Bartolomeu Gonçalves e Caetana da Luz
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Bartolomeu Gonçalves e Caetana da Luz
Bartolomeu Gonçalves, meu 8º avô nasceu em 1681, provavelmente em julho ou agosto e foi batizado no dia 23 de agosto de 1681 na Freguesia de São Pedro, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Provavelmente depois de adulto segiu para Santa Catarina em Lisboa, Portugal, onde se casou com Caetana. Consta que era carpinteiro. Contudo, não foi possível saber se exercia essa profissão em Santa Catarina, Lisboa, Portugal ou se no Brasil onde viveu até seu falecimento.
Bartolomeu era filho de Antônio Gonçalves e Isabel Pinheiro, embora no familysearc tenham escrito Isabel Simões. Porém nos documentos é bem claro: Isabel Pinheiro.
Transcrição do Registro de Batismo de Bartolomeu Gonçalves
Transcrição Literal
[Margem] Barth.º
[Texto Principal] Em vinte e tres dias do mes de Agosto do anno de mil e seis centos e outenta e hum baptizei a Bartholomeo f.º de Ant.º glz e de sua m.er Izabel Pinheira, foi padrinho Joao da Fa- ria e por verdade me assinei dia mes e anno ut sup.a
O Vig.º Joao Bap.ta
Leitura Atualizada
"Em vinte e três dias do mês de Agosto do ano de mil e seiscentos e oitenta e um [23 de agosto de 1681], batizei a Bartolomeu, filho de Antônio Gonçalves e de sua mulher Isabel Pinheira. Foi padrinho João de Faria [da Faria], e por verdade me assinei, dia, mês e ano ut supra [como acima].
O Vigário João Batista."

Registro do batismo de Bartolomeu- área circulada 
Caetana da Luz, sua esposa e minha 8ª avó nasceu em novembro ou dezembro de 1691 e foi batizada no dia 09 de setembro de 1691 na Freguesia de Nossa Senhora das Mercês, Lisboa, Portugal. Era filha de Cristovão de Oliveira e Isabel Domingues.
Nota: No family Caetana constava como Catarina, mas provavelmente foi devida a uma transcrição errada de documento antigo, já que Catarina pode ser confundido com Caetana. Porém a certidão de nascimento e casamento consta bem nítido "Caetana".
Transcrição do Registro de Batismo de Caetana da Luz
Transcrição Literal
[Margem] Caetana
[Texto Principal] Aos nove de Dezembro de seis centos e noventa e hum baptizou o p.e Coadjutor Carlos Baptista de Ancora a Caetana filha de Gonçalo de Oliveira, e de Iza- bel Domingues: padrinho Pedro Martins.
Cura Luis de Sousa
Leitura Atualizada (Abreviações Expandidas)
"Aos nove de Dezembro de mil e seiscentos e noventa e um [9 de dezembro de 1691], batizou o padre Coadjutor Carlos Batista de Âncora a Caetana, filha de Gonçalo de Oliveira e de Isabel Domingues. Padrinho: Pedro Martins.
Cura Luís de Sousa."

Registro de Batismo de Caetana- área circulada
Não consta data e local de falecimento desses meus 8º avós, mas com toda a certeza, faleceram no Brasil, especificamente na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós, que hoje é Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Essa dedução se deve ao fato de sua filha Antônia ter se casado nessa localidade, já que é improvável que a filha tenha vindo sozinha para o Brasil.
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Bartolomeu e Catarina se casaram em 10 de janeiro de 1711. Eram pais de Antônia Maria da Luz, minha 7ª avó, casada com Salvador Correia da Costa. Vale frisar que ela é também ao mesmo tempo, minha 8ª avó porque lá na frente um trineto seu casou-se com uma tataraneta.
Transcrição do Registro de Casamento de Bartolomeu e Caetana
Transcrição Paleográfica (Ortografia Original)
[Margem direita] N.º 228 Bartolomeu Glz [Gonsalves / Gonçalves] com Caetana da Lux [Luz] Mizericordia
[Texto Principal] Janeiro de 1711
Em des de Janeiro de mil e sete centos e onze corri= dos os banhos via ordinaria e em virtude de hum mandado do S.ºr Provizor dos Cazamentos na Igr.ª da Mizericordia desta Cidade se receberão por mari= do e mulher na forma ordinaria Bartolomeu Gonsal- ves filho de Antonio Gonsalves ja defunto e de Izabel Pinheira natural da Ilha Terceira Baptizado na freguezia de Sam Pedro da Cidade de Angra e Caetana da Lux filha de Christovao de Oliveira ja defunto e de Izabel Domingues natural do Almargem do Bispo, e ella Contrahente natural desta Cidade Bap= tizada na freguezia de Nossa Senhora das Merces ambos Contrahentes meos freguezes por ella ser or= fã e dotada se foi receber na dita Igreja da Mizeri= cordia segundo me constou por certidão do P.e Jozeph de Almeyda Thesourayro da dita Igreja a qual Certi= dão ficou em meo poder com os mais papeis e della Consta em como forão testemunhas prezentes Mano= el de Abreu e Joao Simoens moradores nesta fregue= zia e outras muitas pessoas que prezentes estavam de que fiz este termo que por verdade assinei em 12 do dito mes e era assima.
[Assinatura] O Cura Manoel de Aguiar Madr.ª [Madruga ou Madureira]
Leitura em Português Moderno
Em 10 de janeiro de 1711, corridos os banhos pela via ordinária e em virtude de um mandado do Senhor Provedor dos Casamentos, na Igreja da Misericórdia desta cidade, receberam-se por marido e mulher na forma ordinária Bartolomeu Gonçalves e Caetana da Luz.
Ele é filho de Antônio Gonçalves (já falecido) e de Isabel Pinheiro, natural da Ilha Terceira, batizado na Freguesia de São Pedro da cidade de Angra.
Ela é filha de Cristóvão de Oliveira (já falecido) e de Isabel Domingues, natural do Almargem do Bispo; sendo a dita contraente natural desta cidade e batizada na Freguesia de Nossa Senhora das Mercês.
Ambos os contraentes são meus fregueses. Por ser órfã e dotada, ela foi se casar na dita Igreja da Misericórdia, segundo me constou por certidão do Padre Joseph de Almeida, tesoureiro da dita igreja (a qual certidão ficou em meu poder com os demais papéis). Dela consta que foram testemunhas presentes Manoel de Abreu e João Simões, moradores nesta freguesia, e outras muitas pessoas que presentes estavam. Do que fiz este termo, que por verdade assinei em 12 do dito mês e era acima.
(Assinado: O Cura Manoel de Aguiar Madruga ou Madureira)

Registro de casamento de BArtolomeu e Caetana- área circulada
O Dote da Misericórdia e o Casamento de Caetana
Mais do que uma simples certidão, os registos paroquiais por vezes guardam pequenos detalhes que nos revelam as dificuldades e a generosidade do tempo dos nossos antepassados. No registro de casamento de Caetana, um detalhe em particular chama a atenção: ela é descrita como "órfã e dotada".
Naquela época, para que uma jovem se pudesse casar, era costume e exigência social a existência de um dote. Para as raparigas que tinham perdido os pais e não dispunham de recursos da família, o casamento podia ser um horizonte difícil. É aqui que entrava o papel social das Santas Casas da Misericórdia. Através de legados e doações de caridade, a instituição concedia dotes às órfãs desvalidadas para que pudessem constituir família.
Foi exatamente o que aconteceu com Caetana. O registro de casamento revela que o próprio Tesoureiro da Igreja da Misericórdia, o Padre Joseph de Almeida, passou uma certidão oficial a comprovar o benefício. Por essa razão, a cerimônia de casamento realizou-se na Igreja da Misericórdia, e a documentação foi depois entregue ao vigário da paróquia para ficar devidamente arquivada.
Este pequeno registro mostra não só a condição de orfandade de Caetana, mas também a rede de solidariedade da época que lhe permitiu construir a sua nova vida.
Assim:
- Dia 10: Bartolomeu e Caetana vão até a Igreja da Misericórdia para a cerimônia do casamento, onde o dote é formalizado e o Sacramento é celebrado na presença do representante da Santa Casa.
- Entre os dias 10 e 12: O Padre Joseph de Almeida, o tesoureiro, emite e entrega a certidão comprovando que o casamento ocorreu segundo todas as regras e exigências do dote.
- Dia 12: O pároco local recebe a certidão, junta tudo aos papéis da paróquia ("a qual Certidão ficou em meo poder com os mais papeis") e faz o assento definitivo no livro.
Imaginar essa moça órfã, Caetana, minha 8ª avó, há séculos, subindo as escadas da igreja com a esperança de uma vida nova, guardando o dote da caridade e finalmente tendo sua união abençoada e selada no papel dois dias depois... é lindo demais.
A pesquisa genealógica faz exatamente isso: um papel conta toda uma história que às vezes se perde nas entrelinhas frias de um registro.
Sobre Santa Catarina, onde Bartolomeu escolheu para viver depois de ter nascido em São Pedro, Ilha Terceira; onde Caetana nasceu e onde eles se casaram
Não foi possível descobrir quando Bartolomeu e Catarina, meus 8º avós, vieram para o Brasil. Mas é fato que vieram depois do casamento em 1711, pois a filha casou-se em Minas Gerais na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós, que hoje é Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais.
A Colina de Santa Catarina e a Febre do Ouro (1700–1720)
Entre 1700 e 1720, viver na paróquia de Santa Catarina (Santa Catarina do Monte Sinai), em Lisboa, era ter o oceano como horizonte diário. Do alto daquela colina — de onde hoje se contempla o Rio Tejo —, avistava-se o movimento incessante das naus e caravelas a entrar e sair do porto.
Nesse cenário fervilhante habitavam Bartolomeu, açoriano vindo da Ilha Terceira, e Caetana. Ele trazia consigo o ofício de carpinteiro, como consta no FamilySearch. Por isso, é fácil deduzir que, numa Lisboa onde a carpintaria naval nos estaleiros da Ribeira e a construção civil andavam a todo o vapor, as mãos de Bartolomeu com certeza trabalharam muito nessa área, pois a carpintaria era uma das profissões mais requisitadas. Dessa forma, é possível imaginá-lo trabalhando na Carpintaria Naval, seja nas docas e estaleiros, na construção e reparação de naus, caravelas e barcos que faziam a rota do Atlântico, seja na Carpintaria de Edificação, na expansão urbana da cidade e nas obras em conventos e edifícios públicos, que exigiam uma quantidade enorme de oficiais de carpintaria.
Uma coisa, porém, é certa: foi vendo as naus chegarem cheias de notícias e ouro do Brasil que ele tomou a decisão de partir. Para um casal jovem, o Atlântico deixava de ser apenas paisagem e passava a ser a promessa de um novo futuro.
Para saber mais sobre Santa Catarina, Lisboa, Portugal, acesse os links abaixo:
👉Santa Catarina, Lisboa, Portugal.
👉Santa Catarina, Lisboa, Portugal. Vídeo: destaque para o Miradouro de Santa Catarina
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| Santa Catarina, Lisboa, Portugal. Vista a partir do Miradouro de Santa Catarina |
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