Joaquim Frutuoso Soares e Franclina Nunes da Costa
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Joaquim Frutuoso Soares e Franclina Nunes da Costa
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| Joaquim e Franclina com sua descendência |
Joaquim Frutuoso Soares, meu bisavô, nasceu no município de Coromandel, Minas Gerais, provavelmente na localidade de Trombetas, reduto dos Frutuoso Soares. Não consta nenhuma data, mas com certeza teria sido no final do século XIX. Ele faleceu também nessa localidade de Trombetas e provavelmente sepultado em Lagamar dos Coqueiros, lugar mais próximo onde existia cemitério. Também não há uma data específica de seu falecimento, contudo, é possível fazer uma dedução quanto ao ano em que faleceu. Teria sido por volta de 1939 ou 1940, pois, quando faleceu, minha avó Divina, sua filha, tinha apenas 2 filhos e estava grávida de outro. Ela se casou com 13 anos. Considerando que ela teria tido um filho a cada ano, pois, naquele tempo isso era comum, provavelmente devia ter em torno de 17 anos quando seu pai Joaquim e meu bisavô faleceu. Somando dezessete com o ano que ela nasceu 1922, chega-se a data de 1939. É uma boa dedução.
Joaquim, meu bisavô, era filho de João Frutuoso Soares e Maria Abadia de Jesus, já citados em 3º avós ou trisavós.
Franclina Nunes da Costa, esposa de Joaquim Frutuoso e minha bisavó, nasceu provavelmente no município de Coromandel, Minas Gerais, na localidade de Trombetas e faleceu também nessa localidade, assim como foi sepultada no cemitério de Lagamar dos Coqueiros. Não há datas de nascimento e falecimento. Sobre seu nascimento, arrisco dizer que aconteceu no final do século XIX. Sobre seu falecimento não é fácil fazer uma dedução, mas sabe-se que ela faleceu jovem, com quarenta anos ou até menos, em razão da doença de chagas que acometeu praticamente toda a família. O que se sabe é que deixou a filha mais nova bem pequena, a minha avó Divina. Com isso arrisco deduzir que tenha falecido na terceira ou quarta década do século XX. Franclina era filha de José Novato e Bernardina Nunes da Costa, já citados em 3º avós ou trisavós.
Sobre minha bisavó Franclina, não há nenhum relato sobre sua vida, senão que faleceu muito nova. Dessa forma nem os netos mais velhos sabem algo sobre ela. Ao que tudo indica, nem minha avó Divina se lembrava muito dela, pois era criança quando a mãe faleceu. Se lembrasse teria falado sobre ela com os filhos.
Quanto a meu bisavô Joaquim Frutuoso, minha avó Divina e o esposo Aristeu, contou algumas histórias para os filhos, pois eles não conheceram esses avós maternos. Porém, enquanto minha mãe estava viva não tive a curiosidade de perguntar, de forma que foi um tio dela que me relatou algo sobre ele.
Uma dessas histórias contadas pelo meu tio se refere à doença de meu bisavô Joaquim Frutuoso. Antes de falecer ele ficou muito doente, ao que tudo indica com problemas de próstata, em razão dos sintomas que ele sofria. Poderia até ser um câncer. Vale ressaltar que o câncer de próstata foi descoberto por volta de 1853. Mas nas localidades do interior, com toda certeza havia ignorância sobre essa doença. O fato é que foi algo bem sério que o levou a óbito.
Um dia seu genro, meu avô Aristeu, foi chamado às pressas para ir à cidade de Coromandel buscar remédios. Tudo era tão atrasado naquele tempo que nem atinaram de levá-lo para consultar um médico. Provavelmente já existia médico em Coromandel. De qualquer forma, talvez fosse impossível ele montar um cavalo para ir, em razão do problema.
Bem, meu avô Aristeu morava do outro lado do rio Paranaíba e era bem longe. Mas o fato é que foi chamado, porque tinha certa experiência com farmácia, aplicar injeções essas coisas. Quando fazia o primário em Abadia dos Dourados, Minas Gerais, ele trabalhava na farmácia de um parente e adquiriu muita experiência. Provavelmente sabia até que remédios eram bons para o problema do sogro.
Assim vovó Aristeu foi até Coromandel a cavalo, buscar os remédios. A distância era mais ou menos uns 50 km de Trombetas a Coromandel. Considerando que Vovô Aristeu manteve o cavalo a trote, provavelmente gastou entre três a seis horas, considerando que um cavalo a trote faz entre 13 a 19 km por hora. Tem também uma espécie de marcha denominada cânter que é tipo que um meio galope que pode fazer de 16 a mais de 20 km por hora. Mas provavelmente, vovô Aristeu não foi a galope, mesmo considerando a gravidade do problema do sogro. Só fiz essas justificativa para se ter uma noção de como as coisas eram difíceis naquele tempo.
Bem, justificativas à parte, meu Avô Aristeu foi à cidade e provavelmente ainda voltou no mesmo dia com os remédios, inclusive injeção, segundo meu tio. Meu bisavô melhorou os sintomas. Pelo menos temporariamente.
Vovó Divina, vivia preocupada com o pai e queria vê-lo, mas ele morava no Trombetas do outro lado do rio Paranaíba. Era bem longe para ir a pé e ainda mais com as duas filhas pequenas, a tia Lady e tia Maria, conhecida como Branca. Essa última provavelmente mal tinha começado a caminhar, e além disso, vovó Divina estava grávida. Sem contar que tinha que atravessar o rio em canoa de tábuas bem frágil. Naquele tempo o Paranaíba era volumoso, diferente de hoje. E ainda tinha o fato de que, ao desembarcar, havia uma trilha íngreme no barranco. Eu sei porque já percorri esses lugares quando criança.
Certa vez, meus pais foram a um terço de São João do outro lado do rio. Atravessamos na Canoa, e ao desembarcar, minha mãe se desequilibrou dentro da embarcação e por pouco não caiu no rio e estava grávida. Então não era uma situação fácil também para minha avó Divina ir visitar o pai. Meu avô Aristeu, por outro lado, ia adiando levá-la, talvez porque queria evitar todos esses perigos. E naquele tempo a mulher era mais submissa ao marido. Então minha avó Divina ia se calando.
Porém, um dia, vovó Divina amanheceu muito aflita pensando no pai e não teve outro jeito senão vovô Aristeu ir levá-la mesmo com todas as dificuldades, longa distância a pé, atravessar o rio Paranaíba de canoa... Contudo, foi tarde demais. Meu bisavô Joaquim Frutuoso havia piorado o estado de saúde e não resistiu, falecendo naquele dia em que vovó Divina amanheceu inquieta. Ela tivera a intuição e isso explica sua aflição em ver o pai.
Relata-se que, já chegando perto da casa de meu bisavô Joaquim Frutuoso, meus avós Aristeu e Divina, avistaram muita gente, muitos cavaleiros chegando. Só então ficaram sabendo que já iam sepultar o pai da vovó Divina, sem ao menos avisar a ela e ao genro. Na verdade, a distância atrapalhava muito. Com certeza levaria muito tempo para ir avisá-los. Impossível deduzir o que se passava pela cabeça dos parentes, mas possivelmente tinha essa questão da distância e da vovó grávida.
Sistemático que era, vovô Aristeu achou muito ruim. Para ele fora uma desfeita muito grande não os ter avisado. Sem mesmo acabar de chegar virou para trás sem que vovó Divina visse o pai morto. Ela chorou muito. Ficou nervosa. Mas mulheres naquele tempo eram submissas e assim, acabou cedendo ao esposo e voltou sem ver o pai. Uma atitude imatura de meu avô a meu ver. Já que tinham ido custava ficar? Mas enfim, cada um tem seu ponto de vista. Então fiquei pensando que nessa vida a gente não pode ficar adiando as coisas. Sobretudo visitas às pessoas doentes ou idosas.
Ainda sobre meu bisavô Joaquim Frutuoso, meu tio, irmão de minha mãe, me contou que ele era carpinteiro e dos bons. Fazia currais, telhados de casas, portas e janelas. Acredito até que vovô Aristeu aprendeu esse ofício com o sogro, pois também era um famoso carpinteiro. Dizia-se que era dos melhores em Coromandel antes de ir morar em Brasília atrás de melhores condições de vida.
Bem, meu bisavô Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe, que era genro de meu bisavô Joaquim Frutuoso, o contratou para fazer alguns serviços de carpintaria em sua fazenda. Por esse tempo meu bisavô Joaquim já estava viúvo e vovó Divina, sua filha, tinha apenas 13 anos. Vovô Tõe, sugeriu então que quando vovô Joaquim Frutuoso fosse fazer o serviço, levasse a filha para que sua esposa Eudóxia cuidasse dela. Eudóxia era irmã da vovó Divina. Assim foi feito. Não demorou muito, vovó Divina se casou com o filho do vovô Tõe, o meu avô Aristeu. Foi, digamos, um arranjo perfeito de meu bisavô Tõe que falarei quando chegar a hora.
Sobre o tal serviço de carpintaria, é possível deduzir que teria sido na sede da fazenda que, por esse tempo, ficava na tal manga do tio-avô Dário. Segundo meu pai, havia lá grandes currais de aroeira e outras benfeitorias em madeira, que provavelmente foram trabalhos de meu bisavô Joaquim Frutuoso. Resta-me fazer minhas deduções já que não tive a inspiração de saber das coisas quando ainda existiam fontes vivas.
Ainda sobre o fato de minha bisavó Franclina, esposa do Joaquim Frutuoso, ter falecido com doença de Chagas, vale frisar que essa doença levou muitos da família Frutuoso Soares. Essa doença, foi descoberta em 1908, quando Carlos Chagas identificou o parasito Trypanosoma cruzi, causador da doença. Em 1909, Oswaldo Cruz anunciou a descoberta da doença à Academia Nacional de Medicina.
Vale ressaltar que minha bisavó Franclina e toda a família morava na localidade de Trombetas, um lugar de foco do dito cujus Trypanosoma cruzi. Vale frisar também que as casas da família Frutuoso Soares naquela localidade eram de taipa. Casas grandes segundo um tio, irmão de minha mãe, com muitos quartos, mas de taipa, uma técnica em que o barro preenche espaços entre tramas de madeira. O tal barbeiro transmissor da doença de chagas é um inseto que vivia (ou vive) nas gretas da parede das casas de taipa, entre o barro e os varais da estrutura. Na verdade, esse tipo de casa era muito comum antigamente e faz parte da história brasileira e ainda são construídas principalmente no Norte e Nordeste, razão porque lá, a doença de Chagas ainda é um problema de saúde pública.
O fato é que esses danadinhos levaram muitos parentes de minha mãe Teresa: avó, tios e inclusive sua mãe Divina, todos em torno dos quarenta anos de idade. O único que resistiu até a velhice foi meu tio-avô Manoel Frutuoso Soares e minha tia-avó Eudóxia. Às vezes me pergunto como o barbeiro não os levou também jovens. Tiveram mais sorte. Desse povo, lembro apenas de um primo de minha mãe, o João Frutuoso, com sua pele morena que mais parecia um indígena, o que talvez confirme a tal descendência indígena de que falam alguns. Repetindo que, conforme relatos, um ancestral, possivelmente um tataravô da vovó Divina, pegou uma índia no laço e com ela formou uma família.
No mais, o que se sabe é que eram uma família pobre, mas muito amável e acolhedora. Minha irmã Célia Maria me relembrou que quando íamos passear na casa deles tinha sempre um banquete. Não se podia sair sem almoço ou sem tomar café feito na hora (pelando que só) com biscoitos, bolo frito e doce. Sobre o doce, minha irmã Célia Maria se lembra de servirem doce de amendoim. Apesar de estar presente nessas visitas, não me recordo, senão da trilha do lado de lá do rio Paranaíba e uma casa que ficava à margem dessa trilha. Não me recordo desses banquetes e nem das pessoas. Mas lembro-me que a gente precisava atravessar o rio Paranaíba de canoa e de como eu ficava bem tensa nessa travessia, embora tudo fosse muito bonito. Aquelas águas densas refletindo o verde das árvores das margens, cujos galhos roçavam as águas, que a meus olhos eram assustadoras, mas eu confiava em meu pai de olhos fechados. Ele era um bom canoeiro e o rio Paranaíba para ele era fichinha. A gente ia sentado, mas meu pai dizia para ficarmos bem quietinhos para a canoa não balançar, pois era perigoso virar. Ele ficava sentado na proa da embarcação, e com um remo nas mãos, ia riscando a água, ora pela direita, ora pela esquerda e dando impulso à canoa até o lado de lá. O pior de tudo era a correnteza, mas em meados de junho, era mais tranquilo, pois as águas densas de verão e começo de outono já haviam baixado, e até a ilha menor já exibia sua bela praia de pedras redondas e marrons. Quando citei junho, foi pelo fato de ser geralmente nesses meses de inverno e seca que a gente ia do lado de lá do rio visitar parentes e tinha também as festas de São João. Mas não me lembro das festas de São João dos Frutuoso Soares e sim das de um tal de Jesus Preto, cuja casa também era de lá do rio e no caminho para Trombetas. Dessa festa lembro até dos doces de toda qualidade, mas eu gostava mais dos de laranja e limão.
Bem, quando a canoa atracava na outra margem do rio, meu pai a amarrava com uma corrente em alguma árvore. A gente descia e subia com muito cuidado uma trilha no barranco. O rio Paranaíba, naquele tempo era muito caudaloso, especialmente na barrinha pertinho de casa, e lá em embaixo no final da ilha da Croa, no ponto onde a ilha ia se estreitando. Esses dois trechos eram nossos portos.
Dessas visitas aos parentes Frutuoso Soares, me lembro também da estrada pela qual passávamos, como já falei. Do lado de lá do rio, depois de uma pequena mata ciliar, era uma imensa capoeira e avistava-se longe. Até a capelinha lá no finzinho da estrada. A estrada seguia quase reta pelo que me lembro. As casas ficavam às margens da estrada.
Bem, às vezes fico a imaginar se minha bisavó Franclina se parecia com a filha Divina, minha avó. Talvez sim. E se era parecida, com certeza era tão bela. Meu bisavô Joaquim, com certeza era parecido com alguns que conheci, como o primo de minha mãe, o João Frutuoso. E se eram descendentes de indígenas, de que tribo seriam? Resta imaginar. E isso é tudo...
Joaquim Frutuoso Soares e Franclina Nunes da Costa, meus bisavós, tiveram vários filhos dos quais já ouvi falar de alguns:
1. Manoel Frutuoso Soares, que morreu velhinho;
2. João Frutuoso Soares, que era pai de um vizinho meu, o Senhor Juarez;
3. Geraldo Frutuoso Soares, nunca se casou;
4. Zeca Frutuoso Soares, provavelmente se chamava José;
5. Eudóxia Frutuoso Soares, última esposa de Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe e que também faleceu bem velhinha, mas não me recordo dela.
6. Divina Frutuoso Soares, mãe de minha mãe, casada com Aristeu Machado Rocha. Frisando que Aristeu era filho do vovô Tõe. Ou seja, pai e filho eram casados com duas irmãs. Enfim... Possivelmente Joaquim e Franclina tiveram outros filhos.
Fotos de alguns filhos de Joaquim Frutuoso Soares e Franclina Nunes da Costa
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| Eudóxia Frutuoso Soares, última esposa de Antônio, o bisavô Tõe |
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| Divina Frutuoso Soares, mãe de minha mãe Tereza |

João Frutuoso Soares ( pai do Sr. Juarez sucupira)
Para saber sobre Coromandel, Minas Gerais, onde se insere a localidade de Trombetas, acesse os links abaixo:
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
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| Coromandel, Minas gerais. Destaque: Igreja Santana |
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| Imagem satélite da localidade de Trombetas, Coromandel, Minas Gerais. Detalhe: onde estão os círculos passava a estradinha que levava às casas dos Frutuoso Soares. |








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