Manoel Machado de Miranda e Apolônia de Mendonça Machado

 

 

  PS.: 

O Gráfico acima refere-se aos meus ancestrais (8º avós ou octavós) pelo lado de meu avô paterno Fortunato Machado Rocha (conhecido como Natim) e o avô materno Aristeu Machado Rocha.  O ponto de partida é o pai de ambos Antônio Bonifácio Machado. Nessa sequência siga o gráfico na primeira linha superior.

 

   Manoel Machado de Miranda e Apolônia de Mendonça Machado

 

Manoel Machado de Miranda, meu 8º avô, nasceu em 1679 na freguesia de Ribeirinha, município de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Arquipélago dos Açores, Portugal. Ele faleceu em 4 de fevereiro de 1729, nessa mesma localidade, com cerca de 50 anos de idade. Conforme documento de óbito, ele recebeu todos os Santos Sacramentos e foi sepultado na Igreja Paroquial (freguesia de São Pedro da Ribeirinha). Consta também que fez testamento, no qual deixou todas as esmolas de costume. O óbito foi assinado pelo Vigário Inácio Cardoso de Fraga. Manoel era filho de Mateus Machado de Miranda e Margarida Alves, que são meus 9ºs avós.

 Transcrição do Registro de Óbito de Manoel

 Transcrição Literatim (Grafia Original)

Em os 4 de desemb.ro de 729, falleceu M.el M.do Miranda de idade de 50 a.os pouco mais ou menos, Recebeu todos os Direitos SaCram.tes p.ª o q.l fez testam.to vocal, levou todas as liçenç.as [p.ª a sepult.ª] [sepulta]do de que antecede q.e esta cazado com Appolo- nia M.da . Vig.ro Ig.na.cio Ca.rdo.zo [de Albr.ª]

 Leitura Atualizada

"Em os 4 de dezembro de 1729, faleceu Manoel Machado de Miranda, de idade de 50 anos, pouco mais ou menos. Recebeu todos os Direitos Sacramentais, para o qual fez testamento vocal, levou todas as licenças para a sepultura [ou sepultado no adro] de que antecede, que está casado com Apolônia Mendonça.

(Assinado pelo) Vigário Ignácio Cardoso de Albuquerque."

 

Óbito de Manoel

 
 
 Apolônia de Mendonça Machado, esposa de Manoel e minha 8ª avó, nasceu em fevereiro de 1680 e foi batizada conforme documento em 18 de fevereiro desse mesmo ano de 1680, em Ribeirinha, Angra do Heroísmo, pelo Pároco Rodrigues Quaresma Fagundes Seus padrinhos foram Manoel Martins Ribeiro e Maria Ribeiro (esposa de João Machado). Todos eram moradores da própria freguesia da Ribeirinha.  
Apolônia faleceu na mesma localidade em 26 de maio de 1735, aos 55 anos. Conforme documento de óbito assinado pelo Vigário Inácio Cardoso de Fraga — o mesmo que enterrou o marido dela seis anos antes —, ela recebeu todos os Divinos Sacramentos, não deixou testamento e foi sepultada na cova de seus antepassados dentro da igreja. Isso confirma que a família dela (os Mendonça / Machado) já tinha jazigo ou local de sepultamento próprio naquela paróquia há gerações! Em seu funeral, levou a Cruz das Almas e a cruz do terço no cortejo ou amortalhamento.  Apolônia era filha de Manoel Machado Bixiga e Maria de Mendonça, meus 9ºs avós. 

Transcrição do Registro de Batismo de Apolônia

 Transcrição Literatim (Grafia Original)

(Margem): Appolonia

Em os dezagueto dias do mes de fevereiro do anno de seis Centos e oitenta baptizei a Appollonia f.a de M.el machado e sua m.er M.a de mendoça foram padrinhos M.el martins Ribeiro e M.a Ribeiro m.er digo machado todos freguezes desta fregue- zia do Apostolo Sam P.º da R.ª beirinha fiz por verdade e asinei e vai asima nos nomes por passagem verdade

(Assinado pelo padre): P.e P.o Fagundes

Leitura Atualizada

"Em os dezoito dias do mês de fevereiro do ano de seiscentos e oitenta [18 de fevereiro de 1680], batizei a Apolônia, filha de Manoel Machado e sua mulher Maria de Mendonça. Foram padrinhos Manoel Martins Ribeiro e Maria Ribeiro, mulher... digo, Machado, todos fregueses desta freguesia do Apóstolo São Pedro da Ribeirinha. Fiz por verdade e assinei, e vai acima nos nomes por passagem verdade.

(Assinado pelo) Padre Pedro Fagundes."

 

Batismo de Apolônia
  

Transcrição do Registro de Óbito de Apolônia

Transcrição Literatim (Grafia Original)

Appelonia M.da de idade de 60 a.os viuva de M.el M.do Miranda falleceo em os 26 de Maio de 35, recebeu todos os Divinos Sacramentos, nao fez testam.to foi sepultada em cova dos seos antepassados, levou n'a cruz das Almas e dos [mais?] e fiz este p.a constar. Vig.ro Ig.na.cio Cardozo [de Albr.ª]

 Leitura Atualizada

"Apolônia Machado, de idade de 60 anos, viúva de Manoel Machado de Miranda, faleceu em os 25 de Maio de 1735. Recebeu todos os Divinos Sacramentos, não fez testamento. Foi sepultada em cova dos seus antepassados, levou na cruz das Almas e dos mais, e fiz este para constar.

(Assinado pelo) Vigário Ignácio Cardoso de Albuquerque."

 

Óbito de Apolônia
 


⛪ O Casamento na Igreja de São Pedro (Com Prova Documental!)
Manoel e Apolônia se casaram no dia 26 de fevereiro de 1702, na Freguesia de Ribeirinha. Graças ao registro original de casamento preservado no FamilySearch, hoje sabemos com absoluta certeza os detalhes desse matrimônio. No dia da cerimônia, ele tinha 23 anos e ela, 22.
O documento paroquial da época registra logo em suas linhas iniciais:
"Em os vinte e seis dias do mês de Fevereiro de mil sete centos e dois anos nesta Igreja Paroquial de São Pedro da Ribeirinha..."
O texto antigo segue o rigor da época, explicando que o casamento foi realizado após serem feitas as "denunciações" (os proclamas de casamento) na forma do Sagrado Concílio Tridentino, confirmando que ambos os noivos eram naturais e moradores daquela mesma paróquia e que não havia nenhum impedimento para a união. O registro também confirma oficialmente a filiação de Manoel (filho de Mateus Machado de Miranda e Margarida Alves) e de Apolônia (filha de Manoel Machado Bixiga e Maria de Mendonça). 

Transcrição do Registro de casamento de Manoel e Apolônia

[Margem] M.º  Co.m Apelo- nia M.ª

[Texto Principal] Em os vinte e seis dias do mes de fev,r.º de mil e sette centos e dous annos nesta Igreja Parochial de S. P.º da Ribeirinha feitas as denunciaçõis na forma do Sag. Conc. Trid. onde os con trahentes sao fregueses e naturais sem se desco- brir impedim.to em p.rença de mi Vig.º Ant.º de Linhares Borba sendo presentes as t.as Luiz Lopes, e Ant.º Dias. e m.te na.da se casaraõ solemne m.te por palavras de p.rezente e com bẽ- çao da Igreja por desp.º do Ill.mº e R.mº S.r B.po D. Ant.º ,M.el f.o de Matheus de Miranda e de sua m.er Margarida Alves e Apollo- nia de M.ca f.a de M.el  M.r e  M.ria M.ça.

 

Registro original do casamento de Manoel e Apolônia em 1702, na Ilha Terceira, Açores
 
Dessa união nasceram alguns filhos. Entre eles está Antônio Machado de Miranda, meu 7º avô, que mais tarde se casaria com Catharina Maria de Jesus, dando continuidade à nossa linhagem familiar.
 
Igreja Matriz de São Pedro em Ribeirinha nos dias atuais

 
 
📍 Conhecendo a Freguesia de Ribeirinha

1. Uma Paróquia Independente e Consolidada

A Ribeirinha já era uma paróquia independente desde 1568, desmembrada da Sé de Angra. Portanto, entre 1679 e 1735, a freguesia já tinha mais de um século de autonomia eclesiástica.

  • A Igreja Paroquial: O centro da vida comunitária era a primitiva Igreja de São Pedro (o padroeiro local). Essa igreja original do século XVI passou por reformas e modificações exatamente ao longo do século XVIII para comportar o crescimento da população. Era ali que ocorriam todos os batizados, casamentos e óbitos da paróquia.

  • A Devoção ao Espírito Santo: Embora os "Impérios" físicos (as capelinhas coloridas) ainda não fossem de pedra como os que vemos hoje, as festividades do Divino Espírito Santo já moviam a comunidade. As coroações e os bodos (distribuição de carne e pão aos mais pobres) eram organizados em estruturas temporárias de madeira ou dentro de casas particulares.

2. A Vida Econômica: Agricultura e Pecuária

Localizada no litoral sul da ilha, logo acima de Angra, a Ribeirinha tinha (e tem) uma posição geográfica privilegiada, espalhando-se pelas encostas da Serra da Ribeirinha.

  • Celeiro de Angra: Pela proximidade com a capital da ilha (cerca de 4 a 5 km), a freguesia funcionava como uma fornecedora essencial de alimentos.

  • Culturas da Época: O quotidiano da população era o trabalho na terra. Produzia-se essencialmente o trigo (base da alimentação e exportação), o milho (introduzido e já muito popular), legumes e o cultivo de vinhas nas encostas.

  • A Pecuária: A criação de gado bovino para leite e carne, aproveitando as pastagens verdes da serra, já era uma marca forte dos homens da localidade.

3. Sociedade e Estilo de Vida

Nesse período (1679-1735), a população vivia sob uma estrutura social tipicamente rural, mas fortemente influenciada pelas ordens religiosas e pela aristocracia de Angra.

  • Casas Rústicas: As habitações comuns eram simples, feitas de pedra vulcânica empilhada (muitas vezes rebocadas de cal branca) e cobertas de palha ou telha artesanal.

  • O Tecido Social: A maioria dos moradores era de camponeses, lavradores e pequenos artesãos (como sapateiros e carpinteiros). No entanto, algumas famílias abastadas de Angra possuíam terras na Ribeirinha, utilizando-as como propriedades de veraneio ou exploração agrícola.

4. O Contexto das Migrações

Esse período exato entre o final do século XVII e o início do século XVIII começou a ser marcado por uma forte crise de superpopulação nos Açores. A terra começou a ficar escassa para tantos filhos, e as crises de fome pontuais — causadas por maus anos agrícolas ou tremores de terra — começaram a empurrar muitos terceirenses e açorianos a olharem para o horizonte.

Foi justamente no final desse período que a Coroa Portuguesa começou a incentivar e organizar de forma mais intensa a emigração de casais açorianos para o Brasil (sobretudo para colonizar o Sul, mas também atraídos pelo fluxo do ouro em Minas Gerais).

Imaginar a Ribeirinha entre 1679 e 1735 é visualizar um cenário de homens e mulheres de rosto grave e fisionomia calejada pelo vento atlântico, subindo as ladeiras de terra e pedra, cuidando do gado com os olhos voltados para o mar de Angra e, muitas vezes, sonhando com as terras distantes do além-mar.

 Para saber mais sobre essa localidade onde viveram esses meus 8º avós Manoel e Apolônia acesse os links abaixo:

👉Imagens de Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal 

👉Sobre Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, Portugal 

Vista aérea de Ribeirinha, Ilha Terceira, Açores, portugal

 

Brasão dos Machado de Miranda
 


 



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ÍNDICE E APRESENTAÇÃO

8º avós ou octavós pelo lado de meus avós Fortunato Machado Rocha ( Natim), avô paterno e Aristeu Machado Rocha, avô materno, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado (vovô Tõe) e Lídia Fernandes Rocha

3º avós ou trisavós pelo lado de vovô Fortunato (Natim) e vovô Aristeu, seguindo a linha ancestral de seus pais Antônio Bonifácio Machado e Lídia Fernandes Rocha, bem como 3º avós pelo lado de Valdomira Barbosa sucupira, esposa de Fortunato Machado Rocha ( Natim) e 3º avós pelo lado de Divina Frutuoso Soares, esposa de Aristeu Machado Rocha