Pedro Matoso de Villa-Lobos e Justa Henriques Correa de Almeida

 




 PS.:

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.

 

 

 Pedro Matoso de Villa-Lobos e Justa Henriques Correa de Almeida

 

Pedro Matoso de Villa-Lobos, meu 8º avô nasceu supostamente em 1680 na histórica cidade de Évora, Portugal, de acordo com o Geneall.net. Ainda jovem, ele seguiu para o sul, onde viveu e constituiu família na região do Algarve, vindo a falecer antes de 1756 na cidade de Lagos. 

No Algarve, ele trilhou uma sólida carreira militar e institucional, ocupando cargos de grande relevância local atuando como Alferes e Capitão das forças locais. Também foi admitido em 17 de março de 1697 como Irmão da Santa Casa da Misericórdia de Lagos.
Pedro era filho do Capitão Fernão Matoso de Villa-Lobos e de Antônia da Costa Soares

 

 A Nomeação como Familiar do Santo Ofício

O cotidiano e o prestígio de Pedro Matoso de Vila-Lobos em Lagos ganharam um capítulo de grande importância histórica no ano de 1702, quando ele foi oficialmente nomeado Familiar do Santo Ofício.
Longe de ser um cargo de inquisidor, a função de Familiar funcionava como uma espécie de oficial ou correspondente local da Inquisição Portuguesa. Tratava-se de uma posição de altíssimo status social, reservada apenas à elite da época.
Para receber esse título, Pedro precisou passar por um rigoroso processo de habilitação que investigava minuciosamente sua genealogia, exigindo depoimentos de testemunhas para comprovar a chamada "pureza de sangue" — a garantia de que seus antepassados eram cristãos-velhos, sem qualquer ascendência judaica, mourisca ou herética. Essa nomeação não apenas consolidou o poder de sua linhagem no Algarve, mas também garantiu que parte de sua árvore genealógica ficasse preservada para sempre nos arquivos históricos.

As Provas Oficiais na Torre do Tombo e no CIDEHUS
Para além da tradição familiar, a nomeação de Pedro Matoso de Vila-Lobos como Familiar do Santo Ofício é um fato histórico rigorosamente documentado em Portugal.
De acordo com os registros oficiais preservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), em Lisboa, o processo de investigação sobre sua vida e genealogia teve início após um parecer da Inquisição de Évora em 1701, culminando em sua nomeação formal em 8 de agosto de 1702. O calhamaço histórico com as provas de sua "pureza de sangue" e depoimentos de testemunhas em Lagos encontra-se arquivado sob a referência:
  • Habilitações do Santo Ofício, Maço 13, Diligência 317.
Essa mesma trajetória foi mapeada e validada em estudos acadêmicos contemporâneos pelo CIDEHUS (Centro de Interdisciplinaridade em História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora), onde Pedro aparece nominalmente citado como Capitão e oficial auxiliar, consolidando sua posição na elite do Algarve setecentista. É neste mesmo estudo do CIDEHUS que meu 8º avô é citado ao lado de um de seus filhos, José Joaquim de Vila Lobos.
Trecho do estudo do CIDEHUS, onde Pedro Matoso, meu 8º avô é citado, assim como sei filho José Joaquim de Vila Lobos.
 
A Origem de um Sobrenome Medieval: Vila Lobos
Mas de onde vem o sobrenome que Pedro e Fernão carregavam? O nome Vila Lobos (ou Villalobos) tem origem toponímica e remonta à Idade Média, oriundo da vila de Villalobos na Província de Zamora, Espanha. Derivado do latim Villa luporum, significa literalmente "a vila dos lobos".
A chegada dessa linhagem a Portugal e a sua fixação posterior no Algarve e em Évora ocorreu por meio de casamentos da alta nobreza e migrações internas estratégicas:
  • Entrada em Portugal: No século XIV, Maria Rodrigues de Villalobos (neta do rei Sancho IV de Leão e Castela) casou-se com o rico-homem português Lopo Fernandes Pacheco, introduzindo o apelido no reino.
  • Fixação em Évora e Algarve: A ramificação e dispersão geográfica consolidaram-se a partir de linhagens que geraram os Lobos e Gamas de Évora. Deles procederam diretamente os ramos que se estabeleceram como grandes proprietários de terras, cavaleiros de ordens militares e administradores de morgados na região de Montemor-o-Novo (distrito de Évora) e, posteriormente, migraram rumo ao sul no Algarve, dando início à história que culminou no legado do meu 8º avô. 

 Justa Henriques Correa de Almeida, esposa de Pedro e minha 8º avó nasceu em 24 de janeiro de 1690 em Lagos, região de Algarve, Distrito de Faro, Portugal de acordo com o FamilySearch, porém não há provas, uma vez que no livro de registro de batismo da localidade falta justamente os registros dos anos 90.  Justa faleceu após 23 de novembro de 1757 em Lagos de acordo com Geneall.net. Era filha de Salvador Fernandes da Costa Corte-Real e Joana Correa de Almeida.

O Peso de Ouro da Linhagem Materna: Quem era D. Justa?
O casamento de Pedro Matoso de Villa-Lobos com D. Justa Henriques Corrêa de Almeida Corte-Real uniu os Villa-Lobos a uma das dinastias familiares mais poderosas do Algarve. Mas por que o pai de Justa ostentava o icônico sobrenome Corte-Real?
A resposta está ligada às grandes navegações portuguesas. O nome Corte-Real é uma das alcunhas de maior prestígio em Portugal. Ele foi concedido originalmente à linhagem dos navegadores e exploradores que mapearam a Terra Nova e o Canadá (como os famosos irmãos Gaspar e Miguel Corte-Real) no início do século XVI. Ao herdar esse sobrenome, o pai de Justa carregava um selo de nobreza militar, fidalguia e proximidade direta com a Coroa, o que explica por que o filho de Pedro, Salvador, preferiu usar os sobrenomes da linhagem materna ao migrar para o Brasil: era um passaporte político imbatível. 
Um Sangue Real na Árvore Genealógica: A Conexão com Leonor Teles
Para além das patentes militares e do prestígio do Santo Ofício, as investigações genealógicas sobre essa ramificação familiar revelam uma conexão fascinante com o próprio trono português. Através das linhas maternas que desaguam em D. Justa Henriques, minha 8ª avó, a árvore genealógica alcança a controversa e poderosa Rainha D. Leonor Teles (1350–1386), consorte do rei D. Fernando I de Portugal. 
Conhecida na história pela alcunha de "A Flor de Altura", Leonor Teles foi uma das mulheres mais influentes, astutas e politicamente ativas da Idade Média ibérica, tendo governado o reino como regente durante a crise de 1383-1385. Carregar o sangue de uma rainha consorte na herança familiar reforça que Pedro e Justa não faziam parte apenas da elite paroquial do Algarve, mas sim de uma complexa rede de descendentes da mais alta e antiga aristocracia lusa. 
 

Pedro Matoso e Justa Henriques se casaram no dia 25 de agosto de 1709 na Igreja São Sebastião, na localidade de Lagos, Portugal. Vale destacar que a Igreja de Santo Antônio foi construída em 1707, porém destruída pelo terremoto de 1755 e reconstruída apenas em 1769. Pedro e Justa eram pais de Salvador Correa da Costa, meu 7º avô, casado com Antônia Maria da Luz. Vale frisar que Salvador é também ao mesmo tempo meu 8º avô porque lá na frente um trineto seu casou-se com uma tataraneta.

 

 Transcrição por IA do Registro de Casamento de Pedro e Justa ( podendo conter erros)

Aos vinte e sinco dias do mes de Agosto de mil e setecentos, e nove annos nesta Freguesia de São Sebastião, cidade de Lagos em presença do Padre João Batista Sandeiro ( Landeiro) Presbítero do habito de S. Pedro por licença que para isso teve do Illm.º e R.mº Bispo de St.ª M.ª e de G.s [Governador]. Testemunhas Sargento-Mor Thomás da Costa e Sousa, Francisco Correia da Costa, Francisco da Costa de Sousa, Pedro Cunha da Costa Pedro Martins Valente , se casaraõ por palavras de prezente in facie Ecclesiae jux[ta] o Sac[ra]men[to] Concil[io] Trid[entino] e Const[ituições] do Bpdo [Bispado], Pedro de Matoso de Vilalobos filho do Capitão Fernão Matoso de V[il]alobos, defunto, e de Antonia da Costa Soares, moradora na Cid[ad]e de Evora, e D. Justa Henrique Correa de Alm[eid]a filha de Salvador Fernandes da Costa e de D. Joanna Correa de Almeida por licença do mesmo Senhor passada em vinte de Agosto deste anno, e se lhes deraõ as bençoas matrimoniais de q[ue] p[ara] se fazer termo se fez q[ue] assignamos: ( assinatura dos testemunhas)

  

Registro de casamento de Pedro e Justa, meus 8º avós- área circulada

 

Igreja de Santo António, originalmente conhecida como Igreja de Santo António dos Militares. Foi onde Pedro e Justa, meus 8º avós se casaram. É um dos principais monumentos na cidade de Lagos, Algarve, Portugal. A igreja foi encomendada pelos militares, tendo sido concluída em 1707.Foi destruída pelo Sismo de 1755, e reconstruída em 1769.

 

 

Sobre Évora onde Pedro nasceu

Entre 1680 e 1700, Évora vivia um período de transição e sobriedade, distanciada do antigo esplendor renascentista de quando sediava a Corte portuguesa. Sob o reinado de D. Pedro II, a cidade respirava uma atmosfera profundamente religiosa, intelectual e militarizada.

Este era o cenário cotidiano que moldou a infância e juventude de Pedro Matoso, meu 8º avô:

  • Atmosfera Religiosa e a Inquisição: A vida urbana gravitava fortemente em torno da Igreja. A cidade era uma das três sedes do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) em Portugal. Os autos de fé e a vigilância da ortodoxia católica impactavam diretamente a rotina e o comportamento social dos moradores.
  • Cidade Universitária: A presença da Universidade de Évora (gerida pelos Jesuítas) garantia um fluxo constante de estudantes, teólogos e intelectuais, tornando o ambiente cultural focado na erudição escolástica.
  • Urbanismo e Arquitetura: Visualmente, a Évora dessa época passava por renovações internas. Os templos medievais e góticos começavam a receber as primeiras grandes intervenções do Barroco português, caracterizadas por talha dourada e painéis de azulejos. A população vivia predominantemente dentro ou nos arredores imediatos da muralha militar.
  • Pós-Guerra da Restauração: Embora a paz com Espanha tivesse sido assinada em 1668, as marcas da Guerra da Restauração ainda eram recentes. Como capital do Alentejo, Évora mantinha uma guarnição militar ativa e fortificações estratégicas devido à proximidade com a fronteira. 
  • Sociedade e Economia: A economia local era agrária, muito vinculada à produção de cereais, olival e pecuária do Alentejo. A elite local era composta por clérigos de alto escalão, militares e uma nobreza provincial proprietária de terras. 

 Para saber mais sobre Évora acesse os links abaixo:

 👉 Sobre Évora, Portugal

👉 Évora- Centro histórico- História e Imagens 

 

Muralhas de Évora- As primeiras estruturas defensivas surgiram ainda na Antiguidade, mas o sistema de muralhas que se observa hoje resulta de sucessivas ampliações e adaptações ao longo da Idade Média e da Idade Moderna.

 

A Igreja de São Francisco começou a ser construída no final do século 15. Belíssima. No entanto, é a Capela dos Ossos dessa Igreja que concentra a maior atenção, pois foi revestida com ossos e crânios humanos retirados de antigos cemitérios da cidade. A intenção não era macabra, mas simbólica, alinhada ao pensamento religioso da época, que enfatizava a brevidade da vida terrena.


 

 

Sobre Lagos, Algarve, Portugal onde Justa nasceu, casou e viveu com pedro até falecerem

 

Lagos era a Capital do Algarve (1709–1755)

Ao contrário do que muitos pensam hoje, Faro não era a capital na época. Lagos era a orgulhosa Capital de todo o Reino do Algarve. Sendo a sede administrativa e militar da província, o Castelo dos Governadores abrigava os capitães-generais e a alta nobreza militar. 

  • O cotidiano do casal: Por ser filho de capitão, Pedro Matoso transitava nos círculos mais altos da praça militar. Eles viviam em uma cidade portuária pulsante, rica devido à pesca do atum e ao comércio marítimo, cercada por imponentes muralhas defensivas que protegiam a elite contra corsários e piratas.

O Apogeu do Ouro do Brasil (Anos 1720 a 1740)

Durante as décadas em que criaram sua família, Portugal vivia o reinado de D. João V, inundado pelo ouro vindo de Minas Gerais. Como Lagos era um porto estratégico de vigilância e abrigo de frotas, a cidade beneficiou-se dessa riqueza.

  • Foi justamente nessa época que as igrejas locais ganharam decorações fabulosas. Se eles frequentavam os cultos da elite, viram a construção ou remodelação da belíssima Igreja de Santo Antônio, famosa por sua talha dourada barroca e considerada uma das joias artísticas de Portugal.

O Apocalipse: O Terramoto e Tsunami de 1755

O ano de 1755 mudou a história da família e da cidade para sempre, embora não se possa afirmar que estavam ainda vivos quando aconteceu a tragédia. No dia 1 de novembro de 1755, o trágico Terramoto de Lisboa também atingiu o Algarve com força brutal. Mas em Lagos, o pior foi o tsunami.

  • A destruição absoluta: Ondas gigantescas de mais de 10 metros de altura galgaram e destruíram as muralhas, inundando a área habitada. Os relatos da época descrevem que o mar arrastou móveis, ouro, escrituras, colapsando as casas e as defesas. Lagos ficou praticamente reduzida a escombros.
  • A perda do status: Diante da devastação total, a capital do Algarve teve de ser transferida provisoriamente para Loulé e, mais tarde, definitivamente para Faro. Lagos mergulhou em uma profunda decadência econômica.

Se Pedro Matoso e Justa estavam vivos em 1755, eles testemunharam essa catástrofe ou foram vítimas diretas dela. Devido à onda gigante e aos incêndios que se seguiram ao sismo, muitos arquivos paroquiais da cidade perderam-se ou ficaram danificados. Após o desastre, a maior parte da população sobrevivente passou a viver precariamente em cabanas e barracas improvisadas nos arredores (como em Santo Amaro) enquanto tentavam reconstruir suas vidas.

 Para saber mais sobre Lagos, distrito de Faro, Portugal, acesse os links abaixo:

👉Lagos, Faro, Portugal 

👉Lagos, Faro, Portugal- Vídeo Youtube 

👉 Sobre o terrível terramoto em Lagos em 1755 

 

Lagos, Faro, Portugal

 


Praia D.Ana, Lagos, Faro, Portugal. Detalhe: belíssimas falésias

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha