Célia Maria Machado Soares e sua descendência
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1. Célia Maria Machado Soares
| Célia Maria em 3 fases: com 9 anos( 1969), 15 anos (1976 ) e com 62 ou 63 anos ( 2023 ou 2024) |
Célia Maria Machado Soares, a quem chamamos carinhosamente de Celinha, é a primeira filha de Acenion e Tereza. Ela nasceu em Coromandel, Minas Gerais, no dia 23 de julho de 1961, um domingo, no casarão de seus avós paternos, Fortunato (Natim) e Valdomira, à Rua Artur Bernardes- 515. Nasceu de parto normal ou natural com a ajuda de uma enfermeira parteira. Papai tinha 22 anos e mamãe 17 anos. Foi batizada por Padre Lázaro de Meneses, no Chapadão do Pau-terra, município de Coromandel, Minas Gerais, mas também pode ter sido na cidade já que o batistério se perdeu e não há como comprovar. Os padrinhos foram o vovô Fortunato (Natim) e vovó Valdomira, pais de meu pai e Tia Branca (Maria), irmã de mamãe.
Um fato interessante aconteceu quando mamãe estava grávida de minha irmã Célia Maria: já com sete meses de gestação, teve uma Apendicite que é uma inflamação do apêndice, um órgão em forma de tubo que se encontra no intestino grosso. A apendicite é causada, na maioria dos casos, por uma obstrução do apêndice e cujos principais sintomas são: dor intensa e localizada no lado inferior direito do abdômen, náuseas e vômitos, perda de apetite. Se não for tratada adequadamente, a apendicite pode levar a complicações graves, como a perfuração do apêndice ou a inflamação da cavidade abdominal, que pode ser fatal.
O tratamento da apendicite é cirúrgico, com a remoção do apêndice, o que deve acontecer o mais rapidamente possível. Imagine a situação de mamãe e da filha Célia Maria.
Com os poucos recursos daquele tempo, Mamãe foi submetida à cirurgia para retirada do apêndice já estando no sétimo mês de gestação, e o médico que fez o procedimento foi o Dr. Sebastião Machado, renomado médico de grandes histórias e vitórias em Coromandel. Tudo deu certo e minha irmã sobreviveu e ainda nasceu no tempo certinho.
Aos sete anos, Célia Maria, a bela menina morena de cabelos pretíssimos, foi obrigada a ir estudar na cidade longe dos pais, pois na zona rural não existia escola perto de onde morava. A única escola ficava muito distante e não tinha como ir sozinha já que o pai precisava trabalhar na lavoura e não tinha como levá-la. Por esse tempo a gente já morava na Fazenda da Croa às margens do rio Paranaíba. Célia Maria, minha irmã ficou então com os avós paternos no velho casarão, na cidade de Coromandel, Minas Gerais. Foram tempos terríveis para a menina tão pequena, pois ficava até meses sem ver os pais, já que não era fácil o ir e vir. Para ir até a cidade, era preciso andar a cavalo por uns 10 km até Chapadão do Pau-terra, deixar os cavalos em uma fazenda, tomar o ônibus para ir à cidade. De forma que ir à cidade era mesmo por muita necessidade.
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| Célia Maria- término do primário |
Depois da quarta série ela voltou para a roça e ficou sem estudar. Manter-se na escola naquele tempo era bem difícil para quem morava na zona rural.
Cinco anos depois, já
com 15 anos, Célia Maria tornou-se professora primária, ou fundamental I como
dizemos hoje. Era 1976 ou 1977. Por esse
tempo, era uma bela moça morena de cabelos pretos, lisos e longos, além de ser
uma ótima professora. A distância para ir dar aulas era em torno de uns 4 km ou
mais. Mas ela ia a cavalo, o velho cavalo baio, cujo nome era Bainho. Lerdo que
só ele. E se tornava mais lerdo, pois, Célia Maria fazia todo o itinerário
cantando canções que eram sucesso naquele tempo. Músicas de Fernando Mendes, Ângelo
Máximo e outros tantos. É possível que se ouvisse longe o eco de seus
cantos repercutindo pelos imensos grotões que margeavam a estrada. Bainho
chegava a dormir pelas estradas de cascalho ouvindo as canções. Ia quase sem ver,
pois já tinha memorizado o caminho e nem tropeçava. Acho que só acordava quando
já estava debaixo do pé de Quina que ficava defronte o portão da escola, onde
ficava amarrado esperando até o final da aula.
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Célia Maria com 16 anos como professora e como catequista de seus alunos- primeira comunhão chapadão do Pau-terra |
Segundo minha irmã Célia Maria, eu fiz um bolo com cheiro de laranja. Não me lembro, falando sério. Minha memória às vezes me prega peças. A gente comemorou os 20 anos de minha irmã Célia Maria na minúscula cozinha, nos divertindo nos embalos da discotheque, que nos anos 80 ainda era febre.
No toca-discos rodava Gengis Khan, o único disco de balanço discotheque que a gente tinha. Era o começo do sucesso dessa banda pop alemã que tinha sido criada nos anos 70. Ela enlouquecia a gente. Não tinha como ficar parado. Como esquecer a música “Moskau” abalando as prateleiras da pequena cozinha e velhos amigos se acotovelando para entrar no ritmo? E ‘Rocking son of dschinghis khan”?
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| Imagem do disco compacto de vinil de Gengis Kan de Célia Maria. Ele ainda resiste ao tempo |
Felizmente nos socorreu também o disco do grupo ABBA que minha irmã ganhou de presente. Mas tinha também alguns discos sertanejos, pois apesar das modernidades dançantes daquele tempo, a turma gostava mesmo era do velha música sertaneja com seus ritmos dançantes, por exemplo, o vanerão e o dois por dois, o famoso dois passos para lá e dois passos para cá, que se não fosse bem treinado, era perigoso tropeçar nas próprias pernas ou nas pernas do par. Anos depois descobri que esse estilo se origina do "Two-Step texano".
Bem, lá fora o frio era de lascar e a lua já minguante iluminava fracamente a imensidão. Na pequena cozinha, um lampião a gás iluminava os 20 anos de minha irmã Célia Maria. Vale frisar que o toca discos, e mais alguns discos, ela havia comprado com seu salário de professoras. Provavelmente gastou metade de seu salário. Um dia depois de uma reunião de professores na cidade, e claro, recebimento do salário, ela chegou com aquela parafernália toda na fazenda, que vale frisar: era requisitada até nas festas locais. Se não me engano nesse mesmo dia adquiriu também uma máquina fotográfica Kodak. E para registrar aquela idade perfeita, ainda depois da reunião, posou para algumas fotografias pela cidade estreando a Kodak.
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Célia Maria, belíssima no auge de seus 20 anos- 1981. Estreando sua Kodak |
Célia Maria, era sonhadora como todas as garotas e tinha seus ídolos. Um deles era o ator e cantor John Travolta, do famoso filme “Os embalos de sábado a noite”, e prova disso era um pôster gigante do galã de olhos verdes na parede do quarto. Acho que Célia Maria tinha uma quedinha por olhos verdes, pois em nossa festa de Santos Reis em 1979, em que meus pais eram festeiros, ela caiu nas graças de Manoel, o sanfoneiro da folia de reis que também tinha olhos verdes. E agora, pensando bem, ele meio que parecia com John Travolta. Infelizmente ele morava muito longe, em um lugar chamado Japeganga pelos lados de Abadia dos Dourados, Minas Gerais. Quando a fogueira acesa para aplacar aquela noite fria de São Pedro se apagou no dia seguinte, apagou-se também a ilusão. O belo sanfoneiro de olhos verdes se foi. A bela morena de cabelos longos e pretos, vestida com um belíssimo vestido vermelho de crepe com babados e rendas de entremeio se recolheu à realidade.
Voltando a 1981... Por esse tempo Célia Maria tinha resolvido voltar aos estudos, mas não voltou para a cidade. Continuou dando aulas na roça e estudando por correspondência através do Instituto Universal Brasileiro, o pioneiro no ensino a distância (EAD). Nesse sistema, o material didático naquele tempo era enviado pelo correio, assim como o retorno das atividades para correção. Célia Maria cursou o supletivo do primeiro grau, que correspondia da 5ª a 8ª série, mas que hoje chamamos de fundamental II. No supletivo, os quatro anos são feitos em apenas um, assim facilitou para minha irmã, pois em 1984, quando fomos todos para a cidade, ela já começou no curso Normal, que correspondia ao ensino médio. Era um curso de formação de professores para o ensino primário e fundamental. Ela tinha por esse tempo 24 anos. Durante esse tempo de estudos, Célia dava aulas em um povoado na zona rural, se não me engano a localidade era Mateiro, município de Coromandel, Minas Gerais. Saía de madrugada e chegava à tardinha a tempo de ir para o colégio, na época, Fundação Educacional de Coromandel, hoje Escola Estadual Alírio Herval. Foi um tempo bem puxado para ela, mas como sempre, foi vencendo todas as barreiras porque sempre foi uma mulher determinada. Ela se formou no curso Normal em 1986, já casada e grávida do primeiro filho, a menina Iara que nasceria em julho do ano seguinte.
Em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determinou que todos os professores da Educação Básica precisavam ter diploma de graduação até 2007. Para isso, através do “Projeto Veredas”, criou o Curso Normal Superior que equivalia ao curso de pedagogia para atender à formação dos professores. Um Decreto Estadual reconhece também o Curso de Graduação Normal Superior na modalidade de Educação a Distância. Foi quando minha irmã Célia, foi obrigada a fazer sua graduação. Ela estudava em casa na cidade de Coromandel, Minas Gerais e fazia as provas em Uberlândia, Minas Gerais. Foi um tempo difícil, em que cuidava dos filhos, dava aulas e ainda estudava. Ela concluiu sua graduação em 2005. Por ocasião de sua formatura, minha irmã Célia Maria passava por momentos difíceis: problemas de saúde, a separação com seu marido, e sua filha fazendo cursinho em Uberlândia para fazer o vestibular em Medicina, o filho mais novo ainda pequeno...

Célia Maria na colação de grau do curso de Magistério- ela é a primeira da filaà direita- 1986
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Célia Maria com os filhos conclusão do Normal superior em 2005. |
Vale frisar um momento triste de sua vida, porém decisivo, para o o cumprimento de um destino: depois de uma parada cardíaca, da qual sobreviveu, minha irmã Célia foi levada de ambulância para Uberlândia, Minas Gerais. Sua filha Iara a acompanhou. Já saindo de Coromandel, minha irmã Célia Maria ameaçou ter outra parada cardíaca, foi então que a filha Iara fez uma promessa: se sua mãe sobrevivesse ela iria a pé daquele lugar até Abadia dos Dourados, Minas Gerais, em agosto, época da festa de Nossa Senhora da Abadia. E ainda fez o propósito de que faria especialização em Cardiologia. Minha irmã Nossa Senhora de Abadia ouviu suas preces e fez sua intercessão. Minha irmã Célia Maria sobreviveu. Sua filha Iara tornou-se médica com especialidade em Cardiologia e anos depois cumpriu a promessa feita a Nossa Senhora de Abadia percorrendo a pé os 23 km de Coromandel a Abadia dos Dourados, Minas Gerais.
Ela se casou com Roberto Antônio Motta no 28 de dezembro de 1986 em Coromandel, Minas Gerais. Contudo, se separaram em 2005.
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| Célia Maria com o ainda esposo Roberto Antônio e os filhos Iara e Rodrigo. |
Eles tiveram os filhos:
1.1 Iara Machado Motta
1.2 Rodrigo Machado Motta.
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Um pequeno ensaio com Célia Maria
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| Célia Maria em Barretos, São Paulo |
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| Célia Maria em Barretos , São Paulo |
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| Célia Maria em Coromandel, Minas Gerais |
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1.1 Iara Machado Motta
| Iara em 3 fases: com 3 nos ( 1990), com talvez uns 22 anos ( 2009) e com 38 anos (2025) |
Iara Machado Motta, filha mais velha de Célia Maria e Roberto Antônio Motta, nasceu em 25 de julho de 1987, um sábado, na antiga Casa de Saúde de Coromandel, Minas Gerais. Cursou o Fundamental I na Escola Municipal Laércio Mendes de Sairre; o Fundamental II na Escola Estadual Joaquim Botelho e o Ensino Médio no Colégio Isaac Newton, como bolsista, tendo concluído este em 2004. Tudo em Coromandel, Minas Gerais. Formou-se em Medicina pela Universidade UNIPAC Araguari, Minas Gerais no ano de 2011, tendo se especializado em Cardiologia em São José do Rio Preto, São Paulo, no ano de 2019. Ultimamente reside em Barretos, São Paulo, onde exerce sua profissão de médica cardiologista no Ambulatório de Especialidades Médicas e em uma Clínica particular.
Iara Machado Motta casou- se com Manoel da Costa Gondim Neto no dia 07 de setembro de 2013, um sábado em Araguari, Minas Gerais, na Igreja São José Operário e Rainha da Paz. Manoel, seu esposo, nasceu em 23 de outubro de 1982 em Padre Bernardo, Goiás. Ele também é médico, com especialidade em Gastrenterologia, e exerce suas funções no Ambulatório de Especialidades Médicas em Barretos, São Paulo e em uma clínica particular.
Como já dito, Iara reside atualmente em Barretos, São Paulo, com o esposo e filhos, depois de ter exercido a profissão temporariamente em Araguari, Minas, onde estudou; em Monte Carmelo, Minas Gerais, atendendo no Posto de Saúde da Prefeitura. De lá, já casada com Manoel Neto, também médico, seguiram para Brasília, onde fizeram residência médica e em seguida, São José do Rio Preto, São Paulo, onde fizeram suas especializações médicas. De lá fixaram morada em Barretos, São Paulo, onde atuam em suas profissões, como já dito.
Só ressaltando que Iara além de minha sobrinha, é também minha afilhada de batismo.
Iara e Manoel tem atualmente três filhos:
1.1.1 Teresa Machado Gondim, nascida em 02 de junho de 2021;
1.1.2 Francisco Machado Gondim, nascido em 07 de junho de 2023;
1.1.3 Miguel Machado Gondim, nascido em 30 de abril de 2025.
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| Iara Machado Motta, o esposo Manoel Neto e os filhos Tereza, Francisco e Miguel ainda bebê |
1.2 Rodrigo Machado Motta
| Rodrigo em 3 fases: com talvez uns 4 ou 5 anos( 1996 ou 1998), com talvez uns 15 anos( 2007) e com 29 anos ( 2021) |
Rodrigo Machado Motta, segundo filho de Célia Maria e Roberto Motta, nasceu em 22 de abril de 1992, uma quarta-feira na Santa Casa de Misericórdia de Coromandel, Minas Gerais. Formou-se em Agronomia pela Universidade UNIPAC Uberlândia em 2018 e ultimamente exerce a profissão cuidando de suas próprias lavouras, mas já exerceu a profissão visitando e controlando lavouras, em várias regiões do País.
Rodrigo casou-se com Karine Roio Greguer em 18 de setembro de 2021 na Igreja Nossa Senhora de Fátima em Araguari, Minas Gerais, cidade onde reside. Karine, sua esposa, nasceu em 13 de março de 1991, uma quarta-feira, no Paraná e exerce a profissão de Farmacêutica em Araguari, Minas Gerais.
Vale ressaltar que Rodrigo é afilhado de crisma de meu esposo, portanto meu afilhado também.
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| Rodrigo e Karine |
















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