Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço
O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha. O ponto de partida é a mãe de ambos, Lídia Fernandes Rocha. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.
Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço
Agostinho da Rocha, meu 8º avô, nasceu na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, em maio de 1678, pois foi batizado no dia 16 de maio de 1678. Embora não constem expressamente a data e o local de seu falecimento, é possível inferir que tenha falecido por volta de 1752, provavelmente na mesma localidade. Essa dedução baseia-se em uma anotação na margem esquerda de seu registro de batismo — uma operação matemática subtraindo o ano de seu nascimento (1678) do ano de 1752, resultando em 74, o que pode indicar a idade com que faleceu.
A ausência do registro formal de óbito de Agostinho da Rocha decorre da perda dos acervos paroquiais da Freguesia de Porto Judeu, cujos livros de falecimentos preservados iniciam-se apenas em 1831. É provável que os registros setecentistas tenham sido destruídos ao longo do tempo por desastres naturais, umidade ou pelos conflitos militares que atingiram a Ilha Terceira durante a Guerra Civil Portuguesa. Diante da lacuna documental, a anotação marginal no assento de batismo torna-se a única evidência preservada de seu falecimento.
Agostinho era filho de Domingos da Rocha e Catarina Pacheco já citados também como 8º avós.
Transcrição Diplomática do Registro de Batismo de Agostinho (Fiel ao Manuscrito)
[Margem esquerda]: Agostinho (Conta de idade anotada depois: 1752 – 1678 = 74)
[Texto principal]: Em 16 de Mayo de 1678 Baptizei Agostinho filho de Domingos da Rocha e sua mulher Catherina Pacheco forão padrinho Manoel M.do [Machado] Brites Fr.ª [Ferreira] filha de Izabel Gaspar viúva de Mel [Manoel] Fr.ª [Ferreira]
Fran.co[ Francisco] de [Carvalho] Borges
A Anotação na Margem: A conta matemática feita à lápis/tinta posterior na margem (1752 – 1678 = 74) era um hábito super comum de genealogistas ou párocos de épocas posteriores para calcular a idade que Agostinho tinha ao falecer (ou ao se casar/fazer habilitação) em 1752, com 74 anos!
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| Registro de batismo de Agostinho da Rocha- área circulada |
Isabel Lourenço, esposa de Agostinho e minha 8ª avó, nasceu no dia 21 de fevereiro de 1680 na Freguesia de Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Não foi possível ter acesso à data de falecimento. A ausência do registro formal de óbito de Isabel Lourenço decorre da perda dos acervos paroquiais da Freguesia de Porto Judeu, cujos livros de falecimentos preservados iniciam-se apenas em 1831. Contudo é possível afirmar que faleceu na mesma localidade onde nasceu.
Isabel era filha de Manoel Álvares e Maria Lourenço, já citados também como 8º avós.
Transcrição do Assento de Batismo de Isabel Lourenço
1. Transcrição Diplomática (Fiel ao Manuscrito)
Margem: Izabel.
Texto: "Em vinte e hum dias do mes de fevereyro de 1680 baptizou o P.e [Padre / Vigário] Fr.co de Carvalho Borges A Izabel f.a [filha] de Manoel alveres e de sua m.er M.a [Maria] [L.co?] forão padrinhos Mathias Correa f.o [filho] de Manoel Correa e M.a Vieira f.a [filha] de Manoel Vieira — Cura Belchior Coelho"
2. Leitura Atualizada
Margem: Izabel
"Em vinte e um dias do mês de fevereiro de 1680, baptizou o Padre Francisco de Carvalho Borges a Izabel, filha de Manoel Álvares e de sua mulher Maria [Lourenço]; foram padrinhos Mathias Correa, filho de Manoel Correa, e Maria Vieira, filha de Manoel Vieira. Cura Belchior Coelho."
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| Registro do Batismo de Isabel Lourenço- área circulada |
Vale ressaltar que esses meus 8º avós, são ao mesmo tempo meus 7º avós, porque lá na frente um trineto de ambos se casou com uma tataraneta de ambos também. O que significa um tio casou com a sobrinha. Nada menos que os pais da esposa do vovô Tõe.
Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço, meus 8º avós se casaram no dia 14 de janeiro de 1703 na mesma localidade onde nasceram, ou seja, Porto Judeu, município de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal. Eram pais de Rosa Mariana, minha 7ª avó, casada com Manoel Fernandes. Vale frisar que ela era também, ao mesmo tempo minha 6ª avó, pois um trineto seu casou-se com uma tataraneta bem lá na frente. Os pais da esposa do vovô Tõe.
Transcrição do Assento de Casamento de Agostinho e Isabel
1. Transcrição Diplomática (Fiel ao Manuscrito)
Margem:
Agostinho da Rocha com izabel Lo.raTexto: "Em catorze dias do mes de jan.ro de mil e sete centos e tres por m.co [mandado] do R.do provizor o doutor Lazaro de Souza Pr.a [Pereira] recebi em fa.ce de sa.nta igreja a Agostinho da Rocha f.o [filho] de D.os [Domingos] da Rocha e de sua m.er Catherina Pacheco com izabel Lo.ra [Lourença/Lourenço] f.a [filha] de M.el Alveres e de sua m.er Maria Lo.ra [Lourença/Lourenço]; todos naturais e fregueses desta parrochial de S.to Ant.o [Santo António] do lugar do porto judeu, forão testemunhas o capitaõ Lourenço Tr.es [Torres] de Carv.o [Carvalho] e M.el [Manoel] M.ro [Monteiro/Machado] Neto que comigo assinaraõ hoje 14 de jan.ro de 1703 — Vig.ro Ant.o [António] Borges Machado"
2. Leitura Atualizada
Margem: Agostinho da Rocha com Isabel Lourenço
"Em catorze dias do mês de janeiro de mil e setecentos e três, por mandado do Reverendo Provedor, o Doutor Lázaro de Souza Pereira, recebi em face da Santa Igreja a Agostinho da Rocha, filho de Domingos da Rocha e de sua mulher Catherina Pacheco, com Isabel Lourenço, filha de Manoel Álvares e de sua mulher Maria Lourenço; todos naturais e fregueses desta paroquial de Santo António do lugar do Porto Judeu. Foram testemunhas o Capitão Lourenço Torres de Carvalho e Manoel [Monteiro/Machado] Neto, que comigo assinaram hoje, 14 de janeiro de 1703. Vigário António Borges Machado."
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| Registro de casamento de Agostinho e Isabel- área circulada |
Sobre Porto Judeu, onde nasceram, viveram e faleceram Agostinho da Rocha e Isabel Lourenço, meus 8º avós - 1678 a 1750
Para contextualizar a vida desses meus 8º avós em Porto Judeu (na Ilha Terceira, Açores) desde a virada do século XVII para o XVIII até por volta de 1750, é preciso entender como era o cotidiano, a economia e a sociedade daquela freguesia marítima e rural na época do casamento deles em 1717.
1. Geografia e Organização da Freguesia
Localização e isolamento relativo: Porto Judeu situa-se no litoral sul da Ilha Terceira, pertencente ao concelho de Angra do Heroísmo. Era uma freguesia litorânea, com enseadas de rocha vulcânica (muralhas naturais de biscoito/lava) e terreno acidentado.
A Igreja Paroquial: A vida social, religiosa e comunitária girava em torno da Igreja Paroquial de Santo António (o padroeiro da freguesia, onde os registros de casamento e batismo eram realizados pelo pároco) e das irmandades locais.
Os Impérios do Espírito Santo: A devoção ao Divino Espírito Santo já era o centro da identidade comunitária. As festas dos Impérios (com a distribuição de pão, carne e vinho aos pobres) eram o momento de maior coesão social da freguesia.
2. Vida Econômica e Sobrevivência (1700–1750)
A vida em Porto Judeu na primeira metade do século XVIII era marcada por uma economia de subsistência e de apoio à capital, Angra:
Agricultura de Subsistência e Cereais: A maior parte dos moradores vivia do cultivo da terra — principalmente trigo, milho, cevada e legumes (como fava e feijão). O trigo açoriano abastecia a ilha e exportava-se para o continente e demais praças.
Vinhedos e Pomares: Nas zonas de biscoito (solo vulcânico), cultivavam-se vinhas para consumo local e produção do vinho regional.
Pesca e Recursos Marítimos: Por ser uma freguesia costeira com um pequeno porto/enseada, muitos homens conciliavam a lavoura com a pesca artesanal de subsistência, garantindo peixe fresco para as famílias e para venda no mercado de Angra.
Criação de Gado: A criação de gado bovino e ovino nos pastos mais altos fornecia leite, queijo, lã e força de trabalho para os arados.
3. Cotidiano e Relação com Angra do Heroísmo
Proximidade com a Capital: Porto Judeu fica a poucos quilômetros do centro urbano de Angra do Heroísmo (então uma das cidades mais importantes do Atlântico e porto de escala da Navegação das Índias e do Brasil). Os moradores de Porto Judeu deslocavam-se a pé ou a cavalo/carro de bois até Angra para vender excedentes agrícolas e comprar tecidos, sal, ferramentas e artigos importados.
Vigilância da Costa: Por estar no litoral açoriano, a freguesia estava exposta à ameaça de corsários e piratas que rondavam o Atlântico. Existiam pontos de vigia ao longo da costa e fortes de defesa (como o Reduto da Salga e o Forte de Santo Antônio) mantidos pela milícia local.
4. Perfil Demográfico e Familiar
Famílias Numerosas e Alta Mortalidade: Como era comum no século XVIII, os casais tinham famílias grandes (muitas vezes entre 6 e 12 filhos), mas a taxa de mortalidade infantil era elevada. A esperança média de vida raramente ultrapassava os 50–60 anos.
Casamento Rural Consanguíneo: Como a mobilidade entre ilhas ou até entre freguesias distantes era reduzida, era muito frequente os casamentos ocorrerem entre famílias da própria freguesia ou de freguesias vizinhas (como Feteira, Ribeirinha ou São Sebastião).
Emigração Insipiente: Na primeira metade do século XVIII, começava a intensificar-se a emigração de açorianos para o Brasil (especialmente para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, promovida pela Coroa portuguesa), embora o grande pico migratório tenha ocorrido a partir de 1748.
Para saber mais sobre Porto Judeu, acesse os links abaixo:
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal
👉Porto Judeu, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal- Vídeo Youtube
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