Alferes Matias Francisco de Vargas e Maria Antônia da Silva

 

PS.: O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (6º avós ou hexavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na terceira linha de cima para baixo.

  

    


      


















 Alferes Matias Francisco de Vargas e Maria Antônia da Silva

 

Alferes Matias Francisco de Vargas, meu 6º avô nasceu em 1746 na Freguesia de Feteira, município de Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal. Não consta data e ano de falecimento, há relatos de que teria sido antes de sua esposa Maria Antônia, ou seja, antes de 1811, mas com toda certeza foi no Arraial de São João Batista, hoje Morro do Ferro, Minas Gerais, pois conforme consta, ele era um dos maiores latifundiários daquela região. Suas propriedades ficavam nas nascentes do Rio Jacaré, com sede no Morro do Ferro, Minas Gerais, antigo Arraial de São João Batista. Além de ser fazendeiro, fazia parte do Regimento das tropas da Capitania de Minas Gerais com o posto de Alferes que corresponde hoje à patente de segundo-tenente ou subtenente.

O Alferes Matias era filho de Manuel de Vargas de Andrade e Mariana Dutra, já citados antes em 7º avós.

Maria Antônia da Silva, esposa do Alferes Matias e minha 6ª avó, nasceu em Prados, Minas Gerais, possivelmente em junho ou julho, pois no dia 9 de julho de 1747 foi batizada na Capela de Santo Antônio de Lagoa Dourada, Minas Gerais. Ela faleceu no dia 09 de agosto de 1811, com 64 anos, em São João Batista, hoje Morro do Ferro, Minas Gerais.

Sobre a localidade de Morro do Ferro, Minas Gerais, o lugar onde o Alferes Matias e Maria Antônia, viveram, criaram os filhos e faleceram, vale ressaltar que o povoado, cujo nome primitivo era “Serra do Sal”, surgiu por volta do século XVII, quando os bandeirantes passaram pela região procurando riquezas nos sertões de Minas e Goiás. O povoado ficava às margens do caminho da picada de Goiás. O nome original, Serra do Sal, fazia referência à existência de águas minerais com sabor salgado, que eram encontradas na região.

Morro do Ferro, não estava diretamente associado à mineração de ouro como outras áreas. Não existia muito ouro por lá. Porém, se desenvolveu durante esse período, com o fluxo de bandeirantes que transitavam pela região em busca do pó amarelo, o que influenciou o crescimento inicial do povoado que se ocupava da agricultura e pecuária.

Após a construção da primitiva capela em 1765, o lugarejo aos poucos foi perdendo sua denominação de Serra do Sal, passando a ser chamado de “São João Batista”, referindo-se ao padroeiro do lugar. Com a chegada de novos imigrantes o povoado foi se desenvolvendo. A substituição do nome São João Batista para atual Morro do Ferro aconteceu apenas em 1943. Essa nova denominação deve-se às jazidas de minério de ferro, na conhecida “Serra dos Alemães” que começou a ser explorada nesse ano. Porém, ainda no século XIX, os nomes "Morro do Ferro", bem como “Córrego do Ferro”, já eram mencionados em levantamentos municipais.

Bem, como dito antes, Maria Antônia, minha 6ª avó, faleceu no dia 09 de agosto de 1811, com 64 anos. Um ano antes foi redigido e lavrado seu testamento no dia 26 de julho de 1810 no arraial de São Tiago Maior, Minas Gerais, na casa do tabelião. O Arraial de São Tiago Maior, fica em torno de 18 km de Morro do Serro, Minas Gerais. Possivelmente era lá que existia um tabelião mais perto.

 Apesar de já existir um testamento, o inventário dos bens de Maria Antônia só aconteceu no ano seguinte ao seu falecimento, em 02 de julho de 1812.

O inventário de Maria Antônia, deixa claro que ela e o esposo, o Alferes Matias Francisco de Vargas, eram grandes proprietários de terras, donos de imensa fortuna, em especial rebanhos na Fazenda do Jacaré, propriedade do casal que ficava nas nascentes do Rio Jacaré.

Conforme inventário, a fazenda possuía 532 cabeças de gado vacum, ou seja, conjunto de animais quadrúpedes. Desse conjunto consta no inventário, 114 vacas paridas com suas crias, o que leva a deduzir que a principal atividade era a pecuária. Imagina leite dessas 114 vacas e quantos queijos? E o tempo gasto para ordenhar essas tantas vacas?

Bem, ainda sobre o gado vacum, consta no inventário, 7 marruás, ou seja, touros reprodutores. O que parece lógico para dar conta das 114 vacas. Ainda assim, daria um harém para cada um. Consta ainda no inventário, 16 bois de carro, 18 equinos (cavalos e éguas), 30 cabeças de ovelhas, 80 cabeças de porcos de terreiro. Provavelmente o “terreiro” tem a ver com mangueiro, um lugar fechado, porém amplo onde os porcos são criados na ilusão de liberdade).

Meus 6º avós também se ocupavam em plantar, pois no inventário consta 20 carros de milho e 20 alqueires de feijão no paiol.  Também pudera 80 porcos para tratar, se bem que tinha o soro do leite das 114 vacas. E o feijão então? Considerando que 1 alqueire equivale a 30,225 kg, logo os 20 alqueires de feijão dariam em torno de 604 kg. Também para acompanhar os torresmos e linguiças desse tanto de porcos, haja feijão. E depois a família era grande: 11 filhos e 24 escravos.

Bem, nesse inventário, consta 5 rodas de fiar, que fazendo uma ligação com as 30 ovelhas da fazenda, é fácil deduzir que as mulheres da fazenda eram fiadeiras de mão cheia, a própria Maria Antônia, minha 6ª avó, suas filhas e as escravas que eram 5 em idade produtiva. É possível imaginar uma boa produção têxtil, como colchas, tecidos para roupas caseiras... E é possível imaginar também todas essas 5 rodas trabalhando o dia todo e as mulheres tagarelando, porque com certeza, caladas é que não ficavam. Sobre o ato de fiar, sei como é, porque já fui fiadeira antes dos 16 anos e sabia fiar fios bem fininhos. Minha mãe depois mandava fazer colchas. Inclusive deu como dote de casamento para as 4 filhas, 10 colchas a cada uma.

 Mas voltando ao abastado inventário de Maria Antônia, minha 6ª avó: consta, claro, a imensa Fazenda do Jacaré, com suas terras de cultura e de criar os animais, a sede com várias plantas e árvores, o paiol, o moinho, tudo coberto de telha. E aqui vale frisar um pormenor do inventário: consta 5 milheiros de telhas, sendo 2000 na Fazenda jacaré e 3000 em uma tapera denominada Braga. O que estariam planejando com tanta telha? Talvez restaurar a tapera, ou trocar os telhados da sede. Será que meus 6º avós também fabricavam telha na fazenda? Enfim...

Sobre essa fazenda Jacaré, consta que ainda existe no distrito de Morro do Ferro, em Minas Gerais e está localizada próxima à ponte do Rio Jacaré, que inclusive passou por reforma recentemente. A fazenda é mencionada em notícias sobre a região e é conhecida por sua localização próxima à ponte, porém não foi possível encontrar imagens da mesma, senão da ponte antes da reforma.

Esqueça agora esses bens terrenos e vamos aos bens espirituais. Ao que tudo indica Maria Antônia, minha 6ª avó, preocupava-se com a salvação de sua alma e a dos seus, pois em seu inventário, deixou determinado que se rezasse em sufrágio de sua alma, após seu falecimento, 606 missas, sendo 6 de corpo presente;100 na capela onde seu corpo fosse sepultado; 100 no altar privilegiado de São Tiago Maior, Minas Gerais, o povoado próximo a Morro do Ferro, que na época se chamava São João Batista, Minas Gerais; 100 na capela de Nossa Senhora da Glória de Passa Tempo, Minas Gerais e ainda mais 300. Sem contar as 20 missas pelas almas do purgatório e 230 missas pelas almas de seus escravos. Como fazia parte da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo no arraial de São João Batista, hoje Morro do Ferro, Minas Gerais, pediu que seu corpo fosse envolto e amortalhado no hábito da Santa.

Não consta quando o Alferes Matias Francisco de Vargas e Maria Antônia da Silva se casaram, mas possivelmente teria sido em 1769, pois o primeiro filho nasceu em julho de 1770. Consta que tiveram 11 filhos. Alguns batizados em Passa Tempo, Minas Gerais, outros no Arraial de São João Batista, hoje Morro do Ferro, Minas Gerais. Na verdade Passa Tempo ficava há uns 20 hm de Morro do Ferro, o que justifica o vaivém.

Eles tiveram 11 filhos: Manoel Francisco de Vargas, Matias Francisco de Vargas, Antônio Francisco de Vargas, Ana Joaquina dos Anjos, Joao Francisco de Vargas, Joaquim Francisco de Vargas, Pedro Francisco de Vargas, Joaquina Fermiana de Jesus, Maria Antônia de São José e Mariana. Desses, destaco José Francisco de Vargas, meu 5º avô, casado com Mariana Veríssimo de Meneses e Maria Antônia de São José, minha 5ª avó, casada com Joaquim Dias de Oliveira Naves. O fato desses dois irmãos serem meus 5º avós, ocorre porque os filhos de ambos se casaram entre si, e tiveram a mãe de Idalina Amada de Jesus, mãe de meu bisavô Antônio Bonifácio Machado, o vovô Tõe.

No final do século XVIII e início do século XIX, quando Matias Francisco e Maria Antônia, meus 6º avós viviam em Morro do Ferro, esse mineral, o ferro, ainda não era explorado. Provavelmente eles se ocupavam com agricultura e pecuária.

Morro do ferro é um distrito que pertence hoje ao município de Oliveira, Minas Gerais e está situado entre as vertentes iniciais do rio Lambari e do rio Jacaré, um afluente do rio Grande. Para sber mais sobre essa localidade, acesse os links abaixo: 

👉Morro do Ferro, Minas Gerais 

👉vídeo youtube Morro do Ferro, Minas Gerais 

Morro do Ferro, Minas Gerais

 

Morro do Ferro, Minas Gerais. Detalhe: belas paisagens

 

Morro do Ferro, Minas Gerais. Detalhe: exploração do minério de ferro

 

 Para saber sobre Prados, Minas Gerais, onde nasceu  minha 6ª avó Maria Antônia, acesse os links abaixo:

👉Prados, Minas Gerais

👉Prados, Minas Gerais 

Prados, Minas Gerais
 

 Para saber sobre a localidade onde o Alferes Matias nasceu, ou seja, a Freguesia de Feteira, município de Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal, acesse o link abaixo:


👉 Sobre a freguesia de Feteira, Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal  

👉Feteira, Horta, Ilha do Faial, Açotes, Portugal- vídeo Youtube 

Feteira, Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal

 
Feteira, Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal


Página do Boletim Cultural e Memorialístico que faz referência a esses meus meus 6º avós, Alferes Matias Francisco de Vargas e Maria Antônia da Silva.  

Para saber mais sobre a genealogia desses meus 6º avós acesse o link abaixo:

👉http://www.projetocompartilhar.org/Familia/MatiasFranciscodeVargas.htm 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha