Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo
PS.:
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Carlos Ferreira de Souza e Rosa de Azevedo
Carlos Ferreira de Souza, meu 8º avô, nasceu em 28 de outubro de 1692, na histórica localidade de Salvador do Monte, no município de Amarante, Distrito do Porto, Portugal.
Há descobertas na genealogia que nos tiram o fôlego. Ao analisar o documento original de seu batismo, uma linda surpresa nos revela como a história oficial das árvores genealógicas às vezes esconde detalhes fascinantes. Meu 8º avô não nasceu "Carlos". Ele veio ao mundo e foi batizado com o nome de Felix! Era filho de Marcos Ferreira e de Maria Francisca (registrada na caligrafia da época como Maria Frza). Seu batismo aconteceu pouco tempo depois, em 2 de dezembro daquele mesmo ano de 1692, tendo como padrinho o seu próprio avô paterno, João Ferreira.
Mas como Felix se tornou Carlos? A resposta estava escondida em uma preciosa nota marginal no livro da igreja. Ainda jovem, por volta de 1701, ao receber o sacramento da Crisma (a Confirmação), ele passou a se chamar Carlos. Essa mudança foi tão marcante que o padre precisou retornar ao livro de batismos anos depois para anotar na margem: "Chama-se Carlos por haver mudado o nome na Crisma". Dali em diante, Felix assumiu a identidade de Carlos Ferreira de Souza, nome com o qual viveu uma longa vida, vindo a falecer em sua terra natal em 13 de outubro de 1770, aos 78 anos. Conforme consta no documento de óbito, quando ele faleceu já era viúvo. Faleceu com todos os Sacramentos conforme consta em nota na margem do documento, ou seja, recebeu a confissão e comunhão. No documento consta que não fez testamento. O documento é assinado pelo Abade Antonio Joze Per.ª da Sa.
Sua terra natal foi a histórica localidade de Salvador do Monte, no município de Amarante, Distrito do Porto, em Portugal, onde vivia na localidade de Louredo de Cima. Naquela virada de século, a região era um pacato reduto rural do Antigo Regime português, onde a vida corria no ritmo das colheitas de milho, centeio e das vinhas cultivadas em terraços de granito.
Mal sabia aquele jovem, o Félix que se tornou Carlos que, décadas mais tarde, sua linhagem se entrelaçaria com um dos capítulos mais importantes da história das Américas: seu filho, Francisco José Ferreira de Souza, cruzaria o oceano rumo às Minas Gerais do ciclo do ouro e se casaria com Antônia Rita de Jesus Xavier — ninguém menos que a irmã caçula do mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
A esposa de Marcos Ferreira, Rosa de Azevedo, minha 8ª avó, nasceu em 3 de janeiro de 1699, também em Salvador do Monte, Amarante. Foi batizada no dia 10 de janeiro de 1699, em uma cerimônia realizada pelo celebrante (cura) João de Sousa Lobo e assinada também por Manoel Peixoto. Era filha de Maria de Azevedo e Manoel Afonso de Souza, que, como consta no registro de batismo, moravam no lugar de Louredo de Cima, um pequeno povoado de rústica vida comunitária que ficava nas encostas da própria freguesia de Salvador do Monte.
Ela faleceu na mesma localidade em 18 de janeiro de 1767, aos 68 anos de idade. Conforme descobri em seu emocionante registro de óbito, Rosa partiu amparada por todos os Sacramentos da Igreja e, mesmo sem um testamento formal longo, fez questão de deixar registradas as suas últimas vontades piedosas, revelando a nobreza de seu coração. Em seus momentos finais, encomendou 5 Missas das Chagas para a sua alma e demonstrou uma linda caridade com a sua comunidade, doando mantimentos de sua própria casa: deixou meio alqueire de pão para Maria Pereira (mulher do soldado João Vieira), meio alqueire para a mulher de Antonio Fernandes, e outro alqueire dividido entre as irmãs Bernarda e Quitéria. O documento, que a qualifica como casada — deixando nosso 8º avô Carlos viúvo por pouco mais de três anos —, foi assinado com o mesmo rigor histórico pelo Abade Antonio Joze Pereira da Silva.
- O Local da Cerimônia: O casamento aconteceu, de fato, na Igreja Paroquial de Salvador do Monte. A cerimônia foi realizada lá porque a noiva, Rosa de Azevedo, morava no Lugar do Condado, que ficava dentro do território dessa paróquia. Pela tradição antiga, o casamento sempre ocorria na igreja da noiva.
- A Origem do Noivo: O noivo, Carlos Ferreira de Souza, era morador da paróquia vizinha de São Sampaio (também conhecida como São Paio de Lomba). O padre precisou registrar essa informação no documento para justificar que Carlos era "freguês" (paroquiano) de outra igreja e que tinha autorização para casar fora de sua terra natal.
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