Manoel Fernandes e Rosa Mariana
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou heptavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.
Manoel Fernandes e Rosa Mariana
Manoel Fernandes, meu 7º avô nasceu em 31 de dezembro de 1717 na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal e foi batizado nessa mesma localidade no dia 6 de janeiro de 1718. Não consta data de falecimento nem local,pois os registros de óbito dessa localidade constam apenas de 1831 para frente. Provavelmente faleceu na mesma localidade onde nasceu, porque embora o seu filho Bartolomeu tenha vindo para o Brasil, não há notícias de que Manoel tenha vindo com a esposa Rosa Mariana. Manoel era filho de Luiz Fernandes e Maria da Conceição, já citados tanto como 8º e 7º avós.
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| Registro de batismo de Manuel-área circulada |
Transcrição aproximada do documento
Manoel filho legítimo de Luiz Fernandes e de sua mulher Maria da Conceição fregueses desta paróquia de Santo Antônio do lugar do Porto Judeu desta ilha terceira nasceo em os trinta e um dias do mês de dezembro do ano de mil setecentos e dezecete anos e foi batizado em os seis dias do mês de janeiro do ano de mil setecentos e dezoito anos nesta paróquia de seus pais por mim Antônio Cura desta mesma paróquia, foram padrinhos Francisco de Mello filho família de Manoel de Mello e de sua mulher Maria Lopes e Bárbara da Conceição filha família de Manoel Soares e de sua mulher Maria de Azevedo todos fregueses desta dita paróquia. E para constar fiz este termo que fui de assinar com as testemunhas abaixo nomeadas, dia, mês e ano ut supra [como acima]. O Cura António...
Rosa Mariana, esposa de Manoel Fernandes e minha 7ª avó, nasceu em 11 de outubro de 1714 também na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Terceira, Açores, Portugal e foi batizada nessa mesma localidade no dia 17 desse mesmo mês e ano. Não consta data de falecimento nem local. Provavelmente faleceu na mesma localidade onde nasceu, porém não registros de óbitos dessa localidade antes de 1831. Era filha de Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço, já citados tanto como 8º e 7º avós.
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| Registro de batismo de Rosa Mariana-área circulada |
Transcrição aproximada do documento
Rosa filha legítima de Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço fregueses desta paróquia de Santo Antônio do lugar do Porto Judeu desta ilha terceira, nasceo em os onze dias do mês de outubro do ano de mil setecentos e catorze e foi batizada em os dezessete dias do dito mês e ano nesta paróquia de seus pais por mim Antônio... Cura desta mesma Igreja, foram padrinhos Domingos Machado filho legítimo de Manoel Machado Rocha e de sua mulher Maria... e Maria Linhares mulher de Manoel da Rocha todos fregueses desta paróquia. E para constar, fiz este termo que assinei com as testemunhas abaixo nomeadas, no dia, mês e ano ut supra. Cura António...
Manoel Fernandes e Rosa Mariana se casaram em 23 de fevereiro de 1745 também em Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Portugal. A cerimônia aconteceu na primitiva Igreja Paroquial de Santo Antônio de acordo com o registro do casamento.
Vale ressaltar que esses meus 7º avós são também considerados 6º avós em razão de um casamento entre um bisneto seu e uma trineta sua. Ou seja, um casamento entre tio e sobrinha, a chamada união avuncular.
Manoel e Rosa eram pais de Bartolomeu Fernandes da Rocha, meu 6º avô e, ao mesmo tempo, meu 7º avô, devido a um casamento bem mais a frente entre uma bisneta com um de seus netos como já dito e repetido.
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| Registro de casamento de Manuel e Rosa Mariana- registro à esquerda |
Transcrição aproximada do documento ( muito rebuscado)
Em os vinte e três dias de fevereiro de mil setecentos e quarenta e cinco anos... nesta paróquia de Santo Antônio desta Freguesia de Porto Judeu termo da Vila de São Sebastião desta ilha 3ª... as denunciações e mais diligências... na forma do Sancto Concilio Tridentino e naõ sendo lhes outro impedimento algum nem haver outro em fruto como me constou por mandado do muito Reverendíssimo Padre ... se casaram por palavras Manuel Fernandes filho de Luiz Fernandes e Maria da Conceição e Rosa Mariana filha de Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço, ambos naturais e moradores desta mesma freguesia,na forma do Ritual Romano, lavrou-se este assento que todos assinam.
💑 Vale ressaltar que dessa união paroquial em Porto Judeu na Ilha Terceira, que parece tão perdida no tempo, foi o primeiro passo de uma longa caminhada: o nascimento dos "Fernandes Rocha" no Brasil de quem descende minha bisavó Lídia Fernandes Rocha.
Sobre Porto Judeu
o berço e vida de Manuel e Rosa Mariana
A Origem de um Nome Curioso
Antes de compreendermos o dia a dia da freguesia, vale desvendar o enigma do
seu nome. Há duas lendas na tradição local.
O Desafio do Desembarque
Reza a tradição local que, quando a expedição do povoador Jácome de Bruges alcançou a costa sul da Terceira por volta de 1450, os tripulantes hesitaram em desembarcar face ao mar desconhecido. Na embarcação viajava um homem de origem judaica e, num misto de desafio e coragem, gerou-se um diálogo célebre à beira-mar. Jácome de Bruges ter-lhe-á dito: “— Salta, judeu, senão salto eu!”, ao que o homem prontamente respondeu: “— Salto e o porto será meu!”. Cumprindo a promessa, o passageiro atirou-se à água, tornando-se o primeiro a pisar aquela terra, batizando para sempre o local como o Porto Judeu.
Uma Questão de Expressão Antiga
Outra vertente histórica liga o nome diretamente às dificuldades marítimas enfrentadas por Jácome de Bruges. Ao tentar desembarcar na ilha a 1 de janeiro, a frota foi fustigada pelo mau tempo e obrigada a abrigar-se numa pequena enseada rochosa. Como a baía era apertada e oferecia péssimas condições de abrigo, e sabendo que na Idade Média a expressão "judeu" era popularmente usada para qualificar tudo o que fosse considerado traiçoeiro, perigoso ou mau, o ancoradouro acabou por ser batizado pelo povo como Porto Judeu.
O Cotidiano e as Dificuldades da Época (1714–1780)
Viver em Porto Judeu no século XVIII significava pertencer a uma comunidade rural e marítima autossustentável. A maior parte da população dividia-se entre a lavoura e a subsistência ligada ao oceano.
- A Dureza do Trabalho da Terra: A freguesia possuía (e ainda possui) grandes áreas de pastagem e solos férteis. Os homens trabalhavam de sol a sol no cultivo de cereais (especialmente o trigo e o milho) e na criação de gado. No entanto, grande parte das terras pertencia à aristocracia de Angra ou à Igreja, o que significava que os camponeses locais viviam sob pesados tributos e regimes de colonato.
- O Mar como Sustento e Perigo: O porto de pesca local, embora oferecesse peixe para a alimentação diária, era uma enseada rochosa, apertada e muito fustigada pelo mar bravio do Atlântico (daí a própria origem tradicional do nome da vila, associada a um porto de "más condições"). As embarcações eram rudimentares e os naufrágios de pescadores locais eram uma tragédia comum que deixava muitas viúvas e órfãos na freguesia.
- Isolamento e Abastecimento: Embora estivesse próxima de Angra do Heroísmo (a capital da ilha), as estradas da época eram caminhos de terra batida ou pedra irregular, transitáveis apenas a pé ou em carros de bois. Se as colheitas falhassem devido a pragas ou tempestades, a fome batia à porta, pois o abastecimento externo dependia da chegada irregular de naus.
- A Habitação e a Dieta: As famílias viviam em casas simples de pedra basáltica vulcânica, cobertas de colmo ou telha, muitas vezes com chão de terra batida. A base da alimentação era o pão de milho, o peixe seco, o caldo de couves, inhames e, raramente, carne de porco (guardada para os dias de festa).
- A Fé como Âncora de Sobrevivência: Numa terra onde a subsistência dependia do temperamento do mar e da terra, a fé católica não era apenas uma prática religiosa, mas a verdadeira âncora que mantinha a comunidade unida. Em Porto Judeu, o sagrado e o quotidiano caminhavam de mãos dadas: os pescadores não faziam-se ao mar sem pedir a proteção de Santo Antônio, o padroeiro da freguesia, e os lavradores imploravam aos céus por boas colheitas. Diante das maiores tragédias do século XVIII — fossem as crises de fome, as epidemias ou o aterrador maremoto de 1755 —, o povo procurava respostas e forças nas procissões de penitência, nas promessas e nas festas do Divino Espírito Santo. Essa devoção coletiva funcionava como um escudo psicológico e social, transformando o medo em resiliência e garantindo que, mesmo após as maiores devastações, a comunidade encontrasse o amparo necessário para reconstruir as suas vidas.
O Impacto do Terramoto de 1755 em Porto Judeu
Ao contrário do que muitos pensam, o catastrófico Terramoto de 1 de novembro de 1755 não destruiu apenas Lisboa. O abalo gerou um maremoto (tsunami) colossal que atravessou o Oceano Atlântico e atingiu severamente a costa sul da Ilha Terceira.
Para os moradores de Porto Judeu, aquele Dia de Todos os Santos ficou marcado pelo pânico:
- O Recuo do Mar: Relatos históricos da ilha apontam que, horas após o abalo (sentido de forma leve na ilha), o mar repentinamente recuou de forma drástica na costa sul. Em Angra e nas baías vizinhas, os navios atracados chegaram a ficar "boiando em seco" no fundo do mar exposto.
- A Invasão das Águas: Pouco depois do recuo, uma enorme parede de água avançou contra a costa. Em Porto Judeu, o mar subiu à impressionante altura de 10 palmos (cerca de 2,2 metros) acima da rocha mais elevada da costa.
- Destruição na Linha de Costa: A força da enchente invadiu as partes mais baixas da freguesia, destruindo barcos de pesca, armazéns costeiros, ferramentas e habitações próximas ao litoral. As águas arrastaram detritos e inundaram terrenos agrícolas costeiros com água salgada, estragando plantações.
- O "Milagre" do Peixe: Um fenómeno curioso registado pelos cronistas da época na Terceira foi que, quando a gigantesca maré finalmente recuou, deixou espalhado pelos campos e rochas do sul da ilha uma quantidade imensa de peixes de diversas qualidades. Para uma população que enfrentava a destruição material e o susto, recolher esse peixe tornou-se um meio imediato de subsistência nos dias que se seguiram à catástrofe.
É Possível imaginar meus sétimos avós vivendo tudo isso.
Para saber sobre a localidade Porto Judeu, onde esses meus 7º avós nasceram e faleceram acesse os links abaixo:
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube
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| Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. |
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| Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. |
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