Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier
PS.:
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier
Domingos da Silva dos Santos, meu 8º avô, nasceu em maio de 1698, na localidade de Molares de acordo com Family Search, município de Celorico de Basto, região do Minho, distrito de Braga, Portugal. No livro de Lucas Figueiredo, contudo, consta que ele nasceu em Santo André de Codeçoso, mas na verdade, ele foi batizado nessa localidade.
A Freguesia de Codeçoso (por vezes referida com Santo André como padroeiro) é uma localidade no município de Celorico de Basto, com 10,7 km² de área e 388 habitantes (censo de 2021). Situada na região norte, destaca-se pelas festas em honra de Santo André, que incluem tradições como a desfolhada e magusto, retomadas recentemente com apoio da Fundação Manuel António da MotaPegar o registro para inserir.
Já Molares é uma localidade portuguesa do Município de Celorico de Basto, como já dito, que foi sede da extinta Freguesia de Molares, freguesia que tinha 3,07 km² de área e 621 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 202,3 hab/km².
A Freguesia de Molares foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Veade e Gagos, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Veade, Gagos e Molares coma sede em Veade.
No registro de batismo de Domingos, meu oitavo avô, consta que foi batizado no dia 15 de maio de de 1698 por Padre Antônio Teixeira na Freguesia de Santo André de Codeçoso e que os pais eram moradores da aldeia de baixo. No século XVII, em Portugal, era muito comum dividir povoados entre "Lugar de Cima" e "Lugar de Baixo",ou Aldeia de Cima/Baixo. Geralmente, a "Aldeia de Baixo" ficava mais próxima de vales, rios ou terras férteis de cultivo. Pode-se dizer que “Aldeia de Baixo" é como um bairro ou um núcleo populacional dentro da freguesia. Naquela época, as freguesias eram vastas e compostas por vários pequenos aglomerados de casas, as aldeias.
Na freguesia de Santo André de Codeçoso (Celorico de Basto), isso indica que o meu oitavo avô vivia na parte mais baixa do relevo dessa aldeia principal.
O fato de constar Molares como local de nascimento no FamilySearch, pode ser por diversas causas, considerando que Molares e Codeçoso (Santo André) são freguesias limítrofes dentro do mesmo concelho de Celorico de Basto. A distância entre as igrejas paroquiais das duas é de apenas cerca de 5 a 6 quilômetros.
A questão de meu oitavo ter sido batizado em Santo André e não Molares, não foi possível saber, embora se possa deduzir que, como o registro diz que eles eram moradores da "Aldeia de Baixo" em Santo André, é muito provável que a casa da família ficasse na fronteira entre as duas freguesias, mesmo que a propriedade cruzasse a fronteira das mesmas. Se a casa ficava fisicamente mais perto da Igreja de Santo André do que da de Molares, os pais atravessavam o limite para facilitar o batismo, que deveria ocorrer nos primeiros dias após o parto, conforme o costume. Mas claro, pode haver outras causas, como por exemplo: muitas vezes, um padre atendia duas paróquias. Se o padre de Molares estivesse ausente, o registro acabava caindo no livro da outra Paróquia. De qualquer forma, as duas freguesias tinham o mesmo padroeiro, o que facilitava a circulação dos fiéis, unidos na mesma devoção.
É muito pano para manga e espichando ainda mais o tecido, ao termino do registro o Padre Antônio Teixeira faz uma designação do local do batismo: Freguesia de Santo André, lugar chamado codusozo( Codeçoso nos dias atuais), Canto de Nossa Senhora de Oliveira, do termo da Vila Nova de Frecheiro de Basto, Braga. Frisando que, Vila Nova de Freixieiro (hoje Celorico de Basto), era um antigo Concelho (município), do qual faziam parte tanto Molares quanto Codeçoso, o que reforça que a família de meu oitavo avô vivia circulando dentro da mesma jurisdição administrativa local.
Sobre Canto de Nossa Senhora de Oliveira, cumpre frisar também uma justificativa: o termo "Canto" (ou couto),refere-se a uma antiga organização de privilégios e limites religiosos que já não existe da mesma forma como nos tempos medievais. Naquela época, um Couto era uma terra que gozava de imunidade e privilégios fiscais , ou seja, não entrava lá a justiça real, apenas a do senhor da terra. Mas porque dentro de Codeçoso? Porque a paróquia de Santo André de Codeçoso era o território religioso maior. Dentro desse território, existiam pequenas "ilhas" de jurisdição. A menção a Nossa Senhora da Oliveira indica que aquela área específica pertencia ou era administrada por uma entidade ligada a essa devoção, provavelmente a Colegiada de Guimarães, que era a grande dona das terras de N. Sra. da Oliveira na região.
Bem, foi nessa região complicada de entender que Domingos da Silva dos Santos, meu oitavo avô, nasceu, foi batizado e viveu até resolver vir para o Brasil em meados do século XVIII.
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| Registro batismo de Domingos da Silva dos Santos, meu 8º avô |
Domingos, meu oitavo avô faleceu no dia 12 de dezembro de 1757, com 59 anos, em São José del- Rei, hoje Tiradentes, Minas Gerais, Brasil. Era filho de André da Silva e Mariana da Motta, nascidos e falecidos em Portugal nessa mesma região.
Para saber sobre essa Localidade de nascimento de Domingos acesse os links abaixo:
👉Município de Celorico de Basto, Braga, Portugal, onde se situa as freguesias de Molares e Codeçoso
👉Sobre Molares, Celorico de Basto, Portugal
👉Sobre Codeçoso, Celorico de Basto, Portugal
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| Adega Molares tradicional na fabricação de vinho, Molares, Celorico de Basto, Portugal |
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| Codeçoso, Celorico de Basto, Portugal- detalhe Igreja com parede estilo Chão |
Antônia da Encarnação Xavier, esposa de Domingos dos Santos da Silva e minha 8ª avó, nasceu em abril de 1721 e foi batizada no dia 12 desse mês de 1721, em São José del- Rei, hoje Tiradentes, Minas Gerais e faleceu muito jovem, com 34 anos, também nessa localidade, em 6 de dezembro de 1755. Era filha de Domingos Xavier Fernandes também vindo de Minho Portugal na época da corrida do ouro em Minas, e Maria de Oliveira Colaça, também chamada de Maria de Sá.
Para saber sobre São José del-Rei, hoje Tiradentes, Minas Gerais, onde nasceu Antônia da Encarnação Xavier, onde ela viveu, casou-se com Domingos e onde ambos faleceram, acesse os links abaixo:
👉Sobre Tiradentes, Minas Gerais
👉Imagens Tiradentes, Minas Gerais
👉Ruinas da Fazenda do pombal, Minas Gerais- onde viveu meus 8º avós e nasceu Tiradentes
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| Tiradentes, Minas Gerais- detalhe Igreja de Santo Antônio |
Domingos, meu oitavo avô, veio para o Brasil nos primeiros anos dos Setecentos quando chegou a Portugal a notícia do ouro de Minas. Dessa região onde ele vivia foram muitos os homens que largaram tudo e migraram para o Brasil. A agricultura da região chegou a sofrer um colapso em razão desse abandono.
A aldeia onde meu oitavo avô nasceu era rural e bem pequena. Com poucos habitantes, conforme consta, não tinha muita importância econômica, o que o levou a buscar outros rumos assim como muitos outros. Não fosse o ouro de Minas, certamente Domingos teria tido o mesmo fim de seus tataravós, trisavós, bisavós, avós e pais, na região de Molares em Celorico de Basto. E eu não teria existido. Enfim...
É possível que ele tenha vindo antes de 1729 com seu irmão caçula Manoel da Silva dos Santos, pois consta que este irmão se casou em Prados, Minas Gerais, em 1729.
Quando Domingos da Silva Santos chegou à região de Minas Gerais, ele encontrou um cenário muito diferente da agricultura de subsistência de Celorico de Basto. O sistema de sesmarias (distribuição de terras pela Coroa) e a exploração mineral criaram uma nova elite. E ele fez parte dela quando construiu a Fazenda do Pombal.
Os outros irmãos de Domingos eram todas mulheres e faleceram em Celorico de Basto, Portugal. Portanto nenhuma esteve no Brasil, senão esse irmão de Domingos. Mas porque seu irmão sendo mais novo casou-se em 1729 e ele, Domingos apenas em 1738 e já com 40 anos? Na verdade, conforme conta o escritor Lucas Figueiredo em seu livro, Domingos preferiu gastar os anos de sua juventude tentando fazer fortuna não se importando em formar família. Apesar disso teve uma filha, a uem assumiu, mas continuou solteiro. Em seu testamento datado de 1751, cita uma filha que tivera ainda solteiro. Enfim...
.Sobre minha 8ª avó Antônia da Encarnação Xavier, como já dito, nasceu em São José del-Rei, hoje Tiradentes, Minas gerais. Para compreender sua história, ou talvez, o complô do destino, é preciso falar de seus pais. Seu pai Domingos Xavier Fernandes, veio de Portugal, da região de São Tiago da Cruz, ou simplesmente Cruz, Vila Nova de Famalicão, Braga, Portugal. Não há uma data precisa, mas conforme consta em 1716 ele já se encontrava em Minas Gerais, pois casou-´se em outubro desse ano , no dia 21. E em 1 fev de 1723, ele foi designado para o cargo de Provedor dos Quintos do distrito de Bichinho, em Sao Jose Del-Rei, hoje Tiradentes. Ou seja, ele era incumbido de cobrar o imposto nessa localidade, o tal “quinto real”, ou “dos infernos”, uma taxa de 20% sobre a produção do ouro. Dizem que esse imposto era cobrado quase que a força pelos provedores que iam nessa missão acompanhado de soldados e escravos armados. Ou seja, ninguém escapava da malha fina.
Ainda segundo relatos do livro “Engenho Velho do Cataguás” da autora Climeia Rezende, foi na mesma época e embarcação que João de Rezende Costa, meu 8º avô que se casou com a Ilhoa Helena Maria e Diogo Silva que se casou com Júlia da Caridade, irmã de Helena Maria. Já Domingos Xavier se casou com uma paulistinha, a Maria de Oliveira Colaça, cujos trisavós maternos eram portugueses açorianos, Ilha de São Miguel, que vieram para o Brasil nos anos 1600 e se instalaram em São Paulo, que na época era uma vila pequena e pobre, mas que no final do século se tornou o ponto de partida das bandeiras que não demorariam a descobrir as riquezas do sertão mineiro.
Bem, sobre os “três mosqueteiros”, Diogo, João e Domingos( meu nono avô), eleschegaram em uma vila na Comarca do Rio das Mortes, o Arraial Velho de Santo Antônio (hoje Tiradentes), quase que ao mesmo tempo em que chegava também, uma caravana vinda da Capitania de São Paulo, especificamente da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos. Nessa caravana vinha um tal de Antônio Oliveira Setúbal, pai daquela que viria a ser a esposa de Domingos. O nome dela era Maria de Oliveira Colaça, conhecida como Maria de Sá, uma menina miúda, de aspecto frágil, cabelos e olhos escuros e cansados, vestida de preto, que no lombo de uma mula, chegara com a família e os burros encargueirados de tralhas, como bem romantizou Climeia em seu livro “ Engenho Velho do Cataguás”, o que possivelmente tinha fundamento, ainda que oral.
A notícia do ouro abundante na Capitania de Minas Gerais fez a família da paulistinha picar a mula da Capitania de São Paulo. Incrível como o brilho do ouro levava as pessoas às raias da loucura, a ponto de se aventurarem pelos rincões de matas fechadas e tenebrosas, arriscando-se a encontrar tribos de índios ferozes. Mas, claro, a comitiva de Maria Colaça, minha 9ª avó, atravessou também belas e enormes planícies e vargedos, montanhas e ribeirões. Pouco importava se tomaram sol, chuva e frio. O Importante é que chegaram e que haviam conseguido comprar um sítio naquelas redondezas do Arraial de Santo Antônio, hoje Tiradentes, onde pensavam em trabalhar com agricultura, uma vez que alguém precisava pensar na alimentação, ao invés de só minerar.
Com relação ao sobrenome “Colaça” de Maria, a mãe de Antônia da Encarnação Xavier, minha 8ª avó, cumpre frisar que a família foi uma das mais antigas da Capitania de São Vicente em São Paulo. Mas foi em Minas Gerais que Maria, encontrou o seu destino, ou seja, a tampa de sua caçarola para os mais objetivos. Não fosse isso, provavelmente eu não teria existido.
Conforme relatos, digamos, novelescos, de Climeia Rezende, foi em uma missa de domingo que Domingos Xavier avistou Maria ajoelhada, rezando com devoção. Certamente um véu de renda cobria seu rosto, como era costume. Mesmo assim a visualizou. Não era uma bela jovem. Mas que opções Domingos tinha naqueles rincões ermos? Era pegar, antes que outro se adiantasse. Afinal ouro que brota do chão logo arruma dono.
Para Maria que já estava na idade de se casar, não havia também muitas opções naquele vilarejo de aventureiros. O pai preocupado com a situação, pediu ajuda a um certo Capitão-Mor Manoel Gonçalves Vianna que estava nas redondezas há mais tempo, logo devia conhecer algum moço de boa índole. O capitão mexeu seus pauzinhos e conchavou o casamento de Maria com Domingos Xavier que já estava de olho na moreninha. Isso nos relatos de Climeia em seu livro “Engenho velho do Cataguás”. Se é verdade? Provavelmente, desconsiderando os aumentos e cortes nas histórias passadas de boca em boca. Enfim...
Bem, formalizado o casamento, Domingos Xavier e Maria tiveram alguns filhos, ou melhor filhas, sendo 5, conforme consta no livro Velhos Troncos Mineiros, entre elas, Antônia da Encarnação Xavier, minha 8ª avó que se casou com Domingos da Silva dos Santos, meu 8º avô, como já dito antes.
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Trecho do livro Velhos Troncos Mineiros, onde consta dados da família de Antônia da Encarnação Xavier, minha 8ª avó
Conta-se que Domingos da Silva era amigo do Pai de Antônia da Encarnação, o xará Domingos Xavier. A diferença de idade entre eles era apenas 15 anos. Inclusive, foi o pai de Antônia, Domingos Xavier, que ajudou o genro Domingos da Silva, a escolher e comprar terras com bons veios de ouro. Com certeza a Fazenda do Pombal.
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| Ruínas da Fazenda do Pombal |
Meus 8º avós Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier se casaram no dia 30 de junho de 1738 em São José del- Rei, Minas Gerais. Provavelmente se casaram na Igreja Matriz de Santo Antônio. Antônia da Encarnação tinha 17 anos quando se casou e Domingos 40, ou seja, 23 anos mais velho que a esposa.
Depois do casamento, Domingos e Antônia da Encarnação foram viver na bela e imensa fazenda do Pombal, onde trabalharam com exploração de pecuária, extração de açúcar e mineração de ouro. Contudo,o escritor Lucas Figueiredo aponta em seu livro que em 1755, Domingos tinha apenas uma vaca e um bezerro. Mas possuía dezenove porcos e apenas dois cavalos. Mas possuía uma lavra de ouro. Possuía também trinta e seis escravos. Um plantel três vezes mais que média na região.
E falando em ouro, nesse ano do casamento, o outro de Minas rendeu quase onze toneladas, que seguiu a maior parte para Portugal. pouco ficava no Brasil. Mas Domingos e Antônia conseguiram abocanhar um pouco desse quinhão que ajudou a construir seu patrimônio.
Bem, foi na Fazenda do Pombal que nasceram os seus filhos, entre eles, Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira. Logo Pombal é o berço daquele que morreu pela liberdade do país. Pena que só restam desse lugar as ruínas do engenho e do que teria sido o alicerce da casa.
Bem, além de cuidar da Fazenda do pombal, cuidando de agricultura e mineração, Domingos da Silva, meu 8º avô, possuía também outras funções. Em 1746, por exemplo, ele exercia o cargo de Inspetor encarregado da medida dos pesos e medidas na Câmara da Vila de São José Del Rei, Minas Gerais, uma ocupação denominada Almotacel. Foi nesse ano de 1746 que nascia o quarto filho, de Domingos e Antônia, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Domingos, meu 8º avô, também foi vereador por volta de 1755, quando sua filha mais nova, a minha 8ª avó Antônia Rita Xavier tinha 1 ano. Esse também foi o ano em que ficou viúvo.
Interessante ressaltar também que Antônia da Encarnação e Domingos sabiam ler e escrever, o que não era comum naquele tempo. Eles também se preocupavam com a educação dos filhos. Tiradentes, por exemplo, sabia ler e escrever melhor que muitos letrados da época e entendia de vários assuntos. Quando se envolveu com os ideais republicanos vivia procurando livros e dicionários nas livrarias, tanto que o chamavam de “gramaticão”.
Bem, conforme relatos, em 1751, Antônia da Encarnação ficou gravemente enferma. Dizem que foi uma febre puerperal, ou seja, depois de um parto. Não há especificação de filho nascido nesse ano, possivelmente, o filho não sobreviveu. Por essa ocasião, em 1751, Antônia da Encarnação temeu a morte e redigiu seu testamento em comum com seu esposo Domingos que também estava adoentado. Conta-se que quando redigiram o testamento estavam ambos deitados em uma cama em um canto na casa onde estavam hospedados em São José del-Rei. O próprio tabelião foi encontrá-los para formular as regras de praxe do testamento.
Domingos e Antônia da Encarnação sobreviveram e ela teve ainda outros filhos, como Antônia Rita, minha 7ª avó. Porém, um outro parto complicado acabou por tirar-lhe a vida em 1755, após uma infecção e uma febre intermitente. Estava apenas com 34 anos. Deixou o filho mais velho com 17 anos e a mais nova, minha 7ª avó Antônia Rita com pouco mais de 1 ano de idade.
Conforme consta em seu testamento, quando faleceu, Antônia da Encarnação deixou para os filhos, um espólio avaliado em 10:480$000(dez contos e quatrocentos e oitenta mil réis), que seriam usados apenas quando atingissem a maioridade. Naquele tempo era um bom pé- de- meia.
De acordo com Lucas Figueiredo, quando Antônia faleceu, Domingos cuidou de tudo sozinho, comprou mortalha, chamara um padre para celebrar a missa de corpo presente, fez o enterro e vivia o luto com os filhos há quarenta e seis dias quando foi intimado pelo Juiz de órfãos a cumprir as providências formais, ou seja, a abertura do testamento e a listar os bens.
Apesar de não possuir uma grande fortuna, Domingos tinha um patrimônio respeitável. Mas também havia dívidas e não eram poucas. Vale frisar o imenso investimento feito na construção da capela e compra de imagens sacras. Os credores eram principalmente as entidades da qual faziam parte. Só à Ordem Terceira de São Francisco devia cem mil réis de esmolas. Só as dívidas com as entidades dariam para comprar trinta e dois bois. Vale ainda destacar que havia despesas em aberto no açougue, no ferreiro e também junto a amigos, compadres e conhecidos. Apesar das dívidas, Domingos também tinha créditos a receber, pois também vivia agiotando, ou seja, emprestava dinheiro a dezenas de pessoas, valor suficiente para comprar vinte e sete cavalos.
Dessa forma, Domingos da Silva ficou viúvo, com 7 filhos menores de idade. Seguiu a vida a vida, administrando a fazenda, e ao mesmo tempo, cuidando dos filhos.
Como
na vida, às vezes acontece coisas difíceis de entender, dois anos depois, em 1757,
Domingos da Silva, marido de Antônia da Encarnação, também faleceu, deixando os
filhos menores. Até existe um ditado que diz: “Tá ruim? Pode piorar”. E piorou nem bem os filhos do casal tinham
colado os caquinhos pela morte da mãe Antônia da Encarnação. Assim, a filha Maria Vitória com apenas 14
anos teve que assumir a criação dos filhos menores. Dois anos depois ela se
casou, pensando que as coisas poderiam melhorar, mas a verdade é que se tornou
mais difícil já que foram vindo os próprios filhos.
Apesar de tudo a vida seguiu em frente, aos trancos e barrancos, com os órfãos para lá e para cá com tios ou a irmã mais velha. Enfim, dois deles, Domingos e Antônio, se tornaram Padres, José e Eufrásia se casaram. Quanto a Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes, com apenas 11 anos, ficou sob a tutela de seu padrinho Sebastião Ferreira Leitão. Alguns anos depois, em 1789, e já com 46 anos de idade, fez parte do movimento da Inconfidência Mineira que culminou em seu enforcamento e esquartejamento em uma manhã ensolarada de 21 de abril de 1792.
Quanto a Antônia Rita de Jesus Xavier, minha 7ª avó ficou sob os cuidados de sua irmã Maria Vitória até os 14 ou 15 anos e depois foi morar com o irmão, o padre Antônio, que lhe arranjou o casamento com o português, Francisco José Ferreira de Souza, que trabalhava como caixeiro de seu estabelecimento comercial.
Pombal, a fazenda onde vivia a família de meus 8º avós Domingos e Antônia, ficava situada no Campo das Vertentes, próxima ao Arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, sendo banhada pelo Rio das Mortes pelo lado direito. Passava por perto também o rio Santo Antônio. E ao longe avistava-se a imensa serra São José. A sede era como as grandes fazendas daquele tempo: a casa dos senhores em estilo colonial, assim como a capela, a senzala e o engenho. Relata-se que a casa da Fazenda do Pombal tinha dois andares, sendo que a parte superior era a residência e a inferior era a oficina, senzala e engenho.
De acordo com Lucas Figueiredo, apesar da beleza da casa, tudo era muito simples. Apesar de haver muitos pratos, não havia talheres para todos. Mas havia uma mesa grande com gavetas, seis cadeiras, dois tamboretes, uma única cama com armação de ferro, outros meios de dormir eram em esteiras. Tinham também sete candeeiros e dois castiçais para velas. Possuíam ainda uma espingarda, trinta enxadas, nove alavancas, doze foices e cinco machados. Na cozinha tinha forno, tachos e utensílios para aquecer líquidos. Tinha também bacias e jarros para higiene. Não havia muito ouro em pó em casa, mas o suficiente para comprar noventa porcos e três burros. Bem, o que faltava de luxo na casa, Domingos se excedia na devoção religiosa. Para construir a Capela, por exemplo, ele empenhou mais de cem mil réis, o equivalente a 3% do valor da fazenda. E esmerou-se em gastar uma fortuna com as imagens de Jesus Crucificado, duas Virgem Maria, São Francisco, Santo Antônio, São Sebastião e São Gonçalo, além de missal, cálice para hóstia e ornamentos para o altar.
Apesar de religioso, Domingos, meu oitavo avô um senhor duro som seus escravizados, pois na fazenda havia também um tronco e um grilhão de ferro, sem contar que contratava capitães do mato, os temíveis caçadores de negros fugitivos.
As ruínas que existem dessa fazenda, em blocos de pedra, fazem parte do pavimento inferior da sede, ou seja, do engenho, senzala e muros. Tal monumento erguido sobre pedras, realça a posição social de meus 8º avós. Além da posição social, possuíam também uma posição religiosa.
De acordo com o escritor Lucas Figueiredo, Domingos e Antônia eram cristãos e mantinham laços com a Igreja, sendo formalmente ligados à Ordem Terceira da Capela de São Francisco e às Irmandades do Santíssimo Sacramento e das Almas. Frisando que eram “cristãos velhos” de sangue limpo, conforme registros oficiais, ou seja, entre seus antepassados não havia judeu, mulçumano, negro, pardo. Ou seja, naquele tempo, era considerado uma família sem mácula. Enfim...
Ainda segundo, Climeia Rezende, Antônia da Encarnação era religiosa e mística e Domingos era
devoto fervoroso de Nossa Senhora d’Ajuda e havia erguido em sua propriedade, a
Ermida de Nossa d’ Ajuda. Essa Ermida foi a última construção da Fazenda a ser
demolida em razão da religiosidade que a cercava. Por fim um Bispo de Mariana
autorizou a demolição a contragosto de alguns devotos. Contudo, muitas peças
religiosas dessa Ermida foram resgatadas e fazem parte do acervo da Fundação
Museu de Arte Sacra de São João del- Rei.
Um tal Monsenhor Paiva construiu uma capela em um terreno livre do museu
em meados de 2009, onde colocou as peças sacras da Fazenda do Pombal: imagens
de Nossa Sra. d’ Ajuda, Nossa Sra. do Carmo, São José de Botas e São Francisco,
o missal, altar, portais, cômoda, trono, sino, castiçais e galhetas.
No tempo de Domingos e Antônia da Encarnação, a Fazenda do Pombal pertencia ao Termo de São João del- Rei, depois a São José del- Rei, hoje Tiradentes. Porém, hoje suas ruínas tombadas como patrimônio histórico, pertencem ao município de Ritápolis, Minas Gerais.
Domingos da Silva dos Santos, meu 8º avô, como já foi dito, faleceu em 12 de dezembro de 1757, dois anos depois do falecimento da esposa Antônia da Encarnação Xavier e foi sepultado no dia 13 em São José Del Rei, hoje Tiradentes.
Seu inventário foi redigido em 1751, em comunhão com sua esposa Antônia Encarnação que estava enferma como já foi dito também. Nesse testamento, Domingos declara ter tido uma filha de nome Clara, quando ainda era solteiro. Há suspeitas também de que teve um filho mulato. Seria o mulatinho beneficiado com uma esmola em seu testamento? O filho de uma de suas escravas já alforriada e de nome Izabel? Há relatos de que esse mulatinho era companheiro inseparável de Tiradentes quando menino e que, inclusive, teria assistido seu enforcamento no Rio de Janeiro. Enfim...
No testamento de Domingos e Antônia da Encarnação, não consta vontades, digamos excêntricas, apenas o de praxe, como a designação dos filhos como herdeiros. Não determina rezas de missa em sufrágio de suas almas, antes deixa à vontade do que ficar viúvo primeiro. Pedem, contudo, que sejam sepultados na Capela da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, pois faziam parte dessa Irmandade que prega uma vivência penitente segundo o Santo Evangelho e os passos de São Francisco de Assis. Antônia da Encarnação, minha 8ª avó, assim como Domingos, seu esposo e meu 8º avô, eram devotos da Ordem da Terceira Capela de São Francisco de Assis e também das irmandades do Santíssimo Sacramento e das Almas.
E para finalizar, meu 8º avô Domingos deixou algum “didim” para as três irmãs vivas que viviam em Portugal, Tereza, Luiza e Jerônima.
Quanto aos bens arrolados no testamento, constavam: Ouro em pó, objetos de prata, cobres, bens móveis, semoventes, imagens sacras de valor inestimável, duas casas em São José del- Rei, hoje Tiradentes, terras minerais, a fazenda do pombal e 35 escravos, quantidade de cativos que superavam a média local. Enfim...
Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier, meus 8º avós, tiveram 7 filhos. Isso porque ela faleceu muito jovem, senão teria tido bem mais. São eles, a saber:
1.
Padre
Domingos, da Silva Xavier;
2. Maria Vitória de Jesus Xavier, casada com o Alferes Domingos Gonçalves de Carvalho que passou a ser o dono da Fazenda do Pombal;
3. Padre Antônio, da Silva dos Santos;
4. Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes- mártir da Inconfidência Mineira e Patrono Cívico do Brasil);
5. José da Silva Santos, casado com Joaquina de Proença Goes e Lara e depois com Joana Maria de São José;
6. Eufrásia Maria da Conceição, casado com Custódio Pereira Pacheco;
7. Antônia Rita de Jesus Xavier (minha 7ª avó), casada com Francisco José Ferreira de Souza.

Batismo transcrito de Tiradentes
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Para ter acesso ao testamento de Domingos da Silva dos Santos e Antônia da Encarnação Xavier, meus 8º avós, clique no link abaixo:
👉 http://www.projetocompartilhar.org/docsmgaf/antoniadaencarnacaoxavier1755.htm
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