Manoel Francisco de Oliveira e Maria Rodrigues
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Manoel Francisco de Oliveira e Maria Rodrigues
Manoel Francisco de Oliveira e Maria Rodrigues (meus 8º avós) eram naturais de Portugal, com origens registradas na Região Cima do Douro, mais especificamente na paróquia de São Tiago de Silvalde (grafada em fontes históricas mineiras como São Thiago do Silval), pertencente à Comarca da Feira, no Bispado do Porto.
Eles viveram na transição entre o final do século XVII e o início do século XVIII, tendo se casado em 20 de novembro de 1713, conforme consta numa fonte no FamilySearch é 20 de novembro de 1713, mas a imagem do registro que comprova foi vetada pelo site. Não foram localizados os registros exatos de batismo ou falecimento de Manoel, e a estimativa de nascimento de Maria em 1687 ainda carece de comprovação documental direta.
Vale ressaltar que esses meus 8º avós Manoel e Maria, são ao mesmo tempo meus 7º avós, porque lá na frente um trineto de ambos se casou com uma tataraneta de ambos também. Os pais da esposa do vovô Tõe.
Eles eram pais do Alferes José Francisco da Silva, meu 7º avô e também 6º avô porque bem lá na frente um bisneto seu casou-se com uma trineta sua. Os pais da esposa do vovô Tõe. Alferes José Francisco era casado com Jacinta Maria de Figueiredo
Sobre São Tiago de Sivalde
Imaginar a vida de Manoel Francisco de Oliveira e Maria Rodrigues, meus 8º avós, entre 1680 e 1713 na paróquia de São Tiago de Silvalde exige fazer uma verdadeira viagem no tempo. O cenário que eles viveram era muito diferente de hoje, marcado por uma rotina profundamente conectada à terra, à religiosidade e aos impactos geopolíticos do império português.
A vida cotidiana desses meus 8º avós durante esse período se estruturava a partir de pilares bem definidos:
A Geografia e a Economia Dupla (Mar e Terra)
Silvalde fica na transição exata onde a bacia agrícola da Comarca da Feira encontra o Oceano Atlântico. Na juventude de Manoel e Maria, a comunidade dividia-se em duas atividades fundamentais:
- A Lavoura: Sendo uma paróquia com forte traço rural, a maior parte da população sobrevivia da agricultura de subsistência. O milho (recém-consolidado na Europa após vir das Américas) dominava os campos, acompanhado de feijão, linho para tecer roupas e pequenas vinhas domésticas de onde tiravam o vinho que depois subia o rio ("Cima do Douro") para ser negociado.
- O Mar: Embora a pesca em alto-mar tenha crescido mais tarde, a coleta de algas marinhas (chamadas de sargaço) na praia de Silvalde era vital. O sargaço era usado para adubar e enriquecer as terras agrícolas da paróquia.
A Comarca da Feira e o Poder Feudal
Viver na Comarca da Feira naquele período significava estar
sob o domínio de grandes senhores de terras. No ano de 1700 (provável
juventude do casal), extinguiu-se oficialmente a linhagem direta dos Condes da
Feira, e a administração das terras e impostos passou para o patrimônio direto
da Casa do Infantado (bens do segundo filho do Rei de Portugal).
O grande ponto de referência físico e psicológico deles era o impressionante
Castelo de Santa Maria da Feira. Era ali perto que ocorria a famosa feira
regional, onde possivelmente Manoel e Maria iam para comprar sal, ferramentas
de ferro, panos finos e trocar o que sobrava de suas colheitas.
A Igreja como o Centro do Universo Social
O batismo por volta de 1680 e o casamento em 1713 ocorreram
na antiga Igreja Paroquial de São Tiago de Silvalde. Naquela época, o
pároco local funcionava essencialmente como o juiz, o cartório e a autoridade
moral da vila.
A vida social resumia-se ao calendário católico: missas dominicais
obrigatórias, festas dos santos padroeiros e as procissões. Silvalde era também
um ponto de pouso fundamental para os peregrinos que faziam o Caminho de
Santiago de Compostela, subindo a pé pelo litoral em direção à Galiza.
Manoel e Maria certamente cresceram vendo e interagindo com viajantes de vários
cantos da Europa que passavam pela famosa "Estrada de São Tiago".
O Contexto do Reino e a "Febre do Ouro" no Brasil
Durante o crescimento de Manoel e Maria, Portugal passou por
um evento que mudaria o destino da sua própria família: a descoberta do ouro
em Minas Gerais (na década de 1690).
Até então, o norte de Portugal sofria com uma altíssima densidade populacional
e terras agrícolas muito fragmentadas por heranças — faltava terra para todos
os filhos. Quando a notícia do ouro nas terras brasileiras estourou no Porto,
uma gigantesca onda migratória tomou conta da região.
Manoel e Maria casaram-se em 1713 sob a estabilidade do reinado de D. João V, período em que o império português enriquecia com a mineração americana. O filho deles, o Alferes José Francisco da Silva, nasceu exatamente sob essa atmosfera de ambição colonial. Provavelmente ouvindo histórias na feira local sobre conterrâneos do Porto que enriqueceram no Brasil, ele decidiu embarcar em um navio negreiro ou mercantil na foz do Douro para tentar a sorte nas Minas Gerais.
Saber disso ajuda a humanizar o casal: eles eram pessoas simples, de mãos calejadas pela terra ou pela lida costeira, que criaram seus filhos em uma comunidade unida pela fé e pela tradição milenar do Minho e do Douro
Para saber mais sobre essa localidade onde viveram esses meus 8º avós acesse os links abaixo:
A Praia de Silvalde, também conhecida por Praia do Pau da Manobra, situa-se em frente ao Oporto Golf Club, o mais antigo da Península Ibérica.
Esta área litoral possui um areal muito extenso e está delimitada a Norte e a Sul por pontões.
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