João da Motta Botelho e Francisca Maria Simões



 

 PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.

 

 

João da Motta Botelho e Francisca Maria Simões

 

 🏰 As Origens no Alentejo Português

João da Motta Botelho, meu 8º avô, nasceu por volta de 1695 em Portugal. É bastante provável que tenha nascido na mesma localidade onde ocorreu seu falecimento: a antiga Freguesia do Anjo da Guarda de Santo André, na histórica Vila de Estremoz do Alentejo, pertencente ao Arcebispado de Évora. Não foi possível ter acesso à data de seu falecimento.Era filho de Bartolomeu da Motta e Teresa de Jesus, meus 9ºs avós.
Francisca Maria Simões, sua esposa e minha 8ª avó, nasceu em Janeiro de 1697, pois foi batizada no dia 27 desse mês e ano na Igreja de Santo André, Estremoz, Portugal e onde também faleceu, porém não foi possível descobrir a data. Era filha de Manoel Simões e Inácia Roiz ( Rodrigues).
 Transcrição do Registro do Batismo de Francisca

[Margem]: Francisca

Aos vinte e sete dias do mes de janeiro de mil e seiscentos e noventa e sete [1697] annos, baptizei a Francisca, filha de Manuel Simoẽs e de sua mulher Inacia Rodrigues, moradores no lugar do Anjo [da Guarda], [freguesia de Santo André...], foi padrinho o Pe. [?] e madrinha [...], de que fiz este termo que assinei dia mes e era supra.

 
Registro de batismo de Francisca- área circulada


⛪ Um Casamento Precoce e Uma Igreja Desaparecida
João e Francisca se casaram no dia 5 de novembro de 1713, na localidade de Santo André, em Estremoz, na Igreja de Santo André. 
A antiga Igreja de Santo André onde se casaram ruiu com o tempo.  igreja sofreu sérios danos estruturais ao longo dos séculos e, durante obras de restauro em 1940, a sua abóbada acabou por ruir. O edifício ficou em ruínas durante 20 anos até que, em outubro de 1960, a estrutura restante foi totalmente demolida para dar lugar a novos edifícios públicos no centro da cidade de como o Palácio da Justiça.
Embora a imponente Igreja de Santo André, em Estremoz, tenha sido inteiramente demolida na década de 1960 para dar lugar ao atual edifício do Tribunal, a sua memória recusa-se a desaparecer. Hoje, quem visita o local depara-se com uma estátua do santo padroeiro, erguida em praça pública como um respeitoso marco memorial que assinala o local exato onde o templo ficava. Além disso, a verdadeira joia artística que sobreviveu ao tempo foi o conjunto de históricos painéis de azulejos barrocos da igreja; cuidadosamente recuperados e restaurados, estes azulejos encontram-se hoje expostos no edifício dos Passos do Concelho, mantendo viva a rica herança cultural e religiosa da antiga freguesia.
 
 
O que restou da Igreja de Santo André: painéis de azulejos  que foram restaurados e usados no edifício dos Passos co Concelho em Santo André, Estremoz, Portugal 

 
Estátua de Santo André, como marco do lugar exato onde existiu a Igreja de Santo André em Santo André, Estremoz, Portugal


Transcrição do Assento de Casamento de João e Francisca

Data: 5 de Novembro de 1713

Local: Igreja de Santo André, Estremoz, Portugal

João da Mota e Francisca Maria

Aos cinco dias do mês de Novembro de mil e sete centos e treze anos, na igreja de Santo André, se contrahirão matrimônio de presente João da Mota, filho de Bartolomeu da Mota e de Teresa de Jesus, com Francisca Maria Simões, filha de Manoel Simões e de Inácia Roiz [Rodrigues]. Em cuja presença estava o Reverendo Padre [...], aos quais dei as bençãos da minha igreja, e sendo testemunhas Joseph dos Santos [e ...]. E para constar fiz este termo e assinei ut supra.

(Assinatura do celebrante)


Casamento de João e Francisca- área circulada

 
 
Dessa união nasceu o Capitão Manuel da Motta Botelho (meu 7º avô). Mais tarde, no Brasil, o Capitão Manuel se casaria com Ana Maria de São Joaquim — filha de ninguém menos que Helena Maria de Jesus, a mais nova das célebres Três Ilhoas açorianas.

 
Sobre a Freguesia de Santo André em Estremoz, Portugal

A vida em Estremoz, na freguesia extinta de Santo André e arredores do lugar do Anjo da Guarda, entre os anos de 1680 e 1750, situava-se num período fascinante da história de Portugal: a transição do pós-Guerra da Restauração para a época de ouro do Barroco Joanino (reinado de D. João V).

Meus oitavos avós João e Francisca viveram numa vila alentejana marcada por uma forte presença militar, um fervor religioso monumental e uma vida rural muito ligada à terra e às pedreiras de mármore.

1. O Cenário Urbano: Uma Praça-Forte Recém-Pacificada

Apenas alguns anos antes de 1680 (em 1668), Portugal havia assinado o tratado de paz que encerrou a Guerra da Restauração contra Espanha.

  • Muralhas e Soldados: Estremoz era uma das mais importantes praças-fortes da fronteira alentejana. Entre 1680 e 1750, a vila ainda mantinha seu caráter militar defensivo. A população vivia dentro das muralhas ou nos "arrabaldes" imediatos (como o lugar do Anjo da Guarda). O movimento de tropas, os quartéis e as fortificações modernizadas no estilo Vauban faziam parte do cotidiano diário dos seus ancestrais.

  • A Freguesia de Santo André: A freguesia de Santo André era curiosa por ser uma área urbana densa no "miolo" ou nos arredores da vila. O quotidiano girava em torno da igreja paroquial de Santo André, onde eram registados os batizados, casamentos e óbitos da população trabalhadora.

2. A Vida no Lugar do "Anjo da Guarda"

O nome Anjo da Guarda em Estremoz tem raízes históricas e devocionais antigas na região:

  • Invocação e Topónimo: A devoção ao Anjo da Guarda em Portugal ganhou enorme força desde o século XVI. Em Estremoz, o lugar devia o seu nome a uma antiga ermida/igreja (onde no século XVI funcionara a primeira Santa Casa da Misericórdia de Estremoz) ou a um cruzeiro/oratório dedicado ao Santo Anjo, situado numa das saídas estratégicas da vila.

  • Arredores rurais/extramuros: Ser morador "no lugar do Anjo da Guarda" significava, muito provavelmente, viver num núcleo populacional junto a um dos caminhos de acesso à vila — uma área que combinava habitações, pequenas hortas, estalagens ou oficinas de artesãos.

3. Sociedade e Trabalho: Como Viveriam os meus 8º Avós?

Se os meus ancestrais eram pessoas do povo (como os agricultores, lavradores ou artesãos da época):

  • A Terra e a Olaria: Estremoz vivia da agricultura (trigo, azeite, vinho) e da pecuária. Foi exatamente nessa época (séculos XVII e XVIII) que a famosa olaria e os "Bonecos de Estremoz" (figuras em barro) começaram a afirmar-se como arte popular local.

  • O Mármore: O "ouro branco" da região (o mármore de Estremoz) estava em plena expansão de extração para alimentar as grandes obras do reino.

  • A Elite vs. O Povo: Enquanto a nobreza e as ordens religiosas construíam solares e conventos sumptuosos repletos de azulejos e talha dourada (o esplendor barroco de D. João V), as famílias como a de Manuel Simões e Inácia Rodrigues viviam de forma modesta, regidas pelo calendário agrícola e pelas festas religiosas.

4. O Ritmo da Vida e a Igreja

Entre 1680 e 1750, a Igreja Católica controlava praticamente todos os aspetos da vida civil:

  • Os Registos Paroquiais: Não existia registo civil. O nascimento de Francisca em 1697 só tem existência histórica porque o pároco de Santo André registou o batismo no livro da paróquia.

  • Epidemias e Mortalidade: A esperança de vida era baixa e a mortalidade infantil elevada. Ter filhos batizados "a tempo e horas" era uma prioridade absoluta para a salvação da alma segundo a mentalidade da época.

  • Mobilidade: Apesar de parecerem tempos "parados", havia muita circulação de pessoas no Alentejo (trabalhadores sazonais para as ceifas, tropeiros, militares e pequenos comerciantes que circulavam entre Évora, Elvas, Estremoz e Lisboa).

Se os meus oitavos avós viveram em Estremoz durante esses 70 anos (1680–1750), eles testemunharam a reconstrução de Portugal pós-guerra, viram a vila transformar-se numa joia do Barroco alentejano e assentaram as raízes de uma família que, gerações mais tarde, atravessaria o Atlântico.


 Para saber mais sobre essa localidade acesse os links abaixo: 

👉Vídeo Youtube Estremoz, Portugal

 

Convento dos Congregados, Santo André, Estremoz, Poetugal

 

Vista aérea parcial de Estremoz- detalhes das muralhas e da torre do castelo medieval de Estremoz

 


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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha