João da Motta Botelho e Francisca Maria Simões
PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
João da Motta Botelho e Francisca Maria Simões
🏰 As Origens no Alentejo Português
[Margem]: Francisca
Aos vinte e sete dias do mes de janeiro de mil e seiscentos e noventa e sete [1697] annos, baptizei a Francisca, filha de Manuel Simoẽs e de sua mulher Inacia Rodrigues, moradores no lugar do Anjo [da Guarda], [freguesia de Santo André...], foi padrinho o Pe. [?] e madrinha [...], de que fiz este termo que assinei dia mes e era supra.
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| Registro de batismo de Francisca- área circulada |
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| O que restou da Igreja de Santo André: painéis de azulejos que foram restaurados e usados no edifício dos Passos co Concelho em Santo André, Estremoz, Portugal |
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| Estátua de Santo André, como marco do lugar exato onde existiu a Igreja de Santo André em Santo André, Estremoz, Portugal |
Transcrição do Assento de Casamento de João e Francisca
Data: 5 de Novembro de 1713
Local: Igreja de Santo André, Estremoz, Portugal
João da Mota e Francisca Maria
Aos cinco dias do mês de Novembro de mil e sete centos e treze anos, na igreja de Santo André, se contrahirão matrimônio de presente João da Mota, filho de Bartolomeu da Mota e de Teresa de Jesus, com Francisca Maria Simões, filha de Manoel Simões e de Inácia Roiz [Rodrigues]. Em cuja presença estava o Reverendo Padre [...], aos quais dei as bençãos da minha igreja, e sendo testemunhas Joseph dos Santos [e ...]. E para constar fiz este termo e assinei ut supra.
(Assinatura do celebrante)
A vida em Estremoz, na freguesia extinta de Santo André e arredores do lugar do Anjo da Guarda, entre os anos de 1680 e 1750, situava-se num período fascinante da história de Portugal: a transição do pós-Guerra da Restauração para a época de ouro do Barroco Joanino (reinado de D. João V).
Meus oitavos avós João e Francisca viveram numa vila alentejana marcada por uma forte presença militar, um fervor religioso monumental e uma vida rural muito ligada à terra e às pedreiras de mármore.
1. O Cenário Urbano: Uma Praça-Forte Recém-Pacificada
Apenas alguns anos antes de 1680 (em 1668), Portugal havia assinado o tratado de paz que encerrou a Guerra da Restauração contra Espanha.
Muralhas e Soldados: Estremoz era uma das mais importantes praças-fortes da fronteira alentejana. Entre 1680 e 1750, a vila ainda mantinha seu caráter militar defensivo. A população vivia dentro das muralhas ou nos "arrabaldes" imediatos (como o lugar do Anjo da Guarda). O movimento de tropas, os quartéis e as fortificações modernizadas no estilo Vauban faziam parte do cotidiano diário dos seus ancestrais.
A Freguesia de Santo André: A freguesia de Santo André era curiosa por ser uma área urbana densa no "miolo" ou nos arredores da vila. O quotidiano girava em torno da igreja paroquial de Santo André, onde eram registados os batizados, casamentos e óbitos da população trabalhadora.
2. A Vida no Lugar do "Anjo da Guarda"
O nome Anjo da Guarda em Estremoz tem raízes históricas e devocionais antigas na região:
Invocação e Topónimo: A devoção ao Anjo da Guarda em Portugal ganhou enorme força desde o século XVI. Em Estremoz, o lugar devia o seu nome a uma antiga ermida/igreja (onde no século XVI funcionara a primeira Santa Casa da Misericórdia de Estremoz) ou a um cruzeiro/oratório dedicado ao Santo Anjo, situado numa das saídas estratégicas da vila.
Arredores rurais/extramuros: Ser morador "no lugar do Anjo da Guarda" significava, muito provavelmente, viver num núcleo populacional junto a um dos caminhos de acesso à vila — uma área que combinava habitações, pequenas hortas, estalagens ou oficinas de artesãos.
3. Sociedade e Trabalho: Como Viveriam os meus 8º Avós?
Se os meus ancestrais eram pessoas do povo (como os agricultores, lavradores ou artesãos da época):
A Terra e a Olaria: Estremoz vivia da agricultura (trigo, azeite, vinho) e da pecuária. Foi exatamente nessa época (séculos XVII e XVIII) que a famosa olaria e os "Bonecos de Estremoz" (figuras em barro) começaram a afirmar-se como arte popular local.
O Mármore: O "ouro branco" da região (o mármore de Estremoz) estava em plena expansão de extração para alimentar as grandes obras do reino.
A Elite vs. O Povo: Enquanto a nobreza e as ordens religiosas construíam solares e conventos sumptuosos repletos de azulejos e talha dourada (o esplendor barroco de D. João V), as famílias como a de Manuel Simões e Inácia Rodrigues viviam de forma modesta, regidas pelo calendário agrícola e pelas festas religiosas.
4. O Ritmo da Vida e a Igreja
Entre 1680 e 1750, a Igreja Católica controlava praticamente todos os aspetos da vida civil:
Os Registos Paroquiais: Não existia registo civil. O nascimento de Francisca em 1697 só tem existência histórica porque o pároco de Santo André registou o batismo no livro da paróquia.
Epidemias e Mortalidade: A esperança de vida era baixa e a mortalidade infantil elevada. Ter filhos batizados "a tempo e horas" era uma prioridade absoluta para a salvação da alma segundo a mentalidade da época.
Mobilidade: Apesar de parecerem tempos "parados", havia muita circulação de pessoas no Alentejo (trabalhadores sazonais para as ceifas, tropeiros, militares e pequenos comerciantes que circulavam entre Évora, Elvas, Estremoz e Lisboa).
Se os meus oitavos avós viveram em Estremoz durante esses 70 anos (1680–1750), eles testemunharam a reconstrução de Portugal pós-guerra, viram a vila transformar-se numa joia do Barroco alentejano e assentaram as raízes de uma família que, gerações mais tarde, atravessaria o Atlântico.
👉Vídeo Youtube Estremoz, Portugal
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Convento dos Congregados, Santo André, Estremoz, Poetugal
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| Vista aérea parcial de Estremoz- detalhes das muralhas e da torre do castelo medieval de Estremoz |
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