Manoel Matheus Barbosa e Ana Antônia da Cruz
PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (3º avós ou trisavós) pelo lado de minha avó paterna Valdomira Barbosa Sucupira, esposa de meu avô Fortunato Machado Rocha, conehcido como Natim. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.
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Manoel Matheus Barbosa e Ana Antônia da Cruz
Manoel Matheus Barbosa, meu 3º avô ou trisavô, nasceu por volta de 1850 em Coromandel, Minas Gerais, possivelmente na região do Bonito de Baixo, que conforme relatos, era o reduto dos Matheus Barbosa. Vale frisar que a data de nascimento é apenas uma dedução. Ele faleceu provavelmente também nessa região do Bonito de Baixo, pois era lá que possuía suas terras, conforme inventário. A data exata do falecimento não foi possível saber, contudo, o arrolamento de seus bens se deu em 19 de novembro de 1919. Isso significa que meu 3º avô, Manoel Matheus Barbosa, faleceu nesse ano de 1919.
Ana Antônia da cruz, esposa de Manoel e minha 3ª avó ou trisavó, nada consta sobre data e local de nascimento e falecimento. Mas, pela lógica faleceu depois de 1919, pois nessa data ainda estava viva, já que foi a inventariante de seu esposo. Provavelmente nasceu e faleceu no distrito de Coromandel, Minas Gerais, talvez nessa mesma região do Bonito de Baixo.
Sobre essa região do Bonito, Coromandel, Minas Gerais, vale ressaltar que foi no Rio Santo Antônio do Bonito, um afluente do Rio Paranaíba que corta a região, que foram achados sete dos doze maiores diamantes brasileiros como segue:
1. Presidente Vargas, com 726,7 quilates;
2. Santo Antônio, com 602,0 quilates;
3. Darcy Vargas, com 460,0 quilates;
4. Coromandel IV, com 400,5 quilates;
5. Diário de Minas, com 375,0 quilates;
6. Bonito I, com 346,0 quilates;
7. Vitória II, com 328,0 quilates.
Será que meu 3º avô garimpava diamantes no Rio Santo Antônio? É bem provável. Mas algo me diz que ele não ligava para essas coisas, até porque não me pareceu um homem de grandes posses de acordo com seu inventário.
Agora, sobre o inventário de meu 4º avô, o mesmo não passou de um arrolamento dos bens, ou seja, um procedimento simplificado de inventário de herança, que permite a divisão dos bens entre os herdeiros de forma rápida e menos burocrática, especialmente quando há acordo entre eles. Geralmente utilizado quando todos os herdeiros são maiores e capazes e concordam com a partilha dos bens. Eu diria bem objetivo, pois nunca entendi porque alguns inventários listavam até coisas estragadas que não tinham mais serventia, e mesmo assim tinham seu preço. Talvez o preço afetivo do que fora. E pensar que esse valor, ainda que afetivo, não escapava dos 5% de imposto. Melhor mesmo esquecer as velhas panelas, caldeirões e tachos de ferro, as enxadas e os machados... Até porque inventários bem detalhados só servem mesmo para encher os cofres públicos. Imagine pagar 5% de imposto de um tacho velho e outros até furados, os quais me deparei ao longo desses esquadrinhamentos de inventários que tenho feito.
Dessa forma, dos bens arrolados de meu 3º avô Manoel Matheus Barbosa, constam, uma pequena casa térrea, ou seja, de um pavimento, na fazenda do Bonito de Baixo, em Coromandel, Minas Gerais. O fato de constar “uma pequena casa”, logo já me vem à mente uma casa bem apertadinha às margens de um córrego para facilitar buscar água naquelas latas velhas, ou talvez até passasse um rego d’água no quintal. Me vem à mente, a sala, que com certeza, tinha apenas dois bancos toscos e compridos para as visitas se sentarem. A cozinha, essa com certeza, ficava em um nível inferior, que para adentrá-la, tinha um lance de escada, onde imagino que meu 3º avô Manoel se sentava, picando fumo para o pito de palha, enquanto minha 3ª avó Ana Antônia, às voltas com o fogão de lenhas terminava de passar o café, ou preparar a janta. Ainda sobre a cozinha, provavelmente era uma meia-água quase encostando na cabeça das pessoas, com as telhas e paredes sujas da fuligem do fogão de lenhas, este possivelmente lustrado com barro branco aos sábados, e bem lá no cantinho da chapa, um bule de café esmaltado na cor verde, talvez azul... Geralmente deixavam o bule na chapa para manter o café quente, pois naquele tempo não existia garrafa térmica no interior, embora já tenha sido inventada em 1904. Vale frisar que as garrafas térmicas no Brasil só foram lançadas em 1958 pela Termolar. Claro que devia existir as importadas, mas isso nem chegava em lugares onde “judas perdeu as botas”. Ainda sobre a cozinha desses meus trisavós, com certeza acima do fogão de lenhas tinha uma vara com linguiças de porco ou lombo de porco pendurados. E porque digo isso? Porque eu vivi esse costume e então sei como era aqueles tempos em que era preciso buscar alternativas para conservar alimentos. Pendurar linguiças acima do fogão é um método tradicional que aproveita o calor do fogo combinado com a fumaça da lenha para a secagem da carne, reduzindo a umidade e inibindo o crescimento de bactérias.
Bem, deixemos o café, as linguiças e os lombos de lado e voltemos à casa de meus 3º avós: provavelmente o piso da casa era de chão batido e para varrer era preciso chuviscar água pra não levantar poeira. De qualquer forma, com o tempo esse piso ia ficando bem duro e liso que nem poeira dava mais. Ah, ia esquecendo, as portas e janelas não tinham trancas, mas tramelas... E não duvido nada, que as paredes da casa eram de taipa, aquelas feitas com barro e madeira ou bambu. Isso era bem comum naquele tempo. Mas talvez eu esteja enganada, e a casa apesar de pequena, era de adobe e daquelas de assoalho, paredes caiadas de branco e janelas de madeira em sua cor natural. Talvez...
Dos bens de meus 3º avós, constam também uma parte de terras de culturas e campos em comum, também na fazenda do Bonito de Baixo, com quintal cercado de madeira lancer. E aqui uma pausa para frisar duas coisas: primeiro, o fato de constar que as terras eram em comum. Comum com quem? Com os filhos, que mesmo já casados viviam todos ali na mesma propriedade? Ou em comum com irmãos, que apesar da morte dos pais não dividiram as terras? Segunda coisa a frisar: o quintal cercado com madeira lancer que nada mais é que cercada de estacas bem juntas. Isso também era comum nas roças. O quintal de onde vivi minha infância tinha uma parte do quintal cercada nesse estilo lancer.
Meus 3º avós, possuíam também uma parte de terras de culturas e campos também em comum na Fazenda Santo Antônio, também no distrito de Coromandel, Minas Gerais, porém resta dúvidas quanto à localidade, mas conforme pesquisas, parece que era também na localidade de Bonito de baixo. Nada foi declarado sobre a medida dessas partes de terra, assim como não foi listado bens móveis, imóveis ou semoventes. Possivelmente meus 3º avós os tinha, mas para facilitar as coisas, preferiram omitir. Até porque era apenas um arrolamento, como já foi dito, e os herdeiros já deviam ter chegado a um acordo entre si. De qualquer forma, um inventário não é um poço de verdade, mas talvez de interesses. De forma que o Monte-Mor fechou apenas em 400$000(quatrocentos mil Réis), o que deixa claro que as partes de terras não possuíam grande extensão.
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| Relação dos bens inventariados de meu trisavô Manoel Matheus Barbosa |
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| Divisão dos bens que ficaram para os filhos com o falecimento de meu trisavô Manoel Matheus Barbosa |
O que fica desse esquadrinhamento em minha imaginação, já que foi listado apenas as terras e a sede, é só a imagem da casa e da região que provavelmente era um lugar bonito, senão não teria ganhado esse nome. Conforme consta, existem algumas belas cachoeiras na região.
E claro, fica em minha imaginação, minha 3ª avó, e Lucinda, a filha mais nova e ainda solteira, agora sozinhas na pequena casa. As paragens do Bonito de Baixo, talvez não fossem mais as mesmas para elas. Ou talvez fosse o contrário, elas é que não seriam mais as mesmas. Contudo, como sempre, a vida segue...
Por dedução, Manoel e Ana Antônia se casaram mais ou menos em 1884 e tiveram os seguintes filhos:
1. Ricardina Barbosa de Jesus, casada com Joaquim Gonçalves de Carvalho;
2. Diolina Barbosa de Jesus, casada com José Antônio Diniz;
3. Bartolomeu Matheus Barbosa, meu bisavô, com 30 anos em 1919, casado com Maria Felizardo Sucupira, os pais de minha avó paterna Valdomira Barbosa Sucupira;
4. Maria Barbosa de Jesus, casada com Joaquim Vieira Nunes;
5. Lucinda Barbosa de Jesus, solteira com 22 em 1919.
Desses filhos, destaco Bartolomeu Matheus Barbosa, meu bisavô, que nessa época tinha 30 anos de idade, portanto, nascido em 1889, casado com Maria Felizardo Sucupira. Eram pais de minha avó paterna, a vovó Valdomira.
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| Parte do Inventário de Manoel Matheus Barbosa onde consta o nome dos filhos |
Interessante que meus 3º avós Bartolomeu e
Ana, tiveram mais filhas, o único filho é meu bisavô Bartolomeu. Interessante
também observar que todas as filhas levavam o sobrenome evocativo “de Jesus”, o
que leva a questionar qual teria sido o motivo. Seria apenas uma espécie de
louvor ou seria uma forma de facilitar a troca de nomes quando se casassem?
Possivelmente as duas coisas e isso era bem comum. Interessante observar que
esses sobrenomes evocativos só aconteciam no tempo em que a mulher era
propriedade do homem e era trazida no “cortado”. Pelo menos o sobrenome
religioso, dava-lhes uma aura de santas. E então fico a imaginar minhas 3ª
tias-bisavós, assim que nasciam mulheres, iam sendo “de Jesus”, assim como a
mãe Ana Antônia foi “da Cruz”.
Sobre Ricardina, minha 3ª tia-avó, ao que tudo indica era a filha mais velha de Manoel e Ana Antônia. Lembro-me de vovó Valdomira falar sempre dela. Era “tia Ricardina” prá lá e pra cá. Era a tia querida. Ela morava em uma casinha ao lado do casarão da vovó Valdomira e vovô Fortunato (Natim). Essa casinha ainda existe meio que espremida entre duas casas, uma delas a que substituiu o casarão. Vovó ia sempre lá buscar uma erva que a gente chamava de funcho, para fazer chás para os bebês que nasciam no casarão, como eu, meus irmãos e alguns primos.
O funcho, na verdade, é a tal erva-doce, e ajudava a acalmar bebês com cólicas. Eu cresci com a ideia de que funcho era uma planta milagrosa, porque só ela acalmava os bebês. E também cresci fazendo essa relação entre funcho e minha tia-avó Ricardina, apesar de não se lembrar dela. Era algo meio que místico que tinha cheiro de reza, de cura... Não sei explicar bem. O que sei é que algum tempo depois, a erva-doce já tinha cheiro da saudade, porque meu pai adorava broas de fubá com erva-doce.
Quanto a minha tia-avó Ricardina, é possível dizer que ela representou os trisavós que não conheci: Manoel Matheus Barbosa e Ana Antônia da Cruz.
Para ter acesso ao Inventário ou arrolamento de bens de meu trisavô Manoel Matheus Barbosa, clique no link abaixo:
Para saber sobre Coromandel, Minas Gerais, onde a localidade de Bonito de Baixo se insere, clique nos links abaixo:
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
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| Coromandel, Minas Gerais. Destaque da Rodoviária à esquerda e Avenida Israel Pinheiro |
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| Fazenda Santo Antônio do Bonito de Baixo nos dias atuais. Provavelmente a que pertenceu a meus trisavôs Manoel e Ana Antônia já que o dono atual é um Barbosa, provavelmente descendente de meu trisavô |
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