Antônio Machado de Miranda e Ana Joaquina de Rezende

 

PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (6º avós ou hexavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na terceira linha de cima para baixo.

  

    


      


















 Antônio Machado de Miranda e Ana Joaquina de Rezende

 

Antônio Machado de Miranda, meu 6º avô, nasceu no dia 9 de março de 1749 na Freguesia de São Pedro da Ribeirinha, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Arquipélago de Açores, Portugal. Foi batizado no dia 16 de março de 1749. Ele faleceu no dia 9 de abril de 1815, um domingo, em Lagoa Dourada, Minas Gerais, Brasil. Foi sepultado no dia 10 de abril dentro da Igreja Matriz de Santo Antônio. Era filho de Antônio Machado de Miranda e Catharina Maria de Jesus, já citados antes em 7º avós.

 

Registro de batismo de Antônio- área circulada( bem rebuscado)

 

Transcrição parcial do documento 

Antônio filho de Antônio Machado de Miranda e sua mulher Catarina Maria...., nasceu em nove dias do mês de março de 1749, foi batizado na Igreja São Pedro Paroquial dessa Freguesia em dezesseis dias do dito mês.... Não deu pra decifrar mais em razão da escrita muito rebuscada e manchada. 

 

 Para ter acesso à transcrição do testamento de Antônio Machado de Miranda, meu 6º avô, clique no link abaixo:

👉 TRANSCRIÇÃO DO TESTAMENTO DE ANTÔNIO MACHADO DE MIRANDA 

 


 

Ana Joaquina de Rezende, esposa de Antônio e minha 6ª avó, nasceu em 1759 na região de Lagoa Dourada, Minas Gerais, provavelmente no final de junho ou início de julho, pois foi batizada em 5 de julho de 1759 na Capela de Nossa Senhora da Lapa da Fazenda Olhos D'Água — que na época era considerada filial da Matriz de Nossa Senhora de Congonhas do Campo, Minas Gerais.
Foram seus padrinhos o então Governador José Antônio Freire de Andrade (irmão do 1º Conde de Bobadela) e Dona Josefa Maria de Rezende, irmã de sua mãe, Ana Maria de São Joaquim.
Sobre o batismo de Ana e a divergência de datas
A escolha da Capela de Olhos d'Água para o batismo de Ana Joaquina de Rezende revela uma solução prática para os desafios de mobilidade do século XVIII. Embora a fazenda de sua família estivesse localizada nos limites rurais da imensa "Aplicação de São João" — cujo templo sede ficava no centro urbano de Congonhas do Campo —, o deslocamento até lá exigiria uma longa e exaustiva viagem a cavalo. Para poupar a recém-nascida, os pais optaram por cruzar as divisas paroquiais e realizar o sacramento na Capela de Nossa Senhora da Lapa dos Olhos d'Água (atual Entre Rios de Minas); uma ermida vizinha que, apesar de pertencer a outra jurisdição eclesiástica, ficava geograficamente muito mais próxima das terras da família.
 Sobre o ano de nascimento, alguns historiadores fazem certa confusão entre 1759 e 1760. Artur Rezende, por exemplo, garante que foi 1760; porém, José Guimarães, que estudou a fundo a genealogia das Três Ilhoas, confirma que o ano correto é 1759. E aqui vale optar pela data de Guimarães se for considerada a lógica de nascimento do primeiro filho de um casal, que costumava acontecer entre 9 e 12 meses após as núpcias. Os pais de Ana Joaquina se casaram em julho de 1758. Sendo assim, nada mais lógico que ela tivesse nascido 11 meses depois, ou seja, em julho de 1759.
A prova definitiva seria o próprio registro de batismo em mãos; porém, os arquivos de Prados no FamilySearch estão totalmente desordenados, tornando impossível adivinhar em qual folha o assento foi parar. Mas é certo que Guimarães teve acesso a esse documento original antes da microfilmagem. Soma-se a isso o fato incontroverso de o padrinho de Ana Joaquina ter sido o então governador José Antônio Freire de Andrade, cujo mandato em Minas Gerais encerrou-se justamente em 1759, impossibilitando que o ato oficial de batismo sob sua égide direta como governante em exercício tivesse ocorrido no ano posterior.
Sobre esse importante padrinho
José Antônio Freire de Andrade exerceu o cargo de governador e capitão-general de Minas Gerais entre 1752 e 1759. Curiosamente, durante 1757-1758, ele também acumulou interinamente a função de governador do Rio de Janeiro, substituindo o irmão Gomes Freire de Andrade, o 1.º Conde de Bobadela, que havia seguido resolver conflitos no sul. Vale frisar ainda que José Antônio foi pai de Francisco de Paula Freire de Andrade, cuja casa serviu de foco para as reuniões e que se tornou um dos principais membros da Inconfidência Mineira.
 
Trecho do livro " As três Ilhoas- volume 3" de José Guimarães onde consta a data de batismo de Ana Joaquina- pág 62- imagem 31. embora eu não tenha tido acesso ao registro, o próprio autor garante que a data é certa uma vez que ele passou anos pesquisando os registros originais.

 
Ana Joaquina faleceu em 15 de junho de 1812, uma segunda-feira, em Prados, Minas Gerais, e foi sepultada no dia seguinte em Lagoa Dourada, na Capela de Santo Antônio. Ela era filha do Capitão Manuel da Motta Botelho e de Ana Maria de São Joaquim (meus 7ºs avós). É importante destacar que Ana Maria, mãe de Ana Joaquina, era filha da Ilhoa Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó.
 

 Para ter acesso à transcrição do testamento de Ana Joaquina de Rezende, minha 6ª avó, clique no link abaixo:

👉 TRANSCRIÇÃO DO TESTAMENTO DE ANA JOAQUINA DE REZENDE

 


O casamento 

    Antônio Machado de Miranda e Ana Joaquina de Rezende  se casaram em 1780. O mês e o dia não foi possível saber porque o registro está rebuscado mesmo na área. Porém observando os registros no entorno foi possível deduzir que teria sido entre julho e agosto.

  

Registro de casamento de Antônio e Ana Joaquina

 

Transcrição aproximada do documento

[Margem Esquerda]

Ermida do Cor.el
Severino
Ribeiro
Ant. Mach.
Anna
Joaquina

[Texto Principal]

Aos [...]setecentos e oitenta anos, [na Ermida do Coronel] Severino Ribeiro da applicação da Capella da Lagoa Dourada, Filial desta Matriz dos Prados, sem cabimento de impedimento, e com Provisão do Reverendo Senhor Padre Bispo, e de Sua Vigaria de Vara desta Comarca;

Com licença do Reverendo Vigário Coadjutor Gabriel da Costa Rezende, e de testemunhas que estão abaixo nomeadas e assinadas, com o mesmo Padre João Antonio da silva e o coronel Severino Ribeiro de Oliveira , se casarão por palavras do ... "in facie Ecclesiae" na face da Igreja

ANTONIO MACHADO DE MIRANDA, filho legitimo de Antonio Machado de Miranda, e de Catharina Maria; natural, e baptizado na freguesia de São Pedro da Ribeirinha, da Ilha Terceira, Bispado de Angra;

Com ANNA JOAQUINA DE REZENDE, filha legitima do Capitão Manoel da Motta Botelho, e de Anna  Maria de São Joaquim, já defunta, nascida na aplicação de São Luiz, freguesia da Congonhas do Campo, e baptizada na capella de Olhos d’agua, Filial dos Prados;

Onde os moradores legitimamente se receberam em fies na forma da Constituição, e para constar fiz este assento por mim assinado ut supra.

O Coadjutor Cypriano Jose da Costa

 

PS.: Observe no registro que a cerimônia aconteceu na Ermida do Coronel Severino Ribeiro. Isso significa que Antônio e Ana Joaquina se casaram na histórica Fazenda Cachoeira, de propriedade do coronel e de sua esposa, Josefa Maria de Resende. Josefa era irmã de Ana Maria (mãe da noiva) e também madrinha de batismo de Ana Joaquina. Naquela época, era muito comum que as grandes fazendas possuíssem suas próprias capelas ou ermidas privadas, facilitando a realização de batizados e casamentos para os moradores e toda a família da região.

 

Fazenda Cachoeira onde Antônio e Ana, meus 6º avós se casaram- como era antes e como está hoje 

 

👉 ACESSE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE ESSA FAZENDA


 

 Sobre os filhos

 

Antônio Machado de Miranda e Ana Joaquina de Rezende, meus 6ºavós, tiveram 10 filhos a saber: 

1.    Antônio Machado de Miranda Junior, casado com Mariana de Jesus Xavier, filha da irmã mais nova de Tiradentes, a Antônia Rita Xavier, minha 7ª avó. De acordo com o FamilySearch faleceu em 1880 com quase 100 anos, visto ter nascido em 1781. Consta que ele se casou na Ermida do Curtume, o que prova que em 1811 quando se casaram, a família da noiva já não vivia mais na  Fazenda Piaui, conforme consta em alguns relatos de pesquisa;

2.    José Fernandes de Miranda, que foi Sargento- Mór, casado com Ana Josefa de Andrade e 2ª núpcias com Anna Rosa Umbelina de Barbosa. Consta em documento de inventário compartilhado no FamilySearch que ele faleceu em 1861 no termo da Fazenda da Estiva, lado sul do rio Paraibuna, Juiz de Fora;

3.  Maria Helena de Jesus, casada com José Cardoso Pires em 27.05.1805, na ermida do Senhor Bom Jesus dos Perdões, construída pelo pai na Fazenda Campo Alegre em Curralinho. Aliás esse registro de casamento traz uma revelação histórica importantíssima: pelo rigor das leis da Igreja na época, para haver um casamento ali, a estrutura física (paredes, teto, portas e altar) precisava estar completamente pronta e consagrada. O que provavelmente aconteceu — e gerou a confusão cronológica na tradição oral de que Ana Joaquina não teria visto a capela pronta — é que em 1814 devem ter sido finalizados os detalhes de acabamento, como pinturas, talhas douradas ou ornamentos do forro, que costumavam levar anos para serem concluídos. A certidão de 1805 prova que Ana Joaquina viu, sim, a capela de pé e funcionando. 

4. Joaquina Machado de Miranda (ou Joaquina Flávia de Rezende), casada com o alferes Francisco Gomes Pinheiro e foram viver em Carmo do Cajuru. Consta que os pais de Francisco, o capitão Manoel Gonçalves Pinheiro e de Theresa Maria da Silva, foram os desbravadores daquele região e fundadores de Carmo do Cajuru. De acordo com o testamento de Teresa em 1832, viviam na fazenda do Cajuru do curato de São Gonçalo do Pará do termo da vila de Pitangui. Quando Joaquina faleceu ele se casou outra vez;

5.  Capitão Manuel Fernandes de Miranda, casado com Esperança Maria de Jesus, esta também filha o capitão Manoel Gonçalves Pinheiro e de Theresa Maria da Silva, os fundadores de Carmo do Cajuru. Manoel Fernandes de Miranda foi um dos grandes personagens do velho distrito do Cajuru: juiz de paz por diversos períodos e capitão da Guarda Nacional;

6.  Alferes Francisco Machado de Miranda,  casado com Joana Maria de Jesus, também filha do capitão Manoel Gonçalves Pinheiro e de Theresa Maria da Silva, os fundadores de Carmo do Cajuru. Francisco foi uma das figuras mais influentes do antigo Arraial do Espírito Santo do Itapecerica (atual Divinópolis–MG). Ele consolidou-se na região como grande fazendeiro, próspero comerciante e líder político, tornando-se o primeiro Juiz de Paz do local em 1834. Quando faleceu em 1860, seu sepultamento atraiu uma verdadeira romaria de amigos para enterrá-lo, a seu pedido, dentro da antiga Matriz de Carmo do Cajuru, onde viviam seus irmãos e sobrinhos. Um de seus filhos, João Machado de Miranda, se consolidou em Patrocínio, Minas Gerais;

7.  Anna Maria de Rezende ( ou Ana Machado de Miranda), casada com João Gomes Ribeiro, este também filho do capitão Manoel Gonçalves Pinheiro e de Theresa Maria da Silva, os fundadores de Carmo do Cajuru. 

8.  Joaquim Fernandes de Miranda, meu 5º avô, foi casado com Maria Joaquina da Silva — neta de Antônia Rita de Jesus Xavier (irmã mais nova de Tiradentes), que vem a ser minha 7ª avó. Joaquim migrou para a região de Abadia dos Dourados, supostamente após a famosa "Revolução do Ano da Fumaça", que sacudiu a província em 1833. Ele era o bisavô de meu bisavô Antônio Bonifácio Machado, o querido "Vovô Tõe". Preparei um post exclusivo para contar em detalhes a fascinante história dele e essa nossa ligação com a Inconfidência Mineira. Para ter acesso a esse conteúdo, clique no link:

    👉 https://raizesgalhos.blogspot.com/2025/09/joaquim-fernandes-de-miranda-ou-machado.html

9.  Catarina Clara de Jesus, casada em 1807 com João Martins Ramos, na Ermida do Senhor Bom Jesus dos Perdões do Curralinho — capela construída por seu pai, Antônio. Este casamento é mais uma prova inequívoca de que a Ermida já estava em pleno funcionamento nessa data. O inventário de seu marido foi lavrado na antiga Freguesia de Nossa Senhora Mãe dos Homens da Bagagem Diamantina (atual Estrela do Sul, Minas Gerais) que, naquele tempo, era subordinada como Termo à Vila de Patrocínio e pertencia à Comarca de Paracatu. O fato de constar em registros que ele faleceu em Patrocínio é apenas em razão de toda a região estar ligada àquele termo. Na realidade, a localidade exata onde a família vivia, conforme aponta o documento original, era a Fazenda Santa Fé. A propriedade ficava localizada no Distrito de Santa Anna da Barra do Rio das Velhas, nome antigo do distrito que hoje conhecemos como Indianópolis (MG), município vizinho a Araguari — localidade que, em 1855, ainda era denominada Distrito de Brejo Alegre. No ano em que o inventário do esposo foi aberto, em 1855, Catarina já havia falecido.

10.  João Machado de Miranda, é o último filho de Antônio e Ana Joaquina, e sua trajetória é surpreendente. Ele estudava no seminário para se ordenar padre quando o pai faleceu em 1815. Diante disso, deixou a vida religiosa e, em 1817, casou-se com Ana Joaquina de Miranda, filha da irmã de minha 6ª avô Vicência. A família iniciou uma grande migração em direção ao oeste mineiro por volta de 1827. O quarto filho do casal ainda nasceu na terra natal, em Lagoa Dourada, mas o quinto já nasceu naquele mesmo ano na antiga localidade de Santo Antônio de Uberaba (atual Uberaba, MG). A partir daí, os registros mostram um verdadeiro "trança-trança" geográfico pela região: de acordo com dados do FamilySearch, em 1831 João vivia na Freguesia de Santana do Rio das Velhas (atual Indianópolis, MG), onde nasceu o seu sexto filho. Porém, registros da mesma época apontam que ele já atuava como Tenente no vizinho Distrito de Brejo Alegre (futura Araguari, MG), local onde, em 1840, nasceria o seu oitavo filho. Esse vai e vem pelas divisas deixa claro que suas terras faziam cercania ou ficavam na mesma região de influência de seu cunhado, João Martins Ramos.

 


 


 Sobre Antônio Machado de Miranda, meu 6º avô


 

O Mistério do Curralinho: Como um Açoriano Pobre Conquistou as Suas Terras
O processo de legalização da Fazenda do Curralinho em 1801 traz à tona um detalhe fascinante que muda a forma como imaginamos a chegada de meu 6º avô Antônio Machado de Miranda, à região. O documento oficial de 1800 é claro ao usar a expressão juridicamente precisa de que ele e o Tenente João da Costa Paes “houverão por compra” aquelas terras. Isso nos revela duas grandes verdades: primeiro, que Antônio não foi um posseiro que invadiu uma mata intocada do zero, mas sim um homem de negócios astuto que comprou o direito de posse e as pequenas benfeitorias de colonos antecessores, para só então pedir a Carta de Sesmaria definitiva ao Governador da Capitania. 
 
A segunda grande questão é: como um jovem que migrou pobre da Ilha Terceira (Açores) conseguiu capital para essa compra, em uma época em que as grandes jazidas de ouro de Minas Gerais já estavam escassas? A resposta reside na força do trabalho e nas alianças da época. Antônio soube prosperar na transição econômica da capitania, possivelmente acumulando recursos com a agricultura, a criação de gado ou pequenas faisqueiras de ouro que ainda restavam nos leitos dos rios regionais. Esse patrimônio inicial, consolidado e fortalecido pelo dote de seu casamento em 1780 com Ana Joaquina de Rezende — membra de uma das linhagens mais influentes de Prados —, deu a Antônio o "cabedal" e o respeito necessários para que os maiores oficiais militares da comarca fossem até Vila Rica jurar que ele tinha posses suficientes para governar aquela imensidão de terras. O Curralinho, portanto, não foi fruto do acaso; foi o resultado de uma trajetória de superação, inteligência e muito suor no sertão mineiro.
 

Parte 1: O Pedido das Terras (Dezembro de 1800)

Parte I: documento inicial. Antônio Machado de Miranda e o João da Costa Paes pedem formalmente ao Governador da Capitania (Bernardo José de Lorena) a doação legal de meia légua de terras na paragem do Curralinho.


Transcrição aproximada da parte I

"Dizem o Tenente João da Costa Paes, e Antonio Machado de Miranda, que elles houverão por compra huma fazenda de terras de cultura, e campos na paragem chamada o Corralinho do Termo da Villa de São Jozé, que partem com Francisco Jozé de Moura, Custodio Jozé Ribeiro, Francisco Jozé de Mesquita, e outros vizinhos do mesmo Supplicante, e porque ainda não podem legitimamente possuir sem titulo de Sesmaria, Requerem a Vossa Excellencia Se digne Conceder-lhe por Sesmaria meya Ségua de terra, no dito paragem, dentro das referidas Confrontações. Fazendo se o Pião onde convier couber."


Parte 2: A Certidão de Idoneidade (A Garantia dos Oficiais Militares)

 

Parte 2: É o documento onde as autoridades militares e locais da Freguesia de Prados e Lagoa Dourada dão as garantias sobre os requerentes. O Capitão de Milícias, o Alferes e o Porta-Estandarte assinam juntos, atestando e jurando que o Antônio e o João eram homens de respeito, tinham bens ("bastantes e suficientes") para fazer a terra produzir e não possuíam nenhuma outra sesmaria.


 

Transcrição aproximada do documento

O Cap.m Mor Ant.o da S.a, o Alf.s Joze Rib.o, e o Porta Estandarte Joaq.m Antonio da S.a, Atéstamos q' Sendo moradores no Districto da Lagoa Dourada Fregz.a de Prados, donde tambem Sã moradores o Tte. Joã da Costa Paes, e Antonio Machado de Miranda, q' por isso Slm.o p.lo noso conhecim.to q' os ditos Tte. João da Costa Paes, e Ant.o Machado de Miranda Tem qualidades de lhes averem Bastantes, e Soficientes, p.a Como tivarem qualquer Sesmaria, q' Sua Magestade Haja de lhes conceder, todo o referido he verd.e, e Sendo nesesario juramos de huas Sagem.to dos nosos Cargos. V.a Rica 3 de Dezmb.o de 1800."

 

Parte 3: O Parecer da Câmara (A Resposta e Aprovação Final)

 

Parte 3: É a resposta oficial dos oficiais da Câmara da Vila de São José (atual Tiradentes) enviada de volta ao Governador. Eles dão o "sinal verde" definitivo para a concessão da terra. Eles confirmam que o Curralinho fica no termo daquela Vila, que a propriedade já vinha sendo cultivada (por eles e por antecessores) e que não havia nenhum impedimento legal ou mineralógico para o Rei doar aquelas terras.


 

Transcrição aproximada do documento

Illustrissimo e Excellentissimo Senhor

As terras, que pedem os supplicantes por sesmaria, são sitas na paragem chamada o Curralinho do termo desta Villa; partem com os nomeados no requerimento retro, e estão cultivadas pelos mesmos supplicantes e os antecessores: distão mais de trinta legoas mais proximos desta Capital; não comprehendem agoas prohibidas, nem Rios navegaveis, nem nos consta que os supplicantes tenhão outra sesmaria, que lhes fosse concedida por este Governo; he o que podemos informar a Vossa Excellencia; que mandará o que for serviço. Villa de São Jozé em Camara de 2 de Janeiro de 1801.

 

 Para ter acesso aos documentos acesse o link abaixo:

👉 REQUERIMENTO, CARTA DE SESMARIA DE ANTÔNIO 


 A Força do Sangue: Olhando para o Passado através dos Olhos de Meu Tio- avô e primos. 

Muitas vezes, ao pesquisarmos nossa árvore genealógica, esbarramos em uma escuridão total quando tentamos imaginar as feições de nossos antepassados mais distantes. Nem sempre os nossos avós diretos deixaram fotografias. No entanto, a genética guarda segredos fascinantes e nos mostra que a força do sangue não se apaga com o tempo — ela salta gerações e reaparece viva nas linhas colaterais.
Eu não possuo uma foto do meu 5º avô, Joaquim Fernandes de Miranda. Mas,tive acesso ao retrato de seu irmão, Francisco — que migrou para a região de Divinópolis (MG). Abaixo, você pode ver a foto original do século XIX e o impressionante trabalho de restauração e colorização por Inteligência Artificial feito por seus descendentes.
Ao olhar fixamente para os olhos azuis profundos, o formato do nariz e os lábios firmes de Francisco, a escuridão do passado se dissipa. Esse homem, vestido com a elegância típica de sua época, carrega o "molde" biológico da minha família. É impossível não se arrepiar ao cruzar essa imagem com as fotos dos meus familiares mais próximos: esses mesmos traços físicos e o olhar marcante viajaram pelo tempo e moldaram perfeitamente o rosto do meu próprio pai, do meu avô e do meu bisavô.
Os genes não mentem. Através dos olhos e das feições de alguns primos do passado, que compartilho abaixo, ganhamos o direito de enxergar, finalmente, o rosto dos nossos pioneiros.

 

Fotografia do filho de Antônio Machado e Ana Joaquina: meu 5º tio-avô, o alferes Francisco Machado de Miranda em três versões, a original e melhorada pela IA. Dá para se ter uma noção de como era esse povo.

 


 
José Machado de Miranda, filho mais velho de meu 5º tio-avô Francisco que formou a família Machado Gontijo em Divinópolis/MG.

 

Fotografia do filho do meun 5º tio-avô Alferes Francisco Machado de Miranda: João Machado de Miranda que veio para Patrocínio, Minas Gerais e foi vereador, presidente da Câmara Municipal e assumiu o cargo de Agente Executivo (o equivalente a prefeito na época) no ano de 1881. Um de seus netos foi o maior poeta de Patrocínio: Massilon Machado e uma sobrinha escritora, Lindalva Machado, mãe da economista Dorotea werneck que chegou a ser ministra.

 

 

Filho caçula de meu 5º tio-avô Francisco,filho de Antônio e Ana Joaquina. Esse tem o mesmo nome do pai e consta que era juiz de Paz.

 

Filho de minha 5ª tia-avó Joaquina Flávia: Manoel Gomes Pinheiro e sua esposa




Para saber sobre a localidade onde nasceu e viveu até vinte e poucos anos o meu 6º avô Antônio Machado de Miranda,  acesse o link abaixo:

👉Sobre Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores Portugal 

Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal

 

 Para saber sobre a localidade onde nasceu  e foi sepultada minha 6ª avó Ana Joaquina de Rezende, acesse o link abaixo:

👉 Sobre Lagoa Dourada, Minas Gerais

👉Vídeo Lagoa Dourada, Minas Gerais 

Vista aérea de Lagoa Dourada. Detalhe: Igreja de Santo Antônio


Para saber sobre a Capela de Nossa Senhora da Lapa de Olhos d'Água, onde minha 6ª avó Ana Joaquina, foi batizada,  acesse o link:  

👉Sobre a capela Olhos D'agua

 

Capela Olhos D'Agua

 


 


 


 


 

 


 

Capela Senhor Bom Jesus dos Perdões

 

Porém, quanto a esse fato há algumas controvérsias, pois, alguns relatos afirmam que a origem da capela está ligada a uma promessa feita pela esposa do Barão de Cocais, para convertê-lo. No entanto há alguns pontos a considerar sobre esse relato da promessa: a capela foi construída no final do século XVIII e nessa época, Barrão dos Cocais ainda era uma criança, pois nasceu em 1792 e não houve outro Barão de Cocais; depois Barão dos Cocais nasceu e morreu em Santa Barbara, uma localidade distante de Curralinho, em torno de uns 200 km.  Além disso, em um poema criado pelas pessoas de Curralinho dos Machados para contar essa história, embora falem de certo Barão, não citam o nome do mesmo, porém, citam o nome da esposa, fazendo alusão a uma certa Ana. Vale frisar que a esposa do Barão dos Cocais era Antônia e não Ana. Ana era a esposa de meu 6º avô.  O tal Barão pode ter sido sim meu 6º avô. E Barão dos cocais possivelmente pode ter ido em peregrinação à essa capela para cumprir a promessa.  O fato é que quando uma história chega ao final já passou por tantas bocas, que a original acaba se perdendo e não há documentos que comprovem. 

Poema que conta a história da criação da Capela Senhor Bom Jesus de Perdões
  

 


 
Considerando esse detalhe é fácil deduzir como Antônio Machado de Miranda e Ana Joaquina de Rezende se conheceram. 

Eles se casaram em 1780. Não foi possível saber dia e mês, pois o registro do casamento está borrado. A cerimônia aconteceu na pequena ermida da Fazenda Cachoeira, de propriedade de seus padrinhos — o Coronel Severino Ribeiro e Josefa Maria de Rezende, irmã de sua mãe. Foi uma cerimônia simples, com as bênçãos do reverendo e do padre coadjutor Gabriel da Costa Rezende, seu tio. Após o enlace, Ana Joaquina seguiu com Antônio para a Fazenda Campo Alegre.

Um fato interessante é que quando se casou vivia com seus tios na Fazenda Engenho Velho de Cataguás, com a irmã de sua mãe, Maria Helena e o Capitão José Antônio, conforme o Capitão mesmo afirma em seu testamento.  Porém não é possível afirmar, pois embora esteja ilegível e o nome comece com A, o próximo nome é Maria Joaquina e não Joaquina de Rezende. Consta que ela teve uma irmã de nome Maria, mas nada há de registro sobre ela, podendo ter falecido ainda criança.

 
 
Curralinho dos Machados nos dias atuais. Da Fazenda Monte Alegre resta apenas a capelinha Senhor Bom Jesus de Perdões  bem lá no final da estrada
 
 

 Como já dito antes, Ana Joaquina de Rezende, minha 6ª avó faleceu em 15 de junho de 1812 em Prados, Minas Gerais e foi sepultada no outro dia em Lagoa dourada, Minas Gerais, na Capela de Santo Antônio. No dia 07 de junho de 1812, um domingo, oito dias antes de seu óbito, possivelmente muito enferma, redigiu seu testamento. O testamento foi escrito por seu primo Padre Julião Antônio da Silva Rezende, filho de Maria Helena, irmã de sua mãe e minha 6ª tia-avó.

Entre as determinações contidas no testamento, Ana Joaquina ordenou que, quando falecesse, seu corpo fosse sepultado na capela de Santo Antônio da Lagoa Dourada, envolto em hábito à eleição de seu testamenteiro, e na mesma sepultura de sua saudosa mãe Ana Maria de São Joaquim, falecida há 40 anos. Dentre as determinações consta doação em dinheiro para algumas netas que eram também suas afilhadas; doação para Nossa Senhora dos Remédios na vila de São João Del Rei ou onde houver; manda rezar também oito missas pela alma de seu pai falecido antes de junho de 1812, mesmo ano em quem ela faleceu, provavelmente poucos meses antes ou até mesmo poucos dias já que não há uma data específica. No testamento Ana manda rezar também mais oito pela alma de sua mãe, mais oito missas para sua própria alma. Além disso, como fazia parte da irmandade de Nossa Senhora das Dores e também da Irmandade das Almas na freguesia de Prados, manda que se celebre três missas para seus irmãos falecidos e vivos dessas irmandades.

Algo que me deixou a pensar foi o fato de Ana Joaquina ter feito seu testamento na Fazenda Cachoeira, como relata-se, uma vez que ela residia na Fazenda Campo Alegre. Cumpre ressaltar que a Fazenda Cachoeira pertencia à sua tia Maria Josefa de Rezende, irmã de sua mãe Ana Maria de São Joaquim, e o padre Julião que redigiu o testamento era primo de Ana Joaquina, porém filho de outra tia a Maria Helena de Jesus. Essa fazenda Cachoeira na época pertencia à freguesia de Nossa Senhora da Conceição dos Prados. Talvez Ana Joaquina estivesse visitando a tia Josefa, viúva de 69 anos e por lá adoeceu e faleceu já que consta que faleceu em Prados. Difícil adivinhar as circunstâncias. 


 


 





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

ÍNDICE 8º AVÓS OU OCTAVÓS - ACESSO PELOS LINKS ABAIXO

ÍNDICE 7º AVÓS OU HEPTAVÓS - ACESSO PELOS LINKS ABAIXO