Sônia de Fátima Machado Silva ( eu)

 

    


      
  








1.       Sônia de Fátima Machado Silva ( eu)

 

Eu em três fases: com 9 anos ( 1972), com  22 anos ( 1985) e com 61 anos ( 2025)


Minha História: O Início de Tudo
Nasci no dia 3 de novembro de 1963, um domingo, no casarão dos meus avós paternos, Fortunato e Valdomira, localizado na Rua Artur Bernardes, nº 515. Sou a segunda filha de Acenion e Tereza. Meu nascimento foi por parto natural, vindo ao mundo com a ajuda de uma enfermeira parteira. Na época, meu pai tinha 24 anos e minha mãe tinha 19. Poucos dias depois, em 8 de novembro de 1963, uma sexta-feira, fui batizada na Igreja São Sebastião, em Coromandel, Minas Gerais. A cerimônia foi conduzida pelo Padre Lázaro de Meneses, e meus padrinhos foram meu avô materno, Aristeu Machado Rocha, e minha tia materna, Conceição Machado.
 
Minha certidão de Batismo. Consta que nasci dia 2 de novembro, mas foi um erro cometido por quem deu as informações ao Pároco.

 Casamento e Superação
No dia 16 de junho de 1990, um sábado, uni-me em matrimônio com Narcísio José da Silva. Nossa união foi celebrada também na Igreja São Sebastião, em Coromandel, sob as bênçãos do Padre Rui César de Mendonça. Meu esposo nasceu em 29 de outubro de 1965, uma sexta-feira. Ao longo de sua vida profissional, ele desempenhou diversas atividades, trabalhando como servente de pedreiro, marceneiro, madeireiro e músico.
Atualmente, ele é considerado incapaz por ser portador de Ataxia Cerebelar Severa, uma doença adquirida em decorrência do alcoolismo e que o impede de andar. Durante muitos anos, esse assunto foi um trauma profundo que preferi manter guardado na memória. No entanto, o tempo e a busca por superação me deram forças para transformar essa dor em palavras: hoje, tenho o orgulho de dizer que realizei o sonho de escrever e publicar o meu livro contando esse episódio da nossa jornada.
Para adquirir esse livro acesse o link abaixo:


  

Narcísio, meu esposo, antes de ficar com dificuldades de locomoção. Detalhe com sua banda de música sertaneja " Fascynius". Antes de 1999.

    


      
  








 

Algumas fases de mim e Narcísio meus esposo

 


A esquerda, ano de início do namoro ( 1986). A direita, dia do noivado ( 1989)


Casamento em 1990



1997 e 2023


certidão de casamento

 
Memórias de Infância e a Vida na Roça
Quando eu era bebê, tive como babá um garotinho negro chamado Pelé. A pedido da mãe dele, meu pai o levou para viver conosco na roça, pois ela temia que, na cidade, o menino corresse o risco de se desviar com más companhias. Ele cuidava de mim com muito carinho, embalando-me naquelas antigas redes penduradas no teto para que minha mãe pudesse cuidar dos afazeres domésticos. Quando cresci mais um pouco, ele ainda brincava comigo e com minha irmã Célia pelas hortas, e fazia canoas de buriti para brincarmos no rego d’água. Por volta dos doze anos, ele decidiu buscar outros rumos em diferentes fazendas.
Aos seis meses de vida, sofri com uma forte bronquite. Acredito que sobrevivi graças à preocupação e ao amor da minha pequena irmã Célia que, com apenas dois aninhos, não saía de perto da minha rede. Ela tentava abrir meus olhinhos, com receio de que eu a deixasse sozinha. Sofri com as consequências dessa doença até os 10 anos de idade. Só fui curada graças aos xaropes de erva-lagarta que mamãe preparava e que eu tomava com banha de galinha bem quente.

O Caminho para a Escola e os Desafios
Aos 6 anos, passei a frequentar a escola junto com a Célia. Nessa época, já morávamos na Fazenda da Croa, perto do rio Paranaíba. A distância de casa até a escola era de aproximadamente 5 km. Nós, duas meninas pequenas, precisávamos atravessar córregos no caminho. Mais uma vez, Célia Maria me protegia, carregando-me nas costas para atravessar a água que, em épocas de chuva, vinha com correntezas mais fortes e perigosas.
A escola era um casebre de adobe, com carteiras de tábuas fincadas diretamente no chão. Eu amava ir para lá, mas mantinha distância de um pé de gameleira que ficava por perto, pois diziam que era mal-assombrado. O mesmo diziam de uma porteira no caminho; passávamos por ela correndo e de olhos fechados.
No entanto, o aperto real que passamos foi em um dia em que encontramos um andarilho na estrada. Naquele tempo, eles eram chamados de "trouxudos", porque carregavam trouxas de roupas nas costas e andavam bem sujos. Eu estava voltando da escola à tarde com nossos colegas de sempre: Djalma, Fatinha, Romão e Luzia. Foi um verdadeiro "salve-se quem puder". Corremos até a casa de Romão e Luzia, que ficava no meio do caminho. O pai deles, que era compadre dos meus pais, nos levou, a mim e à minha irmã, em segurança até nossa casa. Nessa época, eu era só ossos de tão magrinha por conta de tanto caminhar.
O Milagre da Leitura e a Paixão pela Poesia e história
Nessa fase, eu estava apenas aprendendo o alfabeto. Mesmo sem saber formar as palavras direito, aprendi a ler o jornal de tanto folheá-lo para tentar descobrir o que estava escrito ali — o que considero, até hoje, um milagre.
Mais tarde, a escola foi transferida para um casebre de pau-a-pique coberto com folhas de buriti, no local que hoje chamamos de Cruzeirinho da Serra. Foi somente entre 1971 e 1972 que a escola finalmente ganhou uma sede de tijolos, com varanda e cantina. Foi ali que nasceu meu amor pelas poesias. Nós já estudávamos Literatura e utilizávamos o livro As Mais Belas Poesias, de Niza Carvalho.
A grande responsável por essa paixão foi a professora Olga, que me fez decorar oito poemas para declamar na festa do Dia das Mães. Um deles tinha doze estrofes. Declamei-o durinha lá na frente, diante de toda a plateia, sem errar uma única palavra, enquanto segurava um buquê enorme de rosas vermelhas que depois entreguei à minha mãe, Tereza. A fama do episódio correu e meu tio Bertinho, irmão do papai, me fez declamar o mesmo poema na cozinha do velho casarão para registrar em seu gravador — uma grande novidade para a época.

livros pedagógicos de meu tempo do fundamental I

 

Livro de história do Brasil que me fez apaixonar por história e questionar sobre o descobrimento do Brasil, os indígenas e a escravidão mesmo tendo ainda 11 anos.


 

Ruínas da Escola Municipal Oliveiros Aguiar,  na Zona Rural da localidade de Marques, Coromandel, Minas Gerais, onde cursei o 2º e 3º ano primário. Interessante pensar que nesse lugar aprendi a amar a poesia, Cecília Meireles, Olavo Bilac e Tiradentes, que mais de cinquenta anos depois descobri ser meu 7º tio-avô 

 
O Encanto das Festas de Casamento: Dama de Honra em Dose Dupla
Os anos de 1973 e 1974 trouxeram momentos de muita festa e vaidade para a minha infância. Naquela época, os casamentos de parentes queridos movimentavam toda a família. Tive a honra e a alegria de ser escolhida como dama de honra por duas vezes consecutivas, guardando com muito carinho a lembrança de caminhar até o altar.
A primeira vez aconteceu por volta de 1973, no casamento da minha tia Terezinha, irmã do meu pai. Para essa ocasião especial, usei um vestido azul-claro costurado com todo o amor pelas mãos da minha própria mãe, combinado com meias-calças de renda. Eu era bem magrinha, pura pele e osso, consequência das longas caminhadas diárias que fazia a pé para ir à escola na roça.
Foi justamente convivendo no casarão dos meus avós que comecei a descobrir o mundo secreto da tia Terezinha. Primeiro, encontrei as revistas de fotonovela que ela guardava escondidas debaixo do colchão; aquilo foi um fascinante caminho sem volta. Mais tarde, já com meus 16 anos, criei coragem e explorei o porão do casarão. Para quem antes tinha um pavor enorme daquele lugar escuro, ele se tornou um verdadeiro paraíso: foi lá que descobri os famosos livros de romance das coleções Júlia, Bianca e Sabrina que pertenciam a ela. Ali, escondida no porão, minha paixão pela literatura só cresceu.
No ano seguinte, em 1974, já com meus 10 anos de idade, repeti o papel de daminha, desta vez na união do meu tio Bertinho — o mesmo tio coruja que havia gravado minha declamação de poemas na cozinha do velho casarão. Para esse casamento, o visual mudou completamente: usei um vestido todo branco, alugado, que vinha acompanhado de um lindo chapéu. Lembro-me de ter ficado super imponente e bem cheia de si, com uma postura firme e elegante que já denunciava a minha alma de poetisa.
Entrar na igreja vestida a caráter, sob os olhares atentos de tantos amigos e familiares, foi uma experiência marcante. Para uma menina criada na roça, esses casamentos eram verdadeiros contos de fadas.

 

Eu a direita com 9 anos, como dama de honra de meus tios Teresinha Glaúcia ( já falecida) e Cleumildo Francisco. 1972. A esquerda, minha prima Celma, também como dama de honra


Eu como dama de honra de meus tios Adalberto(Bertim) e tia Luzia. 1973



A Luta pelos Estudos e o Destino no Casarão

Em 1974, concluí a quarta série na Escola Egídio Machado, na cidade de Coromandel. Durante esse período, morei no casarão dos meus avós paternos. Após o término desse ano letivo, meu destino natural seria voltar para a roça. No entanto, eu amava estudar e queria muito continuar na escola. Meu pai era contra, pois sabia o quão difícil e desconfortável era depender da casa de terceiros para morar. Dei birra e chorei muito, até que minha tia Fiíca, irmã do papai, intercedeu por mim. Graças a ela, pude morar em sua casa por um ano para cursar a quinta série. Foi um tempo totalmente novo e incrível para mim, pois descobri a dinâmica de ter um professor diferente para cada matéria.

Contudo, assim que o ano terminou, não teve jeito: meu pai exigiu meu retorno para a roça, e eu obedeci, profundamente triste. Quatro anos se passaram até que, aos 16 anos, precisei voltar para a cidade. O objetivo era cuidar do meu irmão Adilson, que daria continuidade aos seus estudos. Ironicamente, eu já havia me readaptado à vida no campo e fui embora chorando na carroceria de um caminhão que recolhia leite nas fazendas. Doía-me deixar a roça para trás; eu já não queria mais saber da cidade.

Eu e meu irmão ficamos morando sozinhos naquele velho e imenso casarão, já que meus avós paternos haviam se mudado para Uberlândia. Eu, que na roça vivia cantando, calei a minha voz na cidade. Meu grande refúgio, além de cuidar da casa e do Adilson, tornou-se a leitura. Primeiro, devorei todos os livros de faroeste do meu tio Donizete, que encontrei guardados em uma caixa no porão e os livros Sabrina, Júlia e Bianca de minha tia Terezinha. Aquele lugar que antes me parecia tão sinistro havia se transformado na minha biblioteca particular. Depois que os livros de bolso e os açucarados acabaram, descobri a Biblioteca da Prefeitura, localizada logo acima da Igreja São Sebastião, e passei a frequentá-la assiduamente.

 

Reviravoltas e a Volta por Cima

No ano seguinte, nossa irmã Nária Regina juntou-se a nós no casarão. Por essa época, minha tia Vanilda, que morava ao lado, incomodada com o fato de eu estar fora da escola, conseguiu uma vaga para mim no período noturno da Escola Estadual Joaquim Botelho, onde cursei a sexta série.

Porém, em 1982, interrompi os planos e retornei mais uma vez para a roça, iludida com a promessa de um casamento. Os planos foram por água abaixo quando meu suposto noivo me trocou por uma professora. Eu era apenas uma menina simples e tímida, e senti que não seria páreo para uma moça culta da cidade. Em vez de me deixar abater, aquela decepção me deu forças para mudar de vida: decidi que voltaria a estudar.



Minha turma do 4º ano primário em 1974. eu estou perto da menina de chapéu, mais ou menos no centro da foto

 

A Reunião debaixo do Eucalipto e a Mudança Definitiva
No final de 1983, meus irmãos e eu nos reunimos em círculo debaixo de um pé de eucalipto, lá na fazenda. Foi uma reunião extraordinária, na qual decidimos, por unanimidade, que voltaríamos definitivamente para a cidade para dar continuidade aos nossos estudos e buscar novos rumos na vida. Meu pai, embora contrariado com a decisão, não se opôs, pois sabíamos que contávamos com o apoio fundamental de mamãe.
Em 1984, concretizamos a mudança para a cidade. Dessa jornada, apenas minha irmã Suelene não fez parte, pois estava com o casamento marcado e seguiria outro caminho. Ao chegarmos, matriculei-me no curso Técnico em Contabilidade na Fundação Educacional de Coromandel (atual Escola Estadual Alírio Herval). Concluí os estudos e obtive meu diploma de contabilista em 1986, aos 23 anos de idade, embora nunca tenha exercido a profissão na prática.
A Trajetória Profissional e a Busca por Conhecimento
Para conseguir me manter e pagar os estudos entre os anos de 1984 e 1986, trabalhei em diversas frentes: fui balconista de supermercado, costureira autônoma em casa e em salões de costura da cidade, e atuei como estagiária na Caixa Econômica Federal — experiência que se encerrou em março de 1986.
Assim que terminei o estágio na Caixa, ainda em 1986, fui contratada como auxiliar administrativa na COPEVE, uma empresa de peças para caminhões e tratores. Esse emprego se tornou uma grande âncora na minha vida: dediquei-me a ele por 33 anos, permanecendo na empresa até a minha aposentadoria, que aconteceu em 2018.
Mesmo trabalhando regularmente na área administrativa, o desejo pelo saber nunca adormeceu. Já depois de ter passado dos 40 anos de idade, decidi voltar a estudar e cursei Pedagogia entre os anos de 2007 e 2011. Os estudos foram realizados no sistema de ensino a distância (EAD) pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), através da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mais tarde, expandindo ainda mais esses conhecimentos, concluí uma pós-graduação em 2017, obtendo a Especialização Lato Sensu em Mídias na Educação, também na modalidade a distância pela Universidade de Juiz de Fora.
Embora nunca tenha exercido formalmente essas profissões — exceto por um breve período nos anos 80, cobrindo licenças da minha irmã Célia Maria em uma escola rural —, foi um tempo em que aprendi muito, inclusive a vencer a timidez. Vale frisar que todo o meu processo de estudos, após o ensino primário, aconteceu de forma tardia. No entanto, essa jornada tardia foi essencial para o meu amadurecimento como escritora.
Diferente do tempo do primário — que coincidiu com o período da ditadura militar, uma época rígida em que éramos obrigados a decorar até as vírgulas e não podíamos usar nossas próprias palavras nas avaliações —, o ensino superior me trouxe a liberdade que eu sempre busquei. Na faculdade de Pedagogia e na especialização, finalmente encontrei as provas subjetivas. Ali, eu podia escrever exatamente o que pensava e expandir minhas ideias. Embora não tenha exercido as profissões de educadora, esses estudos transformaram minha mente, me trouxeram autonomia e moldaram definitivamente a minha escrita.

 
Lugar onde trabalhei por 33 anos até me aposentsar


  
    


      
  








 

Imagens de meus percursos acadêmicos

 

 

Minha colação de grau 4º ano Primário- 1974



Formatura em Técnico em Contabilidade em 1986

 

 

 

Minha colação de grau em Pedagogia- 2011

 

 

Minhas colegas de Pedagogia e tutores

 

 

    


      
  








Link e vídeos relacionados ao meu curso de Pós graduação em Mídias na Educação : vídeo da justificativa da escolha do tema do TCC,  criado como requisito do curso e  2º vídeo, apresentação e defesa do TCC em 2018.

 

👉 Acesso para o site que criei como requisito para a pós-graduação em Mídias na Educação 

 

 



 
 

 

O Despertar do Traço e das Palavras
Olhando para trás, lembro-me de que, quando era mais menina, eu adorava desenhar. Desenhava casas, rostos de pessoas e até minhas próprias histórias em quadrinhos. Como nunca tentei me aprimorar, sinto que foi um dom que acabou se evaporando com o tempo. Muito tempo depois, no entanto, ao revirar alguns pacotes antigos, deparei-me com papéis pardos esquecidos. Guardados ali dentro, dei de cara com desenhos que eu julgava já nem existirem mais. Foi justamente assim que os reencontrei, e fico feliz que esses registros tenham conseguido se manter intactos para que eu possa compartilhá-los aqui. Outros, infelizmente, se perderam — alguns colados nas paredes do meu quarto, assim como os desenhos de casas e histórias em quadrinhos desenhadas em cadernos e papeis de embrulho que foram queimados.
 
 
outros rostos

 
 Neste resumo da minha vida, não poderia deixar de brindar os leitores com poesia. Ou melhor, com dois poemas. O primeiro deles chama-se "Miragem", a primeira poesia que criei na vida, quando tinha entre 13 e 14 anos, por volta de 1976. Lembro-me de tê-lo escrito em um pedaço de papel de embrulho, pois na fazenda não tínhamos folhas de caderno ou papéis próprios para escrita. Não me recordo exatamente da cor daquele papel, mas provavelmente era verde ou rosa, que eram as cores mais comuns de embalagens naquela época.
Para criá-lo, inspirei-me na estrutura de um poema que li em um jornal. Tentei captar os delírios e as miragens do autor e, não nego, aquelas eram também as minhas próprias miragens — sentimentos típicos de uma menina adolescente, como se pode notar em cada verso e estrofe. 
Cerca de dez anos mais tarde, já morando na cidade e trabalhando na empresa onde anos depois viria a me aposentar, usei algumas horas do expediente para datilografá-lo na máquina de escrever. Nesse processo de transcrição, acabei fazendo algumas pequenas edições no texto original, algo de que hoje me arrependo amargamente. Enfim... O poema seguiu seu caminho e, em 2014, tive a alegria de publicá-lo oficialmente no meu livro "Pedaços de Mim".
 
página do livro onde se encontra " Miragem"

A Maturidade Digital e o Favorito: "Outono da Saudade"
O segundo poema que trago chama-se "Outono da Saudade". Não me recordo exatamente do ano em que o escrevi, mas sei que foi bem no início da era das tecnologias digitais; logo, usei o computador para digitá-lo, também "roubando" algumas horinhas no meu ambiente de trabalho. Sobre as datas, tenho o hábito de não datar as minhas poesias. É outra coisa da qual me arrependo depois, mas a verdade é que nunca me emendo.
"Outono da Saudade" faz parte do meu livro "Folhas de Outono", publicado em 2014. Essa obra é uma verdadeira ode ao outono, que é a estação do ano que mais amo. Todos os poemas desse livro trazem essa temática outonal, e achei que "Outono da Saudade" caberia perfeitamente ali junto a eles. Dos mais de mil poemas que já escrevi ao longo da minha trajetória, este é, sem dúvida, o que eu mais gosto.
 
página do livro onde se encontra " Outono da saudade"- capa do livro onde se encontra o poema

 O Presente: Dedicação à Cultura de Coromandel
Algum tempo após a minha aposentadoria, decidi canalizar o meu amor pela arte e pelas letras em prol da nossa comunidade. Tomei posse como Conselheira Municipal de Cultura na Prefeitura Municipal de Coromandel, em Minas Gerais, para o biênio 2023–2025. Após a conclusão desse primeiro mandato, fui reconduzida ao cargo e tomei posse novamente para o biênio 2025–2027.
A função de um Conselheiro de Cultura é de extrema relevância, pois atuamos diretamente na formulação, no acompanhamento e na fiscalização das políticas culturais do município. Nosso objetivo principal é buscar a democratização, a universalização e a descentralização da cultura, garantindo o acesso de todos os cidadãos às manifestações artísticas e participando ativamente, inclusive, da elaboração do Plano Municipal de Cultura. É uma forma gratificante de retribuir à minha terra natal tudo o que a literatura me proporcionou.

 

Turma de Conselheiros Municipal de Cultura de Coromandel, Minas Gerais. eu da esquerda para a direita, sou a terceira


O Presente: Fé, Arte e Dedicação ao esposo
Além do trabalho com as políticas públicas de cultura, dedico os meus dias atuais à fé, à comunidade e aos meus grandes amores. Faço parte da equipe litúrgica da comunidade Cenáculo de Maria, na Paróquia Nossa Senhora das Graças, e atuo também como membro da Pastoral da Saúde da Paróquia Sant’Ana, aqui em Coromandel.
No entanto, a maior parte do meu tempo é reservada para a leitura e a escrita, práticas que exerço diariamente com muita paixão. Com o tempo, minhas leituras mudaram totalmente de teor: deixei para trás o romantismo de José de Alencar e hoje mergulho no estilo investigativo e instigante do escritor sueco Stieg Larsson, além de outros autores do gênero. Mais recentemente, com meu envolvimento profundo na busca pela genealogia da nossa família, tenho me dedicado à leitura de livros de história, desvendando o passado assim como se faz em um bom livro de mistério.
Divido essa rotina com os cuidados dedicados ao meu esposo, Narcísio. Em razão da Ataxia Cerebelar provocada pelo alcoolismo, ele não consegue andar sozinho, mas, com as bênçãos de Deus, hoje ele está sóbrio — uma grande vitória para a nossa família.
Para acalmar a mente e preencher o cotidiano com beleza, também me dedico aos trabalhos manuais: costuro, faço tricô, crochê e lindos bordados em aplique em panos de prato. Nas horas vagas, cuido das minhas folhagens, especialmente dos meus cóleus, uma planta que adoro ver crescer. Esse encanto traz um segredo da infância: quando era menina, eu já andava pelos campos colhendo folhas coloridas e me apaixonando pelas margaridas amarelas que floresciam em setembro. Cuidar do meu jardim e das minhas memórias hoje é, no fundo, manter viva aquela menininha que sempre encontrou poesia na natureza e nos livros. São as doçuras e os pequenos prazeres de quem hoje desfruta da vida com maturidade, paz e o coração cheio de histórias para contar.
 

Alguns membros da Pastoral da Saúde da Paróquia Sant'Ana de Coromandel, Minas Gerais. Eu sou a segunda da direita para a esquerda. Imagem em um dia de missa na Casa de Repouso São Vicente em Coromandel, Minas Geraiss

 
 

 Abaixo, vídeo de apenas uma parte das coisas de artesanato que vivo fazendo depois que me aposentei

 


 

 
 
    


      
  








Algumas imagens, links  e vídeos de minha relação com a Literatura

 

1: Meu perfil na Editora onde se encontram meus livros publicados e à venda: 

 


2: Resumo da apresentação do Projeto "PROSAS & VERSOS" 1º vídeo. Para ouvir o livro " Prosas & versos" narrado, acesse o 2º vídeo:

 


 


 

  3: Para ter acesso a tudo que escrevo, acesse o ícone do Recanto das letras abaixo:

 

  

 4: Acesso para meus Aúdiolivros no youtube : " Foi o vento" e " Eu e eles".

 


 


 
    


      
  








 

 Outras imagens de minha relação com a literatura 

Divulgação de meu Projeto " PROSAS & VERSOS" no jornal Coromandel- 2024 

  

Divulgação do meu livro genealógico " RAIZES & GALHOS" no jornal Coromandel- outubro de 2025- resultado de dois anos de pesquisas sobre meus ancestrais

 

Meus livros publicados na Editora Clube de Autores de 2014 a 2025

 

Antologias de Contos e Poesias da CBJE( Câmara Brasileira de Jovens Escritores do Rio de Janeiro), das quais participei

 

A esquerda certificado de qualidade literária e medalha com autor de destaque e à direita, certidão a condição de autor literário com comprovada e importante atuação nas Artes Literárias Brasileiras, concedido pela Câmara Brasileira de jovens Escritores do Rio de Janeiro e Outras Instituições

 
    


      
  








Imagens e links de alguns momentos marcantes de minha vida

 

👉 Minha entrevista para o Instagran da Rádio SUPER 95 FM 


👉Entrevista em 2014 para a Radio Super 95 FM, por ocasião do lançamento de meu primeiro livro ( 101 Sonetos de amor)


 

O dia em que fiz 60 anos- 2023


 
Eu na ilha do velho Rio Paranaíba- Lugar de infância

 
Eu a a natureza- lugar de infância


 

Participação em Roda de Conversa na Casa da Cultura. Da esquerda para a direira o escritor e produtor de eventos Jaime Resende, escritor Paulo Tarabal, eu, minha prima e escritora Messônia, professor e jornalista Wagner, escritor Marcelo Aguiar e a diretora de cultura Hélia Francinet


Eu a direita, com integrantes do Grupo AMOR EXIGENTE,  um evento em Patos de Minas, Minas Gerais. Participei desse grupo por um ano, quando meu esposo ficou internado em uma clínica de reabilitação de dependentes. Frisando que esse grupo me ajudou a superar pelo menos um pouco de minha coodependência com relação ao alcoolismo de meus esposo


Eu a esquerda com alguns participantes da OFICINA DE ORAÇÃO E VIDA da Igreja Católica de Coromandel, Minas Gerais. Nessa oficina aprendi várias formas de rezar que muito me ajudaram ao longo da vida. Essa imagem refere-se ao último dia da oficina que chamamos de " Deserto". 2018


 
Debate de um dos livros de Dr. Sebastião, médico, político e escritor Coromandelense.  Livro " Minha Terra, Minha Gente". O debate foi realizado na Casa da Cultura, no dia 25 de julho de 2025, dia do Escritor. Fiz parte da mesa do debate juntamente com outros três escritores Coromandelenses: Vicente da esquerda para a direita, eu, Paulo Tarabal e Jaime Resende.  

 
 
Eu recebendo das mãos de minha colega Isabel, a placa como aluna destaque do curso de graduação em Pedagogia pela UFJF- Polo Coromandel, E como oradora da turma. Esses eventos foram na Colação festiva em outubro de 2011 em Coromandel, Minas Gerais. A colação de grau oficial foi em Juiz de Fora, Minas Gerais.

 
 
 
Meu primeiro Encontro de Jovens  do Grupo de Jovens NOVA ESPERANÇA, do qual fiz parte quando jovem e alguns anos depois de casada, eu e meu esposo, fomos tios desse grupo. Eu em pé de braços cruzados da direita para  a esquerda. Um encontro marcante... Não me recordo o ano

 
 
 
  
Meu segundo encontro de Jovens do Grupo de Jovens Nova Esperança. Não recordo o ano. Eu primeira à direita, terceira fileira de baixo para cima

 
 
 
 
Encontro do Grupo de \jovens Nova Esperança- Nessa época eu e meu esposo já casados, éramos tios do grupo. Meu esposo o primeiro a esquerda. No momento dessa foto, eu não estava presente, pois estava no trabalho. Nessa época éramos também tios do Grupo de Jovens MAC, mas não tenho fotos dessa turma.

 
 
Grupo de uma gincana para arrecadar alimentos para o seminário. Essa era minha turma e de meu esposo " GRUPO REVELAÇÃO" e ficamos em segundo lugar. Foi um dia especial no Poliesportivo, onde valia como requisito para a vitória, a quantidade de alimentos arrecadados dias antes e o desempenho nas apresentações no poliesportivo, como danças, teatro. O ano não me recordo, mas foi antes de 1999. Eu sou a segunda da esquerda para a direira e meu esposo o terceiro, na fileira dos abaixados.

 
 
 
Roda de conversa no INEC- Momento que falei de minha experiência com leitura e escrita, incentivando os alunos no início do Projeto de escrita de seus livros na Estante Mágica

 
 
Terço anual em família- 12 de outubro de 2025 em minha casa. Eu, meus irmãos, sobrinhos, sobrinhos-netos, cunhados e cônjuges e namorada de alguns sobrinhos
 
 
 

Abaixo vídeo me enviado pelo Padre Sebastião dos Reis no dia de meu aniversário. Não me lembro o ano.

 
 
 

 
    


      
  








 
 
 Imagens especiais do lançamento do livro " RAIZES & GALHOS" que deu origem também a esse Blog
 
 
Eu apresentando o livro
 
 
 
 
Minha família( irmãos, sobrinhos, cunhados) no lançamento do Livro " RAIZES & GALHOS". Faltou apenas o sobrinho André, que por motivos de trabalho não pode estar presente. 11  de outubro de 2025 no salão de eventos DIAMANTE ROSA, Coromandel, Minas gerais.




Minhas duas sobrinhas, a esquerda, Aline e a direita Iara que também é minha afilhada de batismo. As duas foram responsáveis por ter acontecido o evento


 
Placa de homenagem recebida de minha família. Foi entregue pelas sobrinhas-netas : Tereza a esquerda, a direita Alice e no meio Laura. Mais imagens desse evento, acesse a página do índice. O vídeo se encontra no final da página.

 
O Fluxo do Tempo e a Força da Essência
Tudo o que relatei até aqui representa apenas uma parcela ínfima de mim e da minha história. É um resumo, talvez até menor do que deveria ser, pois a vida da gente é tão ampla e profunda que não cabe inteira em livros, quanto mais em sínteses.
Narcísio e eu não tivemos filhos. Isso significa que a nossa história biológica direta termina em nós. Às vezes me pego pensando se justifica contar tudo isso, afinal, não terei netos ou bisnetos para lerem sobre mim... Mas, mesmo assim, eu considero a história da minha vida o máximo! Foi uma jornada de muita superação, muito aprendizado e, acima de tudo, muita poesia. Não importa a quantidade de momentos tristes que enfrentei, pois sei que cada um deles serviu unicamente para me tornar mais forte. Por essa razão, agradeço imensamente a Deus por tudo. Esta caminhada segue firme, com Ele no comando, sempre.
Para mostrar que a vida continua o seu curso, compartilho abaixo três imagens minhas em diferentes fases ao longo da minha trajetória. Esses registros só confirmam que "o tempo é um rio que corre", como bem dizia a escritora Lya Luft. Quando contemplo a minha própria jornada, percebo o quanto me amo; e é justamente por cultivar esse amor-próprio que me sinto capaz de amar verdadeiramente todos aqueles que me rodeiam.
PS: Optei por incluir uma imagem em preto e branco para evidenciar a minha essência. Afinal, como expressou o fotógrafo Sebastião Salgado um dia: "Com o preto e o branco e todas as gamas de cinza, posso me concentrar na densidade das pessoas, suas atitudes, seus olhares, sem que sejam parasitados pela cor. Quando contemplamos uma imagem em branco e preto, ela penetra em nós...".

!969( 9 anos), 1996 ou 1997 ( 33 ou 34 anos) e 2025 ( beirando 62 anos)

 

 Talvez eu volte no futuro para postar outros momentos marcantes da minha linha do tempo, ou quem sabe para trazer os dados misteriosos revelados pelo meu exame de DNA. Talvez...

"Cresci colhendo folhas coloridas pelos campos e termino este capítulo sabendo que a vida, afinal, foi a minha poesia mais bonita."

 

    


      
  








 

Como prometi, voltei...
E com  meu DNA.
  O Veredicto da Ciência: O que o meu DNA diz sobre toda essa história?
Depois de pesquisar a fundo a trajetória dos meus oitavos avós até os meus pais, decidi cruzar a história documental e oral com a ciência. Fiz o teste de ancestralidade genética do Genera e o resultado revelou como o sangue de todas essas linhagens se misturou para formar quem eu sou hoje.
1. Minha Ancestralidade Global: Uma Colcha de Retalhos
O resultado revelou que a minha genética carrega a história de grandes migrações globais. Eu sou o fruto do encontro entre Europa, Oriente Médio, África e Américas.
resultado oficial do Genera

 
  • Ibéria (51%): Reflete diretamente a nossa forte ascendência portuguesa, vinda principalmente das regiões do Minho e dos Açores. É a base da nossa identidade familiar.
  • Itália (13%) e Sardenha (5%): Uma herança muito comum em famílias de origem portuguesa antiga, devido às intensas navegações e trocas pelo Mar Mediterrâneo.
  • Europa Ocidental (9%): Conecta-se perfeitamente com os colonos flamengos (vindos da região da Bélgica e França) que povoaram o arquipélago dos Açores no século XV junto com os portugueses.
  • Bálcãs (4%) e Leste Europeu (< 3%): O rastro geográfico exato deixado pelas minhas ancestrais mulheres em sua migração milenar.
  • Basco, Judeus Sefarditas (< 3%) e Ashkenazitas (< 2%): Uma descoberta fascinante! Reflete a história dos "Cristãos-Novos" (judeus convertidos à força pela Inquisição) que fugiram para os Açores e, mais tarde, migraram para o interior do Brasil. 
  • 👉Genera- resultado oficial de minha ancestralidade global 
 2. Linhagem Materna (Haplogrupo J1): O Berço no Oriente Médio
O recurso Linhagem Materna indica o meu haplogrupo materno, isto é, a rota percorrida pelos meus ancestrais matrilineares ao longo do tempo. Através do teste de DNA mitocondrial — que reconstrói uma linha contínua de mãe para filha, sem interrupções —, descobri que a minha ancestral materna direta pertence ao Haplogrupo J1.
 

  • A Origem: Essa linhagem nasceu há cerca de 30.000 anos na região do Oriente Médio (Oriente Próximo). Minhas primeiras ancestrais viveram ali, abrigadas do frio extremo durante o auge da última Era do Gelo.
  • Pioneiras da Agricultura: Elas fizeram parte da Revolução Neolítica no Crescente Fértil, sendo pioneiras na transição histórica para a agricultura.
  • A Rota até os Açores: Com a expansão agrícola, elas migraram pelo Cáucaso em direção à Europa Central e Oriental. Séculos depois, essa linhagem viajou com as mulheres que colonizaram as ilhas dos Açores e, finalmente, chegou ao Brasil através de uma linha puramente feminina. 
 

Entendendo o mapa do meu DNA (Genera): Este gráfico mostra a grande jornada da minha linhagem materna ao longo de milhares de anos. Tudo começa na África Oriental com os haplogrupos mais antigos (L1 e L3). Conforme as gerações avançaram para o norte (passando por N, R e JT), os grupos foram se ramificando. Note que o ponto verde central J1 fica exatamente no Oriente Médio, funcionando como um trevo: dali, as setas mostram minhas ancestrais se espalhando em várias direções, incluindo a grande rota que subiu em direção à Europa Central e Oriental.


 3. DNA Indígena e a História Oral: "Pega no Laço"
O teste acusou cerca de 3% de DNA nativo americano (indígena), e cruzar esse dado com as memórias da família me ajudou a desvendar um mistério:
  • A comprovação: Como a minha linha materna direta deu J1 (que é europeia/Oriente Médio), ficou provado que o DNA indígena não veio na linha direta de mãe para filha, mas entrou por outra ramificação da árvore.
  • A tradição oral: Esse percentual aponta para um ancestral puramente indígena a poucas gerações atrás. Isso valida perfeitamente a tradição oral da nossa família de que minha trisavó foi "pega no laço" no século XIX — uma realidade dura da expansão das fazendas no interior, onde mulheres indígenas eram capturadas e integradas à força na sociedade da época.
 4. Linhagem Paterna: O Silêncio Quebrado e o Legado Africano
Se o lado materno trouxe as raízes indígenas, os resultados trouxeram a maior surpresa de todas: eu carrego 3% de DNA africano nas minhas veias. Ao contrário da história da trisavó indígena, ninguém na família jamais havia falado sobre ascendência africana.
  • A Pista de Meu Pai: Meu pai sempre lembrava que a avó dele (minha bisavó paterna) era uma mulher "bem morena" (cujo baú de fotos infelizmente sumiu após o falecimento da minha avó Valdomira). No Brasil antigo, esse termo era frequentemente usado para camuflar o preconceito da época.
  • A Investigação Genética: Como as outras linhas conhecidas da família (Machado de Miranda, Vargas, Naves) faziam parte de uma elite açoriana muito endogâmica e documentada, deduzi que essa herança africana veio justamente pelo lado da minha avó paterna, Valdomira.
  • Resgatando a Memória: O DNA quebrou o silêncio da tradição oral. Essa descoberta localiza meus antepassados africanos no século XIX, em Minas Gerais. É a prova científica de que a força e o sangue do povo africano fazem parte da minha própria identidade.

 

“Mais do que porcentagens e mapas, descobri que trago nas veias a história do mundo escrita em forma de sangue, força e poesia.” 


 

 

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha