Domingos Lopes da Silva e Florência da Silva Naves

 

 


  PS.:

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.


  

 Domingos Lopes da Silva e Florência da Silva Naves

 

Domingos Lopes da Silva, meu 8º avô nasceu em Angra dos Reis, Rio de Janeiro e faleceu em Santana do Paranaíba, São Paulo, se as informações do Family estiverem corretas. Não há uma data específica de falecimento e nascimento. Porém a Editora Naves, declara que ele nasceu em em 1672 na antiga região de Santo Antônio de Sá / Macacu (atual Cachoeiras de Macacu), área que concentrava engenhos e fazendas coloniais no século XVII. Ele era filho de Francisco Lopes da Silva e Maria Pereira.

 Florência da Silva Naves, esposa de Domingos e minha 8ª avó nasceu em aproximadamente 1676 em Santana de Parnaíba, São Paulo e faleceu em 1740 também nessa localidade. Isso conforme dados do Familysearch. Era filha do português João de Almeida Naves natural da Freguesia de Algodres, Concelho de Figueira Castelo Rodrigo (Guarda) - Portugal e da paulista Maria da Silva Leite de Santana do Pranaíba, São Paulo. 

Domingos e Florência se casaram por volta de 1714 em Santana do Parnaíba, São Paulo.  Se a data estiver correta, Florência já não era tão jovem e tinha em torno de 38 anos e Domingos 42. Talvez isso se explique o fato de terem tido um único filho, a quem deram o nome do avô, pai de Florência. Há notícias de que Domingos era viúvo de Maria Nunes de Abreu quando se casou com Florência. Isso se os dados estiverem corretos. 

Do Recôncavo Fluminense ao Berço das Bandeiras: A Jornada de Domingos Lopes da Silva

Para entender porque Domingos e Florência se encontraram em Santana do Parnaíba, vale frisar que  a região do Vale do Macacu (onde Domingos nasceu) enfrentava um período de estagnação econômica. O açúcar do Rio perdia preço no mercado internacional para o açúcar holandês do Caribe. Para o filho de um lavrador ou comerciante local de Macacu, o futuro econômico no Rio parecia limitado se comparado às oportunidades do sul.

O fato de não haver rastros ou registros de descendentes de seu primeiro casamento reforça uma forte hipótese: sem filhos e desvinculado dos laços que o prendiam à sua terra natal, Domingos viu-se livre — e impulsionado — para reescrever sua história. Ele provavelmente subiu a serra integrado ao intenso trânsito de mercadorias, tropas ou comitivas comerciais que conectavam o porto do Rio às rotas mineradoras e bandeirantes de São Paulo. 

Ao desembarcar no próspero "quartel-general" de Santana do Parnaíba como um homem maduro, trabalhador e sem amarras do passado, ele conseguiu provar seu valor econômico para a tradicional família Naves. O casamento com Florência, por volta de 1714, não foi o início da sua viagem, mas sim a ancoragem definitiva de seu sucesso em terras paulistas. Certamente ele não buscava o caos de Minas, a prioridade era estabelecer um lar seguro e desfrutar do status e do conforto que a tradicional estrutura da família Naves oferecia em Santana do Parnaíba.

 Domingos e Florência eram pais de João de Almeida Naves, meu 7º avô, único filho do casal e que adotou o nome do avô materno. João foi casado com Luzia Moreira da Fonseca.  

 

 

Sobre a Localidade onde  Domingos nasceu

O Vale do Macacu em 1672: O Coração Agrícola do Rio de Janeiro

1. O Status Político: Uma Freguesia em Expansão

Em 1672, o local ainda não se chamava formalmente "Vila de Santo Antônio de Sá" (título que só receberia 25 anos depois, em 1697). A região era conhecida como a Freguesia de Santo Antônio de Caceribu (ou Cassarabu), criada oficialmente por alvará régio em 1647.

  • Era uma paróquia gigante que controlava os registros civis e religiosos de toda a bacia hidrográfica do Rio Macacu.
  • Pouquíssimas igrejas existiam no interior do Rio de Janeiro naquela época, fazendo da paróquia local o centro da vida comunitária.

2. A Paisagem e a Economia: Engenhos, Rios e Madeiras

O cenário de infância de Domingos Lopes da Silva era dominado por águas navegáveis e florestas densas. A economia local baseava-se em:

  • Os "Caminhos Fluviais": Como não existiam estradas de rodagem, os rios Macacu e Caceribu funcionavam como as "autoestradas" da época. Pequenas embarcações e barcaças transportavam tudo dali direto para o porto do Rio de Janeiro.
  • Cana-de-Açúcar e Mandioca: O vale era repleto de engenhos de açúcar, fábricas de aguardente e imensas plantações de mandioca. A região era considerada o "celeiro" que alimentava a capital da província.
  • Extração de Madeiras Nobres: As matas preservadas forneciam a madeira densa utilizada na construção civil e nos estaleiros navais da Coroa Portuguesa no Rio.

3. O Grande Acontecimento da Época: O Convento de São Boaventura de Macacu.

  • Construído pelos frades franciscanos a partir de 1649, o convento foi inaugurado oficialmente por volta de 1670 — virtualmente na mesma época do nascimento de Domingos.
  • Este mosteiro possuía uma das primeiras escolas de "primeiras e segundas letras" da região. Era o grande farol cultural e religioso do vale e ditava o ritmo social da população na década de 1670.

4. A Sociedade Colonial

A população da freguesia em 1672 era composta por uma elite de fazendeiros latifundiários (donos de sesmarias), lavradores livres de cana, comerciantes, uma imensa população escravizada de origem africana e indígenas aldeados que trabalhavam nas missões jesuíticas vizinhas (como a Aldeia de São Barnabé). Nascer ali significava fazer parte do núcleo colonial mais aristocrático e produtivo do Rio de Janeiro fora do perímetro urbano da capital.

5. A Cidade que Virou Ruínas

No século XIX, uma terrível epidemia conhecida como "as febres de Macacu" assolou o local. A febre de Macacu (1829–1835) foi um devastador surto de malária no Rio de Janeiro provocado pelo desmatamento, que entupiu os rios locais e criou pântanos ideais para a proliferação de mosquitos, embora a medicina da época culpasse os miasmas (gases de matéria em decomposição). Tratada com o uso de quina, a epidemia dizimou a população, forçou o abandono definitivo da próspera vila de Santo Antônio de Sá, transformando-a em uma verdadeira "cidade fantasma.

Hoje, quem visita a região colonial de Cachoeiras de Macacu e Itaboraí encontra apenas as impressionantes ruínas do Convento de São Boaventura.

 Para saber sobre essa localidade e sobre as ruínas do convento acesse os links abaixo: 

👉 Sobre a localidade de Macacu 

👉 Sobre o convento de São Boaventuta- youtube 

 

Ruínas do Convento de São Boaventura


 


 

 

 Santana do Parnaíba: O Berço dos Bandeirantes e a História da Família de Florência

1. Por volta de 1640: O Apogeu do Trigo e o Berço de Ouro (Antes de Florência)

  • O Cenário da Vila: Nesse período, Santana de Parnaíba era o verdadeiro "celeiro do Brasil colonial". A vila vivia o auge econômico dos moinhos de trigo movidos a água ao longo do Rio Tietê. Grandes lavouras abasteciam o Rio de Janeiro e São Vicente.
  • O Lado Sombrio: Era a época das imensas e tristes marchas forçadas de escravizados indígenas (e mais tarde africanos) que carregavam sacos de farinha por 110 km até o porto de Santos.

2. Por volta de 1676: O Nascimento de Florência e a Era dos Grandes Bandeirantes

  • O Cenário da Vila: O trigo paulista começava a entrar em declínio. Santana de Parnaíba, então, se transformou no maior "quartel-general" de exploração do território brasileiro. A vila era um vaivém frenético de sertanistas, armas, cavalos e provisões. Dali saíam expedições lendárias comandadas por homens como Fernão Dias Pais (parente de Florência) e Raposo Tavares.
  • A Vida de Florência: É nesse ambiente de pura aventura, poeira e expedições rumo ao desconhecido que Florência nasce em 1676. Ela cresce ouvindo histórias de homens que passavam anos sumidos no mato atrás de ouro e pedras preciosas. É também a fase em que seu pai, João de Almeida Naves, atua na política local como o enérgico Procurador do Conselho de Santana do Parnaíba. No livro “Notas para a História de Parnahyba”, escrito pelo padre Paulo Florêncio da Silveira Camargo, pesquisadores da Família Naves encontraram várias referências, transcritas das atas da câmara, sobre a atuação de João de Almeida Naves como Procurador do Conselho. Veja algumas do ano de 1680:

      • “João de Almeida Naves era zangado e enérgico. Em 17 de janeiro requer seja o povo avisado para limpar a vila; estava aquilo tão cheio de mato!”
      • “Em 17 de fevereiro exige mais: que se faça a estrada para São Paulo e se mandasse consertar a casa do conselho, pois estava danificada.”
      • “Energicamente protestava contra uns negros que andavam armados. Isso era muito “mal premettido”. Que se castigassem os culpados.”
      • “... era necessário levantar na vila uma forca. Onde é que se viu uma vila sem forca?!”

·        Nota: Sobre o pai de Florência, João de Almeira Naves, meu 9º avô: conta-se ainda que a mudança definitiva da família para Santana do Parnaíba foi motivada por um cenário dramático. Conforme registros da Editora Naves, o casal morava na Vila de São Paulo, mas precisou fugir na década de 1650 devido a uma violenta guerra entre clãs rivais: o conflito entre as facções dos Pires e dos Camargos. Como a família de sua esposa tinha fortes ligações de sangue com o partido dos Pires, a Vila de São Paulo tornou-se perigosa demais.

O grande líder militar e político do partido dos Pires era ninguém menos que o lendário bandeirante Fernão Dias Pais Leme, o famoso "Caçador de Esmeraldas". Ele era primo legítimo da mãe de Florência, Maria da Silva Leite. Pelo fato de o clã estar diretamente envolvido no topo dessa sangrenta disputa pelo poder — repleta de emboscadas e execuções nas ruas —, ter o sangue de Fernão Dias significava andar com um alvo nas costas. Para proteger a vida de sua esposa e filhos, João de Almeida Naves não teve escolha senão abandonar seus negócios na capital. Santana do Parnaíba surgiu como o refúgio seguro onde eles recomeçariam a vida longe do perigo e onde nasceria minha 8ª avó, Florência da Silva Naves.

Outra nota: José de Almeida Naves, irmão de Florência, foi um dos subscritores ( testemunha oficial), em 08/04/1711, do termo de criação da Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo que mais tarde tornou-se Mariana, a primeira capital de Minas Gerais. 


3. Por volta de 1740: A Vila do Ouro e a Partida para Minas Gerais (O Fim da Vida de Florência)

  • O Cenário da Vila: O jogo mudou completamente. As bandeiras coloniais finalmente haviam descoberto o ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Santana de Parnaíba já não era mais uma fronteira isolada, mas sim uma vila histórica consolidada, com seus casarões de taipa de pilão (que hoje são tombados) bem estabelecidos. O foco econômico não era mais plantar, mas sim abastecer o fluxo de pessoas que iam e vinham das Minas.
  • A Conexão Familiar: Após casar-se em 1714 com Domingos Lopes da Silva (o rapaz vindo de Macacu) e dar à luz seu único filho, João, Florência vive sua maturidade e velhice testemunhando a grande debandada dos paulistas rumo ao território mineiro. Ela falece por volta dessa época em São Paulo. Pouco tempo depois, seu filho e os netos seguiriam exatamente essa rota do ouro para desbravar o sul de Minas Gerais (região de Lavras), espalhando o sobrenome Naves por lá.

Acesse o link abaixo para saber sobre Fernão Dias Pais leme, o bandeirante primo de Florência, minha 8ª avó:

 👉Sobre Fernão Dias Pais Leme 

 




Para saber sobre a localidade de Santana do Parnaíba, acesse os links abaixo:

  👉Santana do Parnaíba, São Paulo- Monumentos aos Bandeirantes

👉 Santana do Parnaíba, São Paulo

 

Santana do Paranaíba, São Paulo- Detalhe Igreja de Sant'Ana

 

Santana do Paranaíba, São Paulo- Detalhe Monumento aos bandeirantes
 
 
 

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha