Gabriel Ferreira Sucupira e Maria Joaquina da Costa
PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (4º avós ou tataravós) pelo lado de minha avó paterna Valdomira Barbosa Sucupira, esposa de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim). Nessa sequência siga o gráfico na terceira linha de cima para baixo.
![]() | |||||||||||||||||||||||
Gabriel Ferreira Sucupira e Maria Joaquina da Costa
Gabriel Ferreira Sucupira, meu 4º avô, é o bisavô de minha avó Valdomira Barbosa Sucupira, mãe de meu pai. Não foi possível descobrir onde e quando nasceu, mas possivelmente foi na mesma região onde viveu, pelos lados de Lagamar dos Coqueiros, Coromandel, Minas Gerais. Considerando que sua esposa tinha apenas 30 anos quando ele faleceu, supõe-se que ele também era jovem, talvez uns 35 anos ou menos, e sendo assim, poderia ter nascido por volta de 1848-1850. Ele faleceu no dia 10 de novembro de 1883, um sábado, possivelmente na Fazenda do Bicame, de sua propriedade, Coromandel, Minas Gerais. Provavelmente foi enterrado no cemitério de Lagamar dos Coqueiros, distrito de Coromandel, Minas Gerais. Mas são só deduções baseadas no fato de que antigamente as pessoas morriam mais em casa e na roça, e eram enterradas próximas de onde viviam.
Maria Joaquina da Costa, esposa de Gabriel e minha 4ª avó, consta apenas que nasceu por volta de 1854 e que faleceu em Coromandel, Minas Gerais, valendo a mesma dedução com relação a seu esposo: possivelmente faleceu na Fazenda do Bicame e foi possivelmente enterrada no lugar mais próximo que era Lagamar dos Coqueiros, distrito de Coromandel, Minas Gerais.
Voltando a Gabriel, meu 4º avô, como já dito, ele faleceu no dia 10 de novembro de 1883, e apenas no dia 15 de janeiro de 1884, uma terça-feira, o tabelião ou escrivão, compareceu às dez horas da manhã na Fazenda do Bicame, para dar andamento ao inventário dos bens e fazer todas as declarações.
|
|
Na lista encontro um tal basto arreado que me deixou encucada, porém descobri que nada mais é que o popular arreio, peça de montaria, para cavalos. O “arreado” significa que possui todos os apetrechos de uma montaria, ou seja, a cela, o cabresto com a rédea e a focinheira. Imagino esses apetrechos para arrear os cavalos, talvez pendurados em alguma varanda perto do curral, e meu 4º avô, Gabriel, jovem ainda, ajeitando a cela no lombo do cavalo castanho, que também estava lá listado nas velhas folhas amarelas de mais de 140 anos. Aliás eram dois cavalos castanhos, um novo e um velho que viviam ali no pastinho mais perto da casa ao alcance da mão. Só jogar o cabresto.
Imagino Gabriel, meu 4º avô, enfiar o pé na espora e jogar o corpo de uma só vez lá em cima do cavalo, e montado a capricho, soltar a rédea e sair a trote pelos campos, campeando suas poucas vacas. Naquele tempo, os campos ainda eram das vacas, hoje são das sojas, principalmente na região onde ele vivia, o tal Bicame, cujo nome me intrigou. Mas descobri que bicame é uma calha para escoamento de águas fluviais, ou um rego de madeira para passagem de rio ou ribeirão. Talvez o lugar tenha ganhado esse nome em razão disso.
De qualquer forma, o que sei é que não posso evitar esse meu pensamento que campeia, galopa, sova os arreios, em cada linha do inventário. Sinto a alma de meu 4º avô, curtida da lida, sob o sol tornando-se morno e se apagar. E fico a pensar, o que o teria levado tão cedo? Teria tido um infarto fulminante?
Deixo esse pensamento para me concentrar nas suas poucas vacas, apenas 8 com suas crias, sendo 4 com bezerros novos. O suficiente para alguns queijos e leite para os biscoitos e as crianças. No pasto mais 8 vacas solteiras; 8 garrotes (uma categoria intermediária entre bezerro e boi); 6 novilhas (fêmea bovina que ainda não teve uma gestação); um marroar mestiço de china (touro reprodutor) possivelmente jogando seu charme para cima das vacas solteiras e, talvez as novilhas. Só fiquei a questionar o que “de china” significa. O tal touro reprodutor seria um mestiço chinês? Provavelmente sim.
E como meu 4º avô Gabriel tinha um carro de bois, é de praxe ter os bois, e lá estavam eles, os 12 que formavam 6 juntas, em um pasto separado para evitar rixas com o touro mestiço, que, em se tratando de ciúme leva até cercas de arame farpado no peito. Se bem que os bois de carro eram castrados, mas o marroar ia adivinhar essas coisas?
O que se percebe é que a fazenda de meu 4º avô Gabriel, tinha o básico, até porque é difícil imaginar uma fazenda sem vacas e sem cavalos. É também difícil imaginar aquele tempo sem o carro de boi. São coisas que integravam o quadro rural. E por falar em básico, senti falta das galinhas e dos porcos, que não estavam presentes na lista. Isso significa que o inventário nem sempre consta tudo, porque com certeza na fazenda de meu 4º avô Gabriel, tinha tudo isso. A omissão desse fato, trouxe-me certa angústia. Contudo, eu sei que as galinhas estavam lá, ciscando tranquilas no terreiro, e os porcos se enlameando no chiqueiro. Senão como se explica os ovos para as quitandas nos sábados? Para serem fritos no meio da semana? E como se explica o molho de frango domingueiro? E como se explica as linguiças penduradas em cima do fogão de lenhas? Os torresmos... Então alguém questionará: mas tinha isso listado no inventário? E eu respondo: precisa? Afinal quem vive sem ovos ou vivia sem a banha de porco naquele tempo?
Bem, segue agora os bens de raiz de meu 4º avô: a sede com a casa de morada, possivelmente uma construção enorme, conforme lembranças de uma vizinha, sua bisneta; o curral cercado de aroeira, e aí sim, a coisa muda de figura, afinal a aroeira é uma madeira densa, forte, resistente que pode durar até cem anos. Não sei se foi o caso do curral de meu 4º avô. Incrível como antigamente as pessoas só utilizavam madeira de aroeira. Seria por isso que essa madeira está em extinção?
Seguindo: o inventário consta ainda uma manga... Manga? Nesse caso, manga nada mais é que uma denominação para uma pastagem cercada para gado, digamos, uma espécie de piquete. Geralmente é o espaço que começa na cerca do curral. Aquele lugarzinho cheio de gramíneas onde as vacas fazem suas sestas (dormem depois do almoço), ou passam suas doces tardes ruminando e curtindo os últimos raios de sol. Geralmente passam a noite ali também, pois quando o dia amanhece, já estão mais perto do curral, prontas para a tirada do leite.
Sobre as terras ali do entorno da sede da Fazenda do Bicame, consta as de cultura e campos, cuja medida não foi declarada. Essa Fazenda pelo visto ainda existe e ainda pertence a descendentes de meu tataravô Gabriel. segundo uma vizinha que é bisneta dele e rima de minha avó Valdomira.
Possivelmente a sede primitiva da fazenda já não existe mais. contudo, vale ressaltar que Bicame, não é necessariamente o nome da fazenda, mas da localidade. A fazenda que fica nessa localidade é denominada “Fazenda Gameleira”. De acordo com o cadastro Rural Ambiental, essa fazenda possui mais de 700 hectares. Ao que tudo indica é o reduto dos Sucupira.
Bem, percebe-se nesse inventário de Gabriel, meu 4º avô, que não houve também uma preocupação em listar utensílios, ferramentas, essas coisas, apenas os bens de maior valor. Mas com certeza meus 4º avós possuíam todas as tralhas do cotidiano. O fato de não terem sido listados, talvez seja porque não haveria uma partilha formal, uma vez que os herdeiros eram todos menores e tudo ficaria mesmo em comum.
E assim, vinte e oito anos se passaram. De repente já era 1912, já entrando na segunda década do século XX. Minha 4ª avó Maria Joaquina, pelo visto seguiu em frente e conseguiu criar seus filhos e administrar os bens deixados pelo esposo Gabriel. O filho mais velho que em 1884 tinha 11 anos, agora já tinha 40 e minha 3ª avó Maria Ferreira Sucupira, que na época tinha 9 anos, agora já tinha 38, e casada com meu 3º avô ou trisavô João felizardo Rodrigues.
Pelo que entendi, o processo do arrolamento dos bens de 1884 só veio a acontecer formalmente no ano de 1912. Um novo inventário foi aberto, uma espécie de regulamentação do anterior. A verdade é que todos os filhos de Gabriel e Maria Joaquina, já haviam vendido suas partes das terras para o irmão Baldoino, inclusive minha 3ª avó ou trisavó Maria Ferreira Sucupira. Ao que tudo indica, ela e o esposo já tinham sua própria fazenda, a denominada Fazenda Ataque no Lagamar dos Coqueiros, Distrito de Coromandel, Minas Gerais.
O que se percebe é que minha 4ª avó, Maria Joaquina, mesmo sem fazer a partilha oficial, foi liberando os filhos para fazerem o que bem entendessem com suas heranças, pelo menos com as terras. E ao final, já com seus 58 anos, decidiu abrir mão também de sua meação (parte na herança deixada pelo esposo), preferindo, ainda em vida, deixar tudo para os filhos, ficando apenas com a quantia de 600$000 (seiscentos mil réis). Revela-se aqui o seu já desapego das coisas terrenas. Para ela, provavelmente já não tinha sentido possuir terras e gado, até porque como iria cuidar de tudo isso sozinha? Os seiscentos mil réis exigidos eram apenas uma espécie de aposentaria que certamente a ajudaria a viver seus últimos dias com coisas básicas. Será que minha 4ª avó Maria Joaquina, teve também o usufruto da sede da fazenda? Afinal, mesmo que abramos mão das coisas, ainda assim precisamos de um lugar para morar até que e cumpra a missão terrena. Ou será que ela foi viver com algum dos filhos?
Bem, o inventário aqui cumpriu uma formalidade que eu aproveitei para imaginar uma história, história essa que não acabou nele, afinal em 1912, minha 4ª avó Maria Joaquina da Costa ainda estava viva, e nem tão velha, embora possivelmente acabada, os cabelos brancos, a pele enrugada e maltratada, pois fisicamente, naquele tempo, as pessoas envelheciam depressa, já que a vida era mais difícil. No caso de Maria Joaquina, minha 4ª avó, com apenas 30 anos, de repente se viu sozinha com cinco crianças pequenas para cuidar quando seu esposo faleceu em 1883. O filho mais velho tinha apenas 11 anos e o mais novo apenas 2 anos de idade. Ela provavelmente passou momentos bem difíceis, considerando que, naquele tempo, o homem era o provedor da família. A mulher apenas cuidava da casa e dos filhos.
Agora que imagino essa minha 4ª avó dando as últimas instruções ao escrivão, vejo-a como uma guerreira que cumpriu sua missão. Certamente quando faleceu, partiu leve, já que nem bens mais possuía.
Gabriel Ferreira Sucupira e Maria Joaquina da Costa, meus 4º avós se casaram possivelmente por volta de 1872, pois consta que o primeiro filho do casal nasceu em 1873. Logo viveram apenas onze anos casados. Nesses onze anos eles tiveram cinco filhos, frisando que a idade de cada um se refere ao ano em foi feito o inventário do pai, ou seja, 1884, e como consta no inventário:
1. Francisco Ferreira Sucupira, com 11 anos e que mais tarde casou-se com Rita Firmina de Souza;
2. Maria Ferreira Sucupira, com 9 anos, minha 3ª avó ou trisavó, que mais tarde, casou-se com João Felizardo Rodrigues;
3. Amélia Ferreira Sucupira, com 7 anos;
4. Baldoino Ferreira Sucupira, com 5 anos, que mais tarde se casou com Josina Vieira e foram pais de Ipácio Sucupira, que por sinal era pai de minha vizinha D. Vanda. Esse meu 3º tio-avô era conhecido como Bino Sucupira. Inclusive é citado no livro “Minha Terra Minha Gente” do médico Dr. Sebastião Machado. Segundo Dr. Sebastião, a fazenda de Baldoíno era um local de grandes festas e pagodes e também era o ponto de pouso para quem viajava por aquelas paragens. Minha vizinha, sua neta, me confirmou esse fato, completando que a fazenda era pouso dos boiadeiros que passavam por lá. Ela disse ainda que a casa era enorme e que assistiu a mulher dele, sua avó Josina e minha 3ª tia-avó, falecer;
5. Antero Ferreira Sucupira, com 2 anos, que mais tarde se casou com Odília Maria de Abreu. De acordo com minha vizinha D. Vanda, eram pais do Evandro Sucupira, pai da tia Vanilda, casada com meu tio e padrinho Clodoveu, que era irmão de meu pai, ambos já falecidos. Vale ressaltar que Evandro era dentista prático em Coromandel, Minas Gerais
Ressaltando que a filha Maria Ferreira Sucupira, era minha 3ª avó ou trisavó, casada com João Felizardo Rodrigues. Eram bisavós de meu pai e avós de Valdomira Barbosa Sucupira, mãe de pai.
![]() |
|
Parte do inventário, onde consta que a filha de meus 4º avós, Maria Ferreira Sucupira, minha trisavó e seu esposo venderam a parte de suas terras de herança ao irmão Baldoino. |
![]() |
|
Parte do inventário onde minha 4ª avó Maria Joaquina da Costa abre mão de sua parte na herança, exigindo apenas os 600 mil réis. |
Para ter acesso ao inventário de meu 4º avô Gabriel Ferreira Sucupira em 1884 e 1912, clique no link abaixo:
![]() |
| Cemitério de Lagamar dos Coqueiros, Coromandel, Minas Gerais, há 10 anos atrás |
![]() |
| Distrito de Lagamar dos Coqueiros, Minas Gerais |
Para saber sobre o município de Coromandel, Minas Gerais, onde se insere o distrito de Lagamar dos Coqueiros, acesse os links abaixo:
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
👉Coromandel, Minas Gerais. Vídeo Youtube
![]() |
| Coromandel, Minas Gerais. Destaque: Igreja Sant'Ana, marco da história de Coromandel |
![]() |
| Coromandel, Minas Gerais- 2024 |
%20%E2%80%A2%20Visualiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Gr%C3%A1fico%20em%20leque%20%E2%80%A2%20%C3%81rvore%20familiar.png)




%20Facebook.png)

%20Coromandel%20-%20MG.%20Imagens%20a%C3%A9reas.%20Dezembro%20de%202024.%20-%20YouTube.png)


Comentários
Postar um comentário