Fortunato Fernandes Rocha e Alexandrina Fernandes Rocha (ou Rocha Mello)

 

PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (3º avós ou trisavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha, esposa dee Antônio Bonifácio Machado, o bisavô Tõe. Nessa sequência siga o gráfico na sexta linha de cima para baixo.


    


      
  








  Fortunato Fernandes Rocha e Alexandrina Fernandes Rocha (ou Rocha Mello)

 

Fortunato Fernandes Rocha, meu 3º avô ou trisavô, (a quem chamavam também de “Pai Nato” segundo meu pai), nasceu por volta de 1850, já que tinha 17 anos em 1867, conforme inventário de seu pai. Consta que nasceu em Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais, na Fazenda Castelhana, já que seus pais desde 1842 já viviam por lá. Contudo, há uma divergência nesse ano de nascimento, pois conforme registros de cartório de Patrocínio, Minas Gerais, já que Carmo da Bagagem era vinculada àquela comarca, meu 3º avô Fortunato, nasceu em 9 de outubro de 1847 e foi batizado em 28 de outubro de 1847.  Nos tempos mais antigos existia essas divergências.

 Não foi possível descobrir onde meu trisavó Fortunato Fernandes Rocha faleceu. Em alguns documentos consta que vivia na Fazenda Samambaia, termo de Paracatu, como no caso do inventário de seu sogro o Tenente-Coronel José Cândido Rocha. Já no inventário de sua sogra Inez de Mello Rocha, consta que a tal Fazenda Samambaia era no termo de Catalão, Goiás. De forma que não foi possível saber exatamente onde era essa tal fazenda, onde provavelmente ele teria falecido. Quanto à data é certo que foi antes de 1907, pois nesse ano, no inventário de seu sogro, ele já constava como falecido. Fortunato era filho do Major José Fernandes da Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho, já citados antes em 4º e 5º avós. 

Alexandrina Fernandes Rocha (Ou Rocha Mello), esposa de Fortunato Fernandes Rocha e minha 3ª avó ou trisavó, nasceu em 1859 uma vez que estava com 48 anos em 1907, quando seu pai faleceu. Possivelmente nasceu em Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais.  Em 1907 já era viúva e morava na fazenda Samambaia que, conforme consta no inventário de sua mãe, ficava no termo de Catalão, Goiás, embora no inventário de seu pai, conste como situada no Termo de Paracatu. Fica a dúvida, pois não foi possível descobrir a exatidão dos dados. Não consta data de falecimento e nem local, mas provavelmente foi nessa Fazenda Samambaia. Alexandrina era filha do Tenente-Coronel José Cândido Rocha e Inez de Mello Rocha, já citados antes em 4º avós. 

Uma curiosidade sobre esses meus trisavós: Fortunato Fernandes Rocha, além de esposo de Alexandrina, era também seu tio, pois ela era filha do irmão de Fortunato, o Tenente-Coronel José Cândido Rocha.  “Trocando em miúdos” Fortunato, meu 3º avô era genro de seu irmão e, por sua vez, seu irmão o Tenente-Coronel era seu sogro. E para deixar a gente mais encucado: os pais de Fortunato, eram ao mesmo tempo, avós e sogros de Alexandrina, esposa de Fortunato. Tal situação afetou toda a minha ascendência pelo lado desses meus trisavós Fortunato e Alexandrina, uma vez que cada geração se apresentou em dois graus diferentes de parentesco ao mesmo tempo.

 Vale ressaltar que esse tipo de casamento entre tios e sobrinhos, parentes colaterais em terceiro grau, é chamado de avuncular. Mas isso pode acontecer?  Ou podia acontecer naquele tempo?  O casamento entre tios e sobrinhos estava dentro dos graus proibidos pela lei canônica sim, porém, parece que a Igreja tolerava. Era tipo “fechava os olhos” para certas situações. Atualmente, o casamento entre tios e sobrinhos também não é válido na Igreja Católica segundo o Código de Direito Canónico, que o proíbe até o 4º grau de parentesco. No entanto, em circunstâncias específicas, pode ser possível obter uma dispensa do bispo para realizar o casamento.

Olhando pelo lado civil, o Decreto 181 de 24 de janeiro de 1890 que regulamentou o casamento civil no Brasil, limitava o impedimento apenas ao parentesco de 2º grau. Não fazia alusão a casamento entre parentes colaterais de 3º grau, ou seja, tios e sobrinhos.  Já o Código Civil de 1916 proibia expressamente este tipo de casamento, deixando claro que não havia eficácia jurídica do ato, portanto nulo. Tal decisão via apenas o lado moral do ato e não os possíveis riscos de união entre parentes. Contudo, o Código de 1941, já permitia esse tipo de união com autorização judicial e exame médico. Ou seja, não mais importava a ótica moral, mas sim a ótica médica. Entretanto, essa forma de união entre colaterais até o terceiro grau (tios e sobrinhos) voltou a ser proibido em 2002, mas pode ainda ser autorizada à luz do Código de 1941 em caráter excepcional, sob a ótica médica. Se o médico der o aval, a justiça libera.

 Bem, não se sabe quando e o local onde Fortunato e Alexandrina se casaram. Provavelmente foi em Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais, na Matriz Nossa Senhora do Carmo, ou quem sabe na fazenda, pois era comum casamentos na roça. Contudo, em 1878, quando Cândida Umbelina de Carvalho, minha 5ª avó, já viúva, resolveu fazer a partilha amigável de seus bens, consta que Fortunato seu filho, já estava casado com Alexandrina. Talvez recém-casados, pois não consta nomes de filhos. Fortunato tinha 30 anos e Alexandrina 19 anos. Também não foi possível descobrir quando foram viver na Fazenda Samambaia, que provavelmente não é em Catalão, mas em Guarda-Mor, conforme indícios concretos.

Parte do Almanak Administrativo de 1891 onde aparece o nome de meu trisavô Fortunato como fazendeiro em Monte Carmelo, Minas Gerais, cujo nome na época era Carmo da Bagagem

Contudo, em 1891, há notícias de Fortunato ainda em Monte Carmelo, Minas Gerais, pois, seu nome aparece no Almanak Administrativo de Minas gerais daquele ano, como dono de Fazendas importantes da localidade.  Logo é possível que partiram depois dessa data e já com os filhos.

Sobre a tal Fazenda “Samambaia” onde residiam, não foi possível saber de fato onde se situava. Se em catalão, Goiás, ou Guarda-Mor, Minas Gerais. Um Blog da Historiografia de Catalão, foi citada uma fazenda de mesmo nome de propriedade de certo José Vieira Machado e sua esposa Senhorinha de Lima no ano de 1858.  É possível que seja a mesma e que anos mais tarde meus trisavós a compraram. Apenas deduções, claro, já que não há documentos ou histórias que comprovem.

Contudo, é fato que meus trisavós Fortunato e Alexandrina, possuíam terras também em Guarda-Mor, município de Paracatu, Minas Gerais. Essa lógica se deve ao fato de um tio me ter confirmado que as terras do vovô Tõe naquela localidade foram herdadas do sogro, o meu Trisavô Fortunato.

Uma conversa com alguém, reforçou essas minhas deduções, pelo fato de essa pessoa me ter dito que existe na localidade de Pilões, município de Guarda-Mor, uma Fazenda de nome Samambaia bem perto da divisa de Goiás, onde fica Santo Antônio do Rio Verde. É uma Fazenda muito antiga, mas que nos dias atuais se chama Limoeiro da Samambaia com grandes lavouras. Até quando essa pessoa passou por essa fazenda ainda existia pés de manga antigos que um homem sozinho não abarca seu caule, sem contar as jabuticabeiras. Existia também no lugar uma espécie de muro de pedra antigo com algumas escritas que a pessoa não se lembra mais quais. Essa pessoa relatou-me também de um cemitério antigo com muros de pedra, que me fez pensar se não estaria lá os restos mortais de meus trisavós Fortunato e Alexandrina. No lugar havia também uma cruz, onde em tempos idos celebravam-se festas. 

Mapa sobre a localidade da Fazenda Limoeiro da Samambaia, que provavelmente pertenceu a Fortunato e Alexandrina, pais da bisavó Lídia casada com o bisavô Tõe. Mais abaixo a Fazenda Pilões, supostamente a Fazenda do pai do bisavô Tõe. Frisando que são só deduções


Essa Fazenda foi herdada por meu bisavô Tõe. Uma tia irmã de minha mãe teve também a oportunidade de conhecê-la, anos depois, quando o a fazenda não pertencia mais à família. Segundo ela, era um casarão imenso, com piso de assoalho, um porão abaixo e as janelas eram maiores que uma porta.

Bem, essa dedução  de uma Fazenda Samambaia em Guarda-Mor, Minas Gerais, agradou-me, até porque Lídia, minha bisavó, e filha de Fortunato e Alexandrina, supostamente conheceu seu esposo, o vovô Tõe naquelas paragens e por lá se casou, provavelmente em uma dessas festas dos Pilões, oportunidades em que os padres visitavam os lugarejos ou pequenas Vilas e realizava casamentos e batizados.

Bem, no final, a verdade fica meio que balançando, pois não existem documentos comprobatórios, apenas relatos e evidências, de forma que nem posso contextualizar o lugar onde viveram, se em Catalão, Goiás ou Guarda-Mor, Minas Gerais.

Onde ficaram enterrados o passado desses meus trisavós? Em Catalão, um lugar que nos finais do século XIX era conhecido como a terra de coronéis e jagunços e cuja justiça, inclusive a dos juízes, era a carabina Winchester calibre 44? Ou será que esse passado ficou enterrado em Guarda-mor, na velha fazenda onde as jabuticabeiras nasciam até dentro das grotas e as mangueiras precisavam de dois homens para abarcá-la?

Sobre meus 3º avós ou trisavós Fortunato e Alexandrina, não foi possível descobrir quantos filhos tiveram. Provavelmente tiveram muitos, mas conforme dados lógicos, só foi possível saber da existência de pelo menos três filhas, pois consta a existência de um genro de nome Getúlio Martins Mundim que foi procurador de Alexandrina, minha trisavó, quando do inventário de sua mãe Inez. Outra filha era a Maria Elódia da Rocha, que foi a segunda esposa de Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe e mãe de meu tio-avô Dário Machado Rocha.  A outra filha era Lídia Fernandes Rocha, minha bisavó legítima, primeira esposa de Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe.

Dessa forma, tive que me recolher à minha decepção por não ter encontrado nada mais sobre meus trisavós Fortunato Fernandes Rocha (o pai Nato) e Alexandrina Fernandes Rocha, cuja história ficou enterrada sei lá onde, porque nem mesmo os cartórios quiseram me dar uma luz. Essa decepção, confesso que me corrói por dentro como uma queimação depois de comer doces quase à loucura.

Agora percebo que pesquisas genealógicas tem dessas coisas… Elas nos trazem encontros inesperados, histórias incríveis ou não. Trazem emoções que a gente nunca esquece! E também trazem essas decepções, essas coisas que ficam partidas ao meio... No caso de meus trisavós Fortunato e Alexandrina, ficou essa coisa partida ao meio, e me resta apenas imaginar suas vidas sussurrando nos corredores da história e nas folhas amareladas de algum livro de cartório que não pude tocar...

Mas pelo menos pude deslizar os dedos pela assinatura desenhada e elegante de minha trisavó Alexandrina, ainda que essa fosse apenas em uma procuração para o inventário de sua mãe em 1916. Uma assinatura de mais de cem anos, que para mim é mais que um legado. É a permanência de algo que transcende a efemeridade da vida...

Assinatura de minha 3ª avó Alexandrina em 1907, confirmando que assinava " Rocha Mello", embora em alguns lugares apareça " Fernandes Rocha"

 

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha