta: os laços de Pascoal Leite

Mas, se perdi esse elo com os Cabrais, ganhei outros também interessantes com relação a esse meu 11º avô Pascoal Leite. Ele era avô do bandeirante Fernão Dias Pais Leme através de sua filha Maria Leite, irmã de minha 10ª avó Úrsula Pedroso. E a gente bem sabe toda aquela história dos bandeirantes. O "Caçador de Esmeraldas", agora que sei ser um primo meu afastado, sentou-se comigo nos bancos da escola e foi um entre tantos de meus heróis — e continua sendo, mesmo depois que descobri as barbaridades que fazia para desbravar o sertão.

Olhar para os nossos antepassados exige esse exercício que ando fazendo: às vezes é preciso separar o afeto genealógico do julgamento histórico, reconhecendo que eles estavam imersos em uma cultura e em valores do tempo deles — valores esses que hoje repudio, mas que eram a estrutura social e econômica daquela época.

Confesso que é preciso ter maturidade para encarar as contradições dos ancestrais, sem romantizar nem apagar o lado sombrio. Mas acredito que o mais importante é o respeito à verdade histórica e a consciência de que a trajetória deles, com suas luzes e sombras, acabou permitindo a chegada das gerações futuras.

Bem, voltando a Pascoal Leite, meu 11º avô, descobri também outro fato extraordinário graças ao historiador José Guimarães — o mesmo que arrebentou o meu fio da meada cabralino, mas me ofereceu um fio histórico mais consistente: Pascoal Leite foi aluno do Padre José de Anchieta por volta de 1578.

José Guimarães escreveu em seu trabalho de desmistificação, Pascoal Leite - Um Estudo Genealógico (que pode ser lido no Scribd), que uma testemunha do processo de beatificação do Pe. José de Anchieta, depondo em São Paulo em 1620, conta que Pascoal Leite era aluno do Colégio de São Paulo quando Anchieta teve uma visão do desastre das armas portuguesas em Alcácer-Quibir. Esse depoimento mostra que Pascoal Leite era estudante em 1578, pois a Batalha de Alcácer-Quibir foi registrada em 4 de agosto desse mesmo ano.

Há ainda, no site Novo Milênio, um depoimento de Pedro Leme (1622) no qual relata explicitamente que ele e outros rapazes da vila — citando nominalmente Pascoal Leite, Matias de Oliveira, Ascenso Ribeiro e João Soares — se criaram com Anchieta, foram seus alunos no Colégio de São Paulo e o acompanhavam em suas exaustivas viagens a pé entre São Vicente e São Paulo.

Conta-se ainda no artigo da ASBRAP que, no processo de beatificação do Pe. José de Anchieta, outra testemunha deu um depoimento sobre uma revelação do padre que disse: "Levanta-te, Pascoal, vamos salvar uma alma". Pascoal o acompanhou em uma canoa por nove léguas até uma aldeia indígena para resgatar e batizar um nativo que seria executado.

Essas histórias me levam a imaginar toda a trajetória de Pascoal Leite convivendo com o padre que catequizava indígenas, curava doentes e virou santo.

Vale frisar que Pascoal Leite ficou historicamente conhecido na genealogia brasileira como o patriarca de uma influente família paulista. Pensando bem, não deve ser tão errado ficar feliz em ter parentes que ajudaram a construir o Brasil.

 


 

Os desencontros históricos sobre a fundação de Prados

Mas, se pensa que acabou, outro fato ainda me fez rir — mas nesse eu não caí, porque gato escaldado tem medo de água fria. Esse fato ainda tem a ver com João do Prado, meu 12º avô e bisavô do fundador de Prados. Ele teve um trineto de nome Félix Mendes do Prado, que a história jura de pé junto que foi um dos fundadores de Prados junto com Manuel, seu tio. Em alguns artigos, dizem até que eram irmãos.

Essa vinda para a região onde seria Prados aconteceu em 1704, conforme reza a história. Manuel teria em torno de dezenove anos. Mas Félix ainda era um recém-nascido, pois nascera em janeiro de 1704. Teria um bebê vindo desbravar o sertão? Félix seria um bebê bandeirante? Não é para rir, mas talvez chorar com essa “verdade”. Bem sabemos que o tal “boca a boca”, quando chega lá na frente, já foi todo deturpado e até os mais intelectuais engolem sem água e ainda arrotam. E o pior é que essa inverdade consta até no site da prefeitura de Prados, assim, sem questionar, sem justificar. E o refluxo disso tudo quem sofre sou eu, porque se alguém mais tivesse tido azia, algum Sonrisal já havia resolvido o problema desse tutu mineiro.

Alguns estudos acadêmicos deixam Félix de lado e falam de um certo Miguel, que também não tem comprovação nenhuma. Outros mais sábios preferem dizer apenas “irmãos Prado”. Embora algumas inverdades rodeiem também o próprio Manuel, é fato que ele veio para Prados no início do século XVIII como chefe da expedição e, junto dele, provavelmente outros integrantes dos Prados.

Em Memória Histórica de Prados, de Dario Cardoso Vale, consta que, dentre os primeiros povoadores de que se tem notícia (conservados os seus nomes no Livro de Compromisso da Irmandade de São Miguel e Almas, ereta em 1719, como irmãos da mesa), figura Manuel Mendes do Prado, casado com Tereza Pires de Siqueira. E ainda Miguel Rodrigues do Prado, casado com Maria Pires de Siqueira, e José Pires de Siqueira (irmão de Tereza Pires), casado com Isabel de Pontes Cardoso (ou do Prado). Isso prova a presença dos Prados em Prados que, assim que chegaram, ergueram uma pequena capela de sapé dedicada à padroeira Nossa Senhora da Conceição. Só depois, com o enriquecimento dos mineradores, a elite local contratou artistas para erguer uma suntuosa edificação barroca, uma construção que se estendeu por cerca de 50 anos ao longo do século.

 

Capa restaurada e Frontispício (Folha de Rosto) do Livro de Compromisso da Irmandade de São Miguel e Almas de Prados (1719): Iluminura colorida desenhada e pintada à mão no século XVIII. O documento preserva o registro dos primeiros irmãos da mesa, entre os quais consta Manuel Mendes do Prado.

 

 


O cálculo do parentesco com Manuel Mendes do Prado

De qualquer forma, analisando toda essa trama genealógica, fica claro que Manuel Mendes do Prado foi meu primo afastado. Na genealogia e no direito civil, o grau de parentesco entre primos é definido pela geração menos distante do ancestral comum. Como eu e Manuel pertencemos a linhas que se distanciaram muito no tempo, nós possuímos graus de afastamento de gerações. Como a menor distância até o ancestral comum (João do Prado e Filipa) é a de Manuel (3ª geração), o parentesco base é o de segundo grau. Logo, eu sou prima em 2º grau de Manuel Mendes do Prado, com 10 gerações de afastamento. Popularmente, devido à enorme distância de séculos entre as linhas, costuma-se chamar esse tipo de relação de "primos distantes" ou "primos de muitas gerações". O que importa nisso tudo é que sou parente dos fundadores de Prados, Minas Gerais, e isso é motivo de grande orgulho.

 

Esquema Genealógico: Conexão entre a minha linha direta e a de Manuel Mendes do Prado, partindo de nossos ancestrais comuns, João do Prado e Filipa Vicente.

 


 

Sobre Manuel Mendes do Prado: um dos fundadores de Prados, Minas Gerais

Bem, fiz zigue-zague até chegar em Manuel Mendes do Prado, o personagem principal dessa história já que é a ele que atribuem a chefia da expedição que fundou Prados. 

Não foi possível saber muito sobre ele. O pouco que encontrei diz apenas que foi batizado no dia 17 de outubro de 1685 em São Paulo, tendo por padrinhos João Lopes de Lima e Catarina do Prado. Diz também que foi casado com Teresa Pires de Siqueira, filha de Antônio de Siqueira Afonso e de Maria Egipcíaca, e ainda que era filho de Leonor Leme do Prado e João Gomes Coelho. Leonor era neta de João do Prado, meu 12º avô.

Nesse documento, consta ainda que Manuel Mendes do Prado morava no bairro de São Miguel, no sítio de Penha de França, em São Paulo. Depois de casado, mudou-se para Guaratinguetá. Lá, ele vivia de suas lavouras cultivadas pelos seus escravos. Dali que ele se ausentou para Minas Gerais, para a região onde é hoje Prados. Esses dados constam do processo de habilitação de genere et moribus do Padre João de Mello Costa (seu neto), Cúria Arquidiocesana de Mariana (MG), por certidões juradas ante o Escrivão da Câmara Episcopal de São Paulo e por ele reconhecidas e assinadas (informação de Rubens Câmara). Logo são informações verdadeiras, pois sabe-se que as inquirições de genere (ou habilitações de genere, vita et moribus) exigiam uma rigorosa apuração baseada em testemunhos e averiguações locais que funcionavam como a "verdade oficial" da época, buscando certificar a ancestralidade e a conduta moral do candidato.

Nesse trecho específico do livro Genealogia Paulistana, 

 

 Assinatura de Manuel Mendes do Prado 

 

A conexão com a Inconfidência Mineira e o legado

Com relação ao Padre João de Mello Costa vale frisar alguns dados interessantes além de ser neto de Manuel. Sua mãe era Clara Maria de Jesus, filha de Manuel, que se casou com Manuel de Mello Pereira que era irmão de Clara Maria de Mello, mãe de Hipólita Jacinta da Silva Mello — a única mulher inconfidente. Percebe-se, assim, que Hipólita era prima-irmã do Padre João de Mello. Inclusive, o esposo de Hipólita, o inconfidente Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, doou ao padre, em 1788, uma casa em Prados, com a justificativa de que ele era o capelão particular de sua sogra, a mãe de Hipólita. Veja abaixo a transcrição do documento que fala dessa transação:

 


 

Essa casa ainda existe e é uma das poucas que resistiram ao tempo. É conhecida como Casa do Sô Mamede por ter pertencido ao alfaiate João Cardoso, a quem chamavam de Sô Mamede. A casa é considerada a residência mais antiga da cidade de Prados (MG), construída na primeira metade do século XVIII por Manuel Mendes do Prado, o avô do Padre João. Abaixo, imagem dessa casa em prados:

 


 

Embora os intrincados nós genealógicos das Minas Gerais setecentistas revelem que não carrego o parentesco direto de sangue com Hipólita Jacinta, alegra-me profundamente o fato de que meus próprios ancestrais partilharam com ela intensas afinidades de vida, afeto e sangue.

Sabe-se que, ao tentar reconstruir uma história, há muitos empecilhos, pois documentos antigos são perdidos e outros são mal interpretados devido à escrita rebuscada da época ou fatos mudados pelo “boca a boca”. Fica um fundo de verdade no que resta: papéis soltos, uma casa que resistiu ao tempo, histórias contadas... Mas, ainda assim, é possível reconstruir alguns caminhos e genealogias que, muitas vezes, nos deixam de queixo caído.

 


 

    


      
  








 

Sobre Prados

Prados é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, localizado na região do Campo das Vertentes. Ocupa uma área de cerca de 260 km², sendo que aproximadamente 3 km² correspondem ao perímetro urbano, e sua população foi recenseada em 2022 em 9.048 habitantes.

A ocupação humana da região atualmente correspondente ao município de Prados não se iniciou com a chegada dos colonizadores europeus. Historicamente, o território estava inserido na vasta área conhecida como as "Minas dos Cataguases", habitada por povos do tronco linguístico Macro-Jê, com destaque para os grupos Cataguases (ou Cataguá) e os Puris.

No século XVIII, o território do atual município fazia parte da Comarca do Rio das Mortes, uma das divisões administrativas e judiciais mais importantes do Brasil colonial. A sede jurídica da comarca ficava na vizinha Vila de São João del-Rei, mas o arraial de Prados esteve diretamente subordinado ao Termo da Vila de São José del-Rei (atual Tiradentes) desde a sua criação, em 1718.

A fundação e o desenvolvimento de Prados ocorreram a partir de marcos históricos fundamentais:

A Fundação e o Ciclo do Ouro

  • Chegada dos Bandeirantes (1704): O povoamento teve início em 1704 com a chegada de uma bandeira vinda de Taubaté (SP), integrada por membros da família Prado, atraídos pela notícia de ouro no vale do Rio das Mortes. Diz-se que a expedição era chefiada por Manuel Mendes do Prado — alguns apontam que na companhia de seu irmão, outros, de um sobrinho. A verdade documental não é totalmente comprovada, a não ser o fato de que a expedição era liderada pelos Prados, sobrenome que deu origem ao próprio nome do povoado, nascido como Nossa Senhora da Conceição dos Prados.
  • Primeira Capela e a Igreja Matriz: Logo no início do século, foi erguida uma pequena capela de sapé dedicada à padroeira. Há registros de casamentos oficiais realizados no local já no ano de 1716. Com o enriquecimento dos mineradores, a elite local contratou artistas para erguer uma suntuosa edificação barroca. A construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição estendeu-se por cerca de 50 anos ao longo do século.
  • Entreposto Comercial: Prados não dependia apenas do metal precioso. Sua localização geográfica transformou o arraial em uma rota obrigatória e ponto de parada para tropas e boiadas que viajavam do interior mineiro em direção à Zona da Mata e ao Rio de Janeiro.
  • Transição Econômica (Final do Século XVIII): Com o esgotamento progressivo do ouro, a população local diversificou suas atividades econômicas, voltando-se para a agropecuária e para a produção manufatureira de artefatos de couro, garantindo a sobrevivência e a relevância do arraial.

Prados e a Inconfidência Mineira 

Vale frisar que Prados participou ativamente da vida política do Brasil colonial, inclusive do movimento da Inconfidência Mineira. Importantes personagens da Inconfidência nasceram ou residiram em Prados, como o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, sua esposa D. Hipólita Jacinta da Silva Mello, o padre José Lopes de Oliveira (cunhado de Hipólita), o alfaiate Vitoriano Gonçalves Veloso (único negro entre os conjurados), Francisco José de Melo (primo de Hipólita) e José de Resende Costa, pai, o mais velho dos conspiradores — que, inclusive, foi meu 7º tio-avô.

Prados Atualmente

Atualmente, Prados é uma charmosa e tranquila cidade histórica mineira no Campo das Vertentes, com cerca de 9 mil habitantes. Ela une o charme colonial de suas ruas de pedra e casarões do século XVIII a uma forte identidade cultural voltada para o artesanato, a música sacra e o turismo de descanso.

 Para saber mais sobre Prados acesse os links abaixo:

👉 https://www.youtube.com/watch?v=nsVCx333y1o&t=21s

👉https://pt.wikipedia.org/wiki/Prados_(Minas_Gerais)

👉https://www.viaggiando.com.br/2017/01/prados.html


Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Prados. Detalhe:à esquerda residência que pertenceu a Hipólita Jacinta, a inconfidente

 


Imagem área de Prados


Mapa de localização de Prados


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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha