Alferes Bartolomeu Fernandes da Rocha e Josefa Maria de Sant’Ana

  

PS.: Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (6º avós ou hexavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na terceira linha de cima para baixo.

    


      

























































  Alferes Bartolomeu Fernandes da Rocha e Josefa Maria de Sant’Ana

 

Alferes Bartolomeu Fernandes da Rocha, meu 6º avô e ao mesmo tempo, meu 5º avô, nasceu no dia 15 de agosto de 1749 na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Faleceu em Santana do Morro do Chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais, onde se casou e viveu. Não consta data de falecimento. Bartolomeu era filho de Manoel Fernandes e Rosa Mariana, já citados antes em 7º avós. 

Josefa Maria de Sant’Ana, esposa do Alferes Bartolomeu Fernandes e minha 6ª avó e, ao mesmo tempo 5ª avó, nasceu no dia 27 de setembro de 1765 na Freguesia de Santana do Morro do chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais. Faleceu nessa mesma localidade onde nasceu e se casou. Ao que tudo indica, faleceu em 1845, ano de seu inventário. Uma observação interessante é com relação ao seu sobrenome “Sant’Ana”, que provavelmente tem tudo a ver com a localidade ou a devoção de seus pais à padroeira do povoado, Senhora Sant’Ana. De qualquer forma, era comum, e talvez até ainda seja, as mulheres usarem sobrenomes devocionais. Josefa Maria de Sant’Ana era filha do Alferes José Francisco da Silva e Jacinta Maria de Figueiredo, já citados em 7º avós. 

Vale ressaltar que esses meus 6º avós são também considerados 5º avós em razão de um casamento entre um neto seu e uma bisneta sua. Ou seja, um casamento entre tio e sobrinha, a chamada união avuncular. Como já repeti, esse tio e sobrinha eram os pais da esposa do vovô Tõe.

Interessante ressaltar que minha 6ª avó Maria Josefa de Sant’Ana é citada em um artigo de um Blog, datado de 2019, que fala da história de Santana dos Montes. Nesse artigo, seu nome aparece, como fazendeira na região, por volta de 1830 - 1836, como dona de um engenho movido à água. Uma filha sua, Ana Joaquina, também é citada. Essa filha faleceu em 1860. Porém, o Alferes Bartolomeu, esposo de Josefa e meu 6º avô, não é citado, pois provavelmente já havia falecido.

Maria Josefa de Sant’Ana, minha 6ª avó, como já dito, faleceu em 1845 já bem idosa, com 81 anos. Conforme consta em seu inventário, ela era possuidora de uma fazenda com 100 alqueires ou 484 hectares de terras de cultura com engenho de cana e uma casa no Arraial de Santana do Morro do Chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais. De acordo com o inventário a fazenda era denominada Fazenda Bartolomeu ou Santana. Conforme pesquisas existe uma fazenda histórica com o nome Bartolomeu naquela região, porém é propriedade privada. Certamente ainda pertence a herdeiros da família.

 Quanto à casa desses meus 6º avós, no arraial de Santana dos Montes, resta imaginar se a mesma seria no largo da Igreja de Sant’Ana. Quem sabe uma das que ainda resistem ao tempo: a de nº 05? Ou talvez alguma das de nº 17,19,37,99,135,66,110,186... Talvez...

Sobre meu 6º avô, o Alferes Bartolomeu Fernandes da Rocha, foi possível identificar alguns acontecimentos nos quais ele se envolveu em Santana do Morro do chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais. Por exemplo, uma carta que ele encaminhou em janeiro de 1807 ao Senado de Queluz, comunicando a impossibilidade de votar na eleição de uns cidadãos para cargos de Juiz Ordinário, Juiz de Órfão e Procurador. Frisando que “Senado de Queluz” não tem nada a ver com a localidade  de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais,  mas sim com uma Vila próxima a Lisboa em Portugal, onde  funcionava o senado do governo português, um grupo de conselheiros e secretários de estado que auxiliava o príncipe regente D. João VI em seu governo durante o período em que ele estava no Brasil. Como o Brasil era ligado a Portugal, tudo de burocrático que precisasse ser resolvido devia passar por esse senado, até mesmo as justificativas, como essa de meu 6º avô, O Alferes Bartolomeu. Possivelmente devia haver um representante desse Senado na Capitania de Minas Gerais em 1807. Pelo menos no período de 1879-1882, teve o Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira.

Bem, voltando aos acontecimentos envolvendo meu 6º avô, o Alferes Bartolomeu: em junho de 1802 um Alferes do distrito de Santana do Morro do Chapéu, um tal Antônio Francisco Baião, fez um requerimento pedindo mandado de prisão para alguns cidadãos que o haviam difamado. Entre esses cidadãos estava meu 6º avô, o Alferes Bartolomeu Fernandes da Rocha. Não foi possível saber se ele chegou a ser preso por essa razão. Também em 1802, consta um requerimento desse meu 6º avô pedindo confirmação da carta patente do posto de Alferes da Companhia de Ordenança do distrito da Aplicação da capela de Sant’ Ana do Morro do Chapéu, do termo da Real Vila de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais.  Ressaltando que a carta patente do Alferes da Companhia de Ordenanças servia para comprovar a legitimidade do seu posto. No caso de meu 6º avô, comprovava seu posto oficial de “Alferes”. A carta tornava o cargo legítimo, bem como confirmava os deveres dentro da unidade de milícia, no caso Sant’Ana do Morro do Chapéu, naquele tempo. Ainda para melhor entender: o alferes era o braço direito do capitão, ajudando-o a exercer suas funções de comando e liderança. Ele poderia receber tarefas específicas, como inspecionar tropas, garantir a ordem e a disciplina, ou mesmo comandar parte da unidade em situações específicas e, caso o capitão estivesse impossibilitado de exercer suas funções, o alferes assumia o seu lugar temporariamente, garantindo a continuidade do comando da companhia.

Bem, sobre a vinda para o Brasil, de meu 6º avô, o Alferes Bartolomeu, provavelmente veio sozinho como muitos outros em busca de um futuro promissor. Desembarcou no Rio de Janeiro cheio de sonhos e seguiu para Minas Gerais através do Caminho Novo que passava pelo arraial de Santana do Morro do Chapéu. Talvez Bartolomeu já tivesse outros parentes naquelas paragens. Talvez... O fato é que por lá ele fez seu “pé de meia”, conheceu Josefa e se casaram no dia 3 de setembro de 1783, na Igreja Matriz de Sant’Ana. Ele com 34 e ela com 18 anos.

Sobre Josefa, minha 6ª avó quero ressaltar aqui um fato interessante, que deixei passar quando citei seus pais e avós. Josefa era descendente direta de uma rainha de Portugal, a Leonor Tellez de Meneses, casada com João Lourenço da Cunha, mas cujo casamento foi anulado pelo rei de Portugal D. Fernando I, “O Formoso" ou "O Belo. Ele alegou que tal casamento não tinha validade, pois existia um parentesco próximo. Na verdade, o que o rei queria mesmo era ficar com Leonor, pois como consta, foi seduzido por ela. Eles se casaram e Leonor tornou-se rainha de Portugal. Nesse caso, Leonor teria sido minha heptadecavó, que se refere à 17ª geração de avós em linha direta.

Consta que o Alferes Bartolomeu e Josefa tiveram 7 filhos: Anna Joaquina de São José, Joaquim Silvério da Rocha, Bartolomeu Fernandes da Rocha Filho, Maria Josefa Sant’Ana que faleceu em 1838 antes da mãe, Fortunato Fernandes Rocha que faleceu sem deixar filhos, ressaltando que esse não é o pai da minha bisavó Lídia, mas tio dele, Major José Fernandes Rocha e Antônio Silvério Fernandes da Rocha.

Desses, destaco o Major José Fernandes da Rocha, meu 5º avô, e ao mesmo tempo meu 4º avô ou tataravô, porque seu filho Fortunato Fernandes Rocha, a quem chamavam de pai Nato, casou-se com uma sobrinha, a Alexandrina Fernandes Rocha. O Major José Fernandes casou-se com Cândida Umbelina de Carvalho Em 1842 veio para a região de Monte Carmelo, Minas Gerais. Com ele vieram os irmãos Antônio que, conforme consta no livro de Lezir Rocha era seu braço direito. E veio também o irmão Fortunato Fernandes Rocha. Pelo menos esses constam que faleceram em Monte Carmelo, Minas Gerais. Sobre “Fortunato”, interessante observar pelo menos quatro com esse nome na família: esse filho de meu 6º avô, o Alferes Bartolomeu; o neto, filho do Major José Fernandes; meu avô Fortunato, pai de meu pai. Além desses, outro filho de meu 6º avô Bartolomeu, o Bartolomeu Filho, também deu nome a um filho de Fortunato.

Uma observação interessante é que quando Antônio, Fortunato e o Major José Fernandes, filhos do Alferes Bartolomeu, vieram para Monte Carmelo, Minas Gerais em 1842, deixaram Josefa, a mãe já viúva em Santana dos Montes, pois ela faleceu apenas em 1845 naquela localidade. Certamente ficou com a filha Ana Joaquina ou outro filho.

Sobre a localidade de Santana do Morro do Chapéu, hoje Santana dos Montes, Minas Gerais onde minha 6ª avó Josefa Maria de Sant’Ana nasceu, casou-se e também faleceu, assim como o Alferes Bartolomeu, seu esposo e meu 6º avô,  consta que a região era habitada por índios Cariris  que tiveram bom convívio com a população portuguesa que se instalou na região.

Conforme tradição local, um dos primeiros povoadores da região foi Antônio Quirino que se debandou de uma expedição portuguesa que explorava ouro e pedras preciosas em Itaverava, Minas Gerais e se estabeleceu na região da Fazenda Velha, às margens do ribeirão Fonte Limpa, nas primeiras décadas do século XVIII. Tendo percebido a boa fertilidade das terras, dedicou-se a agricultura. Conta-se também que sua fazenda servia de pouso para os viajantes e com o tempo foi agregando ranchos, ferraria e taberna dando origem ao povoado. As notícias de terra férteis foi atraindo outras pessoas. Isso significa que nem só as notícias ruins correm depressa. As notícias boas também vêm a galope. E também tinha aquela história de que nem só de ouro vive o homem. Alguém precisava tratar da alimentação e as terras da região de Santana do Morro do chapéu eram férteis. Dessa forma, pela segunda e terceira década do século XVIII surgiram na região, vários sesmeiros e posseiros que passaram a desenvolver atividades agropecuárias e a rede de fazendas foi crescendo, bem como o “trança, trança” , ou seja, vaivém de pessoas entre as comarcas do Rio das Velhas, Vila Rica e Rio das Mortes por motivo das atividades de extração do ouro.

Foi então construída a primeira capela dedicada a Sant’Ana por volta de 1729. Porém, outra foi erguida no lugar entre 1751 e 1773 e se refere à Capela Mor que ainda existe, mas ampliada por volta de 1812. Tudo conseguido com o esforço coletivo da população da localidade.

Consta que a área urbana de Santana do Morro do Chapéu, possuía no ano de 1830 apenas 18 fogos que no contexto de hoje significa casas. Em 1836 já existia 24 casas.  Essas moradias ficavam fechadas a maior parte dos dias, pois, os proprietários viviam em suas fazendas, apenas visitando o povoado nos domingos, feriados e dias de festas.  Nesses dias usavam as casas para o descanso e encontros de família.

 A origem do nome de Santana dos Montes está na veneração que o povo tinha à Senhora de Sant’Ana e a cadeia de montanhas, que vista de certos ângulos, lembram um chapéu. Daí o nome Santana do Morro do Chapéu que até 1840 fazia parte do Distrito de Itaverava, Minas Gerais. Dez anos mais tarde o distrito passa a pertencer à Freguesia de Queluz, hoje   Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Em 1948, o nome de Santana do Morro do Chapéu foi alterado para Santana dos Montes e assim permanece. Assim como permanece algumas fazendas e residências construídas nos séculos XVIII e XIX. As fazendas históricas constam de dezesseis ainda preservadas. E na área urbana, só no largo da Capela de Sant’Ana, são dez moradias e históricas que ainda se mantem de pé, entre elas, o sobrado de dois andares da Pousada Solar dos Montes.  

Para saber mais sobre Sant'ana dos Montes, antiga Sant'Ana do Morro do Chapéu, acesse os links abaixo:

👉Sant'Ana dos Montes, Minas Gerais 

👉Santana dos Montes, Minas Gerais. Vídeo Youtube 


Santana dos Montes, Minas Gerais


Santana dos Montes, Minas Gerais. Detalhe: Igreja de Sant'Ana

 

Sobre a localidade de nascimento do Alferes Bartolomeu Fernandes, ou seja, Porto Judeu na Ilha Terceira, Açores, Portugal, já foi contextualizado quando seus pais foram citados. Vide páginas 223 e 224.  


 👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal

👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube

👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Vídeo Facebook

 

Porto Judeu., Angra do Heroísmo,Ilha Terceira, Açores, Portugal,

 

 

Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal

 

 



                                                                                          

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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

7º Avós ou heptavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha