João de Almeida Naves Neto e Luzia Moreira da Fonseca

 

  PS.:     

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou heptavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.



 João de Almeida Naves Neto e Luzia Moreira da Fonseca

 

João de Almeida Naves Neto, meu 7º avô, nasceu aproximadamente em 1715 em Santana do Parnaíba, São Paulo. Faleceu em Minas Gerais, sem data e local específico. Mas é certo que foi depois de 1767, pois nessa data ainda nasceu seu último filho. Possivelmente faleceu em Lavras, Minas Gerais, que por volta de 1750 ainda era Arraial de Sant'Ana das Lavras do Funil. Consta que seus filhos nasceram nessa região de Lavras, logo devia viver por lá. Mas como o arraial ainda dependia administrativamente da igreja vizinha, os registros oficiais de batismo  e casamento dos filhos foram lavrados nos livros da Freguesia de Carrancas.

Interessante ressaltar que João era filho único. O motivo não foi possível saber. Além disso, ele ganhou o nome do avô materno e nasceu no ano que esse avô faleceu, conforme inventário em 1715. Dessa forma João não conheceu o avô que tinha fama de ser zangado. João era filho de Domingos Lopes da Silva e Florência da Silva Naves, já citados antes em 8º avós.

 Luzia Moreira da Fonseca, esposa de João e minha 7ª avó, nasceu entre 1725 e 1730 em Taubaté, São Paulo, de acordo com o Family Search e o Projeto Comaprtilhar. Sem data e local de falecimento. Possivelmente teria sido também em Lavras, Minas Gerais, onde nasceram a maioria de seus filhos. Logo vivia por lá. Era filha de José Vieira da Cunha e Catarina Portes del-Rei, já citados antes em 8º avós.

Luzia e João, meus 7º avós, se casaram em Taubaté, ou Santana do Parnaíba, São Paulo, por volta de 1753, pois seu primeiro filho, que era uma menina, nasceu em janeiro de 1754, já em Lavras, Minas Gerais.  Provavelmente foram recém-casados para Minas. Consta que tiveram 8 filhos, entre eles, João Naves Damasceno, meu 6º avô, casado com Ana Vitória de São Tomé.

 


 
Sobre Taubaté, Santana do Parnaíba e Lavras
 Para entender por que João de Almeida Naves e Luzia Moreira da Fonseca deixaram a Capitania de São Paulo na década de 1750, precisamos voltar no tempo e compreender o cenário das terras que deixaram para trás e o mistério da terra que os atraiu.
O Berço Paulista: Santana do Parnaíba e Taubaté (Início do Século XVIII a 1753)
Nas primeiras décadas do século XVIII, Santana do Parnaíba e Taubaté não eram apenas vilas; eram os maiores "quartéis-generais" da expansão territorial do Brasil.
  • Sociedade de Conquistadores: Essas vilas eram formadas por clãs endogâmicos (famílias que casavam entre si) altamente conectados. Quase todo mundo era parente. Crescer ali significava ouvir, desde o berço, histórias de expedições, perigos nas matas e descobertas de riquezas.
  • A Crise das Terras Antigas: Por volta de 1750, a situação econômica em São Paulo era difícil. Após décadas enviando homens para as minas, as terras paulistas originais estavam esgotadas, empobrecidas ou fragmentadas por heranças sucessivas entre muitos filhos.
  • O Dilema da Nobreza da Terra: Famílias tradicionais como os Portes del-Rei e os Fonseca possuíam status social, mas viam seu patrimônio encolher. Para os jovens casais que queriam manter o prestígio e dar um futuro aos filhos, a única saída era migrar.

 O Destino: Arraial de Sant’Ana das Lavras do Funil
Enquanto São Paulo empobrecia, o Sul de Minas Gerais fervilhava. O destino escolhido pelo casal foi o promissor Arraial de Sant'Ana das Lavras do Funil (a atual cidade de Lavras).
  • O Cenário em 1753: Lavras do Funil já não era mais aquele acampamento selvagem e caótico dos anos 1720. O arraial estava se consolidando. Inclusive, em 1751 (apenas dois anos antes da provável mudança do casal), a comunidade havia conquistado a licença para construir sua Capela de Sant'Ana. Isso trazia segurança jurídica, batizados e casamentos legalizados — o ambiente perfeito para criar uma família. Vale ressaltar  que, mais ou menos na metade do século XVIII, um pouco mais, quando João e Luzia, meus 7º avós já viviam em Lavras, o povoado possuía cerca de mil habitantes. Por esse tempo já enfrentava a escassez do ouro e, consequentemente, a agricultura e a pecuária se tornaram as principais atividades da região a partir de então. O arraial de Sant'Ana das Lavras do Funil, passou a ser Lavras só em 1868.
  • A Nova Riqueza (Muito Além do Ouro): Embora o ouro de aluvião estivesse começando a escassear na região por volta de 1755, Lavras revelou uma riqueza ainda mais duradoura: a fertilidade de seu solo e as pastagens. A estratégia não era mais garimpar, mas sim abastecer. O mercado consumidor de Vila Rica (Ouro Preto) e São João del-Rei precisava desesperadamente de carne, milho, feijão e toucinho. Lavras tornou-se o celeiro da região.  

Ainda sobre Lavras, um dos acontecimentos mais marcantes do povoado no século XIX foi sua participação na Revolução Liberal. Por pouco mais de um mês, entre 14 de junho e 22 de julho de 1842, liberais e conservadores mantiveram seus respectivos quartéis no largo da Matriz de Sant’Ana.

Nos dias atuais, Lavras é conhecida como a cidade dos ipês e pela qualidade das escolas, com destaque para a Universidade Federal de Lavras (UFLA), uma importante instituição de ensino superior fundada em 1908.  


O Fator Decisivo: A Rede de Parentesco e Proteção
Ninguém se aventurava pelo sertão colonial rumo ao desconhecido sem garantias. O casamento de João e Luzia em São Paulo seguiu a lógica clássica da época: um arranjo estratégico de forças.
  • Portas Abertas pelos Pioneiros: O grande trunfo do casal era o sangue que carregavam. Luzia era bisneta de Tomé Portes del-Rei, o lendário fundador de São João del-Rei. Além disso, o fundador das Lavras do Funil era o capitão Francisco Bueno da Fonseca, um poderoso bandeirante parnaibano cujos laços familiares e políticos se entrelaçavam com os clãs de Luzia esposa de João, e por isso se cruzaram comigo também.
  • Terras e Proteção: Ao chegarem em Minas, João e Luzia não eram "forasteiros". Foram acolhidos por uma rede de proteção que já dominava a política local, o que facilitou o acesso a valiosas cartas de sesmaria (concessões de terras).

Um Novo Capítulo em Minas Gerais
 O Legado na Terra: A Fazenda das Lavras
Toda a base econômica e a sobrevivência da família na nova região orbitaram em torno de uma propriedade de forte valor histórico e geográfico: a Fazenda das Lavras (frequentemente citada nos inventários da época como Fazenda Velha das Lavras). O nome da propriedade era uma herança direta da corrida do ouro que havia desenhado o mapa do Sul de Minas Gerais poucas décadas antes; o termo "lavras" fazia referência exata às antigas escavações e minas de ouro de aluvião que operavam ali nos tempos dos primeiros bandeirantes. Quando o metal precioso começou a escassear nas margens dos rios, o clã dos Naves demonstrou uma visão estratégica brilhante: em vez de insistir no garimpo decadente, limparam o mato, aproveitaram as ricas pastagens e a água abundante daquela antiga área de mineração e transformaram o solo em um celeiro altamente lucrativo de agricultura e pecuária. Foi nessa transição da bateia para o arado que a Fazenda das Lavras se consolidou como o grande berço e patrimônio da linhagem. 

 


 

👉 sobre João e Luzia no Blog dos Naves

 

Para saber sobre Santana do Parnaíba, São Paulo, onde meu 7º avô João de Almeida Naves nasceu, acesse o link abaixo: 

 👉Santana do Parnaíba, São Paulo 

👉Santana do Parnaíba, São Paulo. Vídeo Youtube 

 

Santana do Parnaíba, São Paulo. Detalhe Igreja de Santa Terezinha

 

 

Santana do Parnaíba, São Paulo. Memorial dos Bandeirantes

 


 

Para saber sobre Taubaté, onde nasceu Luzia Moreira da Fonseca, minha 7ª avó, acesse o link abaixo:

👉Taubaté, São Paulo 

👉Taubaté, São Paulo. Vídeo Youtube 



Taubaté, São Paulo

 

 

Taubaté, São Paulo,  residência onde vivia Monteiro Lobato

 

 

 


Para saber mais sobre Lavras acesse o link abaixo: 

👉Lavras, Minas gerais

👉Lavras, Minas Gerais. Vídeo Youtube 

 

Lavras, Minas Gerais


Lavras, Minas Gerais. Igreja de Nossa Senhora do Rosário desde 1917. Antes dessa data, porém, era Matriz de Sant’Ana, em cujo largo ficaram aquartelados os soldados da revolta Liberal de 1842.


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