Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier

 

  PS.:     

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou hepatavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.

 Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier

 

O Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza, meu 7º avô, nasceu em Salvador do Monte, Amarante, Porto, Portugal no dia 8 de janeiro de 1731 e foi batizado no dia 14 desse mesmo mês e ano. Consta no registro de batismo que os pais eram moradores do lugar denominado Louredo de Cima, que nos dias atuais é chamado de Louredo das Almas, pois o lugar era um antigo terreno de loureiros onde se evocavam as almas e onde existia e ainda existe a necrópole — lugares escavados na rocha onde se sepultavam os mortos em tempos antigos. 

Francisco faleceu após 14 de abril de 1799, data de seu testamento. provavelmente em sua Fazenda Piauí em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais. Foi sepultado na Vila de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Ao que tudo indica, o Tenente-Coronel Francisco, meu 7º avô, em 1769 já estava no Brasil, visto que se casou nessa data. Era filho de Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo, que foram citados em 8º avós.  

Em seu testamento, o Tenente-Coronel Francisco foi claro e objetivo, deixando a cargo de Antônia Rita, as disposições do funeral, bem como as disposições em benefício da salvação de sua alma: missas, esmolas, doações, essas coisas. 

 

Registro de batismo de Francisco- área circulada


Transcrição do documento de batismo do capitão Francisco

Francisco filho de Carlos Ferreira e de sua mulher Rosa Azevedo, lugar de Louredo de Cima, nasceu aos oito dias do mês de janeiro de mil setecentos e trinta e um e foi batizado aos quatorze do dito mês e ano... os santos óleos por mim padre Alvaro Coelho Coadjutor, foram padrinhos o Reverendo Abade de ... Francisco Pereira de Sampaio e Maria... mulher de Luiz... do Lugar de Louredo, foram testemunhas o padre Luiz Correia de Abreu e Domingos Martins e para constar fiz este assento era dia mez e ano ut supra [como acima]
O Coadjutor Alvaro Coello
O Padre Luiz Correia de Abreu

 

Parte do testamento de Francisco

 "Eu, Francisco José Ferreira de Souza, abaixo assinado, casado com Antônia Rita de Jesus Xavier, atual morador que sou na minha fazenda do Piauhy, Aplicação de Santo Amaro, Freguesia da Real Vila de Queluz, Comarca do Rio das Mortes, filho legítimo de Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo, natural e batizado na Freguesia de São Salvador do Monte, Comarca de Guimarães, Bispado do Porto, que por quanto me considero gravemente enfermo... ... Declaro que sou casado com Antônia Ritta de Jesus Xavier de cujo matrimonio tivemos até a o presente, treze (13) filhos a saber: FELÍCIA, FRANCISCA, ANA, JÚLIA, JOSÉ, FRANCISCO, MARIA, ROSA, ANTÔNIA, THEREZA, MANOEL, MARIANA E JOSEFA. Declaro que os bens que possuo, móveis, semoventes e de raiz, são os que, por minha morte, se acharem, dos quais duas partes pertencem aos PREDITOS MEUS FILHOS, por serem meus herdeiros e por tais os instituo. Declaro que nomeio a minha mulher, Antônia Rita de Jesus Xavier, procuradora e administradora e tutora dos ditos meus filhos por reconhecer nela o bom governo, zelo e capacidade ...". Testamento aberto pelo tabelião Luiz de Souza e Mello, na presença do Juiz Ordinário da Villa, Capitão José Antonio da Silva Leão.

Parte final do testamento de Francisco

 

Outros dados do testamento de Francisco

 

Para conhecer o testamento do Capitão Francisco, na íntegra, acesse o link abaixo: 

👉 Testamento transcrito na íntegra- Capitão Francisco 

 


 

Antônia Rita de Jesus Xavier, esposa do Tenente-Coronel Francisco e minha 7ª avó, nasceu em 1754 na fazenda do "Pombal" entre as vilas de São João del-Rei e São José del-Rei, hoje, Tiradentes, Minas Gerais. Ela faleceu no dia 25 de fevereiro de 1813, uma quinta-feira, com 59 anos, provavelmente na Fazenda Piauí em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais e foi sepultada no dia 26 de fevereiro, provavelmente na Igreja de Santo Amaro, em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais, como era seu desejo especificado no testamento.Antônia Rita era filha de Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier, já citados em 8º avós. Um dos irmãos de Antônia era o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Conjuração Mineira em 1789 e hoje Patrono Cívico do Brasil.

 

Parte 1 do testamento  de Antônia- página direita a partir da seta

 

Restante do testamento de Antônia, toda a área circulada

 

Transcrição de parte do testamento de Antônia Rita de Jesus Xavier

 Antônia Rita de Jesus, Filha legítima de Domingos da Silva Santos e Antônia da Encarnação Xavier, Natural e batizada na Capela de Santa Rita Da freguesia de São João Del Rei, Estando gravemente enferma, mas com o meu perfeito juízo, E temendo-me da morte faço este meu testamento na forma seguinte: Primeiramente encomendo minha alma a Deus ... ... Declaro que fui casada com Francisco José Ferreira de Souza de cujo matrimônio tivemos 13 filhos, que existem, a saber: Felícia (1), casada com o Capitão José Ferreira; Francisca Maria de Jesus (2) casada com Joaquim José da Costa Guimarães; Maria Teresa de Jesus (3) ou Ana Tereza de Jesus casada com Joaquim José de Andrade; Júlia Maria de Jesus (4) casada com Antônio José Machado; Rosa Maria de Jesus (5) casada com Joaquim Rodrigues Chaves; Maria Josefa de Jesus (6) casada com José Rodrigues Chaves; Antônia Rita de Jesus (7) casada com Eduardo Ferreira da Affonseca; Teresa Maria de Jesus (8) casada com Manoel Rodrigues Chaves; Maria Ana de Jesus (9) casada com Antônio Machado de Miranda; Josefa Maria de Jesus (10) solteira; José Ferreira de Souza (11); Francisco Ferreira (12) e Manoel Ferreira de Souza (13) os quais são meus legítimos herdeiros. Instituo por meus testamenteiros, em primeiro lugar a meu filho José Ferreira de Souza, em segundo lugar a meu filho Francisco José Ferreira de Souza, em terceiro lugar a meu genro Joaquim José de Andrade, aos quais peço muito favor..."

 Para conhecer o testamento de Antônia Rita, na íntegra, acesse o link abaixo: 

👉 Testamento transcrito na íntegra- Antônia Rita

 


 

Mais sobre Antônia Rita, minha 7ª avó
 
Antônia Rita de Jesus Xavier, minha 7ª avó e irmã mais nova de Tiradentes, teve uma infância marcada por perdas precoces. Perdeu a mãe em 1755, com pouco mais de 1 ano de idade, e o pai dois anos depois, em 1757, com apenas 3 anos.
Sua irmã, Maria Vitória, assumiu o papel materno e cuidou dela até os seus 14 ou 15 anos. Quando Maria Vitória se casou com Domingos Gonçalves de Carvalho, Antônia passou para os cuidados do irmão mais velho, o padre Domingos da Silva Santos, coadjutor na matriz do Pilar de São João del-Rei.
Para administrar uma venda que mantinha em São João del-Rei, o padre mandou vir de Portugal um parente distante que tinha facilidade com letras e números para trabalhar como caixeiro: Francisco José Ferreira de Souza. Além de assumir os negócios da venda — que mais tarde o casal recebeu como herança do padre —, Francisco casou-se com Antônia Rita.
O cenário da infância: da Fazenda do Pombal a Ritápolis
Enquanto os pais de Antônia eram vivos, a família morava na Fazenda do Pombal, localizada a algumas léguas da antiga Fazenda Rio Abaixo. Essa região ficava próxima a Santa Rita do Rio Abaixo, atual cidade de Ritápolis, em Minas Gerais.
A história dessa localidade remonta ao final do século XVII, quando foi chamada de Santo Antônio do Rio Abaixo. Na época, bandeirantes invadiram os sertões mineiros à procura de ouro e pedras preciosas. Descendo pelo Rio das Mortes, encontraram o metal em um lugar denominado Rio Abaixo e ali fincaram seus ranchos — casas de pau-a-pique cobertas de sapé, adobe ou pedra. Para além do ouro, os forasteiros logo trataram de plantar alimentos para garantir o sustento.
Nesse período, foi erguida a Capela de São Sebastião do Rio Abaixo, com um cemitério anexo, dentro da imensa Fazenda Rio Baixo. A notícia do ouro que brotava do chão e dos rios correu mais rápido que carro de Fórmula 1, atraindo famílias com seus escravos e tralhas. Surgiram grandes propriedades com engenhos, senzalas e sedes enormes, incluindo a Fazenda do Pombal.
Com o crescimento do povoado, a capelinha de São Sebastião ficou pequena. Em 1713, a comunidade construiu uma maior, feita de pedra (que hoje corresponde aos fundos do atual Santuário). Após a doação de uma imagem de Santa Rita de Cássia para a nova igreja, o antigo padroeiro perdeu o lugar. O povoado mudou de nome para Santa Rita do Rio Abaixo e, mais tarde, tornou-se Ritápolis ("cidade de Rita").
A viuvez e o filho "encosto" nos negócios
Antônia Rita faleceu em 25 de fevereiro de 1813, 14 anos após a morte de Francisco. Ela seguiu a vida cercada por vários filhos pequenos, filhas mais velhas casadas e netos.
Seu braço direito na gestão de tudo foi o filho José Ferreira de Souza (meu 6º avô). Em seu testamento, Antônia declarou explicitamente que José era seu "encosto": era ele quem cuidava de todos os negócios, administrava os serviços das roças, das criações, e controlava as finanças, conservando e aumentando os bens da família.
Quando a mãe faleceu, José tinha 37 anos, já era casado com Vicência desde 1800 e administrava o patrimônio dela junto ao seu. Essa centralização era natural, já que as quatro filhas mais velhas eram mulheres e o filho primogênito havia falecido antes do pai.
Sabendo disso, Antônia pediu expressamente no testamento para que os outros filhos não criassem atritos pelo fato de deixar alguns bens a mais para José, como justa retribuição pelo apoio dedicado.
O testamento e as últimas vontades
Muito enferma, minha 7ª avó ditou seu testamento no dia 20 de fevereiro de 1813, um sábado, cinco dias antes de falecer. Diferente de seu marido, o Tenente-Coronel Francisco, que foi mais sucinto, Antônia deixou uma lista detalhada de recomendações:
  • Sepultamento: Pediu para ser enterrada na Capela de Santo Amaro, em Santo Amaro do Camapuã (atual Queluzito, MG), envolta no hábito da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, da qual era membra.
  • Cortejo e missas: O sepultamento deveria ser acompanhado por 8 padres, rezando cada um uma missa de corpo presente. Pediu mais 100 missas por sua alma, 25 pelas almas de seus pais, 25 pelas almas do purgatório e 25 pelas de seus escravos falecidos.
  • Caridade e alforria: Determinou a distribuição de esmolas aos pobres mais próximos no dia do velório e concedeu a carta de alforria a uma escrava sua, possivelmente sua mucama.
  • Paz familiar: Reforçou o pedido para que não houvesse brigas por causa da partilha de José, nem "embulhos" (confusões) com outros quatro filhos que ela já havia autorizado a arrancharem na fazenda para plantar e criar gado.
Uma mãe de muita fé 
Entre as histórias que cruzam gerações sobre Antônia Rita de Jesus Xavier, conta-se que ela tinha um costume peculiar: batizava cada um de seus filhos em uma igreja diferente, como forma de agradecer a vários santos que a haviam ajudado.
Para cumprir a promessa, ela percorreu todas as capelas e matrizes das redondezas, como Prados, Lagoa Dourada e a Vila de Queluz. Uma verdadeira maratona de fé, considerando que consta em seu testamento 13 filhos.

Uma amizade inseparável e a "bacia de prata"
Outra história fascinante sobre Antônia Rita é a sua amizade inseparável com Maria Helena de Jesus, vinte anos mais velha. Maria Helena era filha da célebre "Ilhoa" Helena Maria de Jesus (minha 8ª avó). Mesmo com a distância entre a Fazenda Piauí e a Fazenda Engenho Velho do Cataguás, as duas criaram um laço fortíssimo.
Encantada com a meiguice e a carência da jovem Antônia Rita, Maria Helena a acolheu como uma filha. Elas se visitavam constantemente, encontravam-se na casa de parentes ou na igreja aos domingos. Nessa troca, Maria Helena ensinou a Antônia os segredos da culinária mineira — como temperar porco e galinha, tirar a baba do quiabo e fazer o angu perfeito —, enquanto Antônia Rita lhe ensinava a arte de fazer rendas. Foi com a amiga que Antônia também refinou um hábito noturno: passou a lavar os pés antes de dormir em uma bacia de prata, um costume que ela já tinha, mas fazia em uma bacia de cobre, bem menos "chique".
Essa história é narrada pela escritora Climeia Rezende no livro “Engenho Velho do Cataguás”. Se há romantização ou não, o fato é que as famílias eram profundamente conectadas na vida real:
  • Em 1810, um neto de Maria Helena (José Antônio de Rezende) casou-se com a filha mais nova de Antônia Rita (Josefa Maria).
  • Além disso, o irmão e o sobrinho de Maria Helena eram companheiros de conspiração de Tiradentes (irmão de Antônia Rita) na Inconfidência Mineira de 1789. O irmão de Maria Helena morreu no degredo na África. Já o sobrinho, após cumprir a pena, retornou ao Brasil em 1809 e exerceu importantes cargos públicos até 1841.
O mistério do roubo da cabeça de Tiradentes
A mais triste e misteriosa das histórias contadas sobre minha 7ª avó envolve o trágico fim de seu irmão. Conta-se que foi Antônia Rita quem enviou um escravo, na calada da noite, para roubar a cabeça de Tiradentes, que estava exposta dentro de uma gaiola em uma praça em Vila Rica (atual Ouro Preto). O plano teria sido enterrar os restos mortais secretamente na mata de sua fazenda, no Piauí.
Se isso é um fato real, ninguém sabe. Contudo, a história confirma que a cabeça de Tiradentes sumiu misteriosamente do poste na mesma noite em que foi exposta e nunca mais foi encontrada. Terá sido mesmo obra de Antônia Rita?
Para aumentar o mistério, existem teorias de historiadores que desconfiam de que a cabeça exposta em Vila Rica sequer era a do mártir. Segundo essa hipótese, ela teria sido retirada às pressas para que ninguém descobrisse uma farsa: a de que Tiradentes nunca teria sido enforcado. Diz a lenda que ele teria sido levado secretamente para a França em um navio, com a ajuda de um dos juízes da Devassa que lhe devia favores, e que um outro preso, já condenado à morte, foi executado em seu lugar.
Provas reais "ainda" não existem, apenas indícios investigados por historiadores que continuam a escarafunchar o passado. Como diz o ditado popular, "a mentira tem perna curta" e a história sempre encontra uma forma de fazer a verdade vir à tona. Enfim...




O Casamento de Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier
 
Meus 7ºs avós, o Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier, casaram-se no dia 8 de abril de 1769, um sábado, em São João del-Rei. A cerimônia provavelmente ocorreu na Igreja de Nossa Senhora do Carmo ou na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, as matrizes mais antigas da localidade naquela época.
Na data do matrimônio, Antônia Rita tinha apenas 15 anos, enquanto o Tenente-Coronel Francisco tinha 38 anos. Por esse período, a jovem residia com seu irmão, o Padre Antônio da Silva dos Santos (cuja identidade muitos relatos locais confundem com o outro irmão padre da família, o Padre Domingos). Foi o Padre Antônio quem arranjou o casamento da irmã com Francisco, que trabalhava como seu caixeiro — ou seja, cuidava do caixa — em um estabelecimento comercial de propriedade do sacerdote, localizado na subida do Morro da Forca.
O Morro da Forca e a trajetória do Padre Antônio
O Morro da Forca recebeu esse nome peculiar devido ao fato de, em tempos coloniais, ter sido o local onde se erguia o patíbulo da forca em São João del-Rei. Bem no alto desse morro fica a Capela de Nosso Senhor do Bonfim.
Naquela época de 1769, o Padre Antônio havia acabado de se ordenar. Seu primeiro cargo oficial como capelão aconteceria em 1771, quando foi nomeado para a capela de Nossa Senhora da Glória da Ressaca. É possível deduzir que, quando Antônia Rita foi morar com ele, o casamento dela com Francisco já estivesse praticamente acertado. Afinal, nos costumes rígidos daquele tempo, não seria considerado de bom tom uma jovem viver sozinha na companhia de um padre, mesmo sendo ele seu próprio irmão.
O drama da Ressaca e o exílio do Padre Antônio
O Padre Antônio permaneceu como capelão na Ressaca até 1789, ano em que o movimento da Inconfidência Mineira foi descoberto e as prisões começaram, tornando o clima insustentável para a família. Contudo, o golpe mais doloroso e dramático ainda estava por vir.
Em 1792, após a execução e o esquartejamento de Tiradentes, a Coroa Portuguesa ordenou que os membros do mártir fossem expostos ao longo do Caminho Novo, nos locais onde ele costumava pregar suas ideias revolucionárias. Cruelmente, um dos postes de infâmia contendo um pedaço do corpo de Tiradentes foi cravado justamente no Arraial da Ressaca, bem em frente à comunidade onde o Padre Antônio exercia o seu sacerdócio.
Profundamente abalado e traumatizado por ver os restos mortais do próprio irmão caçula expostos daquela forma brutal, o Padre Antônio abandonou a capelania de vez. Ele retirou-se para viver em isolamento absoluto na sua propriedade, a Fazenda Castelo de Nossa Senhora d’Ajuda, em Borda do Morro (atual cidade de Barbacena, Minas Gerais), onde permaneceu recluso até falecer em 1805.
O crescimento da Fazenda Piauí: Ajustando as datas da história
Enquanto o drama político cercava a família de sua esposa, o Tenente-Coronel Francisco progredia financeiramente. Conforme alguns relatos históricos locais, ele teria comprado o seu sítio em Santo Amaro apenas na última década do século XVIII, construindo ali a sua vasta Fazenda Piauí.
Contudo, a análise dos registros familiares revela um equívoco nessa cronologia tradicional: já na década de 1770 consta o nascimento do terceiro filho do casal em Santo Amaro do Camapuã, região onde ficava a propriedade.
Graças ao seu trabalho e posses, o Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza tornou-se muito rapidamente um abastado proprietário de terras, e o antigo sítio expandiu-se, transformando-se na imensa e conhecida Fazenda Piauí.
 
Registro de casamento de Antônia Rita e Francisco- ilegível
 

Possível mapa de localização da Fazenda Piauí

 

Há possibilidade da Fazenda Piauí ter existido nas proximidades do Córrego Piauí


O Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier, tiveram 13 filhos, conforme consta no testamento a saber:


1.   Felícia Josefa de Souza, casada com José Ferreira da Silva Teles Faião;

2.   Anna Thereza de Jesus, casada com Joaquim da Costa Guimarães;

3.   Francisca Maria de Jesus, casada com Joaquim José de Andrade Magalhães;

4.  Júlia Maria de Jesus, casada com Antônio José Machado, 

5. José Ferreira de Souza- meu 6º avô, casado com Vicência   Joaquina da Silva, filha de meu 7º avô André Rodrigues   Chaves;

6.  Maria Josefa de Jesus, casada com José Rodrigues Chaves, filho de    André Rodrigues Chaves, meu 7º avô;

7.  Rosa Maria de Jesus, casada com Joaquim Rodrigues Chaves, filho    de André Rodrigues Chaves, meu 7º avô;

8. Francisco José Ferreira de Souza Júnior, casado com Constança Umbelina do Sacramernto;

9. Antônia Rita de Jesus Xavier (mesmo nome da mãe), casada a primeira vez com Eduardo Ferreira da Fonseca e a segunda vez com o viúvo de sua irmã Tereza, Manoel Rodrigues Chaves;

10.Thereza Maria de Jesus Xavier, casada com Manoel Rodrigues   Chaves filho de meu 7º avô André Rodrigues Chaves. Manoel tendo ficado viúvo se casou com a cunhada Antônia Rita;

11.Manoel Ferreira de Souza, casado com Maria de Miranda e Silva;

12.Mariana de Jesus Xavier, casada com Antônio Machado de   Miranda  Júnior, meu 5º tio-avô, filho de Ana Joaquina de Rezende,   neta da Ilhoa Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó;

13.Josefa Maria de Jesus, casada com José Antônio de Rezende,    bisneto da Ilhoa Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó.

Observa-se que muitos filhos do Tenente-coronel Francisco e Antônia Rita, casaram-se com ancestrais meus de outras linhagens: Miranda, Chaves, Rezende, que legitimamente, independente de terem se casado, já eram meus tios-avós. Ou seja, tornaram-se meus tios-avós duas vezes, o que só estreita nossos laços.  Só com filhos de meu 7º avô André Rodrigues Chaves foram quatro casamentos.

Entre todos esses filhos, destaco o sexto filho José Ferreira de Souza, meu 6ºavô, casado com Vicência Joaquina da Silva.

 


Nota de Família: Entre os filhos de Antônia e Francisco, destaco também as irmãs Antônia e Tereza- minhas 6ª tias-avós que escondem um dos causos mais fascinantes, dramáticos e misteriosos da nossa árvore genealógica. O relato envolve uma paixão guardada por anos, rivalidades veladas e um casamento que deu muito o que falar pelo menos no livro da escritora Climeia Rezende "Engenho Velhos dos Cataguás.
 Clique no link abaixo para ler o causo completo:  

 




Sobre Santo Amaro de Camapuã-hoje Queluzito


As últimas décadas do século XVIII, o antigo arraial de Santo Amaro do Camapuã (atual Queluzito, MG) era uma região rural estratégica, calma e profundamente ligada à terra. 
O cenário onde o Capitão Francisco e Antônia Rita viveram e construíram seu patrimônio caracterizava-se pelos seguintes pontos:
1. Geografia e Rota da Estrada Real
  • O Caminho Novo: O arraial ficava colado ao eixo do Caminho Novo da Estrada Real, a rota oficial que ligava Vila Rica (Ouro Preto) ao porto do Rio de Janeiro.
  • O Relevo: A paisagem era dominada por um mar de montanhas e colinas onduladas, cercadas por densas matas nativas e cortadas por pequenos rios e riachos (como o Camapuã e o Brumado). 
2. A Transição Econômica (Do Ouro para a Roça)
  • Enquanto o restante de Minas Gerais sofria com o declínio da mineração do ouro, Santo Amaro do Camapuã destacava-se pela fertilidade de suas terras. 
  • A região transformou-se em um polo de produção de alimentos e criação de gado. Grandes fazendas, como a Fazenda Piauí do casal, garantiam o sustento próprio e abasteciam os tropeiros que viajavam pela Estrada Real.
3. A Vida Social e Religiosa
  • A Capela como Centro: A vida comunitária girava totalmente em torno da antiga Capela de Santo Amaro, construída em pedra na primeira metade do século por Amaro Ribeiro. Era ali que a vizinhança se encontrava para batizados, casamentos, missas e enterros.
  • Vila de Queluz: Em 1790, o arraial vizinho de Carijós foi elevado a Real Vila de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), passando a ser o centro administrativo e político ao qual a região de Santo Amaro respondia.
Em resumo, era uma região de fazendeiros abastados, paisagens rústicas e forte religiosidade, onde a calmaria do campo contrastava com as notícias e tensões políticas que vinham das vilas vizinhas.

 Para saber mais sobre Queluzito, antigo Santo Amaro do Camapuã, acesse os links abaixo: 

👉 Sobre Queluzito-antiga Santo Amaro do Camapuã 

👉 Queluzito- YouTube 

 

Queluzito- detalhe: Igreja Matriz de Santo Amaro e a belíssima praça em frente

 

 Para saber sobre a Fazenda do Pombal onde Antônia Rita nasceu, acesse o link abaixo:

👉Sobre a fazenda do pombal onde Antônia Rita nasceu 

  

Ruínas da Fazenda do Pombal em Ritápolis, Minas Gerais

 

 

 


 

 Sobre Salvador do Monte, Amarante, Portugal

 

Para entender as origens do Tenente-Coronel Francisco, precisamos viajar para o norte de Portugal na primeira metade do século XVIII. Quando ele nasceu, em 1731, a freguesia de Salvador do Monte, no concelho de Amarante, vivia uma realidade muito particular.

1. Uma Paisagem de Encostas e Vinhas

  • O Relevo: Salvador do Monte ficava encravada nas encostas verdejantes voltadas para o vale do Rio Tâmega. Era uma região de relevo acidentado, dominada por pequenas aldeias e lugarejos (como o próprio Louredo de Cima).
  • A Economia: A vida ali era essencialmente agrícola. A região já era famosa pela produção do Vinho Verde e pelo cultivo de cereais (como o milho, que havia revolucionado a agricultura do norte de Portugal). O cotidiano era marcado pelo trabalho duro na terra, moldando o perfil trabalhador e focado em negócios que Francisco traria para o Brasil.

2. A Administração e a Religião

  • Gouveia de Riba Tâmega: Naquela época, Salvador do Monte não respondia diretamente a Amarante, mas sim ao antigo concelho de Gouveia de Riba Tâmega, uma antiga jurisdição medieval que foi extinta apenas no século XIX.
  • A Igreja Matriz: A vida social, os registros de nascimento e a identidade da comunidade giravam em torno da Igreja Paroquial de São Salvador. Foi ali, naquele edifício de pedra, que o Padre Álvaro Coelho registrou o batismo do pequeno Francisco em 14 de janeiro de 1731, conforme o documento que analisamos.

3. O Contexto da Emigração (O "Boom" do Ouro)

  • A Febre do Ouro das Gerais: Entre as décadas de 1730 e 1750 (período em que Francisco se tornou jovem e adulto), Portugal vivia o auge da chegada do ouro vindo de Minas Gerais. O norte do país, densamente povoado e com poucas oportunidades de enriquecimento para os filhos mais novos das famílias camponesas, tornou-se o maior foco de emigração para o Brasil.
  • A Partida: Atraído pelas promessas de riqueza e comércio na colônia, Francisco aceitou o chamado de seu parente distante, o Padre Antônio da Silva dos Santos, que precisava de alguém de confiança para os seus negócios. Assim, Francisco deixou Salvador do Monte em algum momento entre as décadas de 1750 e 1760. Ele desembarcou no Rio de Janeiro e subiu a serra rumo a São João del-Rei, trazendo na bagagem a facilidade com "letras e números" que o faria prosperar rapidamente como caixeiro na venda do padre, se casaria com sua irmã e, mais tarde, se tornaria um grande proprietário de terras e Tenente-Coronel.

 

 Para saber mais sobre Salvador do Monte, acesse o link abaixo:

 👉Sobre Salvador do Monte, Amarante, Portugal 

👉 Rancho folclórico de Salvador do Monte- YouTube 

 

Salvador do Monte, Amarante, Portugal

 

 

Detalhe das sepulturas medievais no lugar Loureiro das Almas em Salvador do Monte

 

 

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