Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou hepatavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.
Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier
O Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza, meu 7º avô, nasceu em Salvador do Monte, Amarante, Porto, Portugal no dia 8 de janeiro de 1731 e foi batizado no dia 14 desse mesmo mês e ano. Consta no registro de batismo que os pais eram moradores do lugar denominado Louredo de Cima, que nos dias atuais é chamado de Louredo das Almas, pois o lugar era um antigo terreno de loureiros onde se evocavam as almas e onde existia e ainda existe a necrópole — lugares escavados na rocha onde se sepultavam os mortos em tempos antigos.
Francisco faleceu após 14 de abril de 1799, data de seu testamento. provavelmente em sua Fazenda Piauí em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais. Foi sepultado na Vila de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Ao que tudo indica, o Tenente-Coronel Francisco, meu 7º avô, em 1769 já estava no Brasil, visto que se casou nessa data. Era filho de Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo, que foram citados em 8º avós.
Em seu testamento, o Tenente-Coronel Francisco foi claro e objetivo, deixando a cargo de Antônia Rita, as disposições do funeral, bem como as disposições em benefício da salvação de sua alma: missas, esmolas, doações, essas coisas.
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| Registro de batismo de Francisco- área circulada |
Transcrição do documento de batismo do capitão Francisco
Francisco filho de Carlos Ferreira e de sua mulher Rosa
Azevedo, lugar de Louredo de Cima, nasceu aos oito dias do mês de janeiro de
mil setecentos e trinta e um e foi batizado aos quatorze do dito mês e ano...
os santos óleos por mim padre Alvaro Coelho Coadjutor, foram padrinhos o
Reverendo Abade de ... Francisco Pereira de Sampaio e Maria... mulher de Luiz...
do Lugar de Louredo, foram testemunhas o padre Luiz Correia de Abreu e Domingos
Martins e para constar fiz este assento era dia mez e ano ut supra [como acima]
O Coadjutor Alvaro Coello
O Padre Luiz Correia de Abreu
Parte do testamento de Francisco
"Eu, Francisco José Ferreira de Souza, abaixo assinado, casado com Antônia Rita de Jesus Xavier, atual morador que sou na minha fazenda do Piauhy, Aplicação de Santo Amaro, Freguesia da Real Vila de Queluz, Comarca do Rio das Mortes, filho legítimo de Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo, natural e batizado na Freguesia de São Salvador do Monte, Comarca de Guimarães, Bispado do Porto, que por quanto me considero gravemente enfermo... ... Declaro que sou casado com Antônia Ritta de Jesus Xavier de cujo matrimonio tivemos até a o presente, treze (13) filhos a saber: FELÍCIA, FRANCISCA, ANA, JÚLIA, JOSÉ, FRANCISCO, MARIA, ROSA, ANTÔNIA, THEREZA, MANOEL, MARIANA E JOSEFA. Declaro que os bens que possuo, móveis, semoventes e de raiz, são os que, por minha morte, se acharem, dos quais duas partes pertencem aos PREDITOS MEUS FILHOS, por serem meus herdeiros e por tais os instituo. Declaro que nomeio a minha mulher, Antônia Rita de Jesus Xavier, procuradora e administradora e tutora dos ditos meus filhos por reconhecer nela o bom governo, zelo e capacidade ...". Testamento aberto pelo tabelião Luiz de Souza e Mello, na presença do Juiz Ordinário da Villa, Capitão José Antonio da Silva Leão.
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| Parte final do testamento de Francisco |
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Outros dados do testamento de Francisco
Para conhecer o testamento do Capitão Francisco, na íntegra, acesse o link abaixo: 👉 Testamento transcrito na íntegra- Capitão Francisco
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Antônia Rita de Jesus Xavier, esposa do Tenente-Coronel Francisco e minha 7ª avó, nasceu em 1754 na fazenda do "Pombal" entre as vilas de São João del-Rei e São José del-Rei, hoje, Tiradentes, Minas Gerais. Ela faleceu no dia 25 de fevereiro de 1813, uma quinta-feira, com 59 anos, provavelmente na Fazenda Piauí em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais e foi sepultada no dia 26 de fevereiro, provavelmente na Igreja de Santo Amaro, em Santo Amaro, hoje Queluzito, Minas Gerais, como era seu desejo especificado no testamento.Antônia Rita era filha de Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier, já citados em 8º avós. Um dos irmãos de Antônia era o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Conjuração Mineira em 1789 e hoje Patrono Cívico do Brasil.
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| Parte 1 do testamento de Antônia- página direita a partir da seta |
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| Restante do testamento de Antônia, toda a área circulada |
Transcrição de parte do testamento de Antônia Rita de Jesus Xavier
Antônia Rita de Jesus, Filha legítima de Domingos da Silva Santos e Antônia da Encarnação Xavier, Natural e batizada na Capela de Santa Rita Da freguesia de São João Del Rei, Estando gravemente enferma, mas com o meu perfeito juízo, E temendo-me da morte faço este meu testamento na forma seguinte: Primeiramente encomendo minha alma a Deus ... ... Declaro que fui casada com Francisco José Ferreira de Souza de cujo matrimônio tivemos 13 filhos, que existem, a saber: Felícia (1), casada com o Capitão José Ferreira; Francisca Maria de Jesus (2) casada com Joaquim José da Costa Guimarães; Maria Teresa de Jesus (3) ou Ana Tereza de Jesus casada com Joaquim José de Andrade; Júlia Maria de Jesus (4) casada com Antônio José Machado; Rosa Maria de Jesus (5) casada com Joaquim Rodrigues Chaves; Maria Josefa de Jesus (6) casada com José Rodrigues Chaves; Antônia Rita de Jesus (7) casada com Eduardo Ferreira da Affonseca; Teresa Maria de Jesus (8) casada com Manoel Rodrigues Chaves; Maria Ana de Jesus (9) casada com Antônio Machado de Miranda; Josefa Maria de Jesus (10) solteira; José Ferreira de Souza (11); Francisco Ferreira (12) e Manoel Ferreira de Souza (13) os quais são meus legítimos herdeiros. Instituo por meus testamenteiros, em primeiro lugar a meu filho José Ferreira de Souza, em segundo lugar a meu filho Francisco José Ferreira de Souza, em terceiro lugar a meu genro Joaquim José de Andrade, aos quais peço muito favor..."
Para conhecer o testamento de Antônia Rita, na íntegra, acesse o link abaixo:
👉 Testamento transcrito na íntegra- Antônia Rita
- Sepultamento: Pediu para ser enterrada na Capela de Santo Amaro, em Santo Amaro do Camapuã (atual Queluzito, MG), envolta no hábito da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, da qual era membra.
- Cortejo e missas: O sepultamento deveria ser acompanhado por 8 padres, rezando cada um uma missa de corpo presente. Pediu mais 100 missas por sua alma, 25 pelas almas de seus pais, 25 pelas almas do purgatório e 25 pelas de seus escravos falecidos.
- Caridade e alforria: Determinou a distribuição de esmolas aos pobres mais próximos no dia do velório e concedeu a carta de alforria a uma escrava sua, possivelmente sua mucama.
- Paz familiar: Reforçou o pedido para que não houvesse brigas por causa da partilha de José, nem "embulhos" (confusões) com outros quatro filhos que ela já havia autorizado a arrancharem na fazenda para plantar e criar gado.
- Em 1810, um neto de Maria Helena (José Antônio de Rezende) casou-se com a filha mais nova de Antônia Rita (Josefa Maria).
- Além disso, o irmão e o sobrinho de Maria Helena eram companheiros de conspiração de Tiradentes (irmão de Antônia Rita) na Inconfidência Mineira de 1789. O irmão de Maria Helena morreu no degredo na África. Já o sobrinho, após cumprir a pena, retornou ao Brasil em 1809 e exerceu importantes cargos públicos até 1841.
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| Há possibilidade da Fazenda Piauí ter existido nas proximidades do Córrego Piauí |
O Tenente-Coronel Francisco José Ferreira de Souza e Antônia Rita de Jesus Xavier, tiveram 13 filhos, conforme consta no testamento a saber:
1. Felícia Josefa de Souza, casada com José Ferreira da Silva Teles Faião;
2. Anna Thereza de Jesus, casada com Joaquim da Costa Guimarães;
3. Francisca Maria de Jesus, casada com Joaquim José de Andrade Magalhães;
4. Júlia Maria de Jesus, casada com Antônio José Machado,
5. José Ferreira de Souza- meu 6º avô, casado com Vicência Joaquina da Silva, filha de meu 7º avô André Rodrigues Chaves;
6. Maria Josefa de Jesus, casada com José Rodrigues Chaves, filho de André Rodrigues Chaves, meu 7º avô;
7. Rosa Maria de Jesus, casada com Joaquim Rodrigues Chaves, filho de André Rodrigues Chaves, meu 7º avô;
8. Francisco José Ferreira de Souza Júnior, casado com Constança Umbelina do Sacramernto;
9. Antônia Rita de Jesus Xavier (mesmo nome da mãe), casada a primeira vez com Eduardo Ferreira da Fonseca e a segunda vez com o viúvo de sua irmã Tereza, Manoel Rodrigues Chaves;
10.Thereza Maria de Jesus Xavier, casada com Manoel Rodrigues Chaves filho de meu 7º avô André Rodrigues Chaves. Manoel tendo ficado viúvo se casou com a cunhada Antônia Rita;
11.Manoel Ferreira de Souza, casado com Maria de Miranda e Silva;
12.Mariana de Jesus Xavier, casada com Antônio Machado de Miranda Júnior, meu 5º tio-avô, filho de Ana Joaquina de Rezende, neta da Ilhoa Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó;
13.Josefa Maria de Jesus, casada com José Antônio de Rezende, bisneto da Ilhoa Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó.
Observa-se que muitos filhos do Tenente-coronel Francisco e Antônia Rita, casaram-se com ancestrais meus de outras linhagens: Miranda, Chaves, Rezende, que legitimamente, independente de terem se casado, já eram meus tios-avós. Ou seja, tornaram-se meus tios-avós duas vezes, o que só estreita nossos laços. Só com filhos de meu 7º avô André Rodrigues Chaves foram quatro casamentos.
Entre todos esses filhos, destaco o sexto filho José Ferreira de Souza, meu 6ºavô, casado com Vicência Joaquina da Silva.
Sobre Santo Amaro de Camapuã-hoje Queluzito
- O Caminho Novo: O arraial ficava colado ao eixo do Caminho Novo da Estrada Real, a rota oficial que ligava Vila Rica (Ouro Preto) ao porto do Rio de Janeiro.
- O Relevo: A paisagem era dominada por um mar de montanhas e colinas onduladas, cercadas por densas matas nativas e cortadas por pequenos rios e riachos (como o Camapuã e o Brumado).
- Enquanto o restante de Minas Gerais sofria com o declínio da mineração do ouro, Santo Amaro do Camapuã destacava-se pela fertilidade de suas terras.
- A região transformou-se em um polo de produção de alimentos e criação de gado. Grandes fazendas, como a Fazenda Piauí do casal, garantiam o sustento próprio e abasteciam os tropeiros que viajavam pela Estrada Real.
- A Capela como Centro: A vida comunitária girava totalmente em torno da antiga Capela de Santo Amaro, construída em pedra na primeira metade do século por Amaro Ribeiro. Era ali que a vizinhança se encontrava para batizados, casamentos, missas e enterros.
- Vila de Queluz: Em 1790, o arraial vizinho de Carijós foi elevado a Real Vila de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), passando a ser o centro administrativo e político ao qual a região de Santo Amaro respondia.
Para saber mais sobre Queluzito, antigo Santo Amaro do Camapuã, acesse os links abaixo:
👉 Sobre Queluzito-antiga Santo Amaro do Camapuã
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| Queluzito- detalhe: Igreja Matriz de Santo Amaro e a belíssima praça em frente |
Para saber sobre a Fazenda do Pombal onde Antônia Rita nasceu, acesse o link abaixo:
👉Sobre a fazenda do pombal onde Antônia Rita nasceu
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| Ruínas da Fazenda do Pombal em Ritápolis, Minas Gerais |
Sobre Salvador do Monte, Amarante, Portugal
Para entender as origens do Tenente-Coronel Francisco, precisamos viajar para o norte de Portugal na primeira metade do século XVIII. Quando ele nasceu, em 1731, a freguesia de Salvador do Monte, no concelho de Amarante, vivia uma realidade muito particular.
1. Uma Paisagem de Encostas e Vinhas
- O Relevo: Salvador do Monte ficava encravada nas encostas verdejantes voltadas para o vale do Rio Tâmega. Era uma região de relevo acidentado, dominada por pequenas aldeias e lugarejos (como o próprio Louredo de Cima).
- A Economia: A vida ali era essencialmente agrícola. A região já era famosa pela produção do Vinho Verde e pelo cultivo de cereais (como o milho, que havia revolucionado a agricultura do norte de Portugal). O cotidiano era marcado pelo trabalho duro na terra, moldando o perfil trabalhador e focado em negócios que Francisco traria para o Brasil.
2. A Administração e a Religião
- Gouveia de Riba Tâmega: Naquela época, Salvador do Monte não respondia diretamente a Amarante, mas sim ao antigo concelho de Gouveia de Riba Tâmega, uma antiga jurisdição medieval que foi extinta apenas no século XIX.
- A Igreja Matriz: A vida social, os registros de nascimento e a identidade da comunidade giravam em torno da Igreja Paroquial de São Salvador. Foi ali, naquele edifício de pedra, que o Padre Álvaro Coelho registrou o batismo do pequeno Francisco em 14 de janeiro de 1731, conforme o documento que analisamos.
3. O Contexto da Emigração (O "Boom" do Ouro)
- A Febre do Ouro das Gerais: Entre as décadas de 1730 e 1750 (período em que Francisco se tornou jovem e adulto), Portugal vivia o auge da chegada do ouro vindo de Minas Gerais. O norte do país, densamente povoado e com poucas oportunidades de enriquecimento para os filhos mais novos das famílias camponesas, tornou-se o maior foco de emigração para o Brasil.
- A Partida: Atraído pelas promessas de riqueza e comércio na colônia, Francisco aceitou o chamado de seu parente distante, o Padre Antônio da Silva dos Santos, que precisava de alguém de confiança para os seus negócios. Assim, Francisco deixou Salvador do Monte em algum momento entre as décadas de 1750 e 1760. Ele desembarcou no Rio de Janeiro e subiu a serra rumo a São João del-Rei, trazendo na bagagem a facilidade com "letras e números" que o faria prosperar rapidamente como caixeiro na venda do padre, se casaria com sua irmã e, mais tarde, se tornaria um grande proprietário de terras e Tenente-Coronel.
Para saber mais sobre Salvador do Monte, acesse o link abaixo:
👉Sobre Salvador do Monte, Amarante, Portugal
👉 Rancho folclórico de Salvador do Monte- YouTube
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| Salvador do Monte, Amarante, Portugal |
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Detalhe das sepulturas medievais no lugar Loureiro das Almas em Salvador do Monte
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