Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho.

 

   PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (5º avós ou pentavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na quarta linha de cima para baixo.

 

    


      








 

















Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina

 de Carvalho.

 

Major José Fernandes da Rocha, meu 5º avô, mas também meu 4º avô ou tataravô, nasceu em Santana do Morro do chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais, região de Conselheiro Lafaiete, conforme relatos do Blog “Raposa da Chapada” do historiador Aluízio Botelho. Não consta a data, mas é possível que tenha nascido na primeira década do século XIX. Ele faleceu no dia 22 de janeiro de 1867 de acordo com seu inventário. O Major José Fernandes Rocha era filho de Bartolomeu Fernandes da Rocha e Josefa Maria de Sant’Ana, já citados antes em 6º e 7º avós. 

Com relação ao seu título de Major, vale frisar que, na hierarquia militar, "major" é um posto de oficial superior, com patente inferior à de tenente-coronel e superior à de capitão e possui uma responsabilidade significativa de liderança e tomada de decisões. O título de major, como posto militar, era conquistado através de uma combinação de mérito militar, serviço leal, e, em alguns casos, por nomeação ou recomendação de autoridades superiores. Contudo, tal título não significa que meu 5º avô tenha exercido tal posto, pois era comum naquele tempo alguns cidadãos influentes serem agraciados com títulos de Major, Coronel, Tenente-Coronel, Capitão, por exemplo. Alguns até compravam o título. Alguns recebiam como pagamento de algum favor. Pelo menos é o que dizem.

Cândida Umbelina de Carvalho, esposa do Major José Fernandes e minha 5º avó, mas também minha 4ª avó ou tataravó nasceu em 1818 também em Santana do Morro do chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais, região de Conselheiro Lafaiete. Ela faleceu após 1878 em Monte Carmelo que na época se chamava Carmo da Bagagem, Minas Gerais. Quando digo que ela faleceu após 1878 é porque nessa data ela fez a partilha amigável de seus bens com os filhos, logo ainda estava viva. Era filha do Comendador Joaquim José Carvalho e Ana Tereza de São Bernardo, já citados em 6º e 5º avós. Vide pag.256. Esses dados também foram obtidos através do Blog do historiador Aluízio de Azevedo. Major José Fernandes e Cândida Umbelina eram avós da vovó Lídia, esposa do vovô Tõe.

De acordo com a escritora Lezir Rocha, sua bisneta, Cândida era chamada de Candinha ou Sinhá Candinha.

Meus 5º avós Major José Fernandes Rocha( à esquerda) e Cândida Umbelina de Carvalho, com alguns dos filhos
 

Vale ressaltar que esses meus 5º avós são também considerados 4º avós em razão de um casamento entre um filho seu, Fortunato Fernandes Rocha e uma neta sua Alexandrina Fernandes Rocha, pais de Lídia a esposa de Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe. 

Sobre o meu 5º avô Major José Fernandes Rocha, foi possível ter acesso a algumas histórias dessas contadas de boca em boca através do livro “A saga do Cel. Olympio Rocha” da escritora Lezir Rocha, sua bisneta. Aproveitei alguns detalhes importantes e interessantes, mas é possível que haja alguma discordância com a realidade e datas, uma vez que o “boca a boca” costuma florear, aumentar, equivocar...  Mas no fim é sempre uma fonte real.   Além disso, foi possível também ter acesso ao seu inventário lavrado em Patrocínio, Minas Gerais, pois nessa época, Monte Carmelo que ainda era uma vila e se chamava Nossa Senhora do Carmo da Bagagem, estava ligada à comarca de Patrocínio.  

Bem, de acordo com a escritora Lezir Rocha, bisneta do Major José Fernandes Rocha, meu 5º avô, ele pesava em torno de 78 quilos, pelo visto magro em relação a sua altura que era em torno de 1,80 metros. Os seus olhos eram miúdos e vivos e o nariz era grande e aquilino, ou seja, com uma curvatura para baixo, dando a impressão de um bico de águia.  O Major falava pouco e exigia muito. Comandava só com o olhar e esmurrava quem lhe contrariasse. Era inquieto e empreendedor e tinha uma caligrafia invejável. Amava caçar e nos sábados e domingos se dedicava exclusivamente a essa atividade. Era os únicos momentos que se desligava da fazenda e ninguém precisava contar com ele.

Embora pai amoroso e marido exemplar, a esposa e filhas de meu 5º avô, eram tratadas como escravas. Na verdade, isso era comum naquele tempo. Elas trabalhavam de sol a sol como as escravas negras. Não havia distinção. E eu que pensava que minha 5ª avó e suas filhas eram dondocas.

Todos respeitavam e temiam o Major José Fernandes Rocha. Muitos o odiavam por sua austeridade e obstinação. Alguns diziam que era um homem mau, mas o que ele era mesmo era um homem de pulso firme, afinal comandava quase uma espécie de aldeia, tantas eram as pessoas e afazeres sob seu comando.

De acordo com o livro “A saga do Cel. Olympio Rocha” da escritora Lezir Rocha, meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha veio com a família para Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais, depois da proclamação da Independência do Brasil, por volta de 1840.  Conforme relatos baseados nesse livro, meu 5º avô estava inquieto para realizar seus sonhos que era ter um pedaço de chão. Por isso veio mais para o interior de Minas que ainda era muito despovoado.  Percebe-se que o “desbravar” ou “conquistar” algo do nada é o que parecia mover seus sonhos. Era tipo ir em busca da “Terra Prometida”.

Dessa forma, meu 5º avô, esperou as chuvas de verão passarem e resolveu partir com sua caravana no início do outono. Junto vieram outras famílias.

Naquele dia de 20 de março de 1840, depois de uma noite quente, supostamente às cinco e meia da manhã, um tiro ecoou para o alto, além de três foguetes. Foi o sinal para todos se aprumarem para a partida. Porém, antes de levantarem acampamento, um Frei de uma Paróquia mais próxima celebrou a Santa Missa e os abençoou.

De acordo com o livro de Lezir Rocha, nessa expedição, muitos seguiam a cavalo, a maioria a pé, sem contar os carros de boi em fila, em cuja carga iam provisões, galinhas, patos, perus... Até cachorro tinha na expedição. Enfim, tudo que era necessário para sobreviver na caminhada e começar uma nova vida no destino final.

Meu 5º avô, seguiu na frente, empolgado e carregando a bandeira de Portugal. Ia conduzindo 26 éguas, 18 vacas, mulas e burros de carga e junto, oito escravos que comprou antes da viagem e que iam aplainando os caminhos com enxadas e machados. A tropa seguia o tilintar do cincerro ou sineta amarrada no pescoço de algum animal que era chamado de madrinha da tropa.  Meu pai chamava essas sinetas de polaco. Bem, e fechando o cortejo, alguém seguia levando outra bandeira com os dizeres “caminhar e vencer”, além de camaradas de escopeta em punho que iam protegendo a retaguarda. Como provisões levavam sal, fubá, farinha, carne seca, paçoca e abóbora. Conta-se que nas paradas de pouso tocavam gaita e viola e cantavam canções portuguesas, além de jogar baralho.

Segundo Lezir Rocha, a expedição sob o comando de meu 5º avô, passou pela cabeceira do Rio das Velhas em Ouro Preto, antiga Vila Rica, passaram pelo rio Quebra Anzol, Serra da Canastra e seguiram em busca da Serra da Mata da Corda que ficava mais ou menos na região de Patrocínio, Minas Gerais. Pelo visto a caravana de meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha, veio desde São João del-Rei, seguindo a Picada de Goiás. Como essa estrada não segue para Monte Carmelo, mas rumo a Coromandel, passando por Serra do Salitre e Patrocínio, em algum momento a caravana de meu 5º avô pegou outro atalho. Nessa expedição ele se guiava sempre pela bússola e pelos fenômenos do tempo, como o sol, lua, estrelas...

Relata-se que depois de oito meses de viagem, resolveram parar um tempo em determinado lugar e plantar para abastecer a expedição, pois as provisões já estavam quase no fim. Depois de cinco meses colheram milho, feijão e abóbora. Assim abastecidos levantaram novamente o acampamento. A caminhada seguia lenta para que ninguém se desgastasse muito, afinal, tinha mulheres, crianças e pessoas idosas...

Depois de vinte e oito meses na estrada enfrentando toda espécie de dificuldades, acamparam a última vez a alguns quilômetros do destino. Era agosto de 1842. Dali cada grupo procurou seu rumo, os Rocha, os Mundim, os Machado e os Rabelo. Isso de acordo com Lezir Rocha, bisneta de meu 5º avô. Porém, antes de cada um caçar o seu rumo, houve uma festa de despedida desses grupos, regada a feijão frito, torresmo e carne de capivara na brasa. Mesmo desgastados da viagem, tiveram ânimo para festejar, afinal tinham chegado ao destino. No dia seguinte continuaram cada um para seu destino. Na verdade, todas essas famílias depois acabaram se unindo entre si em laços de matrimônio.

Conta-se ainda que, em determinado momento, meu 5º avô, o Tenente-Coronel José Fernandes Rocha, parou a comitiva às margens de um córrego e abriu uma canastra. De lá tirou um crucifixo que pertencera a seus antepassados e o ergueu ao céu fazendo o sinal da cruz e abençoando o lugar. Depois se ajoelhou, e chorando, rezou acompanhado dos outros. Pediu proteção a Nossa Senhora para sua família e sua futura morada, que a partir de então seria naquele lugar onde parara a comitiva, encantado com a beleza da região. Enfim tomou posse do lugar levantando as barracas.  Na verdade, não era o fim da caminhada, mas o começo de outra, talvez mais dura.

O título de posse da terra que foi batizada de “Castelhana” foi emitido dois anos depois, em 1844 na Capitania de Goiás. Terra essa que, conforme os relatos da escritora Lezir, ia de Monte Carmelo até onde hoje é Irai de Minas, Minas Gerais, mais de 12 mil hectares de matas virgens, cerrados e campinas.  Os 12 mil hectares não se trata apenas de um relato, mas de um fato real que consta em seu inventário e que pude comprovar.

Se não romantizou demais a autora Lezir Rocha, o lugar era um paraíso cheio de madeiras de lei, de plantas medicinais para alegria do curandeiro que fazia parte da comitiva. Da fauna vale citar as aves do lugar e as antas que infestavam a região, razão porque meu 5º avô batizou o córrego onde se aportaram à margem, de Córrego D’Danta.

De acordo com Lezir Rocha, meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha, repetia sempre que faria correr leite e mel naquele lugar, tal qual o povo de Deus do antigo testamento que atravessou o deserto rumo à terra prometida, o que significa que meu 5º avô era conhecedor das histórias da Bíblia.

Conta-se também que ao chegarem no local onde ficariam, foram recepcionados pelos índios Bororós, a quem meu 5º avô presenteou com espelhos, gesto que os tornaram amigos. O Pajé dessa tribo frequentou a Fazenda Castelhana por muitos anos.

Bem, as primeiras construções da fazenda Castelhana foram um rego d’água e grandes ranchos de pau- a- pique amarrados com cipó e cobertos com folhas de babaçu, inclusive o escritório de meu 5º avô erguido sobre estacas para evitar cobras. Desse escritório ele comandava a lida da fazenda. Também de pau -a -pique ergueram a Capela em uma pequena elevação, onde se comemorava festas e rezava-se terços. Eram devotos de São João, São Pedro, São Paulo e Santo Antônio, os santos do mês de junho. Tinha também a devoção do Divino Espírito Santo, uma tradição dos povos açorianos. O lugar era como uma aldeia de tantos ranchos que tinha, pois eram ao todo 46 pessoas, a família, camaradas, escravos... Conforme relatos da escritora Lezir, tinha até uma avenida entre os ranchos.

Bem, só depois de seis anos é que meu 4º avô finalmente construiu a Casa Grande, de adobe fabricado ali mesmo na fazenda em uma engenhoca que ele mesmo fez. Construiu também a senzala, pois os escravos foram aumentando devido a muitos fugidos que iam parar por lá e iam ficando.

A força, garra e coragem de meu 5º avô, O Major José Fernandes Rocha foi essencial para progredirem, pois nunca parava, sempre pensando em melhorar. Estava sempre indo para lá e para cá, sempre escoltado por Ambrósio, que provavelmente era seu escravo tipo braço direito. Dizem que se meu 5º avô andava, ele andava, meu 5º avô parava ele parava.  Mas a verdade é que meu 5º avô “Caminhava junto com a vida” de acordo com sua bisneta Lezir. Logo plantou lavouras com foco em canaviais no início, mas também plantou algodão, além das lavouras de subsistência, inclusive de mandioca e cará.  Sobre os canaviais, meu 5º avô optou por mudas de caiana roxa e criola, buscadas em Uberaba. Ressaltando que a variedade de cana Criola foi a predominante no Brasil nos primeiros séculos de cultivo da cana-de-açúcar, porém, foi substituída pela cana caiana devido à maior produtividade e teor de açúcar desta última.

Quase paralelo ao plantio de cana, meu 5º avô se envolveu com plantações de café, plantando só de início trinta mil mudas. Não se sabe o ano exato em que ele inventou de plantar café, mas era uma cultura que seguia lado a lado com o cultivo da cana e foi só aumentando. Naquele tempo, o café já era o principal produto de exportação do Brasil, com Minas Gerais, especialmente o Triângulo Mineiro e regiões próximas, ganhando importância na produção.

O fato é que a Fazenda Castelhana vivia em movimento constante. Quando uma turma de trabalhadores estava na lavoura, outra turma estava no engenho, outra nas construções, outra levando mercadorias para Uberaba, outra erguendo muros de pedra nos pastos, e abrindo valas, pois não existia arame naquele tempo.

Com o tempo, as produções da lavoura da Fazenda Castelhana começaram a sobrar e meu 5º avô passou a vender em Uberaba, levando as mercadorias de carros de bois ou em dezenas de mulas. Era açúcar, café, rapadura, carne seca e até pinga, cujo nome era Pinga Castelhana, bem conhecida na região. Voltavam trazendo sal e outros produtos.

De acordo com Lezir Rocha, bisneta de meu 5º avô, nos primeiros tempos nessa fazenda Castelhana, a alimentação básica de todos era feijão, torresmo e couve. Não tinha arroz ainda. O arroz, inclusive, quando plantaram era considerado prato raro e chique. Claro, com o passar do tempo tudo foi mudando, pois plantavam de tudo.

Naquele tempo, a região era uma terra sem lei, cheia de índios e até forasteiros criminosos, o que obrigava os senhores de fazenda a terem os tais jagunços ou matadores de aluguel. Eram eles que matavam quando era preciso e sem questionar o patrão. A lei era matar para não morrer. Os jagunços de meu 5º avô eram o João Grande, David Lúcio e Mané Cassiano, que eram ao mesmo tempo benzedores. Eles mantinham a proteção e a ordem na fazenda, muitas vezes à custa de seus trabucos, ou seja, espingardas. Principalmente quando em meados de 1850, meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha, inventou de intermediar a venda dos diamantes da região de Estrela do Sul e Romaria e passava até mais de seis meses fora negociando as pedras preciosas em São João del-Rei, Juiz de Fora e Rio de Janeiro.  Quanto a essa atividade, conta-se que era uma forma de ganhar mais dinheiro para manter a fazenda do jeito que queria, pois, a produção própria não estava sendo suficiente para alimentar seus sonhos de empreendedor e líder de personalidade.

Conta-se que meu 5º avô conhecia a palmo as estradas por onde passou anos a fio, cada curva, cada aldeia de índio... Dormia em jiraus, couros de bois, comia apenas feijão, rapadura, fubá e queijo. De uma dessas viagens trouxe uma máquina fotográfica, razão porque existe várias fotografias no acervo da família. Ressaltando que a fotografia chegou ao Brasil por volta de 1839.  A máquina de fotográfica de meu 5º avô tinha um tripé. Pelo visto era das tais câmeras escuras, cuja lente projetava a imagem em uma placa sensível à luz.

Bem, sobre essa questão de meu 5º avô intermediar a venda de diamantes, conforme relatos em uma Monografia que se encontra na Casa da Cultura de Uberaba, cujo autor é um tal Padre Henrique de Genettis, o Major José Fernandes Rocha, juntamente com um tal Capitão Manoel Rodrigues, tentou estabelecer um garimpo no rio Santa Fé, Distrito de Bagagem, hoje Estrela do Sul, mas não foram para a frente por não levarem jeito nesse tipo de atividade que exigia paciência e espera. E meu 5º avô era inquieto. Preferiu comprar o diamante dos garimpeiros e revender.

Por volta de 1851 havia mais de 300 garimpeiros na região de Bagagem, hoje Estrela do Sul, Minas Gerais, tamanha era a ambição do povo que nem se preocupava com outras atividades.   Quando o garimpo decaiu e o sonho do diamante virou pó em razão do preço que baixou, muitos garimpeiros ficaram em estado de miséria. Conta-se que meu 5º avô levou muitas famílias para a Fazenda Castelhana, outras se viraram de outra forma, derrubando matas para plantar e criar gado e muitos até ficaram ricos.

Em resumo, pelo que foi possível perceber através dos relatos de Lezir Rocha, meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha, foi um latifundiário que lutou bravamente e venceu os desafios a que se propôs, sendo considerado um dos homens mais importantes do lugar, porque enquanto movimentava a Fazenda Castelhana, produzia e vendia, ao mesmo tempo ia contribuindo para o desenvolvimento de Monte Carmelo, inclusive politicamente.

Embora eu tenha tido a sorte de ter acesso a esse pouco de sua história contada, considerei importante registrar também alguns detalhes de seu inventário, que ao contrário do boca a boca, é algo factual, mesmo considerando que nem sempre tudo é registrado, ou por descuido ou por medo da coletoria de impostos.

Bem, para começar, repito que o Major José Fernandes Rocha faleceu em janeiro de 1867 e o inventário foi aberto em março desse mesmo ano. No arrolamento de seus bens consta 93 oitavas de ouro, o que não era novidade, afinal o que mais tinha naquele tempo era ouro, ainda que já estivesse passado a fase da abundância. Só para melhor entendimento, cumpre frisar que o ouro no século XIX era medido em onças, antiga unidade de medida portuguesa e a oitava era uma unidade  que correspondia a oitava parte da onça, especificamente 3,585 gramas Logo, fazendo as continhas, foi possível deduzir que  as 93 oitavas de ouro de meu 5º avô Major José Fernandes, pesariam hoje pouco mais de 333 gramas. Não era grande coisa.  Na época essas 93 oitavas de ouro foram avaliadas em 382$000 (trezentos e oitenta e dois mil réis), o que daria hoje, considerando, não a conversão de réis para reais, mas o preço atual da grama o ouro, em torno de quase duzentos mil reais.

Bem, voltando ao inventário: consta essas tralhas de casa tais como, armários, cômodas, caixas, 9 catres, (cama), canastras (caixas de madeira de guardar roupas), panelas, lampião, relógio de parede que imagino ser daqueles que badalam a cada hora. Entre essas tralhas tinha também utensílios de prata, cobre, cristal, como colheres e castiçais, o que significa que, em meio ao rústico daqueles tempos, havia uma pitada de sofisticação.

 E ainda falando em tralhas, não podia faltar no inventário as ferramentas de trabalho na roça, tais como machados, enxadas, alavancas, cavadeiras e outros, e claro, um tear com seus pertences e duas rodas de fiar, porque não se pode falar em tempos antigos sem falar das fiadeiras e tecedeiras. Inclusive, houve um período na Fazenda Castelhana que foi preciso aumentar as lavouras de algodão, pois era tanta gente que existia por lá e havia necessidade de roupas para todos, o que era feito de algodão, até mesmo vestidos para as mulheres. Fosse roupa grosseira, mais fina e até íntima. Conforme pesquisas, em tempos antigos teciam-se nos teares até peças íntimas tais como ceroulas para os homens e calçolas, corpetes, saiotes, corselets, entre outros, para as mulheres. Sobre as calçolas, minha avó paterna Valdomira, contava rindo, que elas não eram muito confortáveis. Enfim...

Sobre os bens semoventes do inventário do Major José Fernandes, ou seja, bens que se movem por si próprio, consta carneiros, vacas, bezerros, garrotes (bezerro entre 2 a 4 anos), novilhas (vacas que ainda não tiveram gestação), 10 bois de carro sendo 2 curraleiros. Consta ainda 2 burros, sendo um de carga na cor de queimado e outro mais velho; éguas, sendo uma castanha (pelo avermelhado), outra do focinho, olhos e parte inferior do corpo.

Apesar de Lezir Rocha relatar em seu livro que a produção de café da Fazenda Castelhana de meu 5º avô era transportada no lombo de dezenas de mulas para Uberaba, Minas Gerais, não vi as tais no inventário senão duas, sendo uma de mão torta. Contudo, uma foto de família mostra as muladas no curral.

Sobre o fato de ter possuído carneiros, significa que na fazenda do Major José Fernandes, se produzia a própria lã para confecção de mantas e cobertores para o frio.

Continuando, agora com os bens de raiz: no inventário do Major José Fernandes, meu 4º avô, consta um sítio, que na verdade era a sede da fazenda, com todos os pertences, ou seja, a Casa Grande; o paiol, lugar onde se guardava cereais; moinho, possivelmente movido a água para fazer fubá; o engenho que era movido a burros;  o monjolo, também conhecido como pilão d’água, um mecanismo movido a água para triturar milho ou tirar a casca de cereais como arroz e café.  No inventário não consta, mas no livro de Lezir Rocha faz referência ao engenho de serra da carpintaria; a engenhoca de fazer adobe que era puxada por burro, o que imagino ser uma espécie de equipamento que misturava o barro sem este ser amassado manualmente. Tinha também a casa dos arreios, das ferramentas e celeiros para as colheitas que não foi listado no inventário. Na verdade, o inventário não parece ser um poço de verdades.

Sobre o monjolo, o pilão d’água, vale frisar que era uma modernidade naquele tempo, pois dispensava a força humana no beneficiamento dos cereais que era feito no pilão manual. O monjolo era poucas pessoas que tinham. Era um equipamento com uma concha de um lado e do outro uma estaca com a ponta redonda. O processo é meio que uma gangorra, pois, quando a água cai dentro da concha, o peso faz essa ferramenta se levantar e quando a concha esvazia, a ferramenta desce e soca o cereal que fica dentro de um pilão. 

 Sobre a casa Grande, o inventário a lista como sendo uma casa de sobrado, o que se entende como sendo de dois andares, o que era comum naquele tempo, porque geralmente no andar inferior ficava as senzalas, oficinas e no segundo as salas e quartos.  Mas não parecia ser o caso da Casa grande da fazenda Castelhana, pois, pelas fotografias de família, a casa parecia ter só um pavimento, mas era enorme. Lezir Rocha em seu livro relata que a Casa Grande possuía seis quartos, três grandes salas e uma cozinha enorme, cujo acesso se dava por uma escada vindo de uma das salas.  Nos degraus ficavam vários potes de barro feitos pelos índios Bororós que eram vizinhos da Fazenda Castelhana. Os tais potes de barro vermelho serviam como decoração, para buscar água e até tingir lã e algodão. Anexo a cozinha tinha também uma despensa e um enorme armário onde ficava os utensílios da casa usados na cozinha. O terreiro era lajeado com pedra para facilitar o trança trança, ou seja, o vaivém.

No sítio ou sede tinha também um rancho de passageiro o que me fez deduzir que era uma construção destinada a pessoas que pediam pouso nas fazendas, caixeiros viajantes, boiadeiros que transitavam com boiadas, por exemplo.

Bem, além de todas essas coisas rústicas que facilitavam a vida naquele tempo, a sede de meu 5º avô Major José Fernandes, possuía também um quintal cercado de aroeira, onde Cândida Umbelina, sua esposa e minha 5ª avó, a Candinha, plantava toda espécie de frutas, umas até mais raras como jambo, a ameixa amarela, cujo nome, na verdade é nêspera.

No inventário, o que me fez ficar de queixo caído, foi a quantidade de terras da Fazenda Castelhana  que era dividida da seguinte forma: 423 alqueires ou 2.047,32 hectares de cultura, 717 alqueires ou 3.450,92 hectares de campos entre o Ribeirão de Buriti e Perdizes, 1432 alqueires ou 6.930,88 hectares de campos perto do rio Perdizes, pertencentes à mesma fazenda.

Com relação só às terras de cultura da Fazenda Castelhana, em torno de dois mil e poucos hectares, vale fazer aqui umas continhas para compreender a dimensão da fortuna de meu 5º avô, uma vez que terras de cultura são as mais caras, pois são propícias à agricultura. Se colocadas na ponta do lápis, só essas terras de cultura, daria em torno de uns cinquenta milhões de reais, levando em conta o valor da terra nua de cultura em Monte Carmelo, Minas Gerais, onde estava situada a Fazenda de meu 5º avô. Frisando que terra nua é onde não possui nenhuma benfeitoria, lavoura, por exemplo. Por que se tiver o preço se eleva.

Bem, o total das terras de meu 6º avô, o Major José Fernandes era de 12.429,12 hectares, conforme o inventário. Era terra a sumir de vista. Repetindo que essas terras iam até onde começa Irai de Minas, Minas gerais.  

No livro de Lezir Rocha, consta que já no quinto dia, depois da chegada do Major José Fernandes na região, ele já saiu com alguns camaradas para delimitar suas posses. Naquele tempo, as pessoas faziam isso, pois as terras não tinham dono, senão o governo, no caso o rei, que até incentivava para que fossem colonizadas. Era as tais sesmarias, cujas cartas de posses eram depois expedidas, assim que se provava que a terra estava produzindo e que o posseiro merecia ser o dono. Como já dito antes, meu 5º avô chegou na região de Monte Carmelo e em 1844 teve seu documento formalizado da posse.

Dessa forma, quando a Lei de Terras de 1850 entrou em vigor, meu 5º avô só precisou apresentar o documento e tudo ficou ok. Quem não apresentasse documentos válidos de posse, poderia ter as terras confiscadas. Vale ressaltar que esse sistema de sesmarias durou apenas até essa lei entrar em vigor. A partir de então, a aquisição de terras só poderia ser feita por compra. Nem é preciso dizer que essa lei favorecia ainda mais os latifundiários, ou seja, os grandes proprietários de terra, e dificultava a formação de pequenas propriedades, pois os menos abastados não tinham recursos financeiros para comprar terras, quanto mais um latifúndio, e provavelmente, os pequenos posseiros nem documentos de posse tinham.

Para “os lá de cima” do poder, os grandes posseiros é que eram dignos da proteção pública e consideravam um absurdo ser generoso, com aqueles, que desbravavam matas devolutas, levando consigo um bocado de farinha dentro de um saco e uma foice e machado ao ombro. O resultado foi que os pequenos se tornaram empregados dos grandes.

O que se percebe é que a tal lei contribuiu para a marginalização e desigualdade social, já que a concentração de poder ficou nas mãos dos grandes proprietários rurais. Conforme documentos oficiais, para a regularização das terras, rolava inclusive, documentos forjados.  Mas isso era mesmo de se supor. Enfim... Só fiz esses comentários para se compreender como era a situação naquele tempo, em meados do século XIX e também para compreender as grandes extensões de terra de meu 5º avô, o Major José Fernandes Rocha.

Bem, voltando ao inventário de meu 5º avô, agora me adentro em uma questão que abomino, mas que era ainda uma realidade em 1867, ano em que ele faleceu vítima de um ataque cardíaco: a escravidão negra, que só foi abolida 21 anos depois, embora, pelo menos o tráfico tenha sido proibido desde 1850 e a Lei do Ventre Livre ter sido assinada em 1871.  Enquanto isso, os outros cativos que não se encaixavam nessas leis, continuavam sua labuta. 

Fico a pensar que se eu tivesse vivido naquele tempo, provavelmente eu também teria tido escravos, pois era a realidade da época. Então como julgar? A escravidão era algo natural na sociedade e entre todas as classes. Os escravos podiam ser propriedade tanto das classes altas quanto da média, dos pobres e até mesmo de outros escravos. Enfim...

No inventário de meu 5º avô consta alguns escravos, mais de 20, inclusive o nome de cada cativo com seu respectivo valor. Assim lá estavam listados feito bens e não indivíduos: Manoel Antônio  africano, Manoel cozinheiro africano, João Crioulo, Lourenço africano, Ponciano Crioulo, Clarismundo Crioulo, Antônio Crioulo, Belmiro Crioulo, Joaquim Crioulo, Thomé Crioulo, Antônio Veloso Crioulo, Bonifácio Crioulo, Joaquim Pardo, Belissário Crioulo,  Pedro e Marciano, ainda bebês e 8 meses, Joana e Julieta e Rosana( ou Rosina) também bebês, Luísa, Eva, Maria José e  Ambrozina... Um total de mais de 17:000$000 ( dezessete contos de réis) e até os bebês tinham seu preço. Cada bebê valia 180$000 (80 mil réis). Conforme pesquisas, o preço de um escravo era determinado por diversos fatores, como a idade, o sexo e a condição dos dentes. Escravos mais jovens, fortes e saudáveis, por exemplo, podiam custar o dobro dos mais velhos e fracos, considerando certamente a força para o trabalho.

Vale frisar também que naquele tempo da escravidão, os senhores escravocratas eram considerados ricos nem sempre por causa das terras que possuíam, mas pelo número de escravos. Ser "senhor de escravos" era uma expressão de riqueza e status social.  Felizmente esse tempo terrível acabou, mas é possível imaginar todos esses escravos de meu 5º avô trabalhando sem nenhum salário, desde Manoel Antônio africano até Belissário, o mais novo, com exceção dos bebês, trabalhando nas lavouras de café, de cana, no engenho, sem contar os muros de pedra  que perdiam-se de vista nas linhas do horizonte de acordo com Lezir Rocha que visitou a fazenda duas vezes. Impossível não imaginar Luísa, Eva, Ambrosina e Maria José servindo minha 5ª avó Cândida e suas filhas. Será que elas eram educadas ou irritantes com as escravas? Impossível não questionar: será que o Major José Fernandes era um bom senhor de escravos? Ou será que era daqueles que amarravam seus escravos em troncos e resolvia as pendengas às chibatadas, arrancando-lhes os couros? Será que seus escravos dormiam naquelas senzalas que mais pareciam prisão? De qualquer forma, será que existiu de fato algum Senhor de escravos bom? Enfim...

No inventário de meu 5º avô Major José Fernandes, consta ainda que ele possuía 5 devedores, cujo crédito era pouco mais de 245$000 (duzentos mil réis). Pouca coisa. Pelo visto não era homem que enfiava a mão no bolso para emprestar dinheiro como meu trisavô Bonifácio, pai do vovô Tõe.

O Major José Fernandes, meu 5º avô possuía tantos bens que a viúva Cândida Umbelina, minha 5ª avó se esqueceu de colocar na lista uma casa na cidade de Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais. Consta, que a casa ficava na Rua do Comércio. Esse esquecimento gerou inúmeros documentos na tentativa de fazer a adição do bem no inventário.

Bem, no final do inventário, o valor total do mesmo, chamado de Monte-mor foi 34:261$554 (trinta e quatro contos, duzentos e sessenta e um mil e quinhentos e cinquenta e quatros réis. Desse valor total, metade ficou para a viúva, Cândida Umbelina, a Candinha, o que se chama meação. A outra metade foi dividida entre os 8 herdeiros, entre eles meu trisavô Fortunato Fernandes Rocha que na época tinha 17 anos. Vale frisar que para poder administrar seus bens, foi feito um documento de emancipação de meu trisavô Fortunato. Esse documento é um ato jurídico que antecipa a maioridade civil de um menor, permitindo que ele exerça todos os atos da vida civil. Naquele tempo a maioridade civil era 21 anos. Essa maioridade civil de 21 anos vigorou de 1824 até 2002, passando então para 18 anos.   

Bem, na partilha dos bens do Major José Fernandes, meu 5º avô, cada herdeiros recebeu 2:381$972 (Dois contos, trezentos e oitenta e um mil, novecentos e setenta e dois réis).

Pelo que pude compreender da partilha, coube a meu 3º avô ou trisavô Fortunato Fernandes Rocha, uma parte do ouro, gado, uma besta malhada ( mula), a égua pangaré,  algumas vacas, mais de 1000 hectares de terras de campos e cultura, parte dos créditos a receber e dois escravos, o Belmiro de 6 anos e João Crioulo de 3 anos.  

Resumo do Inventário de meu 5ºavô, o Major José Fernandes Rocha

 
Parte do Inventário do Major onde consta a parte da herança de seu filho e meu trisavô Fortunato Fernandes Rocha.

Continuação da parte da herança de meu trisavô Fortunato Fernandes Rocha, filho do Major.

Sobre minha 5ª avó, Cândida Umbelina de Carvalho, esposa do Major José Fernandes, o livro de Lezir Rocha a cita como Cândida Honorata Rocha. No entanto, é preciso considerar seu nome no inventário, pois trata-se de um documento factual. Além disso, é provável que seu sobrenome nunca teria sido Rocha, pois naquele tempo não existia casamento civil. De forma que é impossível explicar essa diferença de nome. O livro de Lezir Rocha, também não fala muito   sobre ela Cândida, o foco era o Major José Fernandes Rocha. Naquele tempo a mulher era um ser anônimo e como até já foi dito, ela era tratada como qualquer outra escrava da casa, com a diferença que dava a luz aos herdeiros. No caso de Cândida, provavelmente muitas vezes sozinha, pois meu 5º avô vivia zanzando vendendo diamantes.  Inclusive quando voltou de uma dessas viagens uma filha já tinha nascido de acordo com Lezir Rocha sua bisneta.

O fato de ter acesso a uma fotografia desses meus 5º avós me fez perceber que os traços de Cândida Umbelina eram doces e serenos ao lado do esposo. E até um sorriso estampado no rosto. Nem de longe parecia alguém submissa e nem mesmo frágil para quem enfrentou a dureza de uma viagem pelo sertão mineiro durante mais de dois anos e ainda ajudou o esposo na construção da Fazenda Castelhana... O coração do Major um dia parou de bater em razão de um infarto, em 1867, Cândida, contudo, ainda ficou algum tempo...

Em 16 de abril de 1878, Cândida Umbelina, decidiu fazer a partilha amigável de seus bens em vida. Por esse tempo os filhos já eram todos maiores e donos de suas vidas. Apenas o filho Cândido Fernandes Rocha que já havia falecido em 24 de janeiro de 1868. Por ocasião dessa partilha, Cândida já estava com 60 anos já que em 1867, quando do inventário de seu esposo estava com 49 anos. Meu trisavô Fortunato Fernandes Rocha, filho de Cândida estava com 30 anos em 1878 e já casado com Alexandrina Rocha Melo (ou Fernandes Rocha). Não consta que o casal já tinha filhos. Sobre ele ter 30 anos, na verdade é com o acréscimo da maioridade que aconteceu no inventário do pai, pois a idade correta mesmo seria 28 anos, já que em 1867 tinha apenas 17 anos.

Então, dos bens de Cândida Umbelina, minha 5ª vó, vale frisar que se referem à sua meação no inventário do esposo, logo nem é preciso listar novamente. Na época ela havia ficado com 13 escravos, inclusive um chamado Bonifácio Crioulo, que em 1867 tinha 21 anos, agora tinha 31 e com um filho, que no inventário do Major ainda era um bebê de 8 meses, seu filho Marciano Crioulo já com 12 anos, avaliado em quase um conto e meio de reis, bem mais caro que seu pai Bonifácio. Levava-se em conta que doze anos, tinha uma potência maior para o trabalho.

Vale frisar também a casa quase esquecida no inventário do Major. Dessa vez Cândida Umbelina fez questão de frisar que a dita casa ficava situada na Rua do Comércio de Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas gerais. Citou, inclusive as posses (lotes) cercadas de taipas e unidas na tal casa. E ainda deixou claro que esses bens ficavam de frente para o largo da Matriz de Nossa Senhora do Carmo.

Ao final da partilha, cada herdeiro teve como sua parte o valor de 2:467$728(dois contos, quatrocentos e sessenta e sete mil, setecentos e vinte e oito réis). Com relação a meu Trisavô Fortunato Fernandes Rocha, coube-lhe, parte de terras, parte da casa no arraial, das posses (lotes) do arraial e um crédito reposto pelo irmão José Cândido da Rocha, que era também seu sogro. Esse crédito deve ser coisas de família, sogro e genro.

Sobre minha 5ª avó, a Cândida Umbelina, não foi possível verificar no Inventário se ficou com o usufruto de algum bem para sobrevivência. Talvez a sede da Fazenda. Possivelmente sim. Mas de duas escravas ela não abriu mão.

Resumo da partilha amigável entre os herdeiros dos bens de minha 5ª avó Cândida Umbelina

 
Parte da partilha que coube ao meu trisavô Fortunato Fernandes rocha, filho de Cândida

Assinatura de minha 5ª avó Cândida


 Pelo que ficou claro no livro de Lezir Rocha, foi o filho mais novo do Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina, o Coronel Olímpio Fernandes Rocha, que ficou com a sede da Fazenda Castelhana. Vale ressaltar que em muitas culturas e famílias, era costume o filho mais novo receber a sede da fazenda. Era chamado de "filho da sorte", pois era visto como aquele que permanecia com os pais na velhice e cuidava deles, recebendo a sede como recompensa. Contudo, isso não é uma lei, mas simplesmente um acordo de família.

Sobre o filho Olímpio ter ficado com a parte onde estava a sede da Castelhana, ele a vendeu por volta de 1918  por cem contos de réis para um fazendeiro abastado da região e foi viver na cidade de Monte Carmelo, Minas Gerais, com a família, na casa que ele havia construído, a primeira casa de tijolo de Monte Carmelo. Em 1920, tratou de iluminar a cidade com recursos do próprio bolso, pois os que deveriam ser seus sócios nessa empreitada, pularam fora. Por esse tempo ele já não era mais prefeito da cidade, cuja missão que tinha começado em 1902 terminou em 1918. Preferiu se aquietar por causa de uma úlcera, da qual já havia sido operado duas vezes. Porém nunca deixou de contribuir para o desenvolvimento de Monte Carmelo. Vale ressaltar ainda que seu filho Jeferson Rocha, formado em engenharia, foi quem comandou os trabalhos da primeira usina elétrica de Coromandel, Minas Gerais. A tal “Usina Velha”.

Quanto à Fazenda Castelhana, pelo menos onde fica, ou ficava, a sede original, já não pertence mais a família Fernandes Rocha e é tomada pelas lavouras de café.  Segundo Lezir Rocha, ela estava com dezoito anos quando voltou na Fazenda Castelhana, para que a mãe revesse o lugar da infância.  provavelmente era década de 50 ou 60   do século XX. A sede da fazenda já estava em ruínas com os telhados desalinhados e os currais pela metade. Pelo visto a antiga sede já não existe, apenas as histórias.

  O Major José Fernandes da Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho, meus 5º avós e ao mesmo tempo meus 4º avós, se casaram em 1832 em Santana do Morro do Chapéu, Minas Gerais, Brasil, na Igreja de Sant’Ana, sendo que Cândida estava com 14 anos. Portanto, vieram para Carmo da Bagagem, hoje Monte Carmelo, Minas Gerais já casados e com alguns filhos. Os filhos, seguindo a ordem descrita no inventário eram:

1.    Joaquim Fernandes da Rocha, casado com Francisca Honorata da Silva. Frisando que Francisca é irmã da avó do tio Elmírio, casado com tia Lídia irmã de meu pai;

2.     Tenente-Coronel José Cândido da Rocha, meu 4º avô ou Tataravô, avô de minha bisavó Lídia Fernandes Rocha, esposa de Antônio Bonifácio Machado, meu bisavô Tõe;

3.     Cândido Fernandes da Rocha, falecido depois do pai e antes da mãe, casado com Júlia Augusta;

4.     Coronel Augusto Belisário Rocha Carvalho, casado com sua sobrinha Ana Augusta da Rocha ou Ana Senhorinha da Conceição;

5.     Maria Cândida da Rocha, casada com José Martins Mundim;

6.     Elmira Cândida da Rocha, casada com Joaquim Martins Mundim;

 


Figura 1 e 2: parte do inventário do Major José Fernandes onde consta o nome dos filhos

 Para ter acesso aos inventários desses meus 5º avós, Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina de Jesus, clique nos links abaixo:

👉https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QHN-5QK3-5TV1?lang=pt&i=0 

👉https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QHJ-HQV5-RSGS-T?view=explore&groupId=TH-7717-124944-110336-70&lang=pt 

 

    Algumas Imagens da Fazenda Castelhana de meus 5º avós Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho.

PS.: Imagens de Lezir Rocha.

Quintal da Fazenda Castelhana

Carneiros da Fazenda Castelhana. Detalhe: um escravo cuidando do re

Sede da Fazenda Castelhana em 1865


Cavalos e mulas da Fazenda Castelhana


Reza do terço na Fazenda Castelhana

Fazenda Castelhana

Fazenda Castelhana

 Para saber sobre Sant'Ana dos Montes, antiga Sant'Ana do Morro do Chapéu, Minas Gerais, de onde vieram meus 5º avós Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho, acesse os links abaixo:

👉Sant'Ana dos Montes, Minas Gerais 

👉Santana dos Montes, Minas Gerais. Vídeo Youtube 

 

Sant'Ana dos Monte, Minas Gerais



 

Para saber sobre Monte Carmelo, antiga Carmo da Bagagem, Minas Gerais, onde viveram meus 5º avós Major José Fernandes Rocha e Cândida Umbelina de Carvalho, acesse os links abaixo:

 👉Monte Carmelo, Minas Gerais 

👉Monte Carmelo, Minas Gerais. Vídeo Youtube 

 

Monte Carmelo, Minas Gerais. Destaque para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo


 




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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha