Francisco Fernandes e Margarida de Castro

 



 PS.: 

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Feranndes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.


 Francisco Fernandes e Margarida de Castro

 

Francisco Fernandes, meu 8º avô, nasceu em Açores, Portugal. Não consta data de seu nascimento nem local específico. Possivelmente teria sido o mesmo local onde faleceu, ou seja, na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Faleceu antes de 18 de agosto de 1726, de acordo com o familysearch. 

Margarida de Castro, esposa de Francisco e minha 8ª avó, nasceu na Freguesia de Ribeirinha, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Portugal. Não consta data. Ela faleceu antes de 18 de agosto de 1726 na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Portugal, conforme family search.

Não foi possível acessar documentos desses eventos, pois estão muito deteriorados.  

Também não foi possível descobrir o ano do casamento de Francisco e Margarida. No entanto, é provável que tenha ocorrido por volta de 1667, já que o filho mais velho nasceu em 1668. Como era costume a cerimônia ser realizada na freguesia da noiva, as buscas se concentraram em Ribeirinha, em Angra do Heroísmo. Infelizmente, os poucos documentos restantes desse período na região estão deteriorados.

 Dos filhos que Francisco e Margarida tiveram, destaco Luiz Fernandes, meu 7º avô casado com Maria da Conceição. Vale frisar que Luiz Fernandes é também meu 8º avô, porque bem lá frente, uma tataraneta sua ou 4ª neta casou-se com um tio, que por sinal era seu trineto ou 3º neto. Esse tio e sobrinha eram os pais da esposa do vovô Tõe. 

 

Sobre Porto Judeu, Ilha terceira, Açores, onde Francisco nasceu e faleceu com sua esposa ( 1640- 1730)

O Mundo do Meu 8º Avô: Porto Judeu e a Ilha Terceira (1640–1726)
Compreender a jornada dos meus antepassados exige olhar para o cenário onde viveram. Entre 1640 e 1726, o período que compreende a vida e a morte dos meus oitavos avô na Ilha Terceira, Açores, o mundo passava por profundas transformações.
Viver na paróquia de Porto Judeu, sob a jurisdição do município vizinho da Vila de São Sebastião (ao qual pertenceu até 1870), significava fazer parte de uma comunidade resiliente e estratégica. Eis como era o cotidiano e o contexto histórico daquela época: 
1. A Restauração da Independência (1640–1642)
O nascimento do meu avô coincide exatamente com a Restauração da Independência de Portugal. Enquanto o continente aclamava D. João IV em 1640, a Ilha Terceira viveu uma violenta guerra local para expulsar as tropas espanholas fortificadas no Monte Brasil, em Angra. Ele nasceu em uma ilha que celebrava, com sangue e orgulho, o retorno da soberania portuguesa.
2. O Cotidiano em Porto Judeu: Terra de Mar e Lavoura
Diferente da fidalguia urbana da vizinha cidade de Angra, Porto Judeu era uma comunidade de forte identidade rural e marítima: 
  • Economia: A sobrevivência girava em torno da agropecuária (especialmente a produção de trigo e criação de gado nas vastas pastagens) e da pesca costeira.
  • Fé e Comunidade: A vida social era ditada pelos sinos da Paróquia de Santo António, o coração espiritual da freguesia, onde muito provavelmente meu avô foi batizado, casou-se e teve suas exéquias registradas. 
3. Angra como a "Encruzilhada do Atlântico"
Porto Judeu ficava a cerca de 10 km de Angra do Heroísmo, um dos portos mais importantes do mundo. Durante a vida dos meus antepassados, a baía de Angra era ponto obrigatório de escala para os galeões carregados de ouro do Brasil e especiarias das Índias. Embora vivesse na tranquilidade rural, ele estava a poucos quilômetros de riquezas, mercadorias exóticas e viajantes do mundo inteiro. 
4. O Isolamento e a Consciência de Si
Até falecer em 1726, meus 8º avós testemunharam uma Terceira mais isolada após o declínio das rotas comerciais da Índia, forçando a população a focar na subsistência interna e na produção têxtil caseira. Era uma vida dura, moldada pelas crises agrícolas, pelo medo de ataques piratas no Atlântico e pela forte devoção ao Divino Espírito Santo. 
Escrever sobre eles é honrar pessoas anônimas que, entre o amanhecer no campo e o bater das ondas no Porto Judeu, ajudaram a construir as fundações da minha família.

 Para saber mais sobre Porto Judeu acesse os links abaixo: 

👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal

👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube

 

Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal

 

 


A Freguesia da Ribeirinha no Século XVII: O Chão da Minha 8ª Avó
Para compreender a vida da minha oitava avó, Margarida, é preciso olhar para a terra onde ela nasceu e viveu entre 1640 e 1667. Localizada logo a leste de Angra, a Ribeirinha era uma das freguesias rurais mais antigas e vitais da Ilha Terceira, combinando uma beleza natural imponente com uma rotina de intenso trabalho na terra.
Eis a realidade daquela comunidade que moldou os primeiros anos de vida da minha antepassada:
1. Uma Geografia de Contrastes: Entre a Serra e o Mar
A Ribeirinha do século XVII era definida por sua topografia dramática. Erguida sobre uma encosta verdejante e protegida pela imponente Serra da Ribeirinha, a freguesia oferecia aos seus moradores uma vista privilegiada para o Atlântico e para os Ilhéus das Cabras. Essa posição elevada era estratégica: permitia avistar de longe as embarcações que se aproximavam da Baía de Angra, mas também expunha a população aos ventos fortes e às tempestades do inverno açoriano.
2. O Celeiro de Angra: Uma Economia Agrícola Pujante
Diferente do comércio cosmopolita da vizinha capital Angra do Heroísmo, a Ribeirinha vivia essencialmente da terra. Suas encostas eram extremamente férteis, o que tornava a freguesia uma das principais fornecedoras de alimentos da ilha:
  • Trigo e Pomares: A paisagem era dominada por vastos campos de trigo, hortas familiares e pomares generosos.
  • A Indústria dos Moinhos: Aproveitando as linhas de água que desciam da serra, a freguesia abrigava moinhos de água fundamentais para moer o grão que alimentava tanto os locais quanto as tripulações das armadas que ancoravam em Angra.
3. A Vida Social Sob o Campanário de São Pedro
A comunidade da Ribeirinha era profundamente coesa, e sua rotina era totalmente ditada pela fé católica. A Igreja de São Pedro da Ribeirinha era o coração espiritual, jurídico e social absoluto do lugar. Naquela época, os registros paroquiais eram os únicos documentos oficiais de uma pessoa. Foi nesse templo do século XVI que os vizinhos se reuniam não apenas para as missas dominicais, mas para celebrar batizados, organizar as grandes coroações das Festas do Espírito Santo e buscar amparo espiritual diante do isolamento e das duras rotas do Atlântico.
4. O Destino das Moças da Freguesia
Viver na Ribeirinha significava estar perto do progresso de Angra, mas manter um estilo de vida pacato e tradicional. Para jovens como Margarida, a juventude era dividida entre o auxílio nas tarefas agrícolas, a fiação caseira do linho e a forte vigilância familiar. O cotidiano na freguesia só mudava drasticamente com o casamento. Por volta de 1667, ao unir-se ao seu marido, Margarida deixou as terras férteis da Ribeirinha para traçar sua história na vizinha Porto Judeu, levando consigo a identidade moldada pelas encostas da sua terra natal.
5. O Cerco ao Castelo de São Filipe (1641–1642)
  • O Grande Conflito no Monte Brasil: Quando Portugal restaurou sua independência em dezembro de 1640, a notícia demorou a ser oficializada na Terceira. A guarnição espanhola, fortemente armada com 1.500 homens de elite e 400 canhões, recusou-se a entregar o castelo situado no Monte Brasil. Os espanhóis fecharam-se lá dentro, dando início ao cerco.
  • A Mobilização Popular: Não foi um exército regular português que lutou, mas o próprio povo açoriano. Cerca de 7.000 homens de todas as freguesias da ilha, incluindo camponeses da Ribeirinha e de Porto Judeu comandados pelas Ordenanças locais, pegaram em armas para cercar a fortaleza. Enquanto os homens cavavam trincheiras e sitiavam o castelo, as mulheres nas freguesias rurais garantiam o sustento, fiando linho para os acampamentos e preparando alimentos.
  • Fome, Sangue e Rendição: O cerco foi brutal. Do alto das muralhas, a artilharia espanhola bombardeava os arredores de Angra. Do lado de dentro, a fome e as doenças dizimaram os defensores ao longo de quase um ano. Em março de 1642, sem receber ajuda de Madrid, o governador espanhol Álvaro de Viveros finalmente capitulou. Os espanhóis sobreviventes receberam permissão para se retirar com honras civis, deixando para trás um arsenal fabuloso de armas e munições.
  • O Impacto na Família: Como a Ribeirinha fica muito perto de Angra, a família de Margarida certamente ouvia o estrondo diário dos canhões ecoando pelo mar e viveu o medo constante de uma invasão ou saque. Minha 8ª avó cresceu ouvindo os relatos de como os terceirenses, com coragem e persistência, expulsaram os espanhóis e garantiram que a ilha continuasse portuguesa.
Como forma de celebrar a vitória, o rei D. João IV ordenou que o antigo Castelo de São Filipe (nome dado em honra ao rei espanhol Filipe II) passasse a chamar-se Fortaleza de São João Baptista.
Para saber mais sobre a localidade de Ribeirinha, acesse os links abaixo: 

👉Ribeirinha, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal 

👉Ribeirinha,Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube 


Atual Igreja de São Pedro da Ribeirinha. Ela ocupa o mesmo terreno no centro da freguesia desde a sua fundação original no século XVI. As sucessivas reconstruções e restauros ocorreram em cima da mesma localização histórica. 


Ribeirinha, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal

 

 


 

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha