José Vieira da Cunha e Catarina Portes del- Rei

 



  PS.:

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.

 

 José Vieira da Cunha e Catarina Portes del- Rei

 

José Vieira da Cunha, meu 8º avô, nasceu por volta de 1685 em São Francisco das Chagas de Taubaté, atual cidade de Taubaté, no interior do estado de São Paulo, e faleceu por volta de 1744 em São João Del Rei, Minas Gerais. Era filho de Mateus Vieira da Cunha e Beatriz Gonçalves.

Catarina Portes del- Rei, esposa de José Vieira e minha 8ª avó, nasceu por volta de 1690 na mesma localidade de seu esposo, ou seja, São Francisco das Chagas de Taubaté e faleceu antes de 1751 em São João del-Rei, Minas Gerais, embora não conste a data. Era filha do Capitão-Mor João Portes del-Rei e Isabel da Fonseca Pinto, ambos de Taubaté, São Paulo.

📜 A Origem do Sobrenome de Catarina

O sobrenome de Catarina é o resultado da união de duas linhagens antigas e importantes que se cruzaram na Ilha da Madeira, Portugal, por volta do ano 1500. Originalmente, o nome completo da família era Portes del Rey (ou Portes de El-Rei).

1. O Significado de "Portes"

  • Origem: É um nome de origem geográfica ou profissional, vindo do francês ou do espanhol.
  • O que significa: Significa literalmente "Portas" ou "Entradas".
  • A História: Esse nome era dado a quem morava perto das portas de uma cidade murada ou a quem tinha a função de guardiã das passagens e entradas de uma região fortificada. Na árvore de Catarina, esse nome vem de um imigrante espanhol que se estabeleceu na Ilha da Madeira, conhecido como João Portes, o Velho.

2. O Significado de "Del Rey"

  • Origem: É um termo da língua portuguesa antiga (De El-Rei).
  • O que significa: Significa literalmente "Do Rei".
  • A História: Este não era um sobrenome comum de nascimento, mas sim um título honorífico (uma honraria). Ele era concedido diretamente pelo Rei de Portugal a pessoas de extrema confiança que prestavam serviços militares ou políticos diretos à monarquia.

3. A Fusão: Como virou "Portes del Rey"

  • O tataravô de Catarina na Ilha da Madeira chamava-se Francisco Homem. Por ser um militar leal e oficial da corte, ele ganhou o direito de usar o título do Rei, virando Francisco Homem Del Rey.
  • Ele se casou com a filha do espanhol João Portes, O Velho.
  • Os filhos e netos desse casamento decidiram juntar os dois nomes para preservar o prestígio de ambas as famílias. Assim nasceu o sobrenome composto Portes del Rey. 

 Em resumo, o nome da sua 8ª avó significa que ela descendia de guardiões de passagens fortificadas (Portes) e de nobres cavaleiros que serviam diretamente à Coroa Portuguesa (Del Rey).

 Sob as Chagas de São Francisco: A União que Povoou o Sul de Minas

 José Vieira e Catarina, meus 8º avós, se casaram em Taubaté, São Paulo por volta de 1716, pois em 1717 já consta o nascimento do primeiro filho. Com certeza se casaram na Igreja São Francisco das ChagasTambém provavelmente vieram para São João del-Rei já com os filhos, pois consta que todos eles nasceram em Taubaté e foram povoadores do Sul de Minas.  José e Catarina eram pais de Luzia Moreira da Fonseca, minha 8ª avó, casada com João de Almeida Naves Neto. 


 

Sobre a localidade de Taubaté onde José Vieira e Cararina nasceram e viveram um tempo depois de casados

🏹 A Origem Indígena: Tabaybaté

Antes de os europeus, a região pertencia aos verdadeiros donos da terra: Os Guaianás.  O local onde a cidade nasceu era território de uma aldeia desses índios. Eles chamavam aquela região elevada de Tabaybaté (ou Taba-atê), que na língua Tupi significa "aldeia alta".

Quando os colonizadores portugueses e paulistas decidiram erguer a vila colonial, eles adotaram a sonoridade do nome que os indígenas já usavam, transformando "Tabaybaté" no nome Taubaté, adicionando a tradição católica e batizando o lugar como Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté

🏹 Da Aldeia Alta ao Quartel-General das Bandeiras

A antiga aldeia guaianá de Tabaybaté ("aldeia alta") transformou-se na Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté justamente por causa de sua posição geográfica estratégica. Ela ficava no topo do Vale do Paraíba, funcionando como a "boca do sertão".

Por volta de 1685, quando meus avós nasceram, a vila era a maior fábrica de bandeirantes do país. Dali saíam as grandes expedições armadas que rasgavam as matas em direção ao interior. Inclusive, foram bandeirantes taubateanos (como Antônio Rodrigues Arzão) que descobriram as primeiras grandes jazidas de ouro em Minas Gerais na década de 1690.

💰 A Vida Econômica (1685–1730)

A economia que meus 8º avós vivenciaram em Taubaté passou por uma transformação radical, dividida em dois momentos:

1. A Economia de Subsistência e Isolamento (1685 a 1695)

Na infância e juventude de seus avós, Taubaté era economicamente isolada.

  • O que sustentava a vila: A agricultura de subsistência. Plantava-se milho, feijão, mandioca e cana-de-açúcar.
  • Mão de obra: A riqueza dos moradores locais não era medida em moedas de ouro ou prata, mas sim pelo número de indígenas escravizados (muitos deles capturados nas próprias bandeiras) que trabalhavam nas lavouras.
  • Escambo: Quase não havia dinheiro circulando; as pessoas trocavam tecidos, ferramentas, animais e alimentos entre si.

2. A Febre do Ouro e a Oficina de Quintar (1695 a 1730)

Quando meus o8º avós começaram a ter os primeiros filhos, a descoberta do ouro em Minas Gerais mudou a economia de Taubaté da noite para o dia.

  • O Centro Financeiro: Em 1697, a Coroa Portuguesa instalou em Taubaté a primeira Oficina de Quintar o Ouro do país. Todo o ouro extraído em Minas precisava ser levado para Taubaté para ser derretido, pesado e ter o imposto do Rei (o "quinto") recolhido.
  • O Comércio Explodiu: A vila virou um centro comercial fervilhante. Comerciantes de todo lugar iam para lá vender ferramentas, gado, cavalos, roupas e escravizados africanos para os mineradores. O dinheiro começou a circular intensamente.

⛪ A Fé e o Futuro de Taubaté

Toda essa movimentação econômica e bandeirante acontecia sob os olhos da Igreja Matriz de São Francisco das Chagas, onde José  e Catarina, meus 8º avós batizaram os filhos e viviam sua fé.

Muitos séculos depois, aquela vila rústica de taipa, enriquecida pelo ouro e pelas bandeiras, daria frutos bem diferentes na história nacional: tornou-se a “Capital Nacional da Literatura Infantil”, por ser a terra natal do escritor Monteiro Lobato. É também onde foi erguido o primeiro templo no mundo em louvor a Santa Terezinha


Para saber mais sobre Taubaté, onde esses meus 8º avós nasceram e São João del-Rei, onde eles viveram, acesse os links abaixo:

👉Taubaté, São Paulo 

👉 Taubaté, São Paulo- vídeo Youtube

 

Atual Catedral de São Francisco das Chagas ocupa o mesmo lugar desde a fundação da cidade, mas o templo mudou muito. A igrejinha que existia ali entre 1690 e 1715 era menor e ficava em outra posição. Por volta de 1800, ela foi "girada" em 90 graus: a nave daquele templo antigo virou o que hoje é a Capela do Santíssimo! Da estrutura original daquela época, o que realmente restou intacto foi a belíssima talha de madeira do Altar-Mor e as paredes internas de taipa de pilão ocultas pelo reboco.


 
 
O imponente altar-mor da Catedral de São Francisco das Chagas, em Taubaté (SP). Embora a pintura clara e os detalhes dourados modernos lembrem mármore ou gesso, toda a estrutura ao fundo é, na verdade, uma raríssima talha de madeira colonial. Este retábulo é o elemento mais valioso do templo: ele sobreviveu intacto desde 1792 às drásticas reformas de modernização que descaracterizaram o interior da matriz na década de 1940. Foi exatamente neste mesmo ponto geográfico, em 1716, que meus 8º avós José Vieira e Catarina se casaram. Naquela época, o altar ainda era outro: uma estrutura mais escura, robusta e austera, típica do início do período barroco.

 
 
 
Taubaté, São Paulo- Detalhe no centro da Casa onde Monteiro Lobato viveu
 
 

 
Sobre a localidade de São João del-Rei, onde José Vieira e Cararina viveram um tempo e faleceram
 
  

De Taubaté ao Rio das Mortes: A Trajetória de José Vieira da Cunha e Catarina Portes

Como tantos outros paulistas da tradicional Vila de Taubaté, José Vieira da Cunha e Catarina Portes foram atraídos no início do século XVIII pelo irresistível brilho do ouro e pela promessa de rápida riqueza que ecoava dos sertões mineiros. O esgotamento das terras e das oportunidades no Vale do Paraíba, somado ao pioneirismo de parentes e conterrâneos — como o próprio Tomé Portes del-Rei, desbravador da região —, impulsionou o casal a subir a Mantiqueira. Eles buscavam a fortuna mineral que transformava as Minas Gerais no coração econômico da colônia, mas acabaram encontrando nas terras férteis do Rio das Mortes o espaço ideal para criar raízes sólidas.

A Herança de Sangue e o Fundador da Vila

Essa migração ganha contornos ainda mais fascinantes ao se constatar que a jornada de Catarina Portes del-Rei seguia as pegadas de sua própria linhagem. Ela era sobrinha-bisavó do célebre bandeirante paulista Tomé Portes del-Rei, também natural de Taubaté e consagrado historicamente como o fundador de São João del-Rei. Ao estabelecer o Porto Real da Passagem nas margens do Rio das Mortes por volta de 1700, Tomé estruturou o núcleo original que viria a receber o status de Vila em 1713, batizada em uma conjunta homenagem ao monarca português e à memória pioneira de seu sobrenome. Assim, ao fincarem raízes na comarca, José Vieira da Cunha e Catarina não desafiavam o sertão como completos desconhecidos, mas sim como herdeiros de um prestígio familiar profundamente entrelaçado com a própria fundação e o nascimento político daquela terra.

 A Comarca do Rio das Mortes entre 1730 e 1750

Entre as décadas de 1730 e 1750, a Comarca do Rio das Mortes vivia um período de intensa efervescência e transição. Embora a febre inicial da mineração de aluvião estivesse começando a dar os primeiros sinais de declínio, a região consolidava-se como o principal celeiro agrícola e polo de abastecimento de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Era uma terra de contrastes violentos e oportunidades: ao mesmo tempo em que a Coroa Portuguesa apertava o cerco fiscal com a cobrança dos quintos e a ameaça de derramas, a fronteira agrícola avançava a passos largos. O cenário era marcado por estradas movimentadas por tropas de mulas, o surgimento de dezenas de capelas rurais (que logo viravam arraiais) e uma forte tensão social, evidenciada pelas frequentes revoltas indígenas no oeste e pela formação de grandes quilombos de escravizados que fugiam da opressão das lavras.

 A Vila de São João del-Rei (A Sede da Comarca)

No centro desse vasto território pulsava a Vila de São João del-Rei, a orgulhosa "cabeça" da comarca. Distante do isolamento das fazendas rurais, a área urbana da Vila era um núcleo vibrante e cosmopolita para os padrões da época, apinhada de mineradores, reinóis, comerciantes e oficiais da Coroa. Suas ruas de pedra já viam erguer-se as imponentes estruturas da Matriz de Nossa Senhora do Pilar e o burburinho do comércio local, impulsionado pelas decisões da sua poderosa Câmara Municipal. A cidade funcionava como o coração administrativo, judiciário e religioso de toda a região: era para lá que os moradores das cercanias precisavam recorrer para registrar seus testamentos, batizar herdeiros na Matriz ou resolver disputas de terras, tornando a fisionomia urbana de São João del-Rei a grande referência de civilidade em meio ao sertão mineiro.

O Pouso da Família: Das Cercanias de São João del-Rei à Expansão para o Sul

Embora os registros formais apontem os óbitos de José Vieira e Catarina vinculados de forma genérica à Vila de São João del-Rei, as evidências documentais indicam que eles residiam, na verdade, na vasta área rural que compunha a Comarca do Rio das Mortes. Consta que, inicialmente se estabeleceram nas cercanias de São João del-Rei. Embora o termo "cercanias" seja historicamente amplo, a rápida fixação e o batismo de seus primeiros netos na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Barra, sugerem fortemente que a fazenda original do casal ficava localizada naquela região — posicionada estrategicamente como a porta de entrada para a rota que seus filhos e descendentes utilizariam logo em seguida para colonizar paragens mais ao sul, como Carrancas e Campanha.


 

Para saber mais sobre São João del-Rei, acesse os links abaixo:  

 
 
 
São João del-Rei, Minas Gerais- Detalhe Igreja São Francisco de Assis
 

Acesse o link abaixo para saber sobre Tomé Portes del-Rei, o bandeirante que fundou são João del-Rei, o tio-avô de Catarina e meu 10º tio-avô:

👉 Tomé Portes del-Rei


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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha