Alferes José Francisco da Silva e Jacinta Maria de Figueiredo

 

 PS.:    

 O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (7º avós ou heptavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na segunda linha de cima para baixo.

 

 


 Alferes José Francisco da Silva e Jacinta Maria de Figueiredo

 

Alferes José Francisco da Silva, meu 7º avô, nasceu no dia 15 de janeiro de 1720. em seu registro de nascimento consta que é do lugar do Ervilhal, uma antiga localidade rural pertencente à paróquia de São Tiago de Silvalde. À época do seu nascimento, no início do século XVIII (anos 1720), a paróquia de Silvalde pertencia administrativamente à histórica Terra de Santa Maria / Comarca da Feira. Atualmente, a freguesia de Silvalde faz parte do concelho (município) de Espinho, integrado no Distrito de Aveiro e na Área Metropolitana do Porto, em Portugal.  

Provavelmente ele veio antes de 1747 para o Brasil, pois nessa data, consta que se casou na Capitania de Minas. Ele faleceu, ao que tudo indica, em Santana do Morro do Chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais, pois seus filhos nasceram naquelas paragens. 

Alferes José Francisco era filho de Manoel Francisco de Oliveira e Maria Rodrigues, já citados em 8º avós.

Registro de batismo do Alferes José Francisco- parte inferior

 

Transcrição aproximada do documento

José, filho legítimo de Manuel Francisco de Oliveira e de sua mulher Maria Rodrigues, do lugar do Ervilhal desta freguesia de São Tiago de Silvalde: nasceu aos quinze dias do mês de Janeiro de mil setecentos e vinte anos, foi batizado por mim, Tomás Pinto Machado de Magalhães, Abade desta freguesia, aos vinte e dois do dito mês e ano. Foram padrinhos: João Francisco de Oliveira, filho de Manuel Francisco João , e Luiz Domingues, mulher de Manoel Francisco, do lugar do Loureiro desta dita freguesia. E testemunhas: Domingos Alvares, do lugar do Formal, e Manuel Antônio, do lugar do Loureiro desta dita freguesia. E por ser verdade me assinei com as testemunhas, era ut supra . Abade Tomás Pinto Machado de Magalhães.

 


 

Jacinta Maria de Figueiredo, esposa do Alferes José Francisco da Silva e minha 7º avó, nasceu na década de 1720, no Arraial do Campo Alegre dos Carijós, que depois passou a Real Vila de Queluz e atualmente Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais desde 1934. Provavelmente faleceu nessa localidade ou em Santana do Morro do Chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais, onde seus filhos nasceram. Porém não consta datas nem de nascimento e falecimento. Era filha de Salvador Correia da Costa e Antônia Maria da Luz, já citados em 8º avós e também em 7º avós, considerando o tal casamento entre tio e sobrinha bem lá frente.

 


 Alferes José Francisco da Silva e Jacinta Maria de Figueiredo se casaram no ano de 1747 aproximadamente, em Minas Gerais, Brasil. Não consta data nem local. Possivelmente na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós, nome de Conselheiro Lafaiete nessa época e onde a esposa nasceu. Depois foram viver em Santana do Morro do Chapéu, Minas Gerais. Mas também é provável que tenham se casado  em Santana do Morro do Chapéu.

Vale ressaltar que ele são, além de 7º avós, também 6º avós em razão do casamento entre um bisneto seu e uma trineta, o famoso caso do tio que se casou com a sobrinha lá na frente..  

Eram pais de Josefa Maria De Sant'Ana, minha 6ª avó, e também 7ª avó, em razão do tal casamento entre um tio e uma sobrinha lá frente.Josefa Maria era casada com Bartolomeu Fernandes da Rocha.

 

 


 Sobre São Tiago de Silvalde e Ervilhal onde o Alferes José Francisco nasceu e viveu até vir para o Brasil

 

São Tiago de Silvalde por Volta de 1720: Um Mundo Rural e Devoto

Em 1720, quando o Alferes José Francisco nasceu, Silvalde não pertencia a Espinho, mas sim à antiga Comarca da Feira (a histórica Terra de Santa Maria). Localizada na Província do Douro Litoral, no Distrito de Aveiro, era uma paróquia essencialmente rural, cujo centro da vida comunitária, social e espiritual era a Igreja Paroquial de São Tiago Maior, seu padroeiro.
O dia a dia da população era ditado pelo nascer e pelo pôr do sol, e fortemente marcado pelo catolicismo. Os registos de batismo, casamento e óbito eram feitos à mão pelo pároco local, a caneta de pena, reportando uma comunidade pequena. Pouco tempo depois, de acordo com a Memória Paroquial de Silvalde de 1758, a freguesia contava com apenas 141 vizinhos (fogos) e 483 pessoas, sendo 429 maiores e 54 menores.
A paisagem era dominada por regiões de terras baixas e pouco florestadas, de relevos aplanados, com caminhos de terra batida, carros de bois e casas rústicas feitas de pedra e colmo. É uma terra banhada a ocidente pelo Oceano Atlântico e atravessada por um conjunto de ribeiros, com destaque para a ribeira de Silvalde. Por conta dessa ligação com o mar, a Arte Xávega (tradicional pesca de arrasto) consolidou-se como uma atividade económica com fortes tradições na freguesia.
A origem do nome da freguesia perde-se no tempo, mas documentos medievais provam sua antiguidade: já aparecia referenciado em 1037 na doação ao Mosteiro de Anta e nas inquirições de 1284. Inclusive, o nome de Silvalde já constava exatamente como escrevemos hoje em um Mapa-múndi do século XVI exposto no Museu do Vatican em Roma, conforme aponta o historiador Artur Faustino em sua obra Silvalde, Paróquia e Freguesia Milenar (2000).

 
O Lugar do Ervilhal: A Terra das Leguminosas
Se caminhássemos pelos trilhos de Silvalde em direção ao Lugar do Ervilhal (explicitamente inscrito nas Memórias Paroquiais da época), onde o Alferes José Francisco nasceu e viveu antes de partir para o Brasil, o que veríamos seriam campos agrícolas organizados.
O nome não engana: a palavra "Ervilhal" indica uma plantação ou porção de terra dedicada ao cultivo de ervilhas e outras leguminosas. Num Portugal de 1700, a sobrevivência dependia do que a terra dava. Quem morava no Ervilhal nesta época era, quase sem exceção, lavrador, rendeiro ou seareiro.
As famílias trabalhavam de sol a sol na agricultura de subsistência. A cultura do milho era a principal atividade agrícola da região, seguida em menores proporções pelas culturas do centeio, cevada, trigo e feijão.
Uma Malha Urbana Integrada
Hoje em dia, quem passa pelo Ervilhal já não vê grandes campos abertos de ervilhas ou lavradores com carros de bois. Como Silvalde foi elevada à categoria de vila e cresceu muito devido à proximidade com o centro de Espinho (ficando a apenas 20 km da cidade do Porto e a 50 km de Aveiro), o Ervilhal transformou-se numa zona residencial.
  • Urbanização moderna: A paisagem é dominada por moradias modernas, pequenos prédios de apartamentos e ruas bem pavimentadas.
  • Preservação da memória: Os antigos caminhos de terra batida deram lugar a arruamentos organizados. O nome "Ervilhal" ou "Ervilha" batiza hoje bairros e vias locais, servindo de ponto de referência para os moradores.
De Povoado Isolado a Zona Estratégica
Em 1700, ir do Ervilhal até à costa ou a outras freguesias vizinhas — como Paramos, Anta, Espinho e S. Paio de Oleiros — era uma viagem demorada por trilhos difíceis. Hoje, a região está rodeada de infraestruturas modernas. A vila de Silvalde é cortada por grandes vias de acesso (como a A29 e caminhos de ferro), o que significa que quem mora na zona do antigo Ervilhal está a poucos minutos da praia, do centro urbano de Espinho e das principais redes de transportes.
A Força da Identidade Comunitária e Paroquial
Apesar das mudanças físicas, a alma de São Tiago de Silvalde continua muito viva. A vida comunitária ainda mantém laços estreitos com a Paróquia de São Tiago de Silvalde.
  • O Regresso das Tradições: Como reflexo desse orgulho histórico, os moradores de Silvalde uniram-se recentemente através da associação Viver S. Tiago de Silvalde para trazer de volta em força as Grandes Festas em honra do Padroeiro São Tiago Maior, que decorrem anualmente no final do mês de julho.
  • Sentimento de pertença: O sentimento de vizinhança e pertença a estes "antigos lugares" descritos em 1758 ainda é muito forte entre as famílias mais tradicionais da terra.
O Ervilhal de hoje é o reflexo perfeito do Portugal contemporâneo: o lugar onde o Alferes José Francisco fincou suas raízes trocou as enxadas e as plantações de subsistência pelo conforto das habitações modernas, mas faz questão de proteger a sua memória, preservando os nomes do passado e celebrando com orgulho as tradições de São Tiago.


 

 Para saber sobre Silvalde, acesse o link para o documento e avance até a página 11. Vale a pena conhecer os costumes desse lugar: 

 👉 Sobre Silvalde 

Igreja de São Tiago em Silvalde, município de Espinho

 

 


 


 

 

 

 O Cenário de uma Vida: Entre Carijós e Santana dos Montes

Conselheiro Lafaiete (Antiga Real Vila de Queluz)
Nesse período, a região era conhecida como o arraial do Campo Alegre dos Carijós. Mais tarde, em 1790, o arraial foi elevado à categoria de vila por ordem da Coroa Portuguesa, recebendo o nome de Real Vila de Queluz — uma homenagem à família real, inspirada no Palácio de Queluz em Portugal. Séculos depois, em 1934, a cidade viria a se chamar Conselheiro Lafaiete.
A minha sétima avó, Jacinta, nasceu ali por volta de 1720, o que significa que ela fez parte de uma das primeiras gerações de mineiros nascidas na região, filha dos pioneiros que desbravaram o ouro. Quando se casou com o Alferes José Francisco em 1747, a sua família já estava firmada na terra há décadas. O cenário era o coração do Caminho Novo da Estrada Real, rota obrigatória de tropeiros, ouro e mercadorias que o Alferes ajudava a patrulhar e policiar.
 Santana dos Montes- linha do tempo
  1. Morro do Chapéu (Século XVIII e XIX): Na época em que o meus sétimos avós viviam por lá, a região era conhecida simplesmente como o arraial do Morro do Chapéu. Esse nome surgiu por causa da cadeia de montanhas que circula a cidade, cujo formato lembra muito um chapéu. Em 1840, tornou-se distrito com o nome de Santana do Morro do Chapéu (unindo a padroeira, Senhora de Santana, ao acidente geográfico). 
  2. Catuá (1943): Em 31 de dezembro de 1943, o distrito teve o nome alterado brevemente para Catuá por causa de um decreto-lei que buscava simplificar e aportuguesar nomes de cidades. 
  3. Santana dos Montes (1948): Como a população não se identificou com o nome "Catuá", a nova lei de 1948 mudou a denominação para Santana dos Montes, batizando a terra definitivamente com a junção da devoção à padroeira e os morros verdejantes do entorno.
  4.  Emancipou-se politicamente de Lafaiete e tornou-se um município independente em 30 de dezembro de 1962
Na segunda metade do século XVIII, era um arraial vizinho que crescia sob a sombra de Queluz. Enquanto Lafaiete era o centro comercial e militar, Santana dos Montes era o coração agrícola e senhorial. Foi nessa época que se ergueram as grandes fazendas coloniais da região. Era o refúgio perfeito para a elite agrária e militar; onde a esposa do Alferes vivia em 1801, muito provavelmente administrando os rendimentos e as terras deixadas pela família.
Em resumo: O casal viveu no epicentro do ciclo do ouro em Minas Gerais, unindo o pioneirismo de uma das primeiras famílias de Carijós (Lafaiete) com a riqueza rural e o prestígio militar em Santana dos Montes.
 

Para saber sobre a localidade de Santana dos Montes, Minas Gerais, acesse os links abaixo: 
 
Santana dos Montes- Detalhe: Igreja de Sant'Ana

 
Mapa das fazendas de Santana dos Montes- fico pensando qual dessas teria sido de meus ancestrais

 


 

Para saber sobre a localidade de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, acesse os links abaixo:

👉Sobre Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais 

👉Sobre Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Vídeo Youtube 

 


Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais


 

Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Detalhe: Igreja Nossa Senhora da Conceição

 

 


 



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