José Fernandes e Ângela Maria de Jesus
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
José Fernandes e Ângela Maria de Jesus
Sobre Ribeirinha
1. Uma Paróquia Independente e Consolidada
A Ribeirinha já era uma paróquia independente desde 1568, desmembrada da Sé de Angra. Portanto, entre 1679 e 1735, a freguesia já tinha mais de um século de autonomia eclesiástica.
A Igreja Paroquial: O centro da vida comunitária era a primitiva Igreja de São Pedro (o padroeiro local). Essa igreja original do século XVI passou por reformas e modificações exatamente ao longo do século XVIII para comportar o crescimento da população. Era ali que ocorriam todos os batizados, casamentos e óbitos da paróquia.
A Devoção ao Espírito Santo: Embora os "Impérios" físicos (as capelinhas coloridas) ainda não fossem de pedra como os que vemos hoje, as festividades do Divino Espírito Santo já moviam a comunidade. As coroações e os bodos (distribuição de carne e pão aos mais pobres) eram organizados em estruturas temporárias de madeira ou dentro de casas particulares.
2. A Vida Econômica: Agricultura e Pecuária
Localizada no litoral sul da ilha, logo acima de Angra, a Ribeirinha tinha (e tem) uma posição geográfica privilegiada, espalhando-se pelas encostas da Serra da Ribeirinha.
Celeiro de Angra: Pela proximidade com a capital da ilha (cerca de 4 a 5 km), a freguesia funcionava como uma fornecedora essencial de alimentos.
Culturas da Época: O quotidiano da população era o trabalho na terra. Produzia-se essencialmente o trigo (base da alimentação e exportação), o milho (introduzido e já muito popular), legumes e o cultivo de vinhas nas encostas.
A Pecuária: A criação de gado bovino para leite e carne, aproveitando as pastagens verdes da serra, já era uma marca forte dos homens da localidade.
3. Sociedade e Estilo de Vida
Nesse período (1679-1735), a população vivia sob uma estrutura social tipicamente rural, mas fortemente influenciada pelas ordens religiosas e pela aristocracia de Angra.
Casas Rústicas: As habitações comuns eram simples, feitas de pedra vulcânica empilhada (muitas vezes rebocadas de cal branca) e cobertas de palha ou telha artesanal.
O Tecido Social: A maioria dos moradores era de camponeses, lavradores e pequenos artesãos (como sapateiros e carpinteiros). No entanto, algumas famílias abastadas de Angra possuíam terras na Ribeirinha, utilizando-as como propriedades de veraneio ou exploração agrícola.
4. O Contexto das Migrações
Esse período exato entre o final do século XVII e o início do século XVIII começou a ser marcado por uma forte crise de superpopulação nos Açores. A terra começou a ficar escassa para tantos filhos, e as crises de fome pontuais — causadas por maus anos agrícolas ou tremores de terra — começaram a empurrar muitos terceirenses e açorianos a olharem para o horizonte.
Foi justamente no final desse período que a Coroa Portuguesa começou a incentivar e organizar de forma mais intensa a emigração de casais açorianos para o Brasil (sobretudo para colonizar o Sul, mas também atraídos pelo fluxo do ouro em Minas Gerais).
Imaginar a Ribeirinha entre 1679 e 1735 é visualizar um cenário de homens e mulheres de rosto grave e fisionomia calejada pelo vento atlântico, subindo as ladeiras de terra e pedra, cuidando do gado com os olhos voltados para o mar de Angra e, muitas vezes, sonhando com as terras distantes do além-mar.
Sobre as localidades onde viveram meus 8º avós José Fernandes e Ângela Maria, acesse os links abaixo:
👉Sobre Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal
👉Imagens de Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal
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| Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal |
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