João da Silva e Catarina Pereira
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou hepatavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.
João da Silva (Filho) e Catarina Pereira
João da Silva, meu 7º avô, nasceu no dia 19 de agosto de 1717 no lugar de Portelinhas, Freguesia de São Martinho do Couto de Moure Braga, Portugal e foi batizado nessa mesma localidade no dia 22 do mesmo mês e ano.
Ele faleceu no Brasil. Não há uma localidade nem data específica. Mas pelo visto transitou por toda a região da Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais, visto que seus filhos nasceram em várias localidades da região, como Prados, Entre Rios, Passatempo, São José del-Rei, hoje Tiradentes. A maioria desses filhos, porém, nasceu em Passatempo, Minas Gerais, tendo o último nascido por volta de 1774. Isso indica que João da Silva e família, viviam naquelas paragens e possivelmente ele até faleceu por lá antes de 1797, pois nesta data na carta de Sesmaria em nome de sua esposa , ele já era falecido.
João da Silva era filho de João da Silva e Ângela Fernandes, já citados antes em 8º avós.
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| Registro de batismo de João- área circulada |
Transcrição do documento
João, filho de João da Silva e de sua mulher Ângela Fernandes, lavradores e moradores do lugar de Portelinhas desta Freguesia de São Martinho do Couto de Moure nasceo aos dezenove dias do mes de Agosto de mil e Sette Centos e dezasette annos: e foi por mim Manoel Brandam Coelho parrocho perpetuo desta igreja solenemente batizado aos vinte e dous dias do dito mês e ano, foram padrinhos Domingos Alvares Ferreira da quinta do Bom Retiro ou caza nova e Luiza solteira filha de Marta de Sousa do Pinheiro ambos desta Freguesia, testemunhas Batysta de Lima da Camera et= Pedro Amorim da Cunha...
Catarina Pereira, esposa de João e minha 7ª avó, nasceu em Prados, Minas Gerais, porém, não consta data, mas segundo o FamilySearch seria aproximadamente 1728. Faleceu em 21 de novembro de 1804, porém, não consta um local específico, mas é provável que tenha sido em Passatempo, Minas Gerais, onde nasceu a maioria de seus últimos filhos. Certamente a família vivia naquela localidade. Catarina era filha de Sebastião Pereira de Ávila e Isabel Bicudo de Alvarenga, já citados antes em 8º avós.
João da Silva e Catarina se casaram antes de 1744, pois nesse ano nascia o primeiro filho. Possivelmente se casaram em Prados, Minas Gerais, localidade onde Catarina nasceu e provavelmente vivia quando solteira. Consta que tiveram 11 filhos, entre eles Maria Antônia da Silva, a segunda filha mais velha e minha 6ª avó, casada com Alferes Mathias Francisco de Vargas.
O Lugar Onde Passaram Seu Tempo
Parte 1 da carta de sesmaria
Transcrição do documento
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| Parte 2 da carta de sesmaria |
Transcrição do documento
Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor
As terras que pede a suplicante por sesmaria são na aplicação do Passatempo, do termo desta Vila, e não compreendem área proibida, rios navegáveis, nem divisas desta Capitania com as circunvizinhas das quais e dos registros mais próximos distão ... de quarenta Legoas. Não consta que a suplicante tenha outra sesmaria que lhe fosse concedida por este Governo; e de se lhe conceder as que pede, por ser em terras que há muito está cultivando por si, e seu marido, já há muitos anos, não pode resultar prejuízo aos reais interesses, nem a terceiros. Vossa Excelência mandará o que for servido. Vila de São José, em Câmara, de 19 de Dezembro de 1797."
Sobre Passatempo onde João da Silva e Catarina viveram depois do casamento- (1744–1776)
- O Pouso na "Picada de Goiás": Na época do casamento deles (anos 1740), Passatempo ainda não era uma cidade urbana. O local era conhecido como "Paragem do Passatempo" ou "Matos do Passatempo". Era um ponto estratégico de descanso e pouso de tropeiros e bandeirantes que seguiam viagem pela Picada de Goiás (ou Caminho Novo) rumo às minas do centro-oeste. O próprio nome do lugar surgiu da rotina dos viajantes que paravam ali para descansar e "passar o tempo.
- A Concessão de Sesmarias: Foi exatamente nessa janela de tempo que a ocupação da região ganhou força legal. Logo após 1744 (como em 1747), a Coroa Portuguesa começou a distribuir diversas sesmarias (grandes extensões de terras devolutas) para fazendeiros que queriam produzir alimentos e criar gado para abastecer os garimpos vizinhos. É muito provável que a família de João e Catarina estivesse envolvida nessa expansão agrícola.
- A Fundação da Capela (1760): O maior marco que o casal testemunhou ocorreu em 1760. Foi nesse ano que os fazendeiros Brás da Costa e Ana Moreira doaram uma légua de terra para erguer uma capela dedicada a Nossa Senhora da Glória. Foi ao redor dessa pequena igrejinha de taipa que as primeiras casinhas de pedra e cal começaram a se alinhar, fazendo a "Paragem" finalmente se transformar em um Arraial organizado.
- A Dependência de São José del-Rei: Assim como Prados, a região de Passatempo nesse período pertencia à gigantesca Comarca do Rio das Mortes e era juridicamente subordinada à Vila de São José del-Rei (atual Tiradentes). Qualquer testamento, inventário ou disputa de terras que João e Catarina precisassem resolver exigia longas viagens a cavalo até a sede da Vila.
E para saber sobre Passa Tempo onde esses meus 7º avós viveram, acesse os links:
👉Passa Tempo, Minas Gerais. Vídeo Youtube
👉Passa Tempo, Minas Gerais- Vídeo Youtube Fazenda Campo Grande
👉Passa Tempo, Minas Gerais. Vídeo Youtube Fazenda Campo Grande
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| Passa Tempo, Minas Gerais. Destaque: Igreja Nossa Senhora da Glória |
Sobre a localidade onde João da Silva Nasceu e viveu antes de vir para o brasil
- Território de Privilégio (O Couto): Moure não respondia diretamente às leis do Rei. Ela pertencia ao chamado Couto de Moure (terras doadas séculos antes pelos fundadores da nacionalidade ao Arcebispo de Braga). Isso significava que a população local tinha juízes próprios e estava isenta de ir para a guerra, a menos que o próprio Arcebispo fosse liderando.
- A Economia do Vinho e da Enxada: Como o próprio documento de batismo cita, os pais do menino eram "lavradores", a classe de pequenos agricultores rurais que cuidavam da terra. Até pouco antes dessa época, os moradores de Moure tinham a obrigação medieval de trabalhar cavando as vinhas pessoais do Arcebispo em Braga. Na virada do século XVII para o XVIII, essa obrigação mudou: as vinhas do prelado foram arrancadas e cada casa (cada "fogo") passou a ser obrigada a pagar um imposto anual fixo de 4 almudes de vinho.
- A Paisagem e o Cotidiano: Portelinha era um pequeno aglomerado de poucas casas de pedra (casais rurais), cercado por campos agrícolas muito verdes, pequenos ribeiros e videiras cultivadas em ramadas ou latadas. A vida social orbitava totalmente em torno da Igreja Paroquial de São Martinho, onde o pároco Manoel Brandão Coelho detinha o controle espiritual, o registro civil e o respeito de toda a comunidade.
Para saber sobre a localidade de São Martinho do Couto de Moure, Braga Portugal, onde nasceu João da Silva, meu 7º avô, acesse o link abaixo:
👉São Martinho, Couto do Moure, Portugal
| São Martinho, Couto de Moure, Portugal |
Sobre Prados onde Catarina Nasceu- 1727 a 1744
- O Destino das Minas de Aluvião: O arraial já tinha mais de duas décadas de existência (fundado em 1704). Aquela loucura inicial dos primeiros garimpos de ouro de aluvião nas encostas da Serra de São José estava se estabilizando. Quem vivia ali nesse período já não lidava apenas com a mineração improvisada, mas sim com uma estrutura urbana em crescimento, com a construção dos primeiros casarões de pedra e cal que hoje formam o centro histórico.
- A Rota Viva dos Tropeiros: É exatamente nesta janela de tempo (anos 1730 e 1740) que Prados se consolida como um ponto estratégico de paragem. O arraial funcionava como uma "estação de serviço" colonial na Estrada Real: os caminhos de terra batiam constantemente com os cascos das mulas dos tropeiros e das grandes boiadas que vinham do centro de Minas em direção ao Rio de Janeiro. Abastecer esses viajantes com mantimentos tornou-se tão ou mais lucrativo do que o próprio ouro.
- A Vida Sob a Sombra de São José del-Rei: Administrativamente, o morador desse período não era independente. Ele respondia diretamente à Vila de São José del-Rei (atual Tiradentes), que havia sido criada em 1718. Ir à Vila resolver problemas de justiça ou pagar os impostos da Coroa fazia parte da rotina dos chefes de família pradosenses.
- A Fé e a Construção da Matriz: Religiosamente, o arraial ainda não era uma Freguesia autônoma (isso só aconteceria em 1748). A igrejinha local ainda funcionava como uma capela curada. Porém, foi exatamente entre 1728 e 1744 que a comunidade e as irmandades locais começaram a injetar fortunas para ampliar a antiga capela de sapé, dando início às grandes obras da imponente Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Para saber sobre Prados, Minas Gerais, onde nasceu essa minha 7ª avó, acesse os links:
👉Prados, Minas Gerais- Vídeo Youtube
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| Prados, Minas Gerais |
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