Luiz Fernandes e Maria da Conceição
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Luiz Fernandes, meus 8º avó, nasceu na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal em outubro de 1688. Foi batizado no dia 21 de outubro de 1688 nessa mesma localidade conforme registro de batismo que tive acesso.Não consta data e local de falecimento, mas provavelmente foi nessa mesma localidade em que nasceu. Não foi possível ter acesso porque os registros de óbito de Porto Judeu começam em 1831. Luiz Fernandes era filho de Francisco Fernandes e Margarida de Castro já citados também como 8º avós.
Transcrição do Registro de Batismo de Luiz Fernandes
[Margem esquerda:]
Luiz
[Texto principal:]
Em os vinte e hum dias do mes de outubro da era de mil e seis centos oitenta e oito baptizei a Luiz f.º [filho] de Ant.º [Antônio] Fernandes e de sua m.er [mulher] Margarida de Castro; forão padrinhos João Machado Leal e Bebiana do Nascim.to [Nascimento] f.a [filha] de M.el [Manoel] de Badinho e para q [que] conste.fiz este termo oje dia, mes, era ut supra.
[Assinatura:]
Ant.º Borges Machado
Leitura em Português Moderno (para facilitar a compreensão)
Em os vinte e um dias do mês de outubro da era de mil e seiscentos e oitenta e oito (21 de outubro de 1688), batizei a Luiz, filho de Antônio Fernandes e de sua mulher Margarida de Castro; foram padrinhos João Machado Leal e Bebiana do Nascimento, filha de Manuel de Badim; e para que conste fiz este termo hoje, dia, mês e era como acima.
Antônio Borges Machado.
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| Registro de Batismo de Luiz Fernandes- área circulada |
Maria Conceição, esposa de Luiz e minha 8ª avó, nasceu provavelmente em maio ou junho de 1695, pois foi batizada no dia 8 de junho desse ano de 1695 conforme registro de Batismo que tive acesso. Não consta data e local de falecimento, mas provavelmente foi nessa mesma localidade em que nasceu. Não foi possível ter acesso porque os registros de óbito de Porto Judeu começam em 1831.Era filha de Manoel Soares e Maria Azevedo já citados também como 8º avós.
Transcrição do Registro de Batismo de Maria da Conceição
[Margem esquerda:]
Maria
[Texto principal:]
Em os oito dias do mes de Junho de mil seis centos noventa e cinco annos baptizei Maria f.a [filha] legitima de M.el [Manoel] Soaris [Soares] e de sua m.er [mulher] Maria de Azev.do [Azevedo] forão Padrinhos João da Costa f.o [filho] de Fran.co [Francisco] Alvares deste lug.r [lugar] e de M.ia [Maria] da Costa e de madrinha M.ia [Maria] Correa f.a [filha] de Ant.o [Antônio] Soaris [Soares] e de sua m.er [mulher] Barbara Correa t.os [todos] deste lug.r e para q [que] conste fiz este em o dito dia mes e era ut supra.
[Assinatura:]
Vig.ro Fran.co de Carvalhal Borges
Leitura em Português Moderno
Em os oito dias do mês de junho do ano de mil seiscentos e noventa e cinco (08/06/1695), batizei a Maria, filha legítima de Manoel Soares e de sua mulher Maria de Azevedo. Foram padrinhos João da Costa, filho de Francisco Álvares, deste lugar, e de Maria da Costa; e de madrinha Maria Correa, filha de Antônio Soares e de sua mulher Bárbara Correa, todos deste lugar. E para que conste fiz este [termo] no dito dia, mês e era como acima. Vigário Francisco de Carvalhal Borges.
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| Registro de batismo de Maria da Cocneição- área circulada |
Luiz Fernandes e Maria da Conceição se casaram em 24 de janeiro de 1717 na mesma localidade onde nasceram, ou seja, Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal.
Vale ressaltar que esses meus 8º avós, são ao mesmo tempo meus 7º avós, porque lá na frente um trineto de ambos se casou com uma tataraneta de ambos também. O que significa que um tio se casou com a sobrinha. Nada menos que os pais da esposa do vovô Tõe.
Luiz Fernandes e Maria Conceição tiveram sete filhos, conforme consta, entre eles Manoel Fernandes, meu 7º avô, casado com Rosa Mariana. Cumpre ressaltar que Manoel Fernandes é também, ao mesmo tempo meu 6º avô, porque lá na frente um bisneto seu casou-se com uma trineta sua, os pais da esposa do vovô Tõe.
Transcrição de parte do Registro de Casamento de Luiz Fernandes e Maria da Conceição (Fiel ao Original)
Em os vinte e quatro dias do mes de Janeiro do anno de mil setecentos e dezasete, ao meio dia, nesta Parochia de Sam Pedro dos Penedos desta Ilha Terceira, precedendo as denuncias na forma do Sagrado Concilio Tridentino, sem se descobrir impedimento algum, perante mim Antonio Vaz Foste, Cura actual desta dita Parochia, e sendo presentes por testemunhas Francisco de Mattos mo. [morador] na freguezia dos Apostolos S. Pedro e Chagas da Ribeirinha, e Gonçalo Pires, fregues desta dita Parochia, se cazaram por palavras de presente Luiz Fernandes, filho de Fran.co [Francisco] Fernandes e de sua mulher Margarida da Xagas [Chagas] já defunctos, com Maria da Conceição, filha de Manoel Suarez e de sua mulher Maria de Azevedo, todos freguezes desta dita Parochia, e logo aos quaes dey as bençõens Matrimoniaes perante os quaes fiz este termo...
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| Parte do Registro de Casamento de Luiz Fernandes e Maria da Conceição- área circulada. |
Sobre Porto Judeu, onde nasceram, viveram e faleceram Luiz Fernandes e Maria da Conceição, meus 8º avós - 1688 a 1750
Para contextualizar a vida desses meus 8º avós em Porto Judeu (na Ilha Terceira, Açores) desde a virada do século XVII para o XVIII até por volta de 1750, é preciso entender como era o cotidiano, a economia e a sociedade daquela freguesia marítima e rural na época do casamento deles em 1717.
1. Geografia e Organização da Freguesia
Localização e isolamento relativo: Porto Judeu situa-se no litoral sul da Ilha Terceira, pertencente ao concelho de Angra do Heroísmo. Era uma freguesia litorânea, com enseadas de rocha vulcânica (muralhas naturais de biscoito/lava) e terreno acidentado.
A Igreja Paroquial: A vida social, religiosa e comunitária girava em torno da Igreja Paroquial de Santo António (o padroeiro da freguesia, onde os registros de casamento e batismo eram realizados pelo pároco) e das irmandades locais.
Os Impérios do Espírito Santo: A devoção ao Divino Espírito Santo já era o centro da identidade comunitária. As festas dos Impérios (com a distribuição de pão, carne e vinho aos pobres) eram o momento de maior coesão social da freguesia.
2. Vida Econômica e Sobrevivência (1700–1750)
A vida em Porto Judeu na primeira metade do século XVIII era marcada por uma economia de subsistência e de apoio à capital, Angra:
Agricultura de Subsistência e Cereais: A maior parte dos moradores vivia do cultivo da terra — principalmente trigo, milho, cevada e legumes (como fava e feijão). O trigo açoriano abastecia a ilha e exportava-se para o continente e demais praças.
Vinhedos e Pomares: Nas zonas de biscoito (solo vulcânico), cultivavam-se vinhas para consumo local e produção do vinho regional.
Pesca e Recursos Marítimos: Por ser uma freguesia costeira com um pequeno porto/enseada, muitos homens conciliavam a lavoura com a pesca artesanal de subsistência, garantindo peixe fresco para as famílias e para venda no mercado de Angra.
Criação de Gado: A criação de gado bovino e ovino nos pastos mais altos fornecia leite, queijo, lã e força de trabalho para os arados.
3. Cotidiano e Relação com Angra do Heroísmo
Proximidade com a Capital: Porto Judeu fica a poucos quilômetros do centro urbano de Angra do Heroísmo (então uma das cidades mais importantes do Atlântico e porto de escala da Navegação das Índias e do Brasil). Os moradores de Porto Judeu deslocavam-se a pé ou a cavalo/carro de bois até Angra para vender excedentes agrícolas e comprar tecidos, sal, ferramentas e artigos importados.
Vigilância da Costa: Por estar no litoral açoriano, a freguesia estava exposta à ameaça de corsários e piratas que rondavam o Atlântico. Existiam pontos de vigia ao longo da costa e fortes de defesa (como o Reduto da Salga e o Forte de Santo Antônio) mantidos pela milícia local.
4. Perfil Demográfico e Familiar
Famílias Numerosas e Alta Mortalidade: Como era comum no século XVIII, os casais tinham famílias grandes (muitas vezes entre 6 e 12 filhos), mas a taxa de mortalidade infantil era elevada. A esperança média de vida raramente ultrapassava os 50–60 anos.
Casamento Rural Consanguíneo: Como a mobilidade entre ilhas ou até entre freguesias distantes era reduzida, era muito frequente os casamentos ocorrerem entre famílias da própria freguesia ou de freguesias vizinhas (como Feteira, Ribeirinha ou São Sebastião).
Emigração Insipiente: Na primeira metade do século XVIII, começava a intensificar-se a emigração de açorianos para o Brasil (especialmente para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, promovida pela Coroa portuguesa), embora o grande pico migratório tenha ocorrido a partir de 1748.
Resumo do Cenário de Vida (1717–1750)
Quando o casal se casou em 24 de janeiro de 1717, Porto Judeu era uma comunidade predominantemente camponesa e piscatória, profundamente religiosa, cujos dias eram regidos pelas estações do ano, pelas sementeiras e colheitas, pelo mar e pelos toques dos sinos da igreja paroquial.
Para saber mais sobre Porto Judeu, acesse os links abaixo:
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube
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| Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal |
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