João da Silva e Ângela Fernandes

 



  PS.:

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.

 

  

 João da Silva e Ângela Fernandes

 

João da Silva (8º avô) nasceu n na localidade denominada de Lugar do Voto, Alheira, Barcelos, Portugal, provavelmente em maio de 1687, pois foi batizado no dia primeiro de junho de 1687 nessa mesma localidade na igreja de Santa Marinha de Alheira, pelo Padre Manoel da Costa.  Não consta referência exata da data e local de seu falecimento, mas é provável que tenha falecido na Localidade de Portelinha onde vivia após o casamento e onde nasceram seus filhos. Sobre a data é provável que tenha sido após 1730, data de nascimento do último filho.Ele era filho legítimo de Domingos Gonçalves e Ana Gonçalves (9º avós).

Ângela Fernandes (8ª avó), esposa de João, nasceu no lugar do Erral, na freguesia de São Martinho do Couto de Moure, Braga, Portugal, em janeiro de 1687. Foi batizada no dia sete de Janeiro de 1687, pelo Padre Gaspar de Castro. Não há dados exatos sobre a data de seu falecimento, estimando-se que tenha ocorrido na mesma localidade de Moure após 1730, quando nasceu o último filho.Ela era filha legítima de Francisco Álvares e Maria Álvares (9º avós), os quais já eram falecidos em novembro de 1712. , conforme consta no registro de casamento de Ângela.

 

Transcrição do Registro de Batismo de João da Silva

1º de Junho de 1687 Local: Paróquia de Santa Marinha de Alheira, Barcelos, Braga, Portugal

“Ao primeiro dia do mês de Junho do ano de mil seiscentos e oitenta e sete anos, nesta igreja de Santa Marinha de Alheira, eu o Padre Manoel da Costa Cura desta freguesia baptizei a JOÃO, filho legítimo de dg.s [Domingos] Gz [Gonçalves] e de sua mulher Anna Gz [Gonçalves], do Lugar do Voto. Foram padrinhos Domingos Dias, do Lugar do Outeiro, e Isabel, solteira, filha de Anna Gz [Gonçalves], todos desta freguesia, de que fiz este assento que assinei dia, mês e ano ut supra [como acima].”

(Assinado) O Padre Manoel da Costa Cura

 

Registro do Batismo de João- área circulada

 

Transcrição do Registro do Batismo de Ângela

Aos sete dias do mês de Janeiro do ano de mil e seiscentos e oitenta e sete [1687], nesta Igreja de São Martinho de Moure, baptizei e pus os santos óleos a ANGELA, filha legítima de Francisco Álvares e de sua mulher Maria Álvares, moradores no Lugar do Erral desta freguesia... Vigário Gaspar de Castro".

 

 

Batismo de Angela- área circulada

 

Conforme o registro original descoberto no Arquivo Distrital de Braga, João da Silva e Ângela Fernandes casaram-se no dia 27 de novembro de 1712, na Igreja Paroquial de São Martinho do Couto de Moure. O casal fixou residência no Couto, lugar Portelinha e teve vários filhos, entre eles João da Silva (7º avô), que mais tarde viria a casar-se com Catarina Pereira.

 

Transcrição do registro de casamento de João e Angela

Aos 27 dias do mês de novembro de 1712, com licença, em minha presença [do padre] e das testemunhas abaixo assinadas, por palavras de presente se receberam em casamento na Igreja de São Martinho do Couto de Moure, correndo os banhos [os proclamas] na forma do Sagrado Concílio de Trento e Constituições deste Arcebispado:

JOÃO DA SILVA, filho legítimo de Domingos Gonçalves e de sua mulher Ana Gonçalves, moradores no lugar de Vilaseca, da freguesia de São Tiago de Carapeços (registado no documento como Carrazo), do concelho de Prado;

Com ÂNGELA FERNANDES, filha legítima de Francisco Álvares e de sua mulher Maria Álvares, já falecidos, desta freguesia de São Martinho do Couto de Moure, moradores no lugar do Erral, desta mesma freguesia.

Foram testemunhas: Manuel Pereira, do lugar de Gondramás (Gondramar); Manuel Ferreira, do lugar da Corveira; António Lopes, do lugar do Couto (todos desta freguesia de Moure); e Bento Francisco, da freguezia de São Tiago de Carapeços, e todos aqui assinaram. Não receberam as bênçãos nupciais [naquele momento] por ser o primeiro Domingo do Advento (tempo de penitência na Igreja). E por verdade fiz este assento em Moure, no dia, mês e ano acima ditos.

 

Curiosidade da época (O Advento): O padre nota que eles casaram, mas não puderam receber a bênção solene na missa porque já tinha começado o Advento (o período de preparação para o Natal). A Igreja proibia festas e bênçãos pomposas nesse período penitencial, então eles casavam apenas no civil/religioso estrito e a bênção ficava para depois.

 

Registro de casamento de João e Ângela- área circulada

Igreja São Martinho do Couto onde João e Ângela se casaram. A fachada branca rebocada e o formato atual da torre sineira pontiaguda (à esquerda) são frutos de reformas e manutenções feitas nos séculos XIX e XX para conservar o prédio. No entanto, o corpo principal do templo, o portal de granito e a fundação estrutural são os originais da paróquia barroca e medieval.

 


 

De Nomes no Papel a uma Rota Real: A Jornada de João da Silva e Ângela Fernandes por Volta de 1687- 1730

Até poucos dias atrás, os meus 8ºs avós eram apenas dois nomes estáticos na minha árvore genealógica: João da Silva e Ângela Fernandes. Eu sabia apenas que eles tinham tido um filho, também chamado João — que vem a ser o meu 7º avô. Mas a genealogia tem uma magia única. Escarafunchando os livros paroquiais, a história deles de repente ganhou cor, movimento e um mapa real.

Descobri a rota exata que eles traçaram desde o final do século XVII e o início do século XVIII, o chão onde fincaram raízes e as marcas da sua descendência.


🗺️ A Rota de Vida de João e Ângela

Ao contrário do que eu imaginava, a vida do meu 8º avô não começou no mesmo lugar onde ele criou a sua família. Os registros revelaram uma verdadeira linha do tempo geográfica para João, enquanto Ângela nasceu e viveu sempre em São Martinho do Couto de Moure:

  1. O Nascimento (Alheira): João da Silva nasceu no Lugar do Voto, na freguesia de Alheira, em Barcelos.
  2. A Juventude (Vila Seca): Anos mais tarde, na altura em que se casou, ele já estava vivendo no lugar de Vila Seca.
  3. O Casamento (Martinho do Couto): O matrimônio com Ângela Fernandes foi celebrado na Igreja Matriz de São Martinho do Couto de Moure.
  4. O Lar Definitivo (Portelinha): Após o casamento, o casal estabeleceu-se de vez no Lugar da Portelinha, na mesma freguesia de Moure. Foi ali que a história da nossa família fincou raízes profundas.

 
 
 
Sobre São Martinho do Couto de Moure onde se localizava Errel e Portelinha

 São Martinho do Couto de Moure, se localiza na Freguesia de Moure e é atualmente paróquia no município de Vila Verde, Diocese e Distrito de Braga. Historicamente, a localidade era a "cabeça" de um antigo couto (uma terra com privilégios e isenções feudais) que foi doado pelo Conde D. Henrique e pela Condessa D. Teresa ao Arcebispo de Braga, S. Geraldo, na transição do século XI para o século XII. 

Esse sistema de coutos e privilégios feudais em Portugal foi extremamente duradouro. Eles não eram apenas lembranças do passado; eram a realidade jurídica da época em que João da Silva e Ângela Fernandes, meus 8º avós, se casaram em 1712 e até o fim de suas vidas, pois essa realidade só começou a desaparecer um século depois. O Couto de Moure sobreviveu intacto até ao início do século XIX.

O sistema foi formalmente extinto em 1834, com a vitória dos Liberais na Guerra Civil Portuguesa, que acabou de vez com os privilégios da Igreja e os direitos feudais em todo o país. Mais tarde, em 1855, a paróquia foi integrada definitivamente no atual concelho de Vila Verde.

O Couto de Moure funcionava da seguinte forma naquele tempo:

🏢 Administração e o Poder do Couto

  • Autonomia própria: Moure não respondia à justiça comum do Rei; era um Couto, um território doado séculos antes aos Arcebispos de Braga.
  • Justiça local: Os oficiais e meirinhos (polícias) do Rei não podiam entrar no território do couto para prender ninguém sem autorização da Igreja. O Arcebispo nomeava um Ouvidor (juiz local) para o Couto de Moure, que julgava crimes e disputas na região.
  • Isenção militar: Os homens de Moure não podiam ser recrutados à força para os exércitos reais. Eles só eram obrigados a marchar para uma guerra se o próprio Arcebispo de Braga fosse também à frente da batalha. Além disso, os moradores de um couto estavam teoricamente isentos de alojar tropas reais que passassem por ali.

⛪ A Vida Social e Religiosa

  • Centro da comunidade: A Igreja Paroquial de São Martinho era o único ponto de encontro social de toda a população.
  • Registos em papel: O pároco local anotava à mão, com tinta e pena, cada batismo, casamento e óbito nos livros paroquiais, que hoje estão no Arquivo Distrital de Braga.
  • Festas e Santos: O dia de São Martinho (11 de novembro) era a data mais importante do ano, celebrada com missas solenes, fogueiras e a prova do vinho novo.

🌾 Economia e o Dia a Dia no Campo

  • A revolução do milho: Por volta de 1700, o milho-maís (vindo das Américas) já tinha transformado o Minho, tornando-se a base da alimentação através do pão de milho (broa).
  • Cultivos tradicionais: Cultivava-se intensamente o centeio, o feijão, o linho (para fazer roupas) e o vinho verde, plantado nas tradicionais ramadas e enforcados.
  • Impostos pesados: Os privilégios dos moradores do Couto não eram de graça. Séculos antes, os moradores eram obrigados a ir a Braga cavar as vinhas do Arcebispo. No século XVI, as vinhas foram arrancadas, e a obrigação mudou: por volta de 1700, cada chefe de família ("fogo") de Moure tinha de pagar uma pesada renda fixa anual de quatro almudes de vinho (o equivalente a cerca de 100 litros) diretamente para os cofres do arcebispado. Além dessa renda territorial, eles também pagavam obrigatoriamente o dízimo (10% de toda a produção agrícola e pecuária) à Igreja, bem como as "fintas" ou "foros" (rendas em cereais, galinhas ou ovos) aos senhorios diretos das terras que cultivavam.

🏡 Habitação e Paisagem Rural

  • Casas de pedra: A paisagem era dominada por campos verdes murados, videiras e pequenas casas feitas de granito local, cobertas de colmo (palha) ou telha rústica.
  • Caminhos de terra: Não existiam estradas modernas. O transporte de mercadorias para Braga ou para as vilas vizinhas era feito em carros de bois barulhentos por caminhos estreitos e lamacentos. 

 Para saber sobre essa localidade de São Martinho do Couto do Moure em Vila Verde, acesse os links abaixo:

👉Couto do Moure, Vila Verde, Portugal 

👉São Martinho, Couto de Moure, Portugal 

 

São Martinho, Couto de Moure, Vila Verde, Portugal

 

 

Sobre a localidade de Portelinha

Ao mapear a vida desses meus 8º avós descobri que depois de casados eles foram viver em Portelinha, uma localidade em São Martinho do Couto de Moure. Foi ali, naquele pedaço de terra, que viram nascer e batizaram os seus 8 filhos.


📍 Onde Fica Esse Lugar Hoje? (A Portelinha Ainda Existe!)

O antigo "Lugar da Portela" ou "Portelinha" não desapareceu. Ele apenas se adaptou aos novos tempos.

  • De "Lugar" a "Rua": No ano de 1700, não existiam códigos postais ou nomes de ruas no meio rural. O pároco escrevia apenas "moradores no lugar da Portelinha". Hoje, para o funcionamento de serviços modernos e GPS, a principal via que cruza essa antiga área foi batizada oficialmente como Rua da Portelinha.
  • Coordenadas Modernas: O local exato fica na atual freguesia de Moure, no concelho de Vila Verde (Distrito de Braga, Portugal), sob o Código Postal 4730-300. Fica na zona sul do município, a apenas 6 quilômetros do centro de Vila Verde e colado ao limite com a cidade de Braga.
  • Permanência Histórica: Moure ainda preserva formalmente a Portelinha na sua lista oficial de cerca de 30 lugares tradicionais e históricos. Quando olhamos para essa rua no mapa de satélite, estamos olhando exatamente para as terras onde os nossos avós caminharam.

O Lugar em 1700: O Contexto do Antigo Regime

Para entender a vida de João da Silva e Ângela Fernandes, precisamos esquecer a divisão política atual e viajar para o Portugal de 1700.

  • A Organização Geográfica: O território rural português dividia-se em "lugares" — pequenos aglomerados de propriedades agrícolas e casas habitadas por poucas famílias muitas vezes aparentadas.
  • A Jurisdição do Couto: Naquela época, a Portelinha pertencia ao Couto de Moure. Os "coutos" eram territórios feudais que gozavam de privilégios jurídicos especiais, administrados diretamente pela Igreja através da poderosa Arquidiocese de Braga.
  • A Paróquia como Centro da Vida: Não existiam cartórios civis. O nascimento, o casamento e a morte dos nossos avós e dos seus 8 filhos só existiam juridicamente porque o pároco os anotava à mão nos livros de assentos da Igreja Matriz de São Martinho de Moure. O registro de batismo era a própria certidão de identidade daquelas crianças.

🌾 O Significado da "Portelinha" e a Vida Diária dos meus avós

O próprio nome do lugar nos ajuda a desenhar a paisagem que João e Ângela contemplavam todos os dias da janela de casa.

  • Uma Passagem na Paisagem: Na topografia do norte de Portugal, o termo Portela (ou o diminutivo Portelinha) significa "pequena porta" ou "passagem estreita". Indicava uma garganta entre colinas ou um desfiladeiro natural por onde passavam os antigos caminhos de terra. Viver ali significava estar em um ponto estratégico de circulação local.
  • A Rotina como Lavradores: Identificados nos registros como lavradores, os nossos 8ºs avós enfrentavam a dura rotina da agricultura de subsistência no Minho. A sua rotina consistia em trabalhar nos minifúndios locais, cultivando o milho (cujo cultivo revolucionava a economia da região no século XVIII), tratando das vinhas para a produção de vinho verde e cuidando do gado de tração.
  • A Identificação pela Terra: A ligação desta família com o solo era profunda. Nos séculos XVII e XVIII, as pessoas eram identificadas na comunidade pela sua morada (ex: "filho de João da Silva, morador da Portela"). Isso diferenciava os moradores homônimos e criava uma forte identidade comunitária. 

Imagem atual da Rua da Portelinha (especificamente da propriedade localizada no nº 7). Embora as casas tenham sido modernizadas ao longo de 300 anos, os caminhos e os imponentes muros de pedra da região ainda preservam o exato cenário rural e acidentado por onde a nossa família caminhava no século XVIII."

 

Sobre a Localidade Lugar do Erral 

Como dito antes, Ângela nasceu em 1687 na localidade denominada Lugar do Erral em São Martinho do Couto. No período entre 1687 e 1712, o nascimento e o casamento dela, o Lugar do Erral funcionava como o verdadeiro "coração agrícola" da paróquia de São Martinho do Couto. Por estar situado nas férteis e úmidas várzeas da bacia hidrográfica local, este lugar destacava-se das terras secas vizinhas pela abundância de água, o que o tornou um dos pontos mais cobiçados para o cultivo intensivo do milho e do linho, sustentando as maiores famílias da paróquia. 

Paisagem: Uma encosta ou vale tipicamente minhoto, com campos divididos por muros de pedra solta, videiras plantadas em "enforcado" (trepando pelas árvores nas bordas dos caminhos) e o gado pastando exatamente no ervam (o Erral) que dava nome ao sítio.

A Casa Minhota: Sendo moradores de um lugar rural daquela época, a habitação deles, os pais de Ângela, seria uma típica casa de pedra de granito (ou quartzo, muito comum na região de Moure), geralmente com dois pisos: a parte de baixo (loja) servia para guardar os animais, as ferramentas e o restolho, enquanto a família vivia no piso de cima para aproveitar o calor que subia do gado.

O Isolamento Comunitário: Como o Erral era um micro-lugar, a vida ali era extremamente silenciosa e pacata. O ponto de encontro de todos os moradores do Couto ocorria nos domingos e dias de festa na Igreja Matriz de São Martinho de Moure, para onde elescaminhavam a pé pelos caminhos de terra batida para ouvir a missa e saber as novidades do concelho.

Longe de ser uma vila movimentada, o Erral era um pacato e bucólico rincão agrícola, cujo nome arcaico remetia aos seus campos férteis e ricos em pastagens (ervais). Foi ali, em uma paisagem tipicamente minhota cercada por muros de pedra e videiras, que viveu  Ângela Maria, minha oitava avó, até se casar. As rotinas dos pais de Ângela eram ditadas pelos ciclos da terra e pelo silêncio do vale, que só se rompia nos dias de missa, quando os moradores deixavam o recolhimento do Erral e seguiam a pé até a Igreja Matriz do Couto, o coração social e religioso daquela comunidade.
  

 

 

 Sobre Alheira, Localidade onde João nasceu  e foi batizado 

  O Cenário da Infância: O Lugar do Voto

Para compreender a vida de João, precisamos olhar para Alheira. Situada no concelho de Barcelos, na região do Minho — norte de Portugal —, Alheira é uma terra de paisagens verdes, solo fértil e forte tradição comunitária. Naquela época, as paróquias eram divididas em pequenas aldeias rurais chamadas de 'Lugares'. O Lugar do Voto, que resiste bravamente ao tempo e existe até hoje com o mesmo nome, era uma dessas pequenas comunidades.

Viver no Lugar do Voto no final do século XVII significava estar imerso em uma rotina ditada pela agricultura, pela fé cristã e pelos laços de vizinhança. As casas de pedra, os caminhos estreitos e o ribeirinho moldavam o cenário onde João e seus irmãos correram na infância.

Uma Família Enraizada na Comunidade

Os documentos nos mostram que a estadia de Domingos Gonçalves e Ana Gonçalves no Lugar do Voto não foi breve e nem passageira. Há fortes indícios de que o casal viveu ali por longos anos, estabelecendo uma base sólida para a família.

A prova disso está na própria sucessão de registros que a pesquisa folha a folha trouxe à luz. Vi o casal batizando o filho Manuel em 1685 e, dois anos depois, João meu oitavo avô, em 1687. Além disso, a presença da irmã mais velha, Isabel, servindo como madrinha no batismo de João, revela uma dinâmica familiar madura e integrada ao vilarejo. Mais do que apenas residir, Domingos e Ana participavam ativamente da vida social e espiritual de Alheira, apadrinhando filhos de outros vizinhos e estreitando os laços que uniam aquela comunidade rural. Como foi possível comprovar também por documentos.

 Para saber mais sobre Alheira o link abaixo:

👉 Sobre Alheira, Barcelos, Braga, Portugal 

 

Atual Igreja de Santa Marinha e Alheira, Barcelos, Braga, Portugal.Foi exatamente neste local que meu 8º avô, João da Silva, foi batizado no dia 1º de junho de 1687- o templo antigo já não existe tendo construido este no local

  

Ponte de Anhel, uma joia medieval construída originalmente no século XIII (anos 1200) que cruza o belíssimo Rio Neiva bem ali em Alheira. O Rio Neiva é um rio super tradicional, romântico e tipicamente minhoto, cercado de campos verdes e antigos moinhos de pedra.

 

Sobre Vila Seca, a localidade onde João da Silva vivia quando se casou

Da Calmaria de Alheira para o Destino em Vila Seca

Embora a família de João tenha vivido seus anos dourados e criado seus filhos no Lugar do Voto, em Alheira, o tempo trouxe mudanças. Anos mais tarde, a família parece ter migrado alguns quilômetros em direção à vizinha freguesia de Vila Seca, conforme consta no registro de casamento de João.

Vila Seca ficava na freguesia de São Tiago de Carapeços, por volta de 1687. Naquela época, a localidade integrava uma região que dividia ligações e fronteiras administrativas oscilantes entre o antigo concelho de Prado e o de Barcelos.

A Transição Administrativa (Prado vs. Barcelos)

Viver em Carapeços por volta de 1712 significava habitar uma região de fronteiras fluidas. A paróquia historicamente respondia à antiga e vasta Terra de Prado. Contudo, no início do século XVIII, as disputas de jurisdição e cobrança de impostos entre o concelho de Prado e a crescente comarca de Barcelos (sob a forte influência da Casa de Bragança) faziam com que os moradores transitassem constantemente entre essas duas identidades locais, num período de intensa consolidação da burocracia civil e religiosa.

 O Cenário do "Lugar de Vila Seca"

Diferente do Erral em Moure (que era um micro-lugar isolado), Vila Seca já despontava como um dos principais e mais antigos núcleos de povoamento e produção agrícola dentro da freguesia de Carapeços.

  • A Paisagem: O cenário que João da Silva contemplava era o de um vale minhoto intensamente verde, cortado por caminhos rurais de terra e muros de pedra, assentado sobre um solo extremamente generoso.

  • A Agricultura e o Ouro: O ano de 1712 coincidiu com o auge do ciclo do ouro no Brasil, fenômeno que impactou profundamente o Minho através da emigração. Na lavoura local de Vilaseca, a grande revolução da época era a consolidação do milho-rei (vindo das Américas), que transformou a dieta local e a paisagem, dividindo espaço com os campos de centeio e as tradicionais vinhas "em enforcado" que produziam o vinho verde.

 A Vida Comunitária e a Igreja de São Tiago

A rotina de João da Silva em Vila eca era pautada pelo calendário religioso e pelos sinos da Igreja Paroquial de São Tiago de Carapeços. Por ter São Tiago como patrono (o mesmo santo de Compostela), a freguesia servia como rota secundária de peregrinos, cultivando uma forte identidade de acolhimento e fé. O adro da igreja matriz era o verdadeiro "tribunal" e praça pública da época; era ali que João se reunia com a comunidade aos domingos para ouvir os editais do rei, as ordens do bispo, negociar o gado e, finalmente, celebrar o seu casamento com a pompa dos costumes minhotos — em festas que duravam dias, regadas a vinho verde e broa de milho.

A Realidade Atual

Hoje em dia, as reformas territoriais modernas dividiram o antigo mapa da seguinte forma:

 

 

Rua de Vila Seca, Barcelos, Portugal- ao fundo vista da Igreja- Detalhe das casas com paredes de pedra

 



👶 Oito Filhos e o "Mistério" pós-1730

No chão da Portelinha, João e Ângela construíram uma família numerosa. Folheando página por página dos livros antigos, consegui localizar os registros de nascimento de pelo menos 8 filhos do casal. Depois de 1730, não encontrei mais nenhum filho. A ausência de novos filhos pode indicar que a família se completou ali, ou que os anos de criação deram lugar à maturidade dos filhos já nascidos.

A caligrafia dos padres, manchada pelo tempo e escrita com pressa, torna a leitura quase impossível. O paradeiro final da morte deles continua guardado pelo segredo daquela tinta antiga e ilegível.

 

🌳 A Descendência de João da Silva e Ângela Fernandes, meus 8º avós




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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha