João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus (a mais nova das 3 Ilhoas)
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PS.:
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus (a mais nova das 3 Ilhoas)
João de Rezende Costa, meu 8º avô, nasceu no dia 2 de novembro de 1696, portanto, dia de finados. Nasceu na localidade denominada de Flor da Rosa Baixa na Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, em Açores, Portugal. Ele faleceu em 08 de maio de 1758, com 62 anos, e foi sepultado em Prados, Minas Gerais, Brasil. Era filho de Manuel de Rezende e Ana da Costa. João tinha um avô (por parte de pai) que era moleiro, ou moedor de cereais. Pra saber sobre a localidade onde João de Rezende nasceu, acesse os links abaixo:
👉 Imagens Vila do Porto, Ilha de Santa Maria , Açores Portugal
👉 Sobre Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores, Portugal
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| Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores, Portugal |
Helena Maria de Jesus, esposa de João de Rezende Costa e minha 8ª avó, era a mais nova das famosas Três Ilhoas, vindas para o Brasil da Ilha de Faial em Açores, Portugal. Helena nasceu no dia 15 de janeiro de 1710, na Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha de Faial, Arquipélago de Açores, Portugal. Foi batizada em 17 de janeiro de 1710, na Igreja Nossa Senhora das Angústias. Helena era filha de Maria Nunes e Manuel Gonçalves, cujo apelido era Burgão. Helena teve 5 irmãos, porém, 2 eram já falecidos, assim como o pai, quando veio para o Brasil com suas irmãs, um irmão e a mãe.
Para saber sobre a localidade onde nasceu Helena Maria de Jesus acesse os links abaixo:
👉Sobre Freguesia Nossa Senhora das Angústias, Ilha do Faial, Açores, Portugal
👉Imagens da Freguesia Nossa Senhora das Angústias, Ilha do Faial, Açores, Portugal
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| Freguesia Nossa Senhora das Angústias, Ilha do Faial, Açores, Poertugal |
Bem, foi então na ilha de Santa Maria, chamada de “Ilha do sol” e que também já foi chamada de “Ilha dos Lobos”, que meu 8º avô João de Rezende Costa, viveu como um simples camponês, trabalhando o campo com disposição e dignidade. Certamente plantando milho, trigo, e talvez uvas, com seus pais. Gente disposta e amiga da honra como bem disse Gaspar Frutuoso em seu livro “Saudades da terra”, onde o autor também delineia os traços do povo dessa ilha. Assim pelos olhos de Gaspar Frutuoso, posso imaginar meu 8º avô: alto de corpo, de rosto grave, bela fisionomia e educado.
Bem, em 1702, meu 8º avô João de Rezende, com 6 anos, já era órfão de pai e em dezembro de 1717, com 21 anos perdeu também a mãe. Ele veio para o Brasil no início do século XVIII. Conforme relatos veio com seus tios e primos e pessoas de outras ilhas de Açores. Não se sabe o ano exato. Alguns relatos dizem que foi em 1716, o que não parece provável, uma vez que sua mãe faleceu em 12 de dezembro de 1717 na Vila do Porto e João veio para o Brasil já órfão também de mãe. Logo deve ter vindo depois de 1717. Contudo, é fato real que em 1720, João de Rezende meu 8º avô, já estava na Capitania de Minas Gerais, Brasil, pois, encontra-se registrada a sua admissão numa irmandade de Prados, Minas Gerais, no dia 01 de dezembro de 1720.
Quanto aos irmãos de João de Rezende, possivelmente ficaram todos na Vila do Porto, exceto sua irmã mais nova Maria Rosa, que depois do casamento em 1722 na Vila do Porto, teria vindo para o Brasil, pois consta seu falecimento em Prados, Minas Gerais, em janeiro de 1776. Possivelmente João de Rezende, seu irmão, influenciou essa vinda.
É possível dizer que João de Rezende, meu 8º avô, levava uma vida medíocre na Vila do Porto, apesar do paraíso que o rodeava. Órfão, nada mais o prendia ali. Não fosse assim, ele não teria sonhado com algo maior em terras distantes. Além disso, a Coroa Portuguesa estava facilitando as vindas para o Brasil, sobretudo de camponeses com coragem, pois faltava quem desbravasse a terra virgem e explorasse o ouro. Quanto ao ouro, segundo notícias, brotava do chão e boiava nos rios na Capitania de Minas. E claro, também enlouquecia as pessoas, fosse rico ou pobre, fosse negro ou índio... Enquanto nos Açores havia uma superpopulação que gerava, inclusive, crises de fome, sem contar os tremores de terra e erupções vulcânicas que aconteciam. Esses fatores animaram alguns habitantes de Açores a solicitar à Coroa portuguesa, autorização para a vinda para o Brasil. Juntou-se a fome com a vontade de comer.
Assim, além de autorizar a vinda desse povo, a Coroa Portuguesa ainda lançou mão de incentivos atraentes, tipo, facilitando os custos da viagem, a instalação dos colonizadores nos rincões ermos, seja doando ou financiando terras, seja ajudando a se manterem até produzirem alguma coisa.
Foi assim que João de Rezende, meu 8º avô veio parar no Brasil deixando para trás o lugar onde nascera e os parentes. O sonho, às vezes é maior que tudo, e ainda bem que é, pois não fosse assim, talvez eu não existisse.
Relata-se no livro “Engenho Velho do Cataguás” de Climeia Rezende, que, durante a viagem, João de Rezende fez alguns amigos como Diogo Garcia, que se casaria depois com minha 8ª tia-avó, irmã de minha 8ª avó Helena Maria, a Ilhoa. Com ele veio também Domingos Xavier Fernandes, este que se tornaria meu 9ª avô, pois seria o avô de Tiradentes e de minha 7ª avó Antônia Rita de Jesus Xavier. Ou seja, havia todo um complô do destino. e me emociono em pensar nesse complô.
Bem, sobre o ouro brotar do chão e boiar nos rios da Capitania de Minas, certamente não era fake News. É fato certo e documentado que o ouro fornecido pelo Brasil entre 1700 e 1770 foi o equivalente a toda a produção de ouro do resto da América entre 1493 e 1850. Ou seja, em setenta anos, o Brasil, sobretudo, Minas Gerais, produziu o que se produziu em toda a América em 350 anos. Foi uma coisa de louco, o que justificava a loucura das pessoas correndo atrás do pozinho amarelo. Nem o “quinto”, imposto que infernizava a vida das pessoas, era motivo para deter a corrida do ouro, para alegria da Coroa Portuguesa.
Contudo, em meio aos loucos, estão os mais pés no chão. João de Rezende, meu 8º avô e seus amigos eram desse último rol. Estavam acostumados a enfrentar uma realidade dura em Açores. O que viesse era lucro, razão porque foram cautelosos e preferiram aliar várias ocupações, dedicando-se não só à mineração, mas também à agricultura e criação de gado. E a estratégia deu certo pois logo progrediram.
Bem, assim que chegaram ao Brasil, João de Rezende, meu 8º avô, e toda a turma de portugueses aventureiros, se enveredaram pelo Caminho Novo, rumo à Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais. Era uma longa viagem de mais ou menos 500 km no lombo de mulas e burros encargueirados de tralhas, através de trilhas que serpenteavam, atravessando a densa Mata Atlântica e trechos de Cerrados ainda intactos, sem contar as serras, os vales, os despenhadeiros e rios. Vale frisar que nessa época, a região era ainda percorrida por tribos de índios nômades, como os Coroados, que embora ferozes, viviam guerreando apenas entre si mesmos.
João de Rezende,
meu 8º avô e seus companheiros chegaram à região do Arraial Velho de Santo
Antônio, assim chamado até 1718, quando foi elevado à categoria de Vila de São
José Del-Rey, hoje Tiradentes. Era um vilarejo barrento e cheio de pessoas
suspeitas e prostitutas mulatas que encaravam os homens, segundo Climeia
Rezende em seu livro” Engenho velho do Cataguás”. Mas não tinha mais como
voltar atrás. Agora era tudo ou nada. E
felizmente, foi tudo, pois não demorou muito e meu 8º avô João de Rezende Costa
comprou o sítio de Carandaí que tornou-se depois a imensa Fazenda Engenho Velho
do Cataguás. Nesse sítio dedicou-se à cultura de subsistência, ou seja, milho,
feijão, algodão, cana de açúcar. Também se dedicou a criação de gado e cavalos.
E também minerou. Sua estratégia deu
certo, considerando a necessidade de mercado da época, pois, no século XVIII
havia surtos de fome já que nem todas as pessoas pensavam em plantar, mas
somente irem atrás de ouro. Dessa forma, em poucos anos, meu 8º
avô
João de Rezende já era um homem bem-sucedido e pode erguer a belíssima sede da
Fazenda Engenho Velho do Cataguás, cujo nome, tem a ver com um velho moinho
dos índios Cataguases que existia na propriedade. Apenas relatos de Climeia
Rezende que devem ter seu teor de verdade.
A sede da fazenda fica há cerca de 150 metros da margem esquerda do córrego da Boa Esperança, na sua confluência com o ribeirão dos Cataguases, também chamado de ribeirão do Bom Retiro. A sede encanta até os dias atuais com sua bela construção em estilo colonial que resistiu ao tempo, assim como a senzala, capela e extensos muros de pedra cercando os pátios e pastos, bem como utensílios e móveis daquele tempo. Resiste, inclusive, uma figueira ao lado do muro de Pedro, onde teria sido antes uma porteira.
Atualmente a fazenda foi tombada como patrimônio histórico de Minas Gerais, com o nome de Fazenda do Engenho Grande do Cataguás, sendo famosa pela criação dos jumentos “Pega”. Contudo, a sede da fazenda não é aberta ao público.
Para que a povoação dos sertões mineiros pudesse acontecer, os portugueses promoveram o genocídio dos Cataguazes. Foi um massacre violento entre a tropa de um tal Lourenço Castanho Taques e esses índios. Valentes que eram, os Cataguazes resistiram defendendo seu território. E com razão, afinal estavam tomando o que era deles. No entanto, foram vencidos, mortos, expulsos ou escravizados. E assim o povoamento e colonização de Minas Gerais pode acontecer de fato, começando especificamente por volta do ano de 1674, com a descoberta de ouro naquelas paragens do Rio das Mortes.
A febre do ouro que tomava conta do aventureiros, ia transformando as sinuosas picadas abertas por índios e bandeirantes em caminhos reais. Inclusive, o Caminho da Estrada Real passava e passa ainda, claro, na porta da Fazenda Engenho Velho do Cataguás. Era nesse trecho que parte da história de Minas Gerais ia sendo escrita. E parte da história de meu 8º avô e seus descendentes, aos quais posso me incluir, já que sou sua 8ª neta.
Interessante pensar que, da pacata ilha de Santa Maria no Açores, Portugal, meu 8º avô João de Rezende Costa se viu transportado para esse sertão praticamente sem lei, a “Paragem dos Cataguases”. Aqui trabalhou duramente conseguindo progredir como já foi dito. E sua solidão, só teve fim em 1726, quando finalmente se casou com Helena Maria de Jesus, a bela açoriana loura de olhos verdes, a quem chamavam de Ilhoa.
Sobre minha 8ª avó Helena Maria de Jesus, a Ilhoa mais nova, veio para o Brasil em 1723 juntamente com sua mãe já viúva, o irmão Antônio Nunes já casado com a sobrinha de Diogo Garcia, amigo de seu pai. Veio também suas irmãs Júlia Maria da Caridade e Antônia da Graça, está já casada e com duas Filhas. Manuel Gonçalves, o Burgão, pai de Helena Maria, minha 8ª avó, também viria, incentivado pelo amigo Diogo Garcia que já estava no Brasil. Contudo, foi morto em umas dessas pescarias perigosas. Uma baleia varreu com a cauda o barco em que estava, matando-o. A esposa, Maria Nunes, esposa de Burgão, cujo sustento dependia dele, ficaram em uma situação difícil na Ilha de Faial, o que reforçou a vinda para o Brasil com o apoio de Diogo Garcia amigo de Burgão como já dito. Ele instalou toda a família em seu sítio no Rio das Mortes Pequeno, na Freguesia de São João Del-Rei, Minas Gerais e acabou se casando em 1724 com uma das Ilhoas, a Júlia Maria da Caridade, irmã de Helena Maria, minha 8ª avó.
Quanto a Helena Maria de Jesus, a Ilhoa mais nova, e minha 8ª avó, se casou com o amigo de Diogo Garcia, o jovem João de Rezende Costa, meu 8º avô. Como já dito, ele era dono da vasta Fazenda Engenho Velho do Cataguás. Conquistar Helena Maria de jesus não foi uma tarefa fácil para João de Rezende. Isso segundo os relatos romanescos de Climeia Rezende em seu livro “Engenho Velho do Cataguás”. Relatos que, segundo a autora, foram passados oralmente de geração em geração. Pois bem, dizia-se que Helena era muito tímida, mas João era determinado, afinal se havia atravessado o Atlântico, uma viagem de quase três meses, para construir um futuro tão longe, certamente não seria difícil conquistar a bela loira de olhos verdes. Apesar disso, a conquista foi lenta. Relata-se que Helena Maria, de tanto observar a coragem e determinação do jovem João de Rezende, passou a admirá-lo. Junta-se a isso o fato de João ter uma bela fisionomia, como bem disse Gaspar Frutuoso no seu livro “Saudade da terra” a respeito dos moradores da Ilha Santa Maria de Açores. Assim, em um impulso de coragem, um dia Helena dirigiu a palavra a João.
João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus se casaram em uma manhã ensolarada do dia 13 de outubro de 1726, um domingo, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Prados, comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais. João com 31 anos e Helena com 16 anos.
João de Rezende Costa, meu 8º avô, faleceu em 08 de maio de 1758 como já foi dito antes e sepultado dentro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Prados, em Prados, Minas Gerais. Um mês antes, estando gravemente enfermo e acamado, pressentiu a morte, razão pelo qual redigiu seu testamento. Era uma sexta-feira, 7 de abril de 1758 quando João, meu 8º avô, já com 62 anos, ditou seu testamento começando assim: “ Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, que saibam quantos este público instrumento virem, que no ano do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e cinquenta e oito, aos sete dias do mês de abril, eu João de Rezende Costa estando doente numa cama de doença que Deus foi servido dar-me; mas, em meu perfeito juízo e entendimento e temendo-me da morte, desejando pôr a minha alma no Caminho da Salvação, por não saber o que Deus nosso Senhor de mim quer fazer, e quando será servido de me levar para Si, faço este testamento...”
Como se sabe, o testamento é a manifestação de última vontade de uma pessoa, através do qual ela estabelece o que deve ser feito com seus bens após a morte. É comum também constar recomendações diversas.
Assim, no testamento de João de Rezende, meu 8º avô, ele especificou, por exemplo, algumas dívidas que fizera para utilidades da casa; especificou também o desejo de ser amortalhado, ou seja, envolto, no hábito de São Francisco de quem era devoto desde quando vivia na Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores, Portugal; pediu para ser sepultado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Prados, sepultura a que tinha direito como provedor que era da Irmandade Santíssimo Sacramento. Vale frisar que João era também devoto da Virgem Maria, do Apóstolo São Mateus, São José, São Joaquim, Santa Ana e Santo Antônio, aos quais pede no testamento que intercedam por sua alma ao Senhor Jesus Cristo.
Bem, além das missas de corpo presente, que seriam oito, rezadas pelo Pároco e demais padres, meu 8º avô João de Rezende, manifestou ainda o desejo de que em seu velório e enterro, estivessem presentes treze pessoas pobres, a quem seria dado a cada um, uma vela, e como esmola, a quantia de meia oitava de ouro, ou seja quase 2 gramas, que na época equivalia a uma moeda de prata ou 600 réis. Em seu velório e enterro deveria estar também as três irmandades da Igreja da qual ele fazia parte.
Em seu testamento, meu 8º avô João de Rezende, ainda determina outras missas, como as 52 que deveriam ser rezadas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de cuja confraria fazia parte; outras oitenta pelas almas, em qualquer Igreja; mais 100 missas pela própria alma, em Prados; 40 missas pelas almas de seus pais, sogros, irmãos e parentes.
Além das missas , meu 8º avô, manifestou no testamento o desejo generoso de destinar 40 oitavas de ouro para obras da Igreja de Prados, em torno de 140 gramas; quarenta mil réis para o convento de São Francisco da Ilha de Santa Maria, freguesia de Nossa Senhora da Assunção, em Portugal onde nascera; 22 oitavas de ouro para a Irmandade das Almas da freguesia dos Prados; 25 oitavas de ouro à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário; 20 oitavas de ouro à Casa Santa de Jerusalém.
Percebe-se que meu 8º avô João de Rezende era uma pessoa religiosa e temente a Deus, e tudo que designou em seu testamento como sufrágio de sua alma, era o desejo de que a mesma fosse salva.
Quanto à Helena Maria de Jesus, esposa de João de Rezende Costa e minha 8ª avó, faleceu no dia 29 de março de 1772 na sede fazenda do Engenho Velho do Cataguás, quase 14 anos depois do marido. Tinha 62 anos.
O seu testamento foi redigido pelo Vigário da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição dos Prados, 5 anos antes, no dia 03 de agosto de 1767. Como afirma em seu testamento: “ eu, Maria Helena, estando alguma coisa enferma, mas de pé, e em meu perfeito juízo, entendendo e temendo-me da morte, por não saber quando Deus será servido levar-me para Si, faço este Testamento...” Percebe-se que quando as pessoas adoeciam naquele tempo, certamente tinham a consciência de que não seriam curadas, pois não havia muitos recursos. O testamento, como já foi dito, manifestava a última vontade da pessoa, e era uma forma de evitar conflitos entre herdeiros.
Com relação ao fato de Helena Maria, minha 8ª avó admitir-se enferma em 03 de agosto de 1767, conforme minha dedução, provavelmente seria em razão da tristeza e luto pelo falecimento da filha caçula Ana Joaquina de Resende. Não é difícil imaginar a dor de uma mãe amorosa, afinal essa sua filha, por sinal minha 7ª tia-avó, com apenas dezoito anos, e casada há apenas um ano e seis meses, havia falecido no dia 23 de julho de 1767, ou seja, 11 dias antes de Helena Maria, sua mãe, redigir o testamento.
Ao que tudo indica, Ana Joaquina, a filha de Helena faleceu por complicações no parto da filha que foi batizada dois dias antes do falecimento da mãe. No mesmo dia do batizado da filha, dia 21, Ana Joaquina, filha de Helena, redigiu seu testamento, possivelmente não estava bem, pois faleceu dois dias depois na sua fazenda na localidade de Ressaca, Minas Gerais, onde vivia. Em seu testamento determina, entre outras coisas, que seus vestidos e saias de veludo e cetim, inclusive o vestido de casamento, fossem dados a algumas de suas primas, as quais cita os nomes, certamente as mais chegadas a ela.
Bem, voltando à Maria Helena, minha 8ª avó, em seu testamento, ela manifesta o desejo de ser amortalhado no hábito de Nossa Senhora do Monte do Carmo e sepultada na mesma sepultura, onde João de Rezende seu esposo fora sepultado quase 14 anos antes, dentro da Capela-Mor da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos prados. Conforme desejo, seu enterro seria acompanhado pelo Pároco e demais padres, os quais rezariam 20 missas de corpo presente. Ainda conforme seu desejo, no dia do enterro seria doado aos pobres que a acompanhassem, 32 oitavas de ouro. Seria doado ainda 100$000(cem mil réis) à Irmandade do Santíssimo e à Fábrica (Conselho constituído de clérigos e leigos, sujeito à aprovação do bispo, e cujas funções se restringem à administração dos bens de uma paróquia).
No testamento, Helena Maria fala também de uma carta que deixaria lacrada para ser aberta no momento certo. Declara ainda que o sítio onde viviam fora vendido a seu filho, o Padre José de Rezende Costa, desde quando o esposo João de Rezende estava vivo. Ao que tudo indica, João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus, meus 8º avós, possuíam apenas o usufruto da casa do Engenho Velho do Cataguás e que os filhos padres, João de Rezende e Gabriel, é que ajudavam na manutenção da fazenda, tendo pago algumas dívidas e com isso teriam recebido o sítio como pagamento.
João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus, meus 8º avós, tiveram 15 filhos. Foram uma respeitada família com forte influência na história política e social do país. Apesar disso, eram pessoas simples, honestas e religiosas.
Seus 15 filhos foram, a saber:
1. João de Rezende Costa. (Tinha o mesmo nome do pai e foi o primeiro Rezende a nascer no Brasil. Ordenou-se Padre, abençoando toda a descendência da família que viria a seguir. Foi vigário da Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Prados até a data de sua morte em 1788. Adquiriu a propriedade de seus pais em lagoa Dourada).
2. Capitão José de Rezende Costa (foi inconfidente condenado ao degredo em Cabo Verde, onde faleceu três anos depois de partir para o exílio)
3. Maria Helena de Jesus
4. Capitão Antônio Nunes de Resende
5. Julião de Resende Costa (faleceu com cinco anos)
6. Ana Maria de São Joaquim (minha heptavô ou 7ª avó), cuja filha Ana Joaquina de Rezende se casou com Antônio Machado de Miranda, meu hexavô.
7. Manoel da Costa Rezende
8. Gabriel da Costa Resende (também foi ordenado padre)
9. Helena Maria de Resende
10. Teresa Maria de Jesus
11. Josefa Maria de Resende
12. Tenente Julião, da Costa Resende
13. Gonçalo Resende (faleceu criança com mais ou menos 4 anos)
14. Joaquim José de Rezende
1 15. Ana Joaquina de Resende (tinha apenas 18 anos e 1 ano e meio de casada quando faleceu em 23 de julho de 1767. Teve uma filha única batizada em 21-07-1767. Ao que tudo indica, faleceu após o parto da filha)
Desses filhos, destaco Ana Maria de São Joaquim, minha heptavó ou 7ª avó, casada com o Capitão Manoel da Motta Botelho. A filha Ana Joaquina de Rezende se casou com Antônio Machado de Miranda, meu 6º avô ou hexavô de quem descende o vovô Tõe.
Para saber sobre a Fazenda Engenho Velho do Cataguás em Lagoa Dourada , Minas Gerais, onde viveram meus 8º avós João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus acesse o link abaixo:
👉Imagens da Fazenda Engenho Velho de Cataguás, Lagoa Dourada, Minas Gerais
👉Ainda sobre a Fazenda Engenho Velho do Cataguás, Lagoa Dourada, Minas Gerais
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| Fazenda Engenho Velho de Cataguás |
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| Detalhes dos muros de pedra da Fazenda Engenho Velho do Cataguás |
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| Fazenda Engenho Velho de Cataguás- Senzala |
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Para acessar o testamento de João de Rezende Costa, meu 8º avô,clique no link abaixo:
👉https://resgatedahistorya.blogspot.com/2016/02/joao-de-resende-costa.html?view=mosaic
Para acessar o testamento de Helena Maria de Jesus, minha 8ª avó, clique no link abaixo:
👉https://resgatedahistorya.blogspot.com/2016/02/elena-maria.html?view=mosaic
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